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HD Seagate de 750 GB e tecnologia de gravação perpendicular

Autor: Laércio Vasconcelos
Data: 17/jul/2006

Testamos o disco Seagate ST3750640AS, o primeiro modelo de 750 GB, e também o primeiro da Seagate a usar gravação perpendicular. Conheça essa tecnologia que será usada em todos os discos novos de agora em diante.

HD Seagate de 750 GB

Testamos o disco rígido Seagate ST3750640AS, SATA-II de 750 GB. Ao instalar o Windows XP, um problema existencial: Como particionar um HD de 750 GB? Que tal dois de 375 GB, ou três de 250 GB? Acabei usando C=200 GB e deixando os 550 GB restantes para depois. Mas puxa… uma partição de 200 GB é maior que todo o HD de 160 GB que uso no meu computador principal… (na verdade são 3 discos de 160 GB, totalizando 480 GB). Um outro problema existencial é o backup. Totalmente inviável. Supondo que apenas 200 GB são dados que necessitam de backup e o restante são programas e espaço vazio, seria preciso usar mais de 40 DVDs para fazer um backup completo… coisa de doido !!! A Seagate sabe disso e aproveitou para lançar um produto que inverte a função desse HD: ao invés de fazer backup dele, ele é usado como dispositivo de backup externo, conectado ao micro através de uma porta USB ou Firewire. Ainda assim continua o problema: como fazer backup dos dados de um HD com 750 GB? Mesmo que isso seja quase inviável na prática, ainda assim é muito válido o lançamento de um disco com 750 GB, que certamente tem muitas aplicações avançadas que exigem elevadíssima capacidade de armazenamento.

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Figura 1 – Drive externo Seagate de 750 GB

Assim como os HDs de 160 GB hoje são bastante populares, e há 3 anos atrás eram populares os modelos de 30 e 40 GB, certamente dentro de mais três ou quatro anos os modelos de 750 GB serão comuns.

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Figura 2 – A foto oficial da Seagate

A figura 2 mostra o referido HD de 750 GB. Como sempre todos os fabricantes de HD insistem em fazer sempre fotos do disco aberto. Porque os fabricantes de monitores não têm essa mania, só os de HD? Bem, a figura 3 mostra a nossa foto de “fundo de quintal”, como diz a revista Veja:

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Figura 3 – Seagate ST3750640AS

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Figura 4 – Idem, parte inferior

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Figura 5 – Idem, identificação na carcaça

Apesar da elevada capacidade, este HD não é mais quente que a maioria dos HDs “normais”. Vemos na figura 5 que o disco consome 0,72A na linha de 5 volts (3,6 watts) e 0,52A na linha de 12 volts (6,24 watts), portanto o seu consumo total não chega a 10 watts.

Esse disco opera no padrão SATA-II (300 MB/s de taxa de transferência externa), mas para isso requer uma placa mãe que tenha interfaces SATA-II, caso contrário sua velocidade é reduzida para o padrão SATA-I (150 MB/s). Usamos a placa mãe Asus A8N SLI Deluxe, que tem 8 portas SATA-II, sendo quatro da Nvidia e quatro providas por um chip adicional da Silicon Image. Usamos na conexão a porta SATA0 do chip Nvidia. Assim como todos os discos SATA atuais, este incorpora a tecnologia NCQ (Native Command Queue).

O que esse disco tem de revolucionário é o uso da tecnologia perpendicular de gravação. Em meados de 2005 a Hitachi lançou os primeiros discos rígidos com essa tecnologia, e agora é a vez da Seagate.

Tecnologia de gravação perpendicular

De acordo com white papers da Hitachi, a tradicional tecnologia de gravação para discos rígidos está muito próxima da saturação devido ao efeito superparamagnético. Os bits dispostos na superfície do disco ficam tão próximos que a interferência entre eles é grande, causando inversão de polaridade e conseqüente corrupção de dados.

