Home » Artigos arquivados » Tutorial sobre placa mãe Parte 1/3

Tutorial sobre placa mãe Parte 1/3

Autor: Laércio Vasconcelos
Data: 25/março/2007

Extraído do livro

HARDWARE NA PRÁTICA 2a EDIÇÃO

Capítulo 2 do livro “Hardware na prática”, segunda edição. Apresenta os conceitos técnicos sobre placas mãe modernas, suas interfaces, processadores e memórias. Informações importantes para quem quer conhecer esta importante placa, que é a mais importante do computador. OBS: O livro tem outros capítulos detalhados sobre memórias, processadores, discos, etc.

A placa mãe

Na placa mãe ficam localizados o processador, a memória, várias interfaces e circuitos importantes. Praticamente todo o trabalho do computador é realizado por esta placa e seus componentes. Portanto usar uma placa mãe de baixa qualidade (e em conseqüência, de baixa confiabilidade) coloca a perder toda a confiabilidade e desempenho do computador.

Influência da placa mãe no desempenho do micro

Muitos usuários desejam um computador de alto desempenho. Por isso podem eventualmente pagar mais caro por um processador mais veloz, escolhendo, por exemplo, um Pentium 4 de 3,6 GHz, ao invés de um Pentium 4 de 2,8 GHz. O processador é o maior responsável pelo desempenho de um computador, mas ele não é o único. Se a placa mãe não tiver também um desempenho adequado, ela acabará prejudicando a eficiência do próprio processador.

Algumas placas mãe são bem projetadas e deixam o processador trabalhar com a sua máxima velocidade. Outras placas são mal projetadas e tornam-se instáveis. Para eliminar a instabilidade, muitos fabricantes fazem pequenas reduções nas velocidades de acesso entre o processador, as memórias e outros componentes. Como resultado, o desempenho fica prejudicado. Comparando vários modelos de placas similares, porém de fabricantes diferentes, todas utilizando processadores iguais, podemos encontrar diferenças de desempenho de até 20%. Não pense, portanto, que as placas mãe são todas iguais, que basta escolher o processador e pronto. É preciso procurar uma boa placa, confiável e rápida.

Uma placa para cada processador

À primeira vista as placas mãe são bastante parecidas, mas existem muitas diferenças. É preciso levar em conta que cada tipo de processador exige um tipo de placa. Hoje existem diversas categorias de processadores, e cada um deles requer suas próprias placas mãe. Em toda placa mãe, o processador fica encaixado em um conector chamado soquete. Cada processador requer um soquete apropriado. Como uma placa mãe tem apenas um soquete, o resultado é que cada tipo de processador requer uma categoria de placa mãe. Como mostraremos a seguir, todos os tipos de soquete possuem uma alavanca lateral para instalar / desinstalar o processador. Para instalar ou retirar o processador, temos que levantar a alavanca. Depois de colocado o processador no soquete, devemos abaixar a alavanca, travando-a.

Placas para processadores Intel

A Intel é a maior fabricante mundial de processadores, seguida pela AMD. Podemos citar alguns lançamentos dos últimos anos: Pentium III (1998), Pentium 4 (2000), Pentium D (2005), Core 2 Duo e Core 2 Quad (2006). Comecemos abordando o Pentium 4, por ser o mais popular, e depois mostraremos mais detalhes sobre os modelos mais novos, e também sobre alguns modelos antigos.

Na ocasião do seu lançamento, o Pentium 4 utilizava um soquete provisório chamado Socket 423. Depois de alguns meses passou a utilizar um outro formato, o Socket 478, que vigorou a partir de 2001. O Socket 478 foi o mais comum para o Pentium 4, mas a partir de 2004 este processador passou a ser fabricado com outro formato, requerendo um novo soquete, chamado Socket LGA 775. Todos os modelos mais novos de Pentium 4 usam este novo soquete. Como o Socket 423 é o mais antigo e foi pouco usado, abordaremos a seguir apenas o Socket 478 e o Socket 775, por serem os mais comuns.

a) Placas com Soquete 478

Permitem a instalação de processadores Pentium 4 e também do Celeron derivado do Pentium 4 que tenham 478 pinos. Observe na figura 1 a pequena alavanca localizada na parte lateral do soquete.

Figura 1
Socket 478. Figura 2
Processador Pentium 4 com encapsulamento PGA 478 (parte inferior).

b) Placas com soquete 775

Este é o mais recente formato do Pentium 4 (figura 3) foi lançado em meados de 2004. Durante algum tempo o formato antigo (Socket 478) continuou sendo o mais comum, mas aos poucos o novo formato passou a prevalecer. Ainda no início de 2007 era possível encontrar no mercado, muitos modelos de Pentium 4 e Celeron com Socket 478, mas os modelos com Socket 775 já são maioria.

