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1997 – Transforme seu 486 em Pentium

Autor: Laércio Vasconcelos
Dezembro/1997

Entre os micros antigos (1993-1996), o 486 foi bastante comum. Se você tiver uma dessas relíquias em funcionamento, poderá trocar a sua placa mãe por uma baseada no Pentium. Você usará os mesmos programas, os mesmos discos, gabinetes e periféricos, mas terá um desempenho maior.

Porque não me disse isso antes?

Talvez você esteja surpreso ao ser informado pela primeira vez que para ter um PC Pentium, não é preciso investir na aquisição de um novo. É possível fazer alterações em qualquer PC 486, transformando-o em Pentium através da substituição da placa de CPU.

Alguns usuários acabam perdendo muito dinheiro, vendendo seus antigos PCs 486 por um baixíssimo valor, usando-o como parte do pagamento de um PC Pentium novo. Por exemplo, ao comprar um PC Pentium de $ 2000, vendem o velho PC 486 por $500, e juntam mais $1.500 para completar o preço de um Pentium. Ao invés deste investimento total de $1.500, você pode converter seu velho PC 486 para um Pentium, gastando pouco mais de $300. Se você quiser além de fazer esta conversão, aproveitar para expandir a memória e instalar um novo disco rígido, com generosa capacidade, seu custo total chegará a cerca de $700. Mesmo nesta conversão mais sofisticada, o custo total é de cerca de 1/3 do valor de um PC Pentium novo, e cerca da metade do valor que seria preciso adicionar se o PC 486 fosse usado como parte do pagamento.

Se esta conversão é tão vantajosa, porque não é mais divulgada? A resposta é: interesses comerciais. Empresas que comercializam memórias, discos rígidos, placas de vídeo e placas de CPU de forma avulsa, assim como técnicos que realizam a conversão, não possuem capital para anunciar esses produtos e serviços na mídia. Enquanto isso, grandes fabricantes, quase todos multinacionais, têm recursos de sobra para anunciar seus produtos: PCs novos. Mesmo em se tratando de matérias e artigos, a mídia em geral não tem interesse em difundir a conversão de PCs antigos, pois isto entra em conflito com seus anunciantes. Desta forma, muitos usuários acabam sem saber que esta conversão é possível. Observe que esta regra não é geral, pois existem algumas publicações que facilitam a divulgação dessas informações, por considerarem que seus leitores são mais importantes que seus anunciantes (na minha opinião, as boas publicações devem colocar o leitor em primeiro lugar e o anunciante em segundo). Muitos usuários tiveram acesso a esta informação, e já têm o hábito de fazer expansões em seus computadores.

Perfil do mercado brasileiro

Não existem dados precisos sobre a quantidade de PCs instalados no Brasil, já que o mercado informal possui uma representação bastante elevada. Estima-se entretanto, tomando como base diversas pesquisas realizadas nos últimos anos, que o número total de PCs existentes nas empresas brasileiras, de todos os portes, é aproximadamente igual ao número de PCs domésticos. Quanto aos domésticos, existem uma grande quantidade de modelos baseados no Pentium (os de aquisição mais recente), mas ainda é muito marcante a presença dos PCs 486. Nas empresas, os PCs baseados no 486 respondem por cerca de 50% do total, sendo o Pentium ainda uma minoria, apesar de crescente. De cada três PCs existentes no Brasil, em média um deles é de classe 486. O que fazer portanto com os milhões de PCs 486 existentes no Brasil? Vendê-los para outros usuários seria uma solução, mas a substituição por Pentiums seria muito cara. Algumas empresas chegam a vender seus PCs antigos para seus funcionários, por um baixo custo, e com pagamento parcelado, e fazem a substituição por PCs Pentium novos. Esta solução é boa para os empregados, principalmente para aqueles que não possuem computador em casa (é melhor ter um PC 486 que não ter PC algum), mas tem a desvantagem do alto investimento para a aquisição dos PCs novos.

A expansão, uma prática comum

Existem usuários que já conhecem as técnicas de expansão, e estão acostumados com esta operação, há muitos anos. No início da proliferação de PCs no Brasil (aproximadamente 1990-1991) eram usuários de micros XT que faziam a sua conversão para 286, através da substituição da placa de CPU. Conforme a necessidade, faziam ainda a instalação de mais memória e de um novo disco rígido. Depois tornou-se comum a conversão de 286 em 386, de 386 em 486, e finalmente de 486 em Pentium. Os livros que tenho lançado ao longo dos últimos anos ensinam as técnicas necessárias a essas conversões. Ocorre que apesar de serem livros bastante vendidos, ainda existem muitos usuários que não estão informados sobre as operações de conversão. Espero com este livro, difundir mais ainda as técnicas para aqueles que ainda não as conhecem. Qualquer usuário que possua conhecimentos médios sobre o uso do PC será capaz de realizar a conversão apenas com as informações deste livro, mesmo que este usuário não possua conhecimentos sobre hardware. Se você não estiver seguro, pode pedir a ajuda de um colega mais experiente, ou então contratar os serviços de um técnico, ou ainda comprar o material em uma loja que ofereça os serviços de instalação. Se você já tem um fornecedor de sua confiança, ótimo. Caso não tenha, podemos sugerir a Computer Designers (021-532-1072), que comercializa peças para PCs, além de prestar serviços de instalação.

A expansão da CPU

O que existe de errado com o seu velho PC 486? Provavelmente é a incapacidade em executar programas novos. PCs comprados há 3 anos atrás eram suficientes para executar os programas que existiam há 3 anos atrás. Com o passar do tempo, novos programas mais sofisticados são criados, e esses programas também precisam ser executados em PCs mais sofisticados, dotados de um microprocessador mais veloz, mais memória, e um disco rígido de maior capacidade.

Se você se interessou por um livro de título “Transforme 486 em Pentium”, suponho que seu maior interesse seja obter a vantagem que um Pentium tem sobre um 486: a velocidade de processamento. De fato, um Pentium-133 é cerca de 2 vezes mais veloz que um 486DX4-100. A substituição da placa de CPU certamente resolverá insatisfações relacionadas com velocidade de execução dos programas.

É possível que você esteja interessado na conversão, não pela maior velocidade, mas pela possibilidade de expansão de memória. Dependendo dos programas que você utiliza, um velho PC 486 poderá ser satisfatório, mas sua memória RAM pode ser insuficiente, necessitando de uma expansão. Ocorre que memórias para PCs 486, dependendo do tipo, são bastante difíceis de encontrar à venda. A solução portanto é usar “memórias para Pentium”, encontradas à venda com facilidade. Para poder usar essas memórias, é preciso antes trocar a placa de CPU 486 por uma placa de CPU Pentium, assunto principal deste livro.

A nova placa de vídeo

Talvez seja necessário, além de trocar a placa de CPU, fazer a instalação de uma nova placa de vídeo. PCs 486 podem utilizar três tipos de placas de vídeo: ISA (as mais antigas, de 16 bits), VLB (32 bits) e PCI (também 32 bits, porém mais recentes). Essas placas são mostradas na figura 1. Placas de CPU Pentium só permitem a conexão de placas de expansão ISA ou PCI. Portanto, se a placa de vídeo do seu PC 486 for do tipo VLB, será preciso substituí-la por uma nova, preferencialmente do tipo PCI. Por cerca de $30 é possível adquirir um modelo simples de placa de vídeo PCI, equipada com 1 MB de memória de vídeo.

Mais memória RAM

É muito importante determinar se as memórias existentes no seu 486 poderão ser aproveitadas no Pentium. Se a quantidade de memória existente no 486 for satisfatória, e além disso for compatível com o Pentium, não será preciso ter gastos adicionais na compra de novas memórias.

A figura 2 mostra os encapsulamentos usados pelas memórias de PCs 486 e Pentium. Os dois primeiros são os chamados módulos SIMM de 30 e de 72 vias. Módulos de 72 vias podem ser instalados em PCs Pentium, mas o mesmo não ocorre com os módulos de 30 vias. Se o seu PC utiliza esses antigos módulos de 30 vias, será preciso adquirir novas memórias para instalar na nova placa de CPU.

ART25-01

Figura 1 – Placas de vídeo usadas em PCs.

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Figura 2 – Tipos de memórias usadas nos PCs

PCs baseados no Pentium podem usar memórias SIMM de 72 vias, ou DIMM de 168 vias. Existem entretanto algumas restrições. Qualquer placa de CPU Pentium é capaz de operar com módulos SIMM de 72 vias, mas apenas as de fabricação mais recente admitem módulos de 168 vias. Como estamos preocupados com o aproveitamento das antigas memórias, as informações importantes são as seguintes:

Módulos SIMM de 30 vias não podem ser aproveitados. Será preciso comprar novos módulos para instalar na nova placa de CPU Pentium.

Se a sua placa de CPU 486 possui um único módulo SIMM de 72 vias, este poderá ser instalado na placa de CPU Pentium, entretanto será preciso adquirir outro módulo idêntico. A razão disso é que nas placas de CPU Pentium, os módulos SIMM de 72 vias operam aos pares. Por exemplo, dois módulos de 8 MB formam um banco com 16 MB de memória. Isto pode dar um pouco de trabalho, pois nem sempre será possível encontrar outro módulo igual. As placas de CPU 486 em geral usam módulos FPM. Já as placas de CPU Pentium aceitam módulos FPM ou EDO. Os módulos EDO são mais velozes, e também são encontrados à venda mais facilmente. Portanto, se a sua placa de CPU 486 possui apenas um módulo SIMM de 72 vias, tipo FPM, será preciso comprar outro módulo FPM de mesma capacidade para completar um banco. Como são mais lentos e mais difíceis de encontrar, pode ser vantajoso descartar este módulo, adquirindo módulos novos para a placa de CPU Pentium.

Outra questão importante é o tempo de acesso. A maioria das placas de CPU Pentium requer memórias de 60 ns, mas algumas aceitam ainda, memórias de 70 ns. Se a sua placa de CPU 486 possui memórias de 70 ns e você quer aproveitá-las, procure comprar uma placa de CPU Pentium que aceite operar com memórias de 70 ns.

Se as memórias do 486 não forem aproveitadas, e for necessário adquirir memórias novas, dê preferência às memórias SDRAM de 168 vias. Essas memórias são sensivelmente mais velozes que as antigas memórias FPM e EDO.

Mesmo que seja necessário adquirir novas memórias, você não deve ficar triste. Atualmente, 16 MB de memória custam cerca de $50. Até 1995, esta mesma quantidade de memória chegava a custar acima de $1000.

Se as memórias do 486 não puderem ser aproveitadas, você ainda poderá vendê-las no mercado de segunda mão, juntamente com a antiga placa de CPU.

Um novo disco rígido

Como já abordamos, o leitor em potencial deste livro precisa muito mais de velocidade de processamento que de capacidade de armazenamento. Se a capacidade do seu disco rígido for satisfatória, você poderá mantê-lo após a instalação da nova placa de CPU. Nada impede entretanto que você, além de trocar a placa de CPU, faça também a instalação de um disco rígido novo. Este assunto será abordado no capítulo 6.

O custo da conversão

O custo total da conversão de um PC 486 em Pentium dependerá do grau de aproveitamento das peças originais. Leve em conta ainda que os preços dessas peças estão sempre caindo. Apresentamos a seguir preços relativos ao início de 1998, época de lançamento deste livro. Consulte o comércio para checar os preços com maior precisão.

Material Custo
Placa de CPU PentiumSe for possível e conveniente manter a placa de vídeo, a memória e o disco rígido existentes no PC 486, este é o custo total da conversão, baseada simplesmente na substituição da placa de CPU Pentium de 133 MHz. Nada impede entretanto que você utilize versões mais velozes do Pentium, e obviamente mais caras. $ 270R$ 200
Placa de vídeo PCICaso a placa de vídeo do PC 486 for do tipo VLB, será preciso adquirir uma nova placa de vídeo, preferencialmente do tipo PCI. Modelos simples podem ser encontrados por cerca de $30. $ 30R$ 100
Memória RAMSe as memórias existentes no 486 não puderem ser aproveitadas, você poderá adquirir 16 MB por cerca de $60. $ 6064 MB = R$ 80
(FPM/EDO)
Disco rígidoO disco rígido antigo sempre funcionará acoplado na placa de CPU nova. Se você quiser instalar um disco novo, poderá adquirir com facilidade, modelos de 2 GB por cerca de $ 230. $ 230
R$ 250 (20 GB)

OBS: Os preços de 2003 são indicados em vermelho

O custo total da conversão poderá variar portanto entre $270 e $590, dependendo do grau de aproveitamento dos componentes antigos, e do grau de modernidade que você pretender dar ao novo PC. Nada impede também que você invista em placas de CPU mais velozes, maiores quantidades de memória e um disco rígido de capacidade ainda mais elevada. Seu PC convertido provavelmente será melhor que muitos dos modelos novos disponíveis no mercado.

Vantagens e desvantagens

A transformação de PCs 486 em Pentium é bastante viável, tanto do ponto de vista técnico como do ponto de vista financeiro. Mesmo que seja feita a troca da placa de CPU e da placa de vídeo, a instalação de novas memórias e de um novo disco rígido, o custo total da conversão será de cerca de 1/3 do preço de um PC Pentium novo. Na melhor das hipóteses, quando apenas a placa de CPU é substituída, o custo será cerca de 8 vezes menor que o necessário para comprar um PC Pentium novo.