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Figura 6 – Bits gravados em mídia magnética, gravação convencional

Desde os primórdios da informática, os meios magnéticos de armazenamento (disquetes, fitas e discos rígidos) dispõem seus bits sobre a mídia como mostra a figura 6. Cada bit ocupa uma área definida ao longo da superfície. Para aumentar a capacidade de gravação é preciso aumentar a densidade, o que é conseguido reduzindo a área ocupada por cada bit. O sentido do campo magnético define o valor dos bits armazenados.

OBS: Na verdade o processo é um pouco mais complexo. Ao invés de gravar diretamente os bits, são gravados padrões que representam as transições de 1 para 0, de 0 para 1, e a ausência de transição (0 seguido de 0 ou 1 seguido de 1).

Segundo a Hitachi, os discos atuais chegam à densidade de 100 bilhões de bits por polegada quadrada, e a partir de 120 bilhões de bits por polegada quadrada o efeito superparamagnético começa a comprometer a integridade da informação gravada.

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Figura 7 – Porque a gravação é longitudinal

A figura 7 mostra de forma simplificada como é feita a gravação pelo processo convencional (chamado de longitudinal). A parte metálica da cabeça é envolvida em uma pequena bobina (não mostrada na figura) que conduz corrente ora em um sentido, ora no sentido inverso. Essa corrente gera um fluxo magnético que corre ao longo da peça de ferro. Uma pequena fenda na peça de ferro, chamada entreferro, permite que o fluxo magnético atravesse o ar, mas uma pequena parte desse fluxo “transborda” e passa pela mídia magnética, magnetizando-a ora em um sentido, ora no sentido oposto, de acordo com o sentido da corrente elétrica.

Para armazenar mais bits por unidade de área, a solução é produzir um campo magnético que não tangencie a superfície magnética, mas que incida perpendicularmente. O resultado é o aumento da densidade de gravação e a redução do efeito superparamagnético. A principal modificação está na geometria das cabeças magnéticas, mas algumas alterações também precisam ser feitas na mídia.

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Figura 8 – Gravação perpendicular: o campo magnético que grava os bits deve ser perpendicular à superfície magnética.

A figura 8 mostra de forma simplificada como ficam dispostos os bits com o uso da gravação perpendicular. É fácil entender que a densidade de gravação aumenta bastante. Os fabricantes esperam aumentá-la de 5 a 10 vezes com o uso desse recurso.

A figura 9 mostra a diferença entre os dois tipos de gravação. Primeiro, o método de gravação longitudinal usa uma cabeça que faz o campo magnético “transbordar” pelo entreferro, tangenciando a superfície magnética e produzindo os bits.

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Figura 9 – Gravação longitudinal x gravação perpendicular
(HITACHI)

O grande segredo da gravação perpendicular, mostrada na parte inferior da figura 9, é não ter um entreferro que faz o fluxo magnético tangenciar, e sim, ter os dois pólos situados de forma que o fluxo magnético saia e entre novamente, incidindo de forma perpendicular à mídia. A princípio esse método tenderia a gravar um novo bit e estragar o bit vizinho, que acabou de ser gravado, à medida em que o campo magnético retorna à cabeça. Para evitar o estrago, a cabeça usar dois pólos com medidas diferentes. O pólo que faz a gravação é bem menor, e provoca um campo magnético concentrado em um único ponto. O segundo pólo ocupa uma área maior, e o campo magnético se espalha e não chega a “estragar” os bits recém gravados. Note que isso só ocorre durante a gravação. A leitura usa uma outra cabeça.

Você pode encontrar explicações detalhadas sobre o funcionamento da tecnologia de gravação no site da Hitachi, em

http://www.hitachigst.com/hdd/research/recording_head/pr/PerpendicularPaper.html

Vele a pena entretanto baixar um filminho em flash feito pela Hitachi que explica de forma simples o funcionamento da gravação magnética. São cerca de 4 MB e está em inglês, mas sem dúvida é divertido e dá uma boa idéia da nova tecnologia.

