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1996 – Configurando jumpers em PCs 486 e 586

Configurando jumpers em PCs 486 e 586

Autor: Laércio Vasconcelos
Dezembro/1996

Concluindo nossa série para configuração e manutenção de micros antigos, vejamos agora como configurar os seus jumpers. Todas as placas mãe e placas de expansão de micros antigos (1996 e anteriores) eram repletas de jumpers.

Este artigo é bastante útil para quem possui PCs 486 ou 586 e deseja fazer alterações na configuração de hardware.

Configurações de fábrica

Praticamente todas as placas, sejam elas de CPU, de vídeo, IDEPLUS ou placas de expansão em geral, possuem minúsculas peças chamadas de jumpers. Podemos vê-los na figura 1.

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Figura 1 – Jumpers.

O objetivo dos jumpers é possibilitar a escolha de determinados modos de funcionamento das placas. Por exemplo, as atuais placas de CPU podem operar com microprocessadores de diversas velocidades (clocks). Uma placa de CPU 486/586 pode operar em 25, 33, 40, 50, 66, 80, 100, 120 ou 133 MHz. A escolha da velocidade é feita através de jumpers.

Os jumpers são configurados na fábrica de um modo default, capaz de satisfazer a maioria dos casos. Quase sempre podemos montar um computador ser precisar alterar os jumpers das suas placas, mas existem também muitos casos em que precisamos fazer alterações. Imagine por exemplo que você comprou uma placa de CPU 486/586, sem o microprocessador, e que adquiriu separadamente um microprocessador 5×86-133. Será que o fabricante da placa adivinhou que você iria comprar um 5×86-133 e a configurou na fábrica para operar em 133 MHz? É claro que não. Cabe a você fazer esta configuração. Por isto, apresentamos este capítulo antes da montagem. Leve em conta também que muitos leitores deste livro montam PCs usando placas “recicladas”, ou seja, que não são “novinhas em folha”, tendo sido em geral aproveitadas de outros computadores. Essas placas provavelmente não estarão mais usando a configuração de fábrica, e torna-se necessário configurar novamente os seus jumpers.

Os jumpers são peças plásticas, nas quais existem dois orifícios metalizados, conectados internamente. Seu uso se dá através de encaixes em pinos metálicos existentes nas placas. Podemos encontrar nas placas grupos de 2 ou 3 pinos. Existem duas formas de configurar um jumper sobre um par de 2 pinos: com jumper (também chamado de CLOSE ou SHORT) ou sem jumper (também chamado de OPEN). Da mesma forma, quando temos um grupo de 3 pinos (numerados como 1, 2 e 3), são em geral oferecidos dois modos de configuração: 1-2 (jumper ligado entre os pinos 1 e 2), ou 2-3 (jumper ligado entre os pinos 2 e 3). Em alguns casos, é ainda oferecida a opção de não ligar jumper em pino algum.

É impossível ensinar a configurar todos os jumpers de todas as placas existentes. Observe entretanto que um usuário experiente, ao configurar uma placa que nunca viu antes, terá uma relativa facilidade, pelo fato de já ter configurado anteriormente diversas outras placas, mesmo não sendo idênticas. Para que você também tenha esta facilidade, vamos apresentar neste capítulo, exemplos de configurações de jumpers de algumas placas. Não espere que esses exemplos possam ser aplicados diretamente ao seu caso, já que existem centenas de placas no mercado, e é muito pouco provável que a sua seja idêntica à usada em algum desses exemplos. Mesmo assim, muitas semelhanças e analogias poderão ser aproveitadas dos exemplos.

Placa de CPU 1

A primeira placa que iremos exemplificar é um tipo de placa chamada VIP, já que possui slots VLB, ISA e PCI. Trata-se de uma placa 486/586, descrita no seu manual como “PCI Bus and ISA Bus and VL-Bus 486/5×86 Green Mainboard”. As figuras que se seguem representam páginas do seu manual. Veremos como configurar seus jumpers, tomando como base a instalação de um chip AMD 5×86-133.

A figura 2 mostra o layout da placa, onde podemos localizar seus jumpers e conectores. Nesta figura vemos ainda descrito um certo conector J2. Esta descrição pode assustar os principiantes, mas não deve causar medo. Trata-se do familiar conector DIN de 5 pinos, próprio para a conexão do teclado. Nem mesmo é necessário saber a descrição dos seus pinos (keyboard clock, keyboard data, Ground e +5VDC), indicados na tabela da figura 2.

Observe atentamente a figura 2, e veja que esta placa possui interfaces IDE, interface para drives, seriais e paralela. Existem 3 slots PCI e 4 ISA, sendo um deles ISA/VLB. Existem 3 bancos de memória, sendo um deles formado por 4 soquetes para módulos SIMM de 30 pinos, e dois deles formados por soquetes para módulos SIMM de 72 pinos. Uma placa como esta permite o aproveitamento de antigos módulos de 30 pinos, o que em muitos casos pode ser uma característica desejável.

Esta placa apresenta uma grande quantidade de jumpers, exatamente pelo fato de permitir o uso de microprocessadores de vários tipos e velocidades.

