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Athlon 64 X2 4800

Autor: Laércio Vasconcelos
Data: 26/jun/2006

Um dos mais recentes processadores duais da AMD, o Athlon 64 X2 4800 tem um excelente comportamento na questão de temperatura, e não exige fontes e gabinetes especiais para seu bom funcionamento.

Athlon 64 X2 4800

Processadores duais já estão ficando, digamos assim, “populares” entre os modelos “top de linha”. A maioria dos modelos avançados são duais, enquanto os modelos com apenas um núcleo dominam o mercado de micros populares (Sempron e Celeron). São pouquíssimos os novos modelos top de linha que não contam com processamento dual. Por exemplo, o modelo mais avançado da AMD de Athlon 64 hoje (jun/2006), com um só núcleo, é o Athlon 64 4000, que já existia em nov/2005. O Athlon 64 FX 57 foi o último da série com um só núcleo. Os modelos FX60 e FX62 também têm dois núcleos, portanto também poderiam ser chamados de “Athlon 64 X2”.

Obviamente os modelos de alto desempenho e um só núcleo continuarão sendo produzidos durante algum tempo, mas os novos serão de dois (ou mais) núcleos.

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Figura 1 – Athlon 64 X2 4800

Façamos então uma revisão dos modelos atuais de Athlon 64 X2 e Athlon 64 FX duais e suas características:

(fonte: www.amdcompare.com, jun/2006)

Modelo Clock int Socket Cache L2 Potência Temp Proc (nm)
Athlon 64 FX 62 2.8 GHz AM2 2 x 1MB 125W 63°C 90
Athlon 64 FX 60 2.6 GHz 939 2 x 1MB 110W 65°C 90
Athlon 64 X2 5000 2.6 GHz AM2 2 x 512 89W 70°C 90
Athlon 64 X2 4800 2.4 GHz AM2 2 x 1MB 65W 72°C 90
Athlon 64 X2 4800 2.4 GHz AM2 2 x 1MB 89W 70°C 90
Athlon 64 X2 4800 2.4 GHz 939 2 x 1MB 110W 65°C 90
Athlon 64 X2 4600 2.4 GHz 939 2 x 512 110W 65°C 90
Athlon 64 X2 4600 2.4 GHz AM2 2 x 512 65W 72°C 90
Athlon 64 X2 4600 2.4 GHz 939 2 x 512 110W 65°C 90
Athlon 64 X2 4600 2.4 GHz AM2 2 x 512 89W 70°C 90
Athlon 64 X2 4400 2.2 GHz 939 2 x 1MB 110W 65°C 90
Athlon 64 X2 4400 2.2 GHz AM2 2 x 1MB 89W 70°C 90
Athlon 64 X2 4400 2.2 GHz AM2 2 x 1MB 65W 72°C 90
Athlon 64 X2 4400 2.2 GHz 939 2 x 1MB 89W 71°C 90
Athlon 64 X2 4200 2.2 GHz 939 2 x 512 89W 71°C 90
Athlon 64 X2 4200 2.2 GHz 939 2 x 512 89W 71°C 90
Athlon 64 X2 4200 2.2 GHz AM2 2 x 512 89W 70°C 90
Athlon 64 X2 4200 2.2 GHz AM2 2 x 512 65W 72°C 90
Athlon 64 X2 4000 2.0 GHz AM2 2 x 1MB 89W 70°C 90
Athlon 64 X2 4000 2.0 GHz AM2 2 x 1MB 65W 72°C 90
Athlon 64 X2 3800 2.0 GHz AM2 2 x 512 89W 70°C 90
Athlon 64 X2 3800 2.0 GHz AM2 2 x 512 35W 78°C 90
Athlon 64 X2 3800 2.0 GHz AM2 2 x 512 65W 72°C 90
Athlon 64 X2 3800 2.0 GHz 939 2 x 512 89W 71°C 90
Athlon 64 X2 3800 2.0 GHz 939 2 x 512 89W 71°C 90

Note que todos os modelos ainda são produzidos com 90nm. A próxima geração, de 65 nm, promete os melhoramentos usuais como aumento de clock, aumento da cache L2, redução de aquecimento ou redução de preços (não necessariamente nessa ordem).