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Figura 10 – Filme da HITACHI

Baixe o filme em:

http://www.hitachigst.com/hdd/research/images/pr%20images/Get_Perpendicular.swf

Para funcionar em SATA-II

Durante nossos testes constatamos que este HD, apesar de ser SATA-II, estava operando com velocidade de SATA-I. Problema de Interface? Ativar SATA-II no CMOS Setup? Instalar novo driver? Jumper? Consultamos inicialmente o manual do produto, no site da Seagate. Justamente para esse disco, o manual ainda não estava disponível. Passamos então a conferir os outros pontos suspeitos: Setup, driver, etc, e nada, o disco continuava operando em modo SATA-I, e por isso praticamente empatava em desempenho com o modelo de 80 GB.

Na parte traseira do disco existia um único jumper, e como não havia manual do site, encontramos apenas uma explicação genérica dizendo que os discos SATA sempre usam “factory configured jumpers”, e que não era preciso alterá-los.

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Figura 11 – Não é preciso alterar os jumpers?

Que vergonha, acabei enviando um e-mail para o responsável técnico da Seagate no Brasil, pedindo informações sobre o problema e sobre o manual do produto. Continuei procurando no site da Seagate e encontrei dentro da área de FAQs, uma pergunta do tipo:

O que fazer se o HD SATA-II trava no meu sistema que tem interface SATA-I?

Diga-se de passagem que o disco deveria automaticamente funcionar com velocidade reduzida para 150 MB/s, mas parece que isso nem sempre funciona, e a Seagate explica o seguinte:

Algumas interfaces SATA antigas não suportam negociação com novos drives SATA-II. É preciso então reduzir a velocidade do disco “na marra”, retirando o jumper do HD, como mostra a figura 12.

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Figura 12 – Nem tanto “factory installed jumper”

Feito isso o HD teve sua velocidade aumentada e passou a operar em SATA-II. Fico pensando em quantos computadores caros e avançados, com disco SATA-II, vendidos para usuários não envolvidos com hardware, ficam operando com velocidade reduzida pelo fato de um default de fábrica ser 150 MB/s… Ou então algum colega já havia testado esse disco antes e fez uma redução de velocidade. Seja como for, é sempre bom conferir.

Medidas de desempenho

É óbvio que a alta capacidade é um grande benefício. O desempenho também é elevado, mas por falta de outros modelos de alta capacidade para comparar, escolhemos a comparação com um popular modelo SATA-I de 80 GB, da própria Seagate: ST380817AS. Se você quiser ver a comparação do desempenho desse disco de 750 GB com outros concorrentes próximos (350 GB e 500 GB da Western Digital, por exemplo), vá ao Interactive HD Charts no Tom’s Hardware Guide:

http://www23.tomshardware.com/storage.html

Os testes foram feitas com um micro avançado, primeiro com o HD de 80 GB, depois com o modelo testado de 750 GB.

Configuração do teste
Placa mãe Asus A8N SLI Deluxe
Processador Athlon 64 X2 4800
1 GB de RAM (2×512) DDR400 Corsair
Placa de vídeo com chip GeForce 7600 GS
HD Seagate ST3750640AS (750 GB, SATA-II)
HD Seagate ST380817AS (80 GB, SATA-I)

Fizemos os testes com os programas PCMark 2005 e HD TACH 3.0.

O driver do chipset além de controlar as interfaces SATA ainda tem um comando para medida de desempenho. Esse rápido teste mede a taxa de transferência externa do disco rígido. No caso SATA-I é de teoricamente 150 MB/s, e no caso do SATA-II é de teoricamente 300 MB/s. Na prática os valores atingidos são razoavelmente menores.

Deixamos os dois discos instalados simultaneamente no computador e fizemos suas medidas de desempenho.