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Figura 2 – Parte do manual de uma placa de CPU 486/586.

Na figura 3 temos a descrição de vários jumpers e conectores:

J3 – Power Supply Connectors. Estes nada mais são que os dois conectores existentes na placa de CPU, próprios para a ligação na fonte de alimentação.

J12 – Turbo Switch Connector. Deve ser ligado ao botão Turbo, existente no painel frontal do gabinete, conforme foi explicado no capítulo 4. Observe que de acordo com o manual, a placa opera em modo “normal” (baixa velocidade) quando existe um jumper instalado (Short), e opera em velocidade Turbo quando não existe jumper instalado (Open). Desta forma, basta simplesmente que você não faça ligação alguma, e a placa irá operar em Turbo, independentemente de como estiver posicionado o Turbo Switch. A vantagem é que desta forma, evitamos que alguém depressione acidentalmente o Turbo Switch, o que faria o PC operar em baixa velocidade. Tome muito cuidado, pois este método de ignorar o Turbo Switch nem sempre é usado desta forma. Existem placas de CPU que operam em velocidade baixa quando não existe jumper ligando os dois pinos da conexão para Turbo Switch, e em velocidade alta quando é instalado um jumper nesta posição. Consulte o manual da sua placa de CPU para verificar qual é a forma correta de configurá-la permanentemente como Turbo, se é com ou sem jumper instalado.

J11 – Reset Switch. Ligamos aqui o conector para o botão Reset do painel frontal do gabinete.

J14 – Suspend Switch Connector. Nem todas as placas de CPU possuem este recurso. Da mesma forma, nem todos os gabinetes possuem o botão apropriado para esta conexão. Cada vez que é feito um contato entre esses dois pinos (para isto deveria ser usado um botão similar ao Reset), o computador entra ou sai do modo “Suspenso”. Neste modo, são paralisadas as atividades da placa de CPU. É usado com o objetivo de manter o computador ligado, sem excessivos gastos de energia elétrica. Quando pressionamos novamente a chave, a placa de CPU volta à operação normal, sem que para isto seja preciso realizar um novo boot. Muitos dos dispositivos ligados na placa de CPU, como por exemplo o disco rígido, também entrarão em modo suspenso sob o comando deste botão.

J8 – Keylock & Power LED. Este conector de 5 pinos permite a ligação do Keylock (chave para trancamento do teclado) e Power LED, ambos localizados no Painel frontal do gabinete. A conexão é explicada no capítulo 4.

J9 – Speaker. Ligamos aqui o PC Speaker, que é o pequeno alto-falante existente no painel frontal do gabinete. Esta ligação é feita conforme foi explicado no capítulo 4.

J10 – Turbo LED Connector. Conforme mostrado no capítulo 4, ligamos aqui o Turbo LED, ou então o display digital existente no painel frontal do gabinete.

J13 – Hard Disk LED Connector. Ligamos aqui o LED indicador de acesso ao disco rígido, existente no painel frontal do gabinete.

JP2 – Flash EPROM BIOS Jumper. Muito cuidado, pois ao contrário dos demais jumpers e conexões mostrados até agora, este apresenta muitas diferenças de uma placa para outra. Muitas placas de CPU modernas possuem o seu BIOS armazenado em um tipo especial de ROM, chamado Flash EPROM. Sua principal característica é que pode ser reprogramada. Vários fabricantes de placas de CPU oferecem, através da Internet ou de BBS, versões novas para os BIOS de suas placas, além de um programa próprio para fazer a transferência deste novo BIOS para a Flash EPROM. Ocorre que existem Flash EPROMs que são reprogramadas mediante a aplicação de uma voltagem de 12 volts, e outras mediante uma voltagem de 5 volts. Esta placa de CPU está preparada para operar com ambos os tipos, e este jumper é configurado na fábrica, em função da tensão de programação da Flash EPROM instalada. Não altere este jumper, caso contrário você corre o risco de danificar a Flash EPROM.

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Figura 3 – Parte do manual de uma placa de CPU 486/586

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Figura 4 – Parte do manual de uma placa de CPU 486/586.

Na figura 4 temos a descrição de outros jumpers desta placa:

J4 – CMOS RAM Discharge jumper/External Battery Connector. Quase todas as placas de CPU apresentam o mesmo tipo de configuração para este jumper. Trata-se de um grupo de 4 pinos, através dos quais podemos selecionar entre o uso de uma bateria interna (o mais comum) ou externa, e ainda fazer a operação “Clear CMOS”, que consiste em apagar toda a configuração do Setup, recarregando os seus valores default. Esta operação normalmente é feita quando o usuário ativa uma senha e a esquece. Quase sempre este jumper é configurado na fábrica ligando os pinos 3 e 4. Desta forma, o CMOS Setup estará apagado, e a bateria interna estará desligada. Para ativar a bateria interna, devemos ligar o jumper entre os pinos 2 e 3. Podemos ainda optar pelo uso de uma bateria externa, bastando ligá-la entre os pinos 4 (negativo) e 1 (positivo).