OBS: Os novos processadores Intel Core 2 Duo e Intel Core 2 Quad também usam o Socket 775, mas é preciso escolher uma placa mãe que seja compatível com esses processadores. Nem toda placa mãe com Socket 775 suporta o Core 2 Duo ou o Core 2 Quad, mesmo usando o soquete correto.

Figura 3
Pentium 4 com formato LGA 775.

Figura 4
Soquete LGA 775.

Placas para processadores AMD

Fizeram muito sucesso entre 2000 e 2004 os processadores AMD Athlon, Duron e Athlon XP. Seu soquete é chamado Socket 462 ou Socket A. Essses processadores foram descontinuados em meados de 2005, mas como foram muito vendidos, encontramos muitos micros em funcionamento equipados com tais processadores.

Já em 2003 a AMD lançou novos soquetes para sua nova geração de processadores. O Socket 754, que suporta processadores Athlon 64 e Sempron, o Socket 939, que suporta também modelos de Athlon 64 e do Athlon 64 FX (uma versão de maior desempenho do Athlon 64), e mais recentemente o Athlon 64 X2, que é um processador dual (dois processadores dentro de um único chip). Em 2006 foi lançado o Socket AM2, que tem 940 pinos, e é usado pelas versões mais novas do Athlon 64, Athlon 64 FX e Athlon 64 X2. É uma verdadeira confusão de soquetes, vamos apresentá-los com detalhes a seguir.

a) Placas com Soquete A

O Soquete A, também chamado de Soquete 462, destina-se à instalação de processadores Athlon, Duron, Athlon XP e Sempron (os primeiros modelos de Sempron usavam o Socket A, os atuais usam o Socket 754 ou o Socket AM2). Placas com o Socket A foram bastante utilizadas entre 2001 e 2004. Observe na parte esquerda do soquete da figura 5, a sua alavanca lateral.

Figura 5
Socket A. Figura 6
Processador Athlon XP para Socket A.

b) Placas para Socket 754

Modelos mais simples do processador AMD Athlon 64 e do Sempron usam o chamado Socket 754. Soquetes novos serão bem parecidos com os atuais, sempre terão uma alavanca lateral que deve ser levantada para permitir a instalação ou a retirada do processador.

Figura 7
Processador Sempron para Socket 754. Figura 8
Socket 754, usado pelo processador AMD Athlon 64 e Sempron.

c) Placas para Socket 939

Este é o soquete usado por muitos modelos de Athlon 64. Um grande diferencial deste tipo de soquete é que seus processadores operam com memórias DDR com 128 bits, enquanto a maioria dos processadores usa memória DDR de 64 bits. Mais adiante nesse capítulo apresentaremos as memórias DDR.

Figura 9
Processador Athlon 64 para Socket 939.

Figura 10
Socket 939.

d) Placas para Socket AM2

No início de 2006 a AMD lançou um novo soquete para seus processadores Athlon 64, Athlon 64 FX, Athlon 64 X2 e Sempron. É o Socket AM2, que tem 940 pinos e suporta memórias DDR2. Novas versões desses processadores passaram a ser produzidas para este novo tipo de soquete, apesar dos tradicionais soquetes 754 e 939 terem continuado sendo populares.

Figura 11
Processador Athlon 64 X2 para Socket AM2. Figura 12
Socket AM2.

Resumo de processadores e soquetes

Apresentamos até o momento apenas os soquetes mais comuns, para os processadores produzidos entre os anos de 2001 e 2007. Certamente novos soquetes chegarão ao mercado, e você não terá dificuldades em montar futuramente, computadores que usam esses soquetes. Mais adiante nesse capítulo mostraremos também alguns soquetes mais antigos, usados com processadores que dominaram o mercado nos anos 90, como o Pentium, Pentium II, Pentium III e AMD K6-2. A tabela apresentada a seguir resume os soquetes e processadores apresentados até agora.

Soquete

Processadores

Socket 478

Pentium 4, Celeron, Celeron-D

Socket 775

Pentium 4, Celeron, Celeron-D, Pentium D, Pentium EE, Core 2 Duo, Core 2 Quad.