Notamos ainda que estão disponíveis processadores com Socket AM2, com suporte a memórias DDR2, para todos os modelos.

O modelo analisado neste review é o 4800, destacado em azul na tabela acima. Suas características:

Modelo Athlon 64 X2 4800
Clock interno 2.4 GHz
Soquete 939
Cache L2 2 x 1 MB
Potência 110 watts
Temperatura máxima 65°C

Um processador sem problemas de aquecimento

O Athlon 64 X2 4800 que analisamos dissipa 110 watts e suporta uma temperatura máxima de 65°C, de acordo com as informações da AMD. Apesar de ser uma dissipação de calor bastante exagerada, ela não foi traduzida em elevação absurda de temperatura. Usamos um gabinete normal, tipo mini-torre, com uma fonte de alimentação ATX de 450 watts sem ventiladores adicionais, e apenas um cooler traseiro expulsando o ar quente para fora. Com o ambiente a 25°C, executamos uma tarefa bastante pesada que tende a utilizar ao máximo os dois núcleos do processador. A temperatura interna do gabinete ficou em 37°C, enquanto o processador operou a 53°C, ou seja, uma elevação de temperatura de 16°C em relação ao interior do gabinete, como mostram as medições feitas pelo programa Asus PC Probe (figura 2). Para efeito de comparação, a maioria dos processadores avançados ficam de 15°C a 30°C mais quentes que o interior do gabinete quando executam tarefas pesadas durante longos períodos.

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Figura 2 – Em uso extremo, o processador chegou a apenas 53°C.

Durante o uso de operações leves como processamento de texto, cópia de arquivos e acesso à Internet, o processador operou com apenas 5°C acima da temperatura interna do gabinete. Em períodos de total ociosidade (tela do Windows parada), o processador ficou apenas 4°C acima da temperatura interna do gabinete. A maioria dos processadores modernos ficam de 5°C a 15°C mais quentes que o gabinete durante períodos de ociosidade ou durante a execução de tarefas leves. Todos esses excelentes resultados foram obtidos com o uso de um gabinete normal, com fonte de alimentação normal. O processador não necessitou de cuidados especiais (além do usual para micros modernos) para operar bem sem superaquecer. O ideal entretanto, para qualquer processador dual, é utilizar cuidados adicionais:

Cuidados normais para qualquer micro moderno:

1) Gabinete midi torre
2) Ventilador traseiro de 8 cm, jogando o ar quente para fora

Cuidados adicionais recomendáveis para os micros avançados

1) Cooler traseiro de 12 cm (recomendável)
2) Fonte de alimentação com ventilador interno
3) Gabinete com duto lateral de ventilação

Escolhendo um modelo na hora da compra

Ao comprar um processador, não basta indicar o nome e o modelo. Vemos por exemplo que existem três modelos de Athlon 64 X2 4800. Muitas vezes as únicas preocupações são o preço e o tipo de soquete. Por exemplo, para Socket 939, o único modelo de 4800 é o quarto da tabela abaixo (ADA4800CDBOX).

Este é o nome que aparece estampado na face frontal do processador, que pode ser visto pela parte externa da caixa na ocasião da compra, já que existe uma janela transparente (figura 3), mas não esqueça de levar uma lupa para conferir.

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Figura 3 – É possível ler o número do modelo diretamente no processador, dentro da caixa.