CPU Type Jumpers. Esta placa possui uma série de jumpers usados para configurar o tipo de microprocessador e do clock utilizado. Existem ainda outras opções de configuração, mostradas na figura 5. Você precisará identificar qual é o microprocessador a ser usado, bem como o seu fabricante (o nome do fabricante está sempre estampado na parte superior do microprocessador). Observe que este manual não explica a função de cada um desses jumpers, apenas mostra como configurá-los em função do microprocessador utilizado.

Já na figura 5, vemos outros jumpers bastante importantes:

JP3A, JP3B, JP3C – CPU Speed Jumpers. Esses jumpers definem o clock externo do microprocessador. As opções disponíveis são 25, 33, 40 e 50 MHz. A escolha deve ser feita em função do clock do microprocessador utilizado. Microprocessadores da classe DX operam com valores iguais para o clock interno e externo. Portanto, para esses microprocessadores, basta obedecer o valor do clock estampado na sua parte superior. Um 486DX-40 deve ser configurado com o valor 40, um 486DX-33 deve ser configurado como 33, e assim por diante. Microprocessadores da classe DX2 possuem o clock interno igual ao dobro do seu clock externo. Por exemplo, um 486DX2-80 deve ter o seu clock externo programado com 40, para que o interno seja igual a 80. O 486DX4-100 pode operar com clocks externos de 25, 33, 40 ou 50 MHz, sendo que a opção 33 MHz é a mais indicada. O 5×86-133 da AMD é em geral programado com o clock externo de 33 MHz. Quanto ao 586 da Cyrix, a programação dependerá do clock interno. Para o modelo de 100 MHz, o clock externo poderá ser 25 ou 33 MHz (o fator multiplicador para o clock interno deverá ser 4x e 3x, respectivamente). Para o modelo de 120 MHz, devemos usar o clock externo de 40 MHz, e programar o fator multiplicador como 3x.

JP5A, JP5B, JP5C, JP5D, JP4 – CPU Voltage Jumpers. Observe que existe um erro no manual, apesar de ser facilmente percebido. Na figura 5 está indicado que esses jumpers dizem respeito à velocidade do microprocessador, mas na verdade aplicam-se à sua voltagem. Praticamente todos os microprocessadores atuais operam com 3,3 volts. Nesse caso JP5A, JP5B, JP5C e JP5D devem ter jumpers ligados entre seus respectivos pinos 1 e 2. Além disso, JP4 deve ter um jumper conectado. Microprocessadores mais antigos, como por exemplo o 486DX-33 da Intel, operavam com 5 volts. De qualquer forma, você sempre encontrará estampado na parte superior ou inferior do microprocessador, a sua voltagem de operação. Lembre-se ainda que os modelos mais recentes, com 75 MHz ou mais, operam com 3,3 volts. Os modelos mais antigos, operando com 25 ou 33 MHz, operam com 5 volts. Modelos de 40, 50 e 66 MHz poderão ser encontrados com diferentes voltagens, e esses requerem maior cuidado.

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Figura 5 – Parte do manual de uma placa de CPU 486/586.

O manual desta placa de CPU traz ainda uma tabela como a que se segue, na qual é mostrada a programação dos jumpers que definem o fator multiplicador do clock externo para obter o clock interno.

CPU INTERNAL CLOCK SPEED
Intel DX4

2x

JP6 ON
DX4

3x

JP6 OFF
Cyrix 5×86

3x

JP6 OFF
5×86

4x

JP6 ON
AMD X5

3x

JP6 OFF
X5

4x

JP6 ON
AMD-Enhanced DX4

2x

JP6 ON
DX4

3x

JP6 OFF
AMD DX4

2x

JP8A 1-2
DX4

3x

JP8A 2-3

Observe que na tabela não é mostrada a configuração para o 486DX, que usa o fator 1X. Nesse caso não precisamos programar esses jumpers, pois o 486DX os ignora, usando sempre valores iguais para seus clocks interno e externo. Da mesma forma, não é preciso fazer uma configuração específica para o 486DX2, já que sempre utilizará o fator 2X sobre o seu clock externo para obter o clock interno, sendo portanto esses jumpers ignorados.

Esta placa permite usar para o 486DX4, os multiplicadores 2X ou 3X, dependendo da programação de JP6. Um 486DX4-100 pode ser portanto programado com o clock externo de 33 MHz e um fator 3X (o que é mais seguro), ou com o clock externo de 50 MHz e um fator 2X.

O 5×86-133 (também chamado de AMD-X5) opera normalmente com o clock externo de 33 MHz e o fator 4X. Também pode usar o clock externo de 40 MHz e o fator 3X, mas isto resulta em um clock interno de apenas 120 MHz.