Socket A

Athlon, Duron, Athlon XP, Sempron

Socket 754

Athlon 64, Sempron

Socket 939

Athlon 64, Athlon 64FX, Athlon 64 X2

Socket AM2

Athlon 64, Athlon 64 FX, Athlon 64 X2, Sempron

Placas para processadores antigos

Se você não vai montar um PC novo, e sim dar manutenção em PCs antigos, precisa conhecer também os soquetes e demais conectores para processadores que já saíram de linha.

Socket 423 – Era usado nas primeiras versões do Pentium 4. Poucos meses depois do lançamento do Pentium 4, a Intel lançou o Socket 478. Durante mais alguns meses, ambos os tipos de Pentium 4 foram fabricados. O último Pentium 4 produzido para Socket 423 foi o de 2 GHz, a partir daí o padrão passou a ser o Socket 478.

Figura 13
Processador Pentium 4 para Socket 423. Figura 14
Soquete de 423 pinos, usado nos primeiros modelos do Pentium 4.

Slot 1 – Foi lançado em 1997, usado inicialmente para os processadores Pentium II. Foi também usado nas primeiras versões do Celeron e do Pentium III. Podemos encontrá-lo em placas mãe para esses processadores, fabricadas entre 1997 e 2000.

Figura 15
Processador Pentium II para Slot 1. Figura 16
Slot 1, usado com processadores Pentium II e primeiras versões do Celeron e do Pentium III.

Slot A – Assim como as primeiras versões do Pentium III usavam um slot ao invés de um soquete, os primeiros processadores Athlon também seguiam esta linha. Usavam um slot muito parecido com o Slot 1, chamado Slot A. Na verdade o Slot A tinha o mesmo formato do Slot 1, apenas era instalado de forma invertida na placa mãe, e desta forma, seu chanfro ficava na posição oposta. Isto impedia a instalação de processadores Athlon em placas para Pentium II/III, e vice-versa. E atenção, se encaixarmos o processador errado de forma invertida, não funcionará, e sim, queimará.

Figura 17
Processador Athlon para Slot A. Figura 18
Slot A, usado nas primeiras versões do processador Athlon.

Socket 370 – Entre 1999 e 2000, a Intel passou a utilizar novamente o formato de soquete para seus processadores. Fez isso inicialmente com o Celeron, depois com o Pentium III. Surgiu então o Socket 370, eletricamente similar ao Slot 1, porém mecanicamente diferente. Este soquete foi usado a partir de então nas placas mãe para Celeron e Pentium III, até cessar a produção desses processadores, em 2002.

Figura 19
Processador Pentium III para Socket 370. Figura 20
Socket 370, usado nas versões mais recentes do Pentium III e do Celeron derivado do Pentium III.

Socket 7 e Super 7 – O Socket 7 era usado no processador Pentium (1995-1998). Naquela época, outros fabricantes faziam processadores com pinagem (disposição dos pinos do chip) compatível com a do Pentium, e portanto uma única placa mãe suportava processadores de fabricantes diferentes. O Socket 7 foi descontinuado pela Intel após o lançamento do Pentium II (1997). A AMD e outros fabricantes continuaram produzindo chips para o Socket 7 durante mais dois anos. Desenvolveram um tipo especial de Socket 7, com velocidade 50% maior (100 MHz, ao invés de 66 MHz). Era chamado de Super 7. Este soquete era comum nas placas mãe de baixo custo produzidas entre 1998 e 2000. Quase sempre eram equipadas com o processador AMD K6-2.

Figura 21
Processador AMD K6-2, para Socket 7. Figura 22
Socket Super 7, usado com os processadores K6-2 e similares.

Soquetes de processadores mais antigos – Processadores 286, 386 e 486 também usavam seus próprios soquetes, muito parecidos com os descritos aqui, porém com um número menor de pinos. Processadores 486 e anteriores estão fora do escopo deste livro, mas você encontrará informações a respeito na área de artigos de www.laercio.com.br, caso precise lidar com PCs muito antigos.

Clock interno, clock externo e cache

Todo processador acessa a memória continuamente. Na memória existem dados a serem manipulados e programas a serem executados. A execução é feita no NÚCLEO. O núcleo é muito mais rápido que a memória, por isso existe dentro do processador, duas áreas de memória rápidas que ajudam a acelerar o acesso. A CACHE L2 acelera os acessos à memória, e a CACHE L1, por sua vez, acelera os acessos à CACHE L2 (figura 23).
Figura 23
Estrutura simplificada de um processador.