Entre modelos de mesma numeração (ex: 4800) e mesmo tipo de soquete, podemos encontrar diferentes opções para tamanho de cache L2 e diferentes níveis de aquecimento. A tabela de modelos já apresentada indica dois modelos 4800 para soquete AM2:

Athlon 64 X2 4800 2.4 GHz AM2 2 x 1MB 65W 72°C
Athlon 64 X2 4800 2.4 GHz AM2 2 x 1MB 89W 70°C

Note que ambos os modelos acima operam com 2.4 GHz e têm caches iguais, o que indica desempenho similar, além de ambos serem para Soquete AM2. O primeiro modelo entretanto dissipa apenas 65 watts e suporta temperatura máxima de 72°C. Este modelo é portanto menos problemático em relação à temperatura. A tabela completa mostra que este modelo tem um número de modelo (OPN) ADO4800CSBOX. Verifique essa numeração na ocasião da compra. Normalmente só podemos exercer este poder de escolha indo diretamente à loja. Ao comprarmos um processador em lojas virtuais, ou mesmo instalado dentro de um computador pronto, não saberemos a princípio, qual dos diversos modelos do processador desejado foi instalado.

O sistema testado

A AMD nos enviou para avaliação, uma placa mãe com processador e memória. Adicionamos as peças restantes para formar um computador com a seguinte configuração:

Micro 1:
Placa mãe Asus A8N SLI Deluxe
Processador Athlon 64 X2 4800 (ADA4800CDBOX)
1 GB de memória DDR400 (2×512 MB) Corsair.
Disco rígido Samsung de 80 GB, SATA
Placa de vídeo ATI X850, com 256 MB

Fizemos testes de desempenho usando os programas da FutureMark:

PCMark 2002
PCMark 2004
PCMark 2005

Fizemos ainda uma conversão de DVD para MPEG-4 usando os programas FlaskMPEG 0.78 e DIVX 6.22.

Para efeito de comparação, fizemos os mesmos testes em dois outros micros. Um deles tem um processador três vezes mais barato que o Athlon 64 X2 4800, o Pentium 4 de 3.2 GHz (HT). O outro é um modelo da Intel cerca de 30% mais caro que o Athlon 64 X2 4800: o Pentium Extreme Edition de 3.46 GHz, analisado recentemente no nosso laboratório (veja o artigo).

Micro 2:
Pentium 4 de 3.2 GHz, FSB de 800 MHz
placa Intel D915PCY
1 GB de memória DDR2/533 (dual channel)
placa ATI X850 (PCI Express)
HD Samsung de 80 GB, 7200 RPM.

Micro 3:
Pentium Extreme Edition de 3.46 GHz FSB de 1066 MHz
placa Intel D975XBX
1 GB de memória DDR2/667 (dual channel)
placa ATI X850 (PCI Express)
HD Samsung de 80 GB, 7200 RPM.

Nos três micros comparados, usamos o mesmo disco rígido e a mesma placa de vídeo. As placas mãe e as memórias eram diferentes, devido às diferentes características dos processadores e chipsets utilizados.

Note que o para efeito de comparação, o ideal não é usar modelos tão diferentes. Um concorrente ideal para o Athlon 64 X2 4800 seria um Pentium D de 3.4 GHz. O nosso objetivo entretanto não é apresentar uma extensa tabela de processadores e medidas de desempenho, e sim, apresentar este novo modelo de processador. Você pode consultar índices de desempenho de todos os processadores atuais, medidos por inúmeros programas, em www.tomshardware.com.

Lembramos que esses três processadores têm diferenças em relação aos seus núcleos:

Athlon 64 X2 4800: Dois núcleos operando a 2.4 GHz
Pentium 4 3.2 HT: Um núcleo HT de 3.2 GHz
Pentium EE de 3.46 GHz: Dois núcleos HT de 3.46 GHz

O Pentium 4 HT de 3.2 GHz não é dual, mas é visto pelo sistema como uma dupla de processadores “virtuais”. O Pentium EE é dual, e cada um dos seus núcleos é HT, portanto é visto pelo sistema como quatro processadores virtuais.