Observe ainda que na tabela, assim como na figura 4, é feita distinção entre dois tipos de 486DX4-100, fabricados pela AMD: comum e Enhanced. A versão Enhanced do Am486DX4 possui algumas características adicionais sobre a versão comum. Sua cache interna opera em modo “Write Back”, ou seja, acelera tanto as operações de leitura como as de escrita em memória. Na versão comum do Am486DX4, a cache opera no modo “Write Through”, ou seja, acelera apenas as operações de leitura da memória. Além disso, apresenta recursos de gerenciamento de energia. Para configurar corretamente os jumpers desta placa, será preciso distinguir entre os dois modelos. Devemos verificar exatamente o que está escrito na parte superior do chip. Por exemplo:

Am486DX4-100
A80486DX4-100 NV8T
B9521 EPB T
AMD
3 volt
Heat Sink and Fan req’d

Observe a indicação NV8T. Através dela podemos distinguir se o Am486DX4 é ou não do tipo Enhanced. Quando tivermos NV8T, ou simplesmente V8T, significa que se trata de uma versão comum. Quando a indicação for SV8B, significa que se trata de uma versão Enhanced. O “S” é exatamente o indicador que caracteriza a versão Enhanced.

Placa de CPU 2

A próxima placa de CPU a ser exemplificada é chamada no seu manual como “I/O Built-in 486 PCI Local Bus System Board”. Vejamos antes de mais nada as informações que o fabricante apresenta sobre as suas características. Observe a variedade de microprocessadores suportados, desde o 486SX até o 5×86.

System Board Specifications:
IBM PC/AT Compatible.
Supports Intel 486 SX/DX/DX2/DX4, P24D, P24T, CYRIX DX2/DX4/5X86, AMD486DX/DX2/DX4 and Enhanced AMD 486DX4 CPU.
Supports L1 Cache Write Back CPU system.
Direct Mapped L2 Cache controller.
Up to 64 MB Memory on board using 72pin SIMM, totally 2 banks.
Build in two channel IDE controller ATA mode 4 compatible.
Enhanced multi-I/O on board-Floppy interface, 2 x 16550 COM port, Enhanced parallel port and Standard game port.
3 x PCI master slots and PCI specification version 2.0 compliance.
3 x ISA 16-bit bus slots.
Board size 220mm x 170mm.
Infra-Red port for serial infrared communication.
PS2 mouse interface.
* NOT all models support the Infra-Red and PS2 mouse interfaces.

 

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Figura 6 – Layout de uma placa de CPU 486/586.

Na figura 6 vemos o layout da placa. Observe que se trata de uma placa de tamanho bem reduzido. A largura é padrão, mas o comprimento é bem menor que o da maioria das placas de CPU. Existem 3 slots ISA e 3 slots PCI, mas não é possível utilizar todos simultaneamente. Quando instalamos uma placa no terceiro slot ISA, não poderemos usar o primeiro slot PCI, e vice-versa.

A figura também mostra que é grande a quantidade de jumpers, uma característica comum nas placas de CPU que suportam diversos microprocessadores.

As figuras 7 e 8 mostram como configurar os jumpers em função do tipo de CPU utilizada. Será preciso consultar a indicação do nome completo do microprocessador, o que está estampado na sua parte superior, e também na inferior.

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Figura 7 – Trecho do manual de uma placa de CPU 486/586.

Ainda na figura 8 existem instruções para programar a voltagem do microprocessador. Como vimos, as versões mais modernas do 486 operam com 3,3 volts, e apenas alguns modelos antigos, sobretudo de 25 e 33 MHz, e ainda alguns de 50 e 66 MHz, utilizam alimentação de 5 volts.

Na figura 9 temos as instruções para configuração dos jumpers JP20 e JP21, responsáveis pela definição do tamanho da cache externa. Esta cache é formada pelos chips U7, U31, U32, U33 e U34. Dependendo das capacidades desses chips, pode ser formada uma cache com 128 kB, 256 kB ou 512 kB. Esta placa é fornecida com uma cache de 256 kB já instalada e configurada, mas o usuário pode optar por uma expansão para 512 kB, tomando como base as instruções apresentadas na figura 9.

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Figura 8 – Trecho do manual de uma placa de CPU 486/586.

Ainda na figura 9, vemos as instruções para a configuração de JP19, um grupo de jumpers que define o clock externo do microprocessador, que poderá ser de 25, 33 ou 40 MHz.

J6 é um grupo de 4 pinos, relacionados com o CMOS e a bateria. Em operação normal, deve ser colocado um jumper ligando os pinos 1 e 2. Para apagar os dados do CMOS, ligamos um jumper entre os pinos 3 e 4. Observe que muitas placas são fornecidas com este jumper ligado entre os pinos 3 e 4, com o intuito de não consumir carga da bateria enquanto a placa não é colocada em operação.

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Figura 9 – Trecho do manual de uma placa de CPU 486/586.

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Figura 10 – A ROM na qual está armazenado o BIOS é em geral coberta por uma etiqueta.

O jumper JP4 indica o tipo de ROM utilizada para o armazenamento do BIOS. Deve ser feita a ligação 2-3 quando for usada uma ROM ou EPROM, ou entre 1-2 caso esteja sendo usada uma Flash ROM. A princípio não é fácil identificar o tipo de ROM utilizada, já que ambas possuem o mesmo aspecto, e normalmente são cobertas por uma etiqueta, como mostra a figura 10. Felizmente não é preciso descobrir esta informação. O fabricante da placa é o responsável pela instalação desta ROM, e também pelo selecionamento do jumper que a define. Não altere portanto a configuração que o fabricante usou.