Clock interno

É a velocidade do núcleo do processador. Por exemplo, um processador de 3 GHz tem seu núcleo executando 3 bilhões de operações por segundo. Outros exemplos:

Pentium 4 de 3,4 GHz

Athlon 64 X2 de 2,4 GHz

Pentium III de 800 MHz, etc…

Caches L1 e L2

A CACHE L1 é importante, mas o usuário normalmente não tem escolha sobre sua velocidade e quantidade. Por exemplo, processadores Athlon possuem cache L1 com 128 kB. Já a CACHE L2 é normalmente oferecida em várias quantidades, dependendo do processador. Existem processadores com 64 kB, 128 kB, 256 kB, 512 kB, 1024 kB e 2048 kB de cache L2.

Clock externo e FSB

Processadores velozes devem acessar a memória de forma também mais veloz. Ainda assim, o CLOCK EXTERNO (velocidade do FSB) é sempre inferior ao CLOCK INTERNO. Exemplos:

Pentium 4 de 3,2 GHz, com FSB de 800 MHz.

Athlon XP 2400+, com FSB de 266 MHz.

Pentium III de 800 MHz, com FSB de 133 MHz.

K6-2/500, com FSB de 100 MHz.

FSB significa Front Side Bus. Também é chamado de System BUS. O clock externo nada mais é que a velocidade do FSB.

Exemplos de processadores e suas características

A tabela abaixo mostra alguns modelos de processadores. Note que cada fabricante oferece uma grande variedade de modelos, com clocks internos diversos. São também oferecidas algumas opções de FSB e de cache L2.

IMPORTANTE: O valor do clock externo influenciará na escolha da placa mãe.

Processador

Clock interno

Clock externo

Cache L2

Pentium 4 3.2E

3.2 GHz

800 MHz

1024 kB

Pentium 4 3.2

3.2 GHz

800 MHz

512 kB

Pentium 4 2,80E

2.8 GHz

800 MHz

1024 kB

Pentium 4 2.80A

2.8 GHz

533 MHz

1024 kB

Pentium 4 2.80C

2.8 GHz

800 MHz

512 kB

Celeron-D 2.53

2.53 GHz

533 MHz

256 kB

Celeron 2.4

2.4 GHz

400 MHz

128 kB

Athlon XP 2400+

2.0 GHz

266 MHz

256 kB

Athlon XP 3200+

2.25 GHz

400 MHz

512 kB

Sempron 2800

2.0 GHz

333 MHz

256 kB

Placas mãe AT e ATX

Durante os anos 80 e até a metade dos anos 90, todas as placas mãe obedeciam ao chamado “padrão AT”. A partir de então entraram no mercado as placas “padrão ATX”, que são as mais comuns hoje em dia. As placas padrão ATX possuem diversas vantagens:

Os conectores ficam na parte traseira, fixos na placa, reduzindo o uso de cabos internos.

O processador fica sempre próximo à entrada de ventilação da fonte de alimentação, contribuindo para um resfriamento mais eficiente.

Os conectores das unidades de disco ficam sempre na parte frontal, mais próximos dessas unidades.

Acesso mais fácil aos soquetes das memórias, facilitando as expansões.

Fonte de alimentação com funções especiais de gerenciamento de energia.

O interior de um computador que usa uma placa mãe ATX é mais organizado, sem aquele “emaranhado” de cabos que existia nos PCs que usavam placas mãe padrão AT. O resfriamento desses gabinetes é mais eficiente e é mais difícil ocorrerem transtornos mecânicos na montagem.
Figura 24
Placas mãe AT e ATX.

Além dessas diferenças técnicas, existem também diferenças nas medidas. As placas padrão AT possuem em geral 21 cm de largura. As do padrão ATX são mais largas, como mostra a figura 24. Não são mais fabricadas placas mãe no padrão AT, somente no ATX. É preciso também comprar um gabinete e uma fonte de alimentação padrão ATX.

É fácil reconhecer à primeira vista uma placa mãe ATX, mesmo que esteja dentro do gabinete. Basta checar a parte traseira do computador. Uma placa mãe ATX possui, na sua parte traseira, um bloco com vários conectores alinhados, como mostra a figura 25. As placas AT possuem na sua parte traseira, apenas um conector para a ligação do teclado.
Figura 25
Conectores na parte traseira de uma placa mãe ATX.

Placas mãe BTX

Estão lentamente chegando ao mercado as placas mãe padrão BTX, que irão substituir dentro de alguns anos, as placas mãe ATX. Se você comprar ou montar um micro hoje, não se preocupe. A transição de AT para ATX durou cerca de 5 anos. As placas ATX provavelmente continuarão sendo produzidas por mais alguns anos. O padrão BTX reagrupa os componentes da placa mãe para permitir melhor dissipação de calor dos componentes mais quentes. Por exemplo, o processador é localizado o mais próximo possível da entrada de ar na parte frontal do gabinete, e é o primeiro a receber o ar frio, o que evita o seu aquecimento.
Figura 26
Placa mãe padrão BTX.