PCMark 2002

Esse é um programa de benchmark bem antigo, inclusive pode ser obtido gratuitamente no site do seu fabricante (www.futuremark.com). Atualmente o PCMark 2002 não é mais usado para avaliar processadores modernos (pode até mesmo travar com os processadores mais recentes), mas resolvemos usá-lo aqui porque dá uma boa idéia do rendimento em aplicações que não fazem uso de multiprocessamento.

PCMark 2002

Athlon 64 X2 4800 7900
Pentium 4 HT de 3.2 GHz 6800
Pentium Extreme Edition de 3.46 GHz 7670

O PCMark 2002 não faz testes com multiprocessamento. Faz uma seqüência de processamentos pesados, um de cada vez, e no final dá uma pontuação. O ganho do processador analisado foi pequeno em comparação com o Pentium 4 HT 3.2, já que fazendo testes com apenas um núcleo, ficou sub-utilizado. O Pentium EE de 3.46 GHz, apesar de ser um processador mais avançado (dois núcleos HT) também fica sub-utilizado nesse teste. A conclusão importante que os números desse teste mostram é que os índices são muito próximos, apesar dos preços serem tão diferentes. Uma loja consultada na ocasião em que preparamos esse artigo cotou os seguintes preços para esses processadores:

Athlon 64 X2 4800 R$ 2400,00
Pentium 4 HT de 3.2 GHz R$ 800,00
Pentium Extreme Edition de 3.46 GHz R$ 3900,00

Se você vai usar o computador para uma atividade que requer alta produtividade, verifique se os programas mais críticos, que você vai usar na maior parte do tempo, fazem uso de multiprocessamento, caso contrário, você não terá ganho de desempenho oferecido por esses processadores mais caros. Por exemplo, para a maioria dos jogos, é melhor economizar no processador e usar uma placa de vídeo mais avançada. Já os programas de edição de vídeo normalmente aproveitam melhor os recursos de multiprocessamento disponíveis.

PCMark 2004

Este é um programa de benchmark mais indicado para avaliar processadores duais, já que entre os seus diversos testes utiliza o multiprocessamento. As pontuações obtidas pelos dois processadores no teste foram:

PCMark 2004 – CPU

Athlon 64 X2 4800 6600
Pentium 4 HT de 3.2 GHz 4900
Pentium Extreme Edition de 3.46 GHz 6600

O PCMark 2004 realiza diversos testes: processador, memória, vídeo, HD. Como estamos comparando os processadores, preferimos simplificar e apresentar apenas o teste de CPU.

Entre a miscelânea de testes que o PC Mark 2004 realiza, alguns são monoprocessados (um processo de cada vez), outros são “biprocessados” (dois processos de cada vez). Vemos então que o Athlon 64 X2 4800 levou vantagem sobre o Pentium 4 HT 3.2, que não é dual. O Pentium EE, apesar de ter dois núcleos HT, não aproveitou todo o seu potencial, já que o PC Mark 2004 não dá trabalho para seus quatro “processadores lógicos” operarem de forma simultânea. O Athlon 64 X2 acabou empatando nesse teste com o Pentium EE.

PCMark 2005

O PC Mark 2005 faz testes de desempenho de CPU parecidos com o do PCMark 2004, mas utiliza em alguns deles, quatro processamentos independentes simultâneos. O Pentium 4 Extreme Edition, visto como quatro processadores, tem nesses testes uma pontuação maior que a do Pentium 4 HT, que é visto como apenas dois processadores.

PCMark 2005

Athlon 64 X2 4800 4900
Pentium 4 HT de 3.2 GHz 4100
Pentium Extreme Edition de 3.46 GHz 6000

O PC Mark 2005 faz testes monoprocessados, biprocessados e “quad-processados”, ou seja, quatro processos executados de forma simultânea. Comparando os três processadores usando os três programas de benchmark citados aqui, vemos que o ganho do Athlon 64 X2 4800 sobre o Pentium 4 de 3.2 GHz HT variou de 16% a 33%, dependendo do programa utilizado. Mas lembre-se que para ter esse ganho é preciso pagar três vezes mais caro para ter esse Athlon 64 X2, ou o equivalente a 50% mais caro no custo total do micro, levando em conta uma configuração bem equipada.