Placa de CPU 3

Esta é uma placa de CPU que foi bastante comum em 1995. Ao usá-la, você estará na verdade fazendo uma “reciclagem de material”. A seguir, temos a lista de suas características.

CHAPTER 1 INTRODUCTION
1-1 INTRODUCTION

Overview

The OPTi 82C895 provides a highly integrated solution for fully compatible, high performance PC/AT platforms. The chipset supports 486SX/DX/DX2, P24C and P24D microprocessors in the most cost effective and power efficient designs. It offers optimum performance for systems runing up to 50 MHz.

System features

Supports INTEL 486SX/DX/DX2, DX4, P24D.

AMD DX/DX2.
CYRIX M6,M7.

Supports 3 stages of power saving:

AUTO GREEN/SMI/Disabled.

Supports L1/L2 Write Back/Write Through cache features.
Supports 2 Master / 3 Slave 32 bits VESA Bus I/O Slots.
Supports 64/128/256 KB cache size.
Supports 30 pin / 72 pin dual type of SIMM modules.

É chamada de “OPTI-895 Green 486 WB”. Suporta microprocessadores 486, até o máximo de 100 MHz. Sendo uma placa relativamente antiga, não possui slots PCI, ficando limitada às opções ISA e VLB. Portanto, para obter o melhor desempenho possível, será preciso utilizar placas de expansão SVGA e IDEPLUS na versão VLB. Permite a instalação de memórias SIMM de 30 ou de 72 pinos, uma característica comum nas placas de CPU daquela época. Não possui interfaces IDE, para drives, seriais e paralela, como ocorre nas placas de CPU mais modernas. Não está explícito, mas esta placa, assim como muitas de sua época, e todas as de fabricação anterior, não possui no seu BIOS a função LBA, que dá suporte a discos rígidos com mais de 504 MB. Com todas essas limitações, o uso desta placa não é muito recomendável, a menos que todas as peças necessárias à montagem do PC já estejam disponíveis, e também que não seja necessário instalar um disco rígido de maior capacidade. Para alguém que possua uma placa como esta e deseja aproveitá-la, existe a opção de retirar o seu microprocessador, a sua memória DRAM e a sua memória cache e instalar em uma placa de CPU nova (como a mostrada no exemplo anterior). É relativamente barato adquirir uma placa de CPU nova, sem CPU e sem cache. Teremos assim diversas vantagens, como a presença da função LBA (suporte a discos rígidos com mais de 504 MB), as interfaces IDE, de drives, seriais e paralela, os slots PCI e o suporte a memórias mais modernas. Ainda assim, discutiremos a configuração dos jumpers desta antiga placa.

A figura 11 mostra o layout desta placa. Observe os seus slots VLB, os soquetes para a instalação de memórias e o soquete para a instalação do microprocessador.

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Figura 11 – Layout de uma placa de CPU 486.

A figura 12 traz as instruções para configurar os jumpers que definem o tipo de microprocessador utilizado. Sendo uma placa antiga, nem todos os microprocessadores 486 existentes são suportados, já que muitos deles não existiam na época do seu lançamento. Algumas vezes, microprocessadores não suportados podem funcionar, a partir de configurações baseadas em outros modelos suportados. Por exemplo, um Am486DX4 poderá funcionar com o uso da mesma configuração do 486DX4 da Intel. Entretanto, esta prática não é 100% recomendável, pois corremos o risco de danificar o microprocessador.

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Figura 12 – Parte do manual de uma placa de CPU 486.

Na figura 13 vemos as instruções para o selecionamento do clock do microprocessador. Podemos observar que tanto o 486DX-25 como o 486DX2-50 utilizam a mesma configuração, com um clock externo de 25 MHz. O mesmo podemos dizer sobre o 486DX-33 e o 486DX2-66, operando externamente com 33 MHz. Já o 486DX-40 e o 486DX2-80 operam externamente com 40 MHz. O 486DX4-75 opera com a mesma configuração do 486DX-25 e do 486DX2-50, ou seja, com um clock externo de 25 MHz. Apesar de operar externamente com 33 MHz, o 486DX4-100 é configurado de forma diferente do 486DX-33, como mostra a tabela.

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Figura 13 – Parte do manual de uma placa de CPU 486.

A figura 13 indica ainda o modo de configuração da voltagem do microprocessador, através de JP18, indicando a voltagem de 5 ou 3,3 volts.

Placa SVGA 1

A figura 14 mostra uma página do manual de uma placa SVGA baseada no chip Trident 9400. Trata-se de uma placa SVGA VLB, bastante utilizada nos PCs 486 entre 1994 e 1995. Esta placa possui 2 MB de memória de vídeo, podendo operar nos modos Hi-Color e True Color. Assim como ocorre com a maioria das placas SVGA, sua configuração é bastante simples. Possui apenas dois conectores:

VGA Connector. É usado para a conexão com o monitor.
Feature Connector. É usado para a conexão com placas especiais, como digitalizadoras de vídeo.