O processador e o seu soquete

Já mostramos os soquetes usados pelos principais processadores. Em qualquer placa mãe padrão ATX, não importa o processador suportado, o soquete fica sempre na parte direita da placa, como vemos na parte direita da figura 24.

É preciso saber instalar o processador no seu soquete. Não importa se a placa tem Socket 478 (Pentium 4), ou Socket A (Athlon XP) ou qualquer outro tipo de soquete. Todos esses soquetes são também chamados de “Socket ZIF” (Zero Insertion Force, ou força de inserção zero). Esses soquetes possuem uma alavanca lateral que deve ser levantada para que o processador seja instalado. Colocamos então o processador no seu soquete, cuidadosamente, como mostra a figura 27. O processador só encaixa em uma posição, graças à disposição dos seus pinos e dos encaixes do seu soquete. Deve encaixar perfeitamente, sem que precisemos fazer força. O soquete só firmará o processador depois que baixarmos a alavanca lateral.
Figura 27
Levantando a alavanca para instalar o processador.

Uma vez que o processador esteja alojado no seu soquete, podemos baixar a alavanca lateral, como mostra a figura 29.

Figura 28
Colocando o processador no seu soquete. Figura 29
Abaixando a alavanca lateral do soquete para travar o processador.

Para instalar corretamente um processador no seu soquete, precisamos também prestar atenção na sua orientação correta. Os soquetes dos processadores normalmente possuem um ou dois cantos que são diferentes dos demais. Observe na figura 30 a parte inferior do processador Pentium 4 e o Socket 478. Um canto do soquete tem dois furos a menos, e um canto do processador tem duas “perninhas” a menos. Esses cantos devem coincidir para que o encaixe seja possível.
Figura 30
Orientação correta do Pentium 4 no Socket 478 (setas pretas).

O mesmo ocorre com o Athlon XP, Sempron e outros processadores que usam o Socket A. Seu soquete tem dois cantos que são diferentes dos outros dois, possuem um furo a menos. O processador tem dois cantos com uma “perninha” a menos. Os dois cantos diferentes do processador devem coincidir com os dois cantos diferentes do soquete (figura 31).
Figura 31
Orientação correta do Athlon XP no seu soquete.

Instalação do cooler no Athlon XP (Socket A)

Mostraremos agora o exemplo da instalação de um cooler em um processador que usa o Socket A (Athlon XP, Athlon, Duron e as primeiras versões do Sempron). No capítulo 7 mostraremos a instalação de coolers em outros tipos de processadores.

OBS: O método de instalação de cooler no Pentium III é similar ao dos processadores que usam o Socket A.

OBS: O capítulo 7 mostra a instalação dos demais tipos de processadores.

O cooler é necessário para refrigerar o processador. Nunca devemos ligar um computador sem o cooler instalado. Os coolers possuem um conector que deve ser ligado na placa mãe, normalmente em um conector chamado CPU_FAN, CFAN ou similar. Este conector em geral possui três fios, sendo dois para fornecimento de corrente, e um para medição da velocidade de rotação do ventilador. Desta forma a placa mãe “sabe” se o ventilador do cooler está girando ou não, e pode tomar providências em caso de defeito neste ventilador. Pode por exemplo provocar um desligamento automático ou a redução da velocidade do processador, evitando que fique superaquecido, o que certamente iria danificá-lo.
Figura 32
Todo cooler, depois de instalado, deve ser conectado em um ponto da placa mãe normalmente indicado como CPU_FAN ou CFAN.

Para instalar um cooler em um processador para Socket A, devemos tomar cuidado com a sua orientação correta. O soquete A tem um dos seus lados diferente dos outros três. O seu cooler também. O lado diferente do cooler deve corresponder ao lado diferente do soquete, como mostra a figura 33. Não esqueça também de retirar a etiqueta de papel que protege o material térmico (elastômero) existente no cooler.
Figura 33
Orientação correta do cooler no soquete do Athlon XP (setas ).

IMPORTANTE: Instale o cooler no processador com a placa mãe fora do gabinete. Instalar o cooler com a placa mãe instalada no gabinete é mais difícil e mais perigoso, requer muita prática.