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Figura 13 – O HD de 80 GB

A figura 13 mostra como aparece no Gerenciador de dispositivos a interface SATA onde está ligado o HD de 80 GB. Observe que é indicado:

Transfer mode: Serial ATA Generation 1 – 1.5 G

Clicando no botão Speed test, são feitas duas medidas importantes:

Burst Speed: 114,9 MB/s (o limite teórico é 150 MB/s)

Sustained Speed: 59,3 MB/s

A chamada “Burst Speed” é uma velocidade de pico que ocorre quando é feita a leitura de dados que já estão na cache interna do HD. Seu valor é bem próximo da taxa de transferência externa. A velocidade “sustentável” (Sustained Speed) é a observada quando é lido um grande bloco de dados seqüenciais. Todos os dados da cache do disco são lidos e é preciso fazer novas leituras na mídia, e entra em jogo a taxa de transferência interna. O valor medido é uma combinação da taxa de transferência interna (que depende da velocidade de rotação e da densidade de gravação) com a externa (que depende da interface, por exemplo, SATA-I = 150 MB/s).
Figura 14 – O HD de 750 GB

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Na figura 14 vemos as informações que o Gerenciador de dispositivos apresenta para a interface SATA onde está conectado o HD de 750 GB. Observe a indicação:

Transfer mode: Serial ATA Generation 2 – 3G

Clicando no botão Speed test temos:

Burst Speed: 215,5 MB/s (o limite teórico é 300 MB/s)

Sustained Speed: 76,8 MB/s

Note que apesar do SATA-II ser teoricamente duas vezes mais rápido que o SATA-I (ganho de 100%), o teste mostrou que a vantagem é de 87%. O ganho é ainda menor quando comparamos a taxa de transferência sustentada: 29,5%. Para ter um ganho de 100% seria preciso que não apenas a taxa de transferência externa fosse duas vezes maior, mas também a taxa de transferência interna.

Testes com o HDTACH 3.0

Fizemos medidas de desempenho nos dois discos usando o programa HDTACH 3.0. Para cada disco foram feitas duas medidas:

Quick behch: zonas de 8 MB
Long bench: zonas de 32 MB

Os valores obtidos nas duas modalidades de testes foram muito próximos, escolhemos então publicar o de zonas de 32 MB. O HDTACH lê diversas zonas consecutivas a no final apresenta um gráfico com a taxa de transferência em cada uma dessas zonas. Nas trilhas mas externas do disco rígido existem mais setores, então a taxa de transferência é maior. Nas trilhas internas existem menos setores, e a taxa de transferência é aproximadamente a metade do valor máximo obtido nas trilhas externas. Como são lidas longas seqüências de dados, o valor medido é do tipo “taxa de transferência sustentada”.

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Figura 15 – Testes com o HDTACH 3.0 no HD de 80 GB

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Figura 16 – Testes com o HD de 750 GB

Comparemos então os resultados obtidos pelos dois discos:

80 GB 750 GB
Taxa de transferência máxima (burst) 134,7 MB/s 262,6 MB/s
Taxa de transferência sustentada máxima 57 MB/s 78 MB/s
Taxa de transferência sustentada média 48,3 MB/s 66,1 MB/s
Tempo médio de acesso 12,6 ms 13,7 ms/s

A taxa de transferência máxima em cada caso ficou abaixo do valor teórico (150 MB/s do SATA-I e 300 MB/s do SATA-II). Os valores também foram diferentes dos medidos com o botão Speed Test do Gerenciador de dispositivos (figuras 13 e 14). As diferenças nos resultados devem-se a métodos diferentes usados para realizar as medidas.

Vejamos qual foi o ganho percentual de velocidade do HD de 750 GB em comparação com o de 80 GB:

Taxa de transferência máxima: 262,6 / 134,7 = 1,95 (95%)
Taxa de transferência sustentada máxima: 78 / 57 = 1,37 (37%)
Taxa de transferência sustentada média: 66,1 / 48,3 = 1,37 (37%)

Note que em relação à taxa de transferência máxima, o ganho foi de quase 100%, já que o HD de 750 GB é SATA-II, e o de 80 GB é SATA-I (300 MB/s contra 150 MB/s). Os valores medidos dizem respeito à transferência da cache interna do HD para a memória da placa mãe.

Para saber a taxa de transferência sustentada é preciso ler grandes quantidades de dados seqüenciais. A cache do HD é ao mesmo tempo preenchida com dados lidos da mídia, e esvaziada à medida em que são transferidos para a memória da placa mãe. A taxa sustentada depende portanto das taxas de transferência interna e externa do disco. Nesse caso o ganho foi de apenas 37%, pois a taxa de transferência do HD de 750 GB não é o dobro da verificada para o HD de 80 GB.