Além desses dois conectores, presentes em todas as placas SVGA, existem ainda dois jumpers, JP1 e JP2, descritos na figura 15.

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Figura 14 – Trecho do manual de uma placa SVGA VLB.

JP1 – Monitor Type. Este jumper é usado para definir a freqüência horizontal a ser usada na resolução de 1024×768. Nos monitores mais simples, que chegam a uma freqüência horizontal máxima entre 35 e 38 kHz, devemos deixar que seja usada a varredura entrelaçada para a resolução de 1024×768. Este é o caso do monitor Samsung SyncMaster 3. Devemos então ligar o jumper entre 2-3. A maioria dos monitores modernos, como o Samsung SyncMaster 3NE, é capaz de operar com no mínimo 48 kHz de freqüência horizontal. Desta forma, a resolução de 1024×768 pode utilizar a varredura não entrelaçada. Devemos então ligar um jumper entre 1-2. Se você não tem certeza sobre a freqüência horizontal máxima suportada pelo seu monitor, escolha a opção entrelaçada. Qualquer monitor SVGA é capaz de operar neste modo. Posteriormente você pode consultar o manual do seu monitor para verificar se a varredura não entrelaçada é suportada na resolução de 1024×768. Para isto, basta checar se a máxima freqüência horizontal suportada pelo monitor é igual ou superior a 48 kHz.

JP2 – VESA Clock. Este jumper deve ser configurado de acordo com o clock utilizado pelo barramento VLB, que é igual ao clock externo do microprocessador. Para clocks de 33 MHz ou inferiores (486DX-25, 486DX-33, 486DX2-50, 486DX2-66, 486DX4-75, 486DX4-100), deve ser ligado um jumper entre 1-2. Quando o clock do barramento VLB for superior a 33 MHz (486DX-40, 486DX-50, 486DX2-80), o jumper deve ser colocado entre 2-3.

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Figura 15 – Descrição dos jumpers de uma placa SVGA VLB.

Placa SVGA 2

Vejamos agora o exemplo de uma placa SVGA ISA (16 bits). Este tipo de placa foi muito comum até o final de 1993, quando começou a dar lugar às placas VLB, e posteriormente às placas PCI. Mesmo assim, ainda podemos encontrar à venda algumas placas SVGA de 16 bits, em geral equipadas com chips gráficos da Trident. A placa do nosso exemplo utiliza o chip gráfico Trident 8900. A seguir, temos a descrição de seus jumpers, conforme consta no seu manual:

Jumper Setting

JP1 Close* Non-Interlaced Display, Scan rate up to 48.7 KHz.
Open Interlaced Display

JP2 Close* Enable autodetect 8 or 16 bits BIOS
Open Disable autodetect

JP3 Close* Enable Zero-wait state
Open Disable Zero-wait state

JP7 Close* Enable IRQ9
Open Disable IRQ9

JP4 Open*
JP5 Close Configure for 16-bit slot
JP6 Close

JP4 Close
JP5 Close Configure for 8-bit slot
JP6 Close

* Default Settings

Podemos constatar que esta placa possui uma grande quantidade de jumpers, coisa que era comum entre as placas SVGA ISA. Já as placas VLB possuem em geral menos jumpers, e as placas PCI normalmente não possuem jumper algum. Os jumpers existentes na placa do nosso exemplo são os seguintes:

JP1 – Este jumper serve para ativar e desativar a varredura entrelaçada na resolução de 1024×768. Em monitores mais simples (35-38 kHz), deve ficar OPEN (sem jumper). Nos monitores que suportam 48 kHz ou mais, deve ficar CLOSED (com jumper).

JP2 – Esta placa, apesar de possuir um conector ISA de 16 bits, pode ser conectada tanto em slots de 16 como de 8 bits. Assim, poderia ser instalada até mesmo em um PC XT!!! Em geral placas que possuem esta característica podem ser configuradas para detectar de forma automática o tipo de slot no qual são conectadas. Este jumper, ao ser programado na opção CLOSE, habilita a detecção automática do tipo de slot. Ao ser colocado na opção OPEN, este recurso é desabilitado. Será preciso definir o tipo de slot através dos jumpers JP4, JP5 e JP6.

JP3 – Este jumper é ajustado em função da velocidade do microprocessador. Placas antigas podiam apresentar problemas de funcionamento ao serem usadas em conjunto com microprocessadores muito rápidos. Para solucionar este problema, essas placas podiam operar com wait states (estados de espera). Desta forma, o microprocessador “espera” um pouco mais nos acessos à placa. Para habilitar a espera, o jumper deve ser instalado. Para fazer com que os acessos sejam normais, sem wait states, basta remover o jumper.

JP7 – Este é outro jumper bastante comum nas placas SVGA antigas, e em muitas das modernas. As placas VGA originais (assim como ocorre com as SVGA) eram totalmente compatíveis com a placa EGA (Enhanced Color Graphics Adapter). Essas placas utilizavam a interrupção 9 (IRQ9), e muitos programas antigos contavam com esta característica. Placas modernas não precisam mais utilizar a IRQ9, e oferecem a opção de usar (para manter compatibilidade com programas antigos) ou não usar esta interrupção. A princípio, devemos deixar a IRQ9 na placa SVGA desativada, assim poderemos usá-la na instalação de outras placas (fax/modem, por exemplo). Para desativar a IRQ9 nesta placa SVGA, basta remover o jumper JP7.

JP4, JP5 e JP6 – Esses três jumpers, em conjunto, definem o tipo de slot no qual a placa será encaixada. Para usar um slot de 16 bits, devemos configurá-los como OPEN, CLOSE e CLOSE (sem, com e com), e para usar um slot de 8 bits, usamos a opção CLOSE, CLOSE, CLOSE.

Placas SVGA PCI

Todas as placas SVGA PCI possuem o recurso PnP (Plug and Play), e por isto, em geral não utilizam jumpers para sua configuração. Existem entretanto algumas raras exceções. Você poderá encontrar, por exemplo, placas que possuem o jumper para habilitar/desabilitar o uso da IRQ9.

Placa IDEPLUS 1

Esta é uma placa IDEPLUS VLB, indicada no seu manual como “DTC 2278S/D Local-Bus to IDE and Super I/O Controller”. Você encontrará muitas semelhanças entre os jumpers existentes nesta placa e os existentes em outros modelos de placas IDEPLUS VLB. Seus jumpers são os seguintes:

W5, W6 – Esses dois jumpers definem o endereço que será ocupado pela primeira porta serial. O default é COM1, mas as placas IDEPLUS também permitem configurar esta porta como COM3. A placa do nosso exemplo permite, além dessas duas opções, configurar esta porta como COM4. Temos ainda uma quarta opção, que é a de deixar esta porta desabilitada.

W3, W4 – Permitem configurar o endereço da segunda porta serial. O default é COM2, mas esta placa ainda permite configurá-la como COM4 ou COM3. Podemos ainda deixar esta porta desabilitada.

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Figura 16 – Parte do manual de uma placa IDEPLUS VLB.

W1, W2 – Assim como ocorre com a maioria das placas IDEPLUS, a do nosso exemplo permite escolher o endereço da porta paralela, entre 278, 378 e 3BC. Podemos ainda deixar esta porta desabilitada. O default é 278.

W7 – Este jumper é usado para habilitar ou desabilitar a interface para drives. A opção default é deixar esta interface habilitada, porém todas as placas IDEPLUS permitem habilitar ou desabilitar individualmente cada uma de suas interfaces.

W8 – Game Port – Usado para habilitar ou desabilitar a interface para joystick. Caso o PC não possua uma placa de som, devemos deixar este jumper habilitado, a menos que não desejemos utilizar um joystick. Quando instalamos uma placa de som, podemos desabilitar a interface de joystick existente na placa IDEPLUS, e utilizar a interface existente na placa de som. Em alguns casos, a interface para joystick existente na placa IDEPLUS apresenta problemas de incompatibilidades, dependendo da placa de CPU utilizada. A interface para joystick existente na placa de som é menos problemática, e por isto deve ser dada preferência ao seu uso.

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Figura 17 – Parte do manual de uma placa IDEPLUS VLB.

W9 a W16 – Esses jumpers servem para selecionar as interrupções que serão utilizadas pelas interfaces seriais e paralelas. Por default, a COM1 usa a IRQ4, a COM2 usa a IRQ3, e a LPT1 (porta paralela) usa a IRQ7. A placa funcionará perfeitamente caso seja configurada desta forma. Existem entretanto casos em que precisamos fazer um remanejamento de interrupções, visando a instalação de novas placas. A placa IDEPLUS do nosso exemplo permite escolher entre a IRQ3, IRQ4 ou IRQ5 para a primeira porta serial, IRQ3, IRQ4 ou IRQ5 para a segunda porta serial, e entre IRQ7 ou IRQ5 para a porta paralela. Observe entretanto que duas interfaces não podem utilizar a mesma interrupção.

W17 – As portas paralelas presentes nas antigas placas IDEPLUS operavam exclusivamente no modo SPP (Standard Parallel Port), que era unidirecional, ou seja, eram usadas apenas na transmissão de dados. A placa IDEPLUS do nosso exemplo pode ainda operar no modo bidirecional, no qual dados podem ser transmitidos ou recebidos. Para habilitar o modo bidirecional, basta retirar o jumper W17.

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Figura 18 – Parte do manual de uma placa IDEPLUS VLB.

Placa IDEPLUS 2

Vejamos agora o exemplo de uma placa IDEPLUS ISA (16 bits). Você poderá observar que muitas de suas configurações são semelhantes às mostradas na placa IDEPLUS VLB do exemplo anterior. Esta placa é chamada no seu manual de “Multi I/O Plus IDE Card”. Seu manual está expresso nas figuras 19 e 20.

Os seus conectores são os mesmos existentes em qualquer placa IDEPLUS. São os conectores da interface IDE, da interface para drives, das portas seriais, da porta paralela e da interface de joystick.

Todos os jumpers desta placa são aplicados sobre grupos de 3 pinos metálicos. Em cada um delas, as configurações possíveis são 1-2 e 2-3. Seus jumpers são os seguintes:

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Figura 19 – Parte do manual de uma placa IDEPLUS ISA.

J1 – Usado para habilitar ou desabilitar a interface para drives de disquete (FDD). Por default, esta interface deve ficar habilitada (1-2).

J2 – Indica se a interface para drives de disquete irá operar como primária ou secundária. O default é primária.

J3 – Usado para habilitar (default) ou desabilitar a interface IDE.

J4 – Seleciona a interface IDE como primária (default) ou secundária. Desta forma é possível ter duas interfaces IDE, sendo uma primária e outra secundária. Para isto, basta instalar duas placas IDEPLUS. Uma irá operar como primária e a outra como secundária. Observe que na placa IDEPLUS cuja interface IDE opera como secundária, as demais interfaces devem ser desabilitadas ou remanejadas para que não entrem em conflito com as interfaces da primeira placa IDEPLUS.

J5 – Usado para habilitar ou desabilitar a primeira porta serial. Por default, esta porta deve ficar habilitada, e nela será conectado o mouse. Existem entretanto casos de instalações nos quais temos que desabilitar uma ou ambas as interfaces seriais.

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Figura 20 – Parte do manual de uma placa IDEPLUS ISA.

J6 – Com este jumper selecionamos se a primeira porta serial irá operar como COM1 (default) ou como COM3.

J7 – Possui a mesma função que J5, exceto que se aplica à segunda porta serial. Com ele podemos habilitar ou desabilitar a segunda porta. Uma das diversas aplicações deste recurso é a instalação de modems. Entre as diversas formas de instalar uma placa fax/modem, uma muito usada é desabilitar a COM2 da placa IDEPLUS e configurar a placa fax/modem para que opere como COM2.

J8 – Este jumper indica se a segunda porta serial irá operar como COM2 (default) ou COM4.

J12, J13, J14 e J15 – Através desses jumpers, podemos escolher quais interrupções serão usadas por cada uma das duas portas seriais existentes na placa. Para cada uma delas, as opções são IRQ2, IRQ3, IRQ4 e IRQ5. Por default, a primeira porta deve usar a IRQ4 e a segunda porta deve usar a IRQ3.

J9 – Usada para habilitar (default) ou desabilitar a porta paralela.

J10 – Indica o endereço a ser usado pela porta paralela. As opções oferecidas por esta placa são 378 e 278, mas existem placas que ainda oferecem 3BC.

J11 – Serve para habilitar (default) ou desabilitar a interface para joystick.

Jumpers de discos rígidos

Os discos rígidos IDE, assim como ocorre com todos os módulos usados na montagem de um PC, têm seus jumpers pré-configurados na fábrica. Entretanto, se você estiver montando um PC usando um disco rígido antigo, é possível que seus jumpers não estejam mais programados com a configuração de fábrica. Vejamos então como configurá-los corretamente.

Um disco rígido IDE pode operar de três formas básicas:

1. Sozinho. Sendo o primeiro (e único) disco ligado na sua interface IDE, dizemos que opera como Master.

2. Como o primeiro disco de uma instalação dupla. Uma interface IDE pode controlar até dois dispositivos IDE. Desta forma, podemos ligar na mesma interface, por exemplo, dois discos rígidos IDE. O primeiro deles, que será reconhecido como drive C, é chamado de Master, e o segundo é chamado de Slave. Quando um disco opera como Master, é preciso que esteja configurado para indicar se opera sozinho (configuração 1) ou como o primeiro disco de uma instalação dupla.

3. Como o segundo disco de uma instalação dupla (Slave).

Portanto, em todos os discos rígidos IDE, existe um jumper chamado Master/Slave, através do qual indicamos se irá operar como primeiro (Master) ou segundo (Slave) de uma instalação. Existe ainda um jumper chamado Slave Present, através do qual indicamos se o Master opera sozinho ou em conjunto com um disco Slave. A configuração programada na fábrica é sempre aquela com a qual o disco rígido opera como Master sem Slave, ou seja, quando é o único dispositivo IDE conectado na sua interface. Os jumpers são programados da seguinte forma:

Master/Slave: deve ser programado na opção Master.
Slave Present: deve ser programado na opção desabilitada, ou seja, sem Slave.

Muitos manuais apresentam, ao invés das indicações desses dois jumpers, uma tabela que mostra como os seus jumpers devem ser configurados para que o disco rígido opere em cada uma das três formas possíveis. A figura 21 mostra o exemplo de um certo disco rígido, em cujo manual estão as indicações sobre como configurar os seus jumpers. Observe a indicação “J5 – Master/Slave jumper block”. Para que o disco rígido opere como Master sem Slave, devemos utilizar a opção One Drive Only.

Muitos discos rígidos apresentam essas instruções estampadas na parte externa da sua carcaça, o que é muito bom para aqueles que têm o hábito de perder seus manuais.

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Figura 21 – Trecho do manual de um disco rígido.