O cooler do Athlon XP (e de outros processadores que usam soquetes parecidos) possui uma alça metálica que faz a fixação do cooler no soquete. Inicialmente colocamos o cooler sobre o processador e fixamos uma das partes da alça metálica sobre o soquete, como mostra a figura 34.

Figura 34
A alça metálica do cooler deve ser fixada em uma das partes laterais do soquete. Figura 35
Fixando a alça metálica sobre o soquete, com o auxílio de uma chave de fenda.

A outra extremidade da alça metálica tem normalmente um apoio para uma chave de fenda. Usamos uma chave de fenda para baixar a alça metálica cuidadosamente, fixando-a no soquete (figura 35). Tome muito cuidado, esta operação é muito crítica. Se a chave de fenda escorregar, poderá bater na placa mãe e danificá-la. Como medida de segurança, é bom forrar a parte lateral do soquete com um pedaço de papelão. Assim se a chave de fenda escorregar, baterá no papelão, e a placa mãe estará protegida.

Depois de instalar o cooler, ligue-o no conector CPU_FAN da placa mãe, como mostramos na figura 32. O nome deste conector pode variar de uma placa para outra, pode ser CFAN, PFAN ou algo mais enigmático como FAN2, por exemplo. Em caso de dúvida, consulte o manual da placa mãe para checar qual é o conector que deve ser usado. Tome cuidado, pois se ligarmos o cooler no conector errado, a placa mãe “pensará” que o cooler está danificado, pois não perceberá a sua rotação. Muitas vezes isto provocará o desligamento automático do computador. Verifique então no manual da placa, qual é o conector correto para ligar o cooler do processador.

Podemos encontrar coolers para Socket A com sistemas de fixação um pouco diferentes do mostrado aqui. O importante é lembrar que o cooler tem uma posição correta para ser instalado. Se for instalado de forma invertida, poderá danificar o processador.

Módulos de memória

As placas mãe possuem soquetes, sempre próximos do processador, que servem para a instalação de módulos de memória. Observe na figura 36 que esses soquetes possuem duas alças laterais. Devemos puxar essas alças para que o módulo de memória possa ser encaixado.

Figura 36
Soquetes das memórias.

Observe na figura 37 que o soquete das memórias possui saliências chamadas chanfros. Os módulos de memória possuem cortes (também são chamados de chanfros) que se alinham com as saliências existentes no soquete. Os chanfros servem para garantir que o módulo só poderá ser encaixado na posição correta. Também serve para distinguir entre tipos diferentes de memória. Por exemplo, módulos SDRAM não podem ser instalados em um soquete para módulos DDR.
Figura 37
Soquetes e módulos de memória possuem chanfros (saliências e cortes) que devem coincidir para permitir o encaixe na posição correta.

Para instalar um módulo de memória fazemos o seguinte:

1) Abrir as alças laterais do soquete (figura 36)

2) Colocar o módulo cuidadosamente sobre o soquete. Alinhe os chanfros do soquete com os chanfros do módulo (figura 38).

Figura 38
Posicionando o módulo de memória. Figura 39
Travando o módulo de memória.

3) Forçar o módulo para baixo, encaixando-o no soquete. As alças laterais travarão o módulo automaticamente. Verifique se o módulo ficou bem encaixado, e se as alças laterais ficaram bem travadas (figura 39).

Para retirar o módulo do soquete, basta puxar suas alças laterais. As alças forçam o módulo para cima, removendo-o (figura 40).
Figura 40
Retirando um módulo de memória.

Escolhendo o soquete correto

Uma dúvida comum é: “se a placa mãe tem 3 soquetes de memória e queremos instalar apenas um módulo, qual soquete deve ser usado?”. A maioria das placas mãe permitem que qualquer soquete seja usado, em qualquer ordem, mas como regra geral para não termos problemas, é recomendável sempre começar pelo SOQUETE 1. Temos que checar nas indicações impressas na própria placa mãe (serigrafia), qual é a numeração dos soquetes. Na figura 41 vemos que os soquetes estão indicados como DIMM1, DIMM2 e DIMM3. Devemos então começar pelo DIMM1. Se não conseguirmos ver as indicações na serigrafia, devemos consultar o manual da placa mãe.
Figura 41
Indicação da numeração dos soquetes. Em caso de dúvida podemos consultar o diagrama existente no manual da placa mãe.

Memórias antigas

Se você não vai simplesmente montar seu próprio PC, mas dar manutenção em PCs já existentes e não necessariamente novos, precisa conhecer os outros tipos de memória utilizados nos últimos anos.