Foram feitas duas medidas de taxa de transferência sustentada: máxima (nas trilhas maiores do disco) e média (é feita uma média entre todas as trilhas do disco). Tanto na taxa máxima quanto na média, o ganho foi de 37% a favor do disco de 750 GB.

O tempo de acesso do disco rígido é um fator puramente mecânico, e os discos tendem a empatar. Ambos os discos apresentaram resultados próximos de 13 ms.

OBS: Tanto em relação às capacidades quanto em relação às taxas de transferência, os fabricantes convencionam que 1 GB vale 1 bilhão de bytes, e 1 MB vale 1 milhão de bytes.

O resultado dos testes com o HDTACH é que para arquivos grandes, o disco de 750 GB será cerca de 37% mais veloz que o de 80 GB.

Testes com o PCMark 2005

O HDTACH faz o que chamamos de benchmark sintético. Nesse tipo de benchmark, o subsistema em teste (no caso o HD) realiza operações básicas que não dependam de outras partes do computador, como velocidade do processador, da memória e da placa de vídeo. Os resultados dão uma idéia genérica do desempenho que deve ser esperado. Note entretanto que um programa da vida real dificilmente realiza acessos como nos programas de benchmark sintético. Ao carregar o Windows, por exemplo, teremos leituras de arquivos grandes e pequenos, não necessariamente concentrados, e sim espalhados pelo disco. São feitos muitos movimentos com as cabeças de leitura e gravação, o que tende a reduzir drasticamente a vantagem do disco mais veloz, já que no tempo de acesso, os dois discos praticamente empatam. Aliás, o tempo de acesso de um disco rígido moderno é praticamente o mesmo de um disco rígido de 15 anos atrás.

Para dar uma idéia do ganho de desempenho para programas da vida real, usamos programas de benchmark de sistema, como o PCMark 2005. A tabela que se segue resume os resultados obtidos pelos dois discos testados:

HD 80 HD 750 Ganho
Índice PCMark 2005 HD 5253 6286 19,6%
Inicialização do Windows XP 8,85 MB/s 9,12 MB/s 3%
Carregamento de aplicações 7,13 MB/s 7,74 MB/s 8,5%
Uso geral 5,82 MB/s 5,90 MB/s 1,4%
Procura de vírus 78,65 MB/s 130,95 MB/s 66,5%
Gravação de arquivos 56,90 MB/s 73,98 MB/s 30%

O melhor resultado obtido pelo HD de 750 GB em comparação com o de 80 GB foi na procura de vírus, quando é feita leitura seqüencial de grandes quantidades de dados: 66%. Para gravações, o ganho foi de 30%. Os ganhos ficam entretanto bastante reduzidos quando temos que lidar com um número grande de arquivos pequenos, o que torna necessário fazer muitos movimentos com as cabeças de leitura e gravação. O ganho de desempenho com o HD de 750 GB nesses casos fica inferior a 10%. Realmente não notamos diferença no tempo de carga do Windows e na execução de programas. A vantagem é mesmo a capacidade.

Aliás, o ganho de velocidade menor que o ganho de capacidade é uma característica da evolução dos HDs. Comparando um disco típico atual, como o modelo de 80 GB citado, com um disco de 1991, vemos que a capacidade ficou cerca de 1000 vezes maior, mas a taxa de transferência aumentou apenas em 100 vezes. Por isso é cada vez mais demorado formatar um HD: o disco precisa de mais tempo para ser todo lido ou todo gravado porque sua capacidade aumenta a passos mais largos que a sua velocidade.

Só 37% mais rápido???

Discos de maior capacidade normalmente são mais velozes que modelos de baixa capacidade. Mas comparando um novo modelo de 750 GB com um modelo básico de 80 GB e encontrar ganhos de apenas 37% na taxa de transferência é a princípio uma grande surpresa. Esse aumento tem sua razão de ser. Lembre-se que são três os fatores que definem o desempenho médio de um disco:

1) Tempo médio de acesso
Como esse é um fator puramente mecânico, pouco há para ser melhorado. Os dois discos testados tiveram tempos de acesso bem próximos, em torno de 13 ms.