DIVX 6

O DIVX é um CODEC de vídeo no padrão MPEG-4. É muito popular, usado para distribuição de vídeo na Internet. Uma das aplicações interessantes é a conversão de DVD para arquivos AVI, usando o DIVX em conjunto com programas como o FlaskMPEG. No nosso teste copiamos inteiramente o conteúdo de um filme de um DVD para o disco rígido, usando o programa DVD Decrypter. A partir daí usamos o FLASKMPEG versão 078 (www.flaskmpeg.net) e o DIVX versão 6.22 (www.divxmovies.com) para converter o filme para um grande arquivo AVI. Dependendo da taxa de compressão utilizada, um filme de duas horas fica reduzido a apenas 700 MB, podendo ser gravado em um CD-R.

Fazendo entretanto o teste com as versões mais recentes dos programas (FlaskMPEG 078 e DIVX 6.22), os resultados foram os seguintes:

FlaskMPEG 078 + DIVX 6.22

Athlon 64 X2 4800 73 FPS
Pentium 4 HT de 3.2 GHz 45 FPS
Pentium Extreme Edition de 3.46 GHz 75 FPS

Os dois processadores duais acima mostraram uma grande vantagem em comparação com o Pentium 4 HT, que não é dual. Note entretanto que o Athlon 64 X2 não fez papel feio em comparação com o Pentium EE. É importante notar que precisamos usar sempre as versões mais novas dos programas “pesados”, para que façam melhor uso dos processadores modernos.

Um bom cooler ajuda bastante

Chamou atenção nos nossos testes o fato do Athlon 64 X2 4800 ter apresentado baixo aquecimento, apesar da AMD especificar que sua potência dissipada é 110 watts. Ao analisarmos o aquecimento do processador, não devemos prestar atenção somente na temperatura do processador, e sim, no aquecimento acima da temperatura interna do gabinete. Durante os nossos testes o gabinete teve sua temperatura entre 36 e 38 graus, e média 37. O processador chegou no máximo a 53 graus, ou seja, 16 graus acima da temperatura interna do gabinete. Reduzindo a temperatura do gabinete através de uma refrigeração melhor, temos uma redução equivalente na temperatura do processador. Reduzindo a temperatura do ambiente, ocorrem reduções equivalentes na temperatura do gabinete e do processador. Não adianta por exemplo dizer “puxa, que legal, o processador está com apenas 49 graus”, mas o interior do gabinete estar a 25 graus e a sala a 15 graus, uma verdadeira “geladeira”. O processador estaria 34 graus mais quente que o ambiente. Significa que se o ambiente tiver sua temperatura aumentada para 30 graus, por falta de ar condicionado, o processador chegará a 64 graus, bem próximo do limite máximo especificado pelo fabricante. Devemos portanto checar sempre as diferenças entre ambiente-gabinete-processador para decidir se está tudo bem ou não.

Além do Athlon 64 X2 4800 ser eficiente em uso de energia, tem a grande ajuda de um cooler Thermaltake com base de cobre e heat pipes. São tubos de cobre com 6 mm de diâmetro que ligam termicamente a base do cooler à parte superior das aletas de ventilação, fazendo com que o calor gerado pelo processador seja mais rapidamente refrigerado.

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Figura 5 – O cooler Thermaltake

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Figura 6 – Heat Pipes

Este é um cooler especial que foi fornecido pela AMD pare testes. O cooler que acompanha o Athlon 64 X2 é na verdade um modelo mais simples, fabricado pela AVC, sem base de cobre. Como a temperatura do processador foi excepcionalmente baixa nos testes, resolvemos repeti-los usando um cooler AVC simples, