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2015 – Ensino de Álgebra e o Prof. Vitor Chirity

Ensino de Álgebra e o Prof. Vitor Chirity

Laércio Vasconcelos

Tradicionalmente nosso site não faz recomendações de livros, além daqueles de minha autoria. Excepcionalmente este artigo fará uma indicação por vários motivos. O primeiro e mais importante é que o autor, o prof. Vitor Chirity (http://www.colegioequacao.org/) foi meu mestre no Colégio Naval em 1977, ministrando álgebra do 2º ano do ensino médio.

Professor Chirity em 1977

Prof. Chrity ministrando a aula inaugural no Colégio Naval, 1977

Laercio Colegio Naval

Laércio Vasconcelos no Colégio Naval, 1977

Bons tempos…

O segundo motivo é que um aluno do Prof. Chirity obteve recentemente o primeiro lugar no concurso do COLÉGIO MILITAR DO RIO DE JANEIRO, realizando o curso preparatório do prof. Chirity e usando o livro MATEMÁTICA PARA VENCER, obtendo media 9,44 na prova de matemática (LINK). Parabéns!

Aproveito a ocasião para apresentar e recomendar  a coleção de álgebra do prof. Chirity, contendo cerca de 1000 exercícios – todos caídos em concursos – boa parte deles resolvidos detalhadamente. São sete volumes, e foram de grande importância recentemente nos estudos de matemática do meu filho, hoje cursando a Escola Naval.

Tive o prazer de ter recebido ensinamentos de grandes mestres, e um que se destaca é o prof. Chirity. Ele não é apenas um professor, mas sim, um educador. É fundador e diretor do COLÉGIO E CURSO EQUAÇÃO, – há 41 anos – em Vila Isabel, Rio de Janeiro. No Colégio Naval, em 1977, tive aulas de análise combinatória, matrizes e determinantes, entre outros tópicos.

A álgebra, ao lado da geometria, é principal assunto da matemática no ensino fundamental, ministrado no 7º, 8º e 9º ano, e prossegue no ensino médio. A álgebra do ensino fundamental trata de números relativos, racionais, irracionais e reais, cálculo de radicais, equações e sistemas do primeiro e segundo graus, inequações, resolução de sistemas. Essas ferramentas também servem de base para a geometria e a trigonometria, completando assim os conhecimentos necessários para uso na engenharia e outras ciências exatas.

A álgebra é exigida em praticamente todos os concursos realizados ao final do ensino fundamental (Colégio Naval, CEFET, EPCAr, etc.) e médio (ENEM, AFA, AMAN, Escola Naval, vestibulares em geral, IME, ITA). O material de álgebra do prof. Chirity destina-se ao preparo para concursos realizados no final do ensino fundamental, e servem como embasamento necessário à continuidade dos estudos de matemática no ensino médio.

Existem no Brasil, educadores que são favoráveis à redução no ensino da matemática, usando várias justificativas, entre as quais, que muitos alunos não aprendem matemática porque é muito difícil e desinteressante, que os professores “torturam” os alunos com expressões complicadas cheias de denominadores. De fato, um aluno que faz o ensino médio para depois seguir uma carreira na área de ciências humanas, (psicologia, história, publicidade, etc.) terá menor demanda pelo uso da matemática. Já aqueles que seguirão a engenharia e ciências exatas não podem ficar sem esses conhecimentos. Uma solução seria dividir as turmas em dois grupos, um com 4 aulas de matemática semanais, e outro grupo com 8 aulas, mas como implementar isso? O problema maior é, será que um estudante do ensino médio já tem definida a carreira que irá seguir? Exatas ou Humanas?

Nos Estados Unidos existem educadores que defendem simplesmente a redução drástica do programa de álgebra, complementando esses conhecimentos apenas depois da formatura no curso superior. A eliminação dos conhecimentos de álgebra implicaria automaticamente na eliminação da geometria (que depende da álgebra) e de grande parte da física. A maioria desses educadores são pessoas que “levavam bomba” em álgebra quando eram estudantes e seguiram carreiras distantes da matemática, como educação e psicologia, e agora acham correto simplesmente eliminar grande parte dela dos estudos obrigatórios. Parece uma vingança.

Deve ser observado que alunos com boa formação matemática fazem falta. No Brasil, estão sendo contratados muitos engenheiros estrangeiros, por falta de disponibilidade no país. Há mais de 10 anos o mercado nacional tem carência de profissionais na área de computação, altamente dependente de matemática, na maioria das suas especialidades. Nos Estados Unidos, em qualquer congresso de áreas de ciências, encontramos em uma proporção quase de igual para igual, cientistas americanos e estrangeiros que trabalham no país.

Uma coisa é certa: O Brasil é um dos últimos colocados nos rankings internacionais de matemática. Eliminar ou reduzir ensinamentos de matemática não vai resolver o problema, que é bem mais complexo: baixos salários de professores, formação inadequada, desinteresse de pais e alunos, baixa prioridade dos governos, professores “carrascos”, etc. Até hoje não se sabe no Brasil, o que fazer para melhorar o ensino como um todo.