2) Taxa de transferência externa
O disco de 750 GB é SATA-II (300 MB/s), enquanto o de 80 GB é SATA-I (150 MB/s). Se fosse apenas pela taxa de transferência externa, o novo disco seria duas vezes mais veloz (como foi, conforme mostra a medida de taxa de transferência máxima feita com o HD TACH 3.0). Ocorre que na vida real é preciso não apenas transferir dados da cache do HD para a memória da placa mãe, mas também ler dados da mídia para essa memória cache do disco rígido.

3) Taxa de transferência interna
Depende da velocidade de rotação e do número de bytes existentes em cada trilha. Os dois discos geram a 7200 RPM, então o ganho na taxa de transferência é devido exclusivamente ao aumento do número de bytes por trilha.

Mostramos a seguir algumas características de performance dos dois discos, obtidas no site da Seagate:

ST-3750640AS
                           Barracuda 7200.10 FORMATTED CAPACITY (GB) __________________750.1 HEADS ______PHYSICAL______________________8 DISCS (3.5 in) ___________________________4 RECORDING METHOD _________________________Perpendicular INTERNAL TRANSFER RATE (Mbits/sec) _______up to 1030 Mbits/s SUSTAINED TRANSFER RATE (Mbytes/sec)______up to 78EXTERNAL TRANSFER RATE (Mbytes/sec) ______up to 300 SPINDLE SPEED (RPM) ______________________7200 AVERAGE LATENCY (mSEC) ___________________4.16 BUFFER ___________________________________16MB INTERFACE ________________________________SATA 2.0 w/NCQ SECTORS PER DRIVE (LBA mode) _____________1,465,149,168 TPI (TRACKS PER INCH Avg) ______________145.000 BPI (BITS PER INCH) _____________________up to 926.000 AVERAGE ACCESS (ms seek/read/write) ______/<8.5/<10.0 SINGLE TRACK SEEK (ms seek/read/write) ___/<0.8/<1.0 ANNUALIZED FAILURE RATE (AFR) ____________0.34% ACOUSTICS (bels) fluid bearing (typ/max-quiet/max-perf) _2.5//3.2 POWER REQUIREMENTS: +12V START-UP (amps) _2.8 POWER MANAGEMENT ( Watts ):                     ACTIVE _______________13.0                     IDLE _________________9.3                     STANDBY (typ/max) ____0.8/
ST-380817AS
                          Barracuda 7200.7 FORMATTED CAPACITY (GB) __________________80 HEADS ______PHYSICAL______________________2 DISCS (3.5 in) ___________________________1 RECORDING METHOD _________________________EPRML 16/17 ZBR INTERNAL TRANSFER RATE (Mbytes/sec) ______up to 85.4 SUSTAINED TRANSFER RATE (MB/sec)__________up to 58 EXTERNAL TRANSFER RATE (Mbytes/sec) ______up to 150 SPINDLE SPEED (RPM) ______________________7200 AVERAGE LATENCY (mSEC) ___________________4.16 BUFFER ___________________________________8MB INTERFACE ________________________________Serial ATA II w/NCQ SECTORS PER DRIVE (LBA mode) _____________156,301,488 TPI (TRACKS PER INCH) ____________________94,600 BPI (BITS PER INCH) _____________________up to 595,000 AVERAGE ACCESS (ms seek/read/write) ______/8.5/9.5 SINGLE TRACK SEEK (ms seek/read/write) ___/<1.0/<1.2 MTBF (power-on hours) Office _____________600,000 ACOUSTICS (bels) fluid bearing (typ/max-quiet/max-perf) _<2.5/3.0/3.7 POWER REQUIREMENTS: +12V START-UP (amps) _2.8 POWER MANAGEMENT ( Watts ):                     ACTIVE _______________12.5                     IDLE _________________7.5                     STANDBY (typ/max) ____1.0/