RDRAM

A RDRAM, ou Rambus DRAM, foi utilizada nas primeiras placas mãe para Pentium 4. Era a única memória suficientemente veloz a ponto de acompanhar a velocidade do Pentium 4. Essas memórias trabalhavam com 400 MHz (400 milhões de acessos por segundo), da mesma forma como o Pentium 4. As memórias então existentes eram as do tipo SDRAM, que chegavam a apenas 133 MHz, e eram usadas em placas com o processador Pentium III e outros da época (1997-2001). A RDRAM caiu em desuso por ser muito cara, e foi substituída pelas memórias DDR, que também são bastante rápidas. Se você lidar com uma placa mãe para Pentium 4 produzida entre 2000 e 2001, provavelmente encontrará memórias RDRAM.
Figura 42
Módulo de memória RDRAM.

A figura 42 mostra um módulo de memória RDRAM, chamado RIMM/184 (Rambus In-line Memory Module). Normalmente o módulo RIMM é coberto por uma chapa metálica que ajuda a dissipar o calor gerado pelos chips.

SDRAM

A SDRAM (Synchronous DRAM) foi muito utilizada entre 1997 e 2002, em placas mãe para processadores Pentium, Pentium MMX, Pentium II, Pentium III, Celeron, K6-2 e similares. Também foi usada nas primeiras placas para processadores Athlon e Duron. As placas mãe para Pentium 4 também chegaram a utilizar entre 2001 e 2002, memórias SDRAM.
Figura 43
Módulo de memória SDRAM.

Os módulos de memória SDRAM usam um encapsulamento (formato) chamado DIMM/168 (Dual In-line Memory Module), com 168 vias. No comércio são chamados simplesmente de “memória DIMM”. Isto é uma imprecisão, pois as memórias DDR também usam um encapsulamento chamado DIMM, que no caso é o DIMM/184.

Memórias SDRAM têm instalação e configuração muito parecida com as memórias DDR. A diferença física está nos chanfros do seu módulo, que impedem a sua instalação no soquete errado. Não é possível, por exemplo, instalar um módulo SDRAM em um soquete para DDR, e vice-versa. A velocidade da SDRAM também é mais baixa. Enquanto as memórias DDR operam com 200, 266, 333 e 400 MHz e valores superiores, as memórias SDRAM operam com 66, 100 e 133 MHz. A tabela abaixo resume as características das memórias SDRAM.

Tipo

Padrão

Clock

Formato

Taxa de transferência

SDRAM

PC66

66 MHz

DIMM/168

533 Mbytes/s

SDRAM

PC100

100 MHz

DIMM/168

800 Mbytes/s

SDRAM

PC133

133 MHz

DIMM/168

1066 Mbytes/s

EDO e FPM

Essas memórias foram usadas entre 1994 e 1997, em placas mãe equipadas com processadores 386, 486 e nas primeiras placas para o processador Pentium. Memórias EDO (Extended Data Out) e FPM (Fast Page Mode) eram produzidas em módulos chamados SIMM/72 (Single In-line Memory Module). Ao contrário dos módulos DIMM/168, DIMM/184 e RIMM/184, que operam com 64 bits (o mesmo número de bits exigidos pelos processadores Pentium e superiores), os módulos SIMM/72 operavam com apenas 32 bits (o mesmo número de bits exigidos pelos processadores 386 e 486). Por isso, ao serem usados em placas mãe para processadores Pentium, eram instalados aos pares. Um banco com dois módulos iguais formava os 64 bits exigidos pelo processador Pentium. Por exemplo, dois módulos EDO ou FPM com 16 MB resultavam em uma memória total de 32 MB.
Figura 44
Módulo SIMM/72.

Módulos de 30 vias

Na era dos processadores 286 e 386, eram comuns os módulos SIPP e SIMM de 30 vias (figura 45). Surgiram no final dos anos 80. Inicialmente tinham “perninhas” para encaixe no seu soquete, por isso ficou popularizado no Brasil o termo “pente de memória”. Pouco tempo depois foi criado um novo tipo de soquete que dispensava o uso das perninhas, tornando a fabricação do módulo mais simples. Eram os módulos SIMM de 30 vias, comuns entre 1990 e 1994.
Figura 45
Módulos de 30 vias.

Módulos SIPP/30 e SIMM/30 operavam com apenas 8 bits. Precisavam ser usados aos pares para formar os 16 bits exigidos pelos processadores 286 e 386SX, ou de 4 em 4 para formar os 32 bits exigidos pelos processadores 386DX, 486, 586 e similares.