A economia é portanto a grande vantagem desta conversão. Outra grande vantagem é o parcelamento dos gastos. Não é preciso, por exemplo, instalar um novo disco rígido durante a conversão. Podemos aguardar para fazer este gasto adicional posteriormente, quando o orçamento estiver mais folgado. Alguns podem argumentar que também é possível parcelar a compra de um PC novo. Esta compra a crédito, assim como diversas outras, foram responsáveis pelo endividamento do consumidor brasileiro após o plano Real. Mais sensato, além de isento de juros, é fazer um upgrade por etapas: primeiro a placa de CPU, a placa de vídeo e as memórias, e posteriormente, o disco rígido.

Sem dúvida as vantagens financeiras são fortíssimas. É entretanto importante que você saiba que podem existir desvantagens nesta conversão:

Nem todos os PCs 486 podem ser convertidos em Pentium. PCs de marcas famosas, como IBM, Compaq, Acer, entre outros, utilizam placas fora do padrão. Desta forma, placas de CPU adquiridas no comércio não podem ser alojadas em seus gabinetes. Entre as diversas razões para a adoção deste procedimento, existe uma importante para os fabricantes, que é a dificuldade na realização de expansões. Com esta dificuldade de expansão, o usuário acaba comprando um PC novo, ao invés de expandir o antigo. Por outro lado, os típicos PCs sem marca, bem como os de fabricantes menores, utilizam placas padronizadas, e admitem expansões com grande facilidade.

Um PC novo tem garantia (é claro que o custo desta garantia está embutido no seu preço). Já um PC que sofre expansão, não tem a garantia de um novo. A única garantia vigente será a oferecida pelo seu fornecedor sobre as peças utilizadas na expansão.

Pessoas descuidadas não devem se arriscar a abrir o computador para fazer alterações de hardware. Já um usuário cuidadoso, mesmo que possua pouco conhecimento sobre hardware, ao ler este livro, terá grandes chances em realizar com sucesso a conversão. Em caso de dificuldades poderá pedir ajuda a um colega mais experiente, ou então contratar os serviços de um técnico, ou ainda fazer a expansão em um revendedor que realize os serviços de instalação.

O PC obtido pela simples substituição da placa de CPU é o que resulta em menor gasto, mas sua única vantagem em relação ao PC 486 é a velocidade (na maioria dos casos, esta é a vantagem desejada pelo usuário). Quando o PC original possui uma quantidade de memória baixa (4 MB, por exemplo) ou um disco rígido de baixa capacidade, esses problemas continuarão no PC após a conversão. A conversão resolve problemas de lentidão no processamento, mas a falta de memória e de espaço em disco são problemas que só podem ser solucionados mediante a instalação de mais memória e de um disco rígido com maior capacidade. Mesmo quando é preciso investir em mais memória e em um novo disco rígido, o custo total da expansão será bastante inferior (3 vezes menor) que o de um PC Pentium novo.

Como usar este livro

Leia o livro todo antes de adquirir o material necessário para a expansão. Faça um levantamento daquilo que já existe instalado no seu computador, e decida o que pretende adicionar.

O capítulo 2 faz uma apresentação rápida da estrutura interna de um PC. É muito importante conhecer o que existe lá dentro, assim você fará as instalações com maior segurança.

O capítulo 3 ensina como montar um PC. Esta operação é importante, já que as instalações requerem a retirada de componentes já existentes para a substituição por novos.

O capítulo 4 é o principal do livro, onde apresentamos a substituição da placa de CPU, envolvendo a desmontagem do computador antigo e a montagem utilizando a nova placa de CPU.

O capítulo 5 trata sobre a instalação e expansão de memória. Caso seja necessário instalar memórias novas na sua nova placa de CPU, você precisará dessas informações. Mesmo que as memórias antigas possam ser aproveitadas na placa de CPU Pentium, você poderá instalar mais memória.

No capítulo 6 veremos como instalar um novo disco rígido no seu computador. A técnica utilizada prevê o aproveitamento dos arquivos existentes no disco antigo, sem que seja necessário instalar novamente todos os seus programas.

O capítulo 7 ensina a instalar uma nova placa de vídeo, operação que será necessária caso a antiga placa seja do tipo VLB. Se a antiga placa de vídeo for do tipo ISA, funcionará perfeitamente, porém será vantajosa a instalação de uma nova placa de vídeo PCI, devido ao seu baixo custo e sua alta velocidade.

Se você resolver apagar totalmente o conteúdo do disco rígido antigo e fazer uma nova instalação de software, seja no disco antigo ou em um novo, serão bastante úteis os ensinamentos do capítulo 8.