O disco de 80 GB tem apenas um prato (2 superfícies). O disco de 750 GB tem quatro pratos (8 superfícies). Podemos calcular o número total de bytes de cada disco multiplicando o número de setores por 512. Os resultados são:

ST-380817AS: 156.301.488 x 512 = 80.026.361.856 Bytes

ST-3750640AS: 1,465,149,168 x 512 = 750.156.374.016 bytes

Dividindo o número total de bytes pelo número de cabeças teremos o número total de bytes em cada superfície magnética:

80 GB: 40.013.180.928 bytes por SUPERFÍCIE

750 GB: 93.769.546.752 bytes por SUPERFÍCIE

O disco de 80 GB tem então cerca de 40 bilhões de bytes por superfície, enquanto o de 750 GB tem pouco mais de 93 bilhões de bytes por trilha. Sem pensar muito poderíamos esperar que o disco de 750 GB tivesse uma taxa de transferência interna duas vezes maior, já que cada superfície sua tem mais que o dobro do número de bytes. Infelizmente não é assim. As trilhas do disco de 750 GB têm um número de bytes apenas cerca de 50% maior. O aumento da densidade de gravação se dá pelo aumento do número de bytes por trilha (o que resulta em aumento proporcional na taxa de transferência interna), mas também no número de trilhas (que não aumenta a taxa de transferência). Para avaliar o aumento na densidade de gravação temos que considerá-la no sentido radial e longitudinal:

BPI: Número de bits por polegada (ao longo de uma trilha)
TPI: Número de trilhas por polegada (sentido radial)

Comparemos então os dois discos, de acordo com os parâmetros fornecidos pelo fabricante:

ST-380817AS ST-3750640AS Fator de aumento
BPI 595.000 926.000 1,55
TPI 94.600 145.000 1,53

Observe que a densidade de bits aumentou em proporções bem próximas, tanto no sentido longitudinal quanto no sentido radial. Isso é comum sempre que é lançada uma nova geração de discos.

O aumento do número de trilhas não resulta em aumento de desempenho, e sim, de capacidade. Já o aumento do número de bytes por trilha resulta tanto em mais capacidade quanto em maior taxa de transferência. De acordo com os números divulgados pela Seagate, este aumento é de 53%.

Comparando os dois discos através da sua taxa de transferência, temos resultados muito próximos. O disco de 750 GB tem sua taxa de transferência interna máxima divulgada como 1030 Mbits/s = 128,75 MB/s. Temos então:

ST-380817AS ST-3750640AS Fator de aumento
Taxa 85,4 MB/s 128,75 1,51

Calculando por ambos os processos vemos que o disco de 750 GB deveria ser pouco mais de 50% mais veloz que o de 80 GB, em termos de taxa de transferência. O disco de 750 GB tem taxa de transferência externa duas vezes maior que a do disco de 80 GB. Sua cache tem 16 MB, contra 8 MB do disco de 80 GB. Porque os resultados na prática apontaram para um ganho de apenas 37%, ao invés de 50%? Será que o HD Tach 3.0 apresenta resultados errados? Não, pois os resultados foram similares quando medimos com o comando Speed Test no Gerenciador de dispositivos, e também quando confrontamos os dados das tabelas fornecidas pela própria Seagate (Sustained Transfer Rate: 78 / 58 = 1,35).

Como este é o primeiro disco de 750 GB, e também o primeiro a usar gravação perpendicular, talvez necessite de alguns melhoramentos, como o uso de uma cache ainda maior, ou então mais rápida. Quem precisa de alta capacidade hoje poderá ter usando esse disco, ganhando ainda um aumento de desempenho real que na prática fica em torno de 35% para grandes arquivos (quem precisa de um disco desse com certeza vai gravar muitos grandes arquivos). Quanto à performance, quando você precisar de um disco de altíssima capacidade, fique de olho no parâmetro “Sustained Transfer Rate” para avaliar a priori, antes da compra, o quanto de velocidade você poderá esperar do disco.