Memórias DDR

A velocidade de uma memória é dada pelo número de acessos (leituras ou escritas) realizados por segundo. No caso das memórias DDR, existem modelos chamados DDR200, DDR266, DDR333 e DDR400. Uma memória DDR400, por exemplo, realiza 400 milhões de acessos por segundo.
Figura 46
Um módulo de memória DDR.

Os módulos de memória DDR possuem 64 bits, ou seja, 8 bytes. Uma memória DDR400, por exemplo, faz em um segundo, 400 milhões de transferências, cada uma delas com 8 bytes. Portanto transfere 400.000.000×8 bytes, ou seja, 3200 MB/s. Por isso também chamamos os módulos DDR400 de PC3200. Os tipos de memória DDR são portanto os seguintes:

DDR200 = PC1600
DDR266 = PC2100
DDR333 = PC2700
DDR400 = PC3200

O módulo utilizado pelas memórias DDR é chamado DIMM/184. DIMM significa “dual inline memory module”. Possui 184 contatos, mas este não é o único módulo DIMM existente. As memórias SDRAM, por exemplo, muito comuns entre 1997 e 2001, usadas em PCs com processadores Pentium II, Pentium III e contemporâneos, são fabricadas em módulos chamados DIMM/168 (figura 47).

Figura 47
Módulos de memória:

SDRAM (DIMM/168)

DDR (DIMM/184).

Note como são diferentes os módulos DIMM/168 e DIMM/184 (SDRAM e DDR). Os formatos diferentes impedem que um módulo DDR seja usado em um soquete para módulo SDRAM, e vice-versa.

No comércio as memórias SDRAM são conhecidas como “memória DIMM”, e as memórias DDR são conhecidas pelo nome correto, DDR. Isso é uma inconsistência, pois as memórias DDR também usam um módulo DIMM, apenas com um número de contatos maior, 184 ao invés de 168. É importante conhecer os nomes errados, pois eles são usados no comércio e nas propagandas. Mas é importante também conhecer os nomes corretos, usados nos manuais dos produtos e nos sites dos fabricantes.

Outra questão que gera confusão é a da velocidade das memórias DDR. Uma memória DDR400, por exemplo, não opera na verdade com 400 MHz, e sim, com 200 MHz. Ocorre que ao contrário das memórias mais antigas, as memórias DDR fazem dois acessos de cada vez. Por isso uma memória DDR400, mesmo operando a 200 MHz, é indicada como tendo “400 MHz”. O mesmo ocorre para os outros tipos de DDR. É importante conhecer o clock real das memórias, pois este é o valor que deve ser configurado na placa mãe, através de jumpers ou do CMOS Setup. Por exemplo, uma memória DDR333 deve ser configurada como 166 MHz.

Tipo de memória

Clock

DDR200

100 MHz

DDR266

133 MHz

DDR333

166 MHz

DDR400

200 MHz

Memórias DDR mais velozes

Muitos fabricantes produzem memórias DDR superiores à DDR400. Em geral são caras e destinadas a computadores nos quais é feito overclock*. Podemos citar alguns exemplos:

DDR433 ou PC3500

DDR466 ou PC3700

DDR500 ou PC4000

DDR533 ou PC4200

DDR550 ou PC4400

(*) Overclock: Uma espécie de “envenenamento” do computador, fazendo com que o processador e memória operem com velocidades e tensões acima das especificadas pelos fabricantes. Por exemplo, colocar um Pentium 4 de 2,4 GHz operando a 2,8 GHz. O overclock nem sempre funciona, pode deixar o computador instável, reduzindo a sua confiabilidade, e até mesmo resultar na queima do processador.

Uma memória DDR é capaz de operar com velocidade menor que a sua própria velocidade. Por exemplo:

Memórias DDR266 podem operar como DDR200

Memórias DDR333 podem operar como DDR266 ou DDR200

Memórias DDR400 podem operar como DDR333, DDR266 ou DDR200

Esta característica é importante porque ao criarem memórias mais velozes, os fabricantes muitas vezes param de fabricar os modelos mais antigos. Se você tem, por exemplo, uma placa mãe que exige memórias DDR266, e se não estiver encontrando à venda memórias DDR266, poderá instalar memórias DDR333 ou DDR400. Em casos como esse, as memórias normalmente irão operar com a velocidade mais baixa. Por exemplo, memórias DDR400 irão operar como sendo DDR266.

OBS: Pode ser necessário reduzir manualmente a velocidade das memórias, usando o comando Advanced Chipset Configuration, no CMOS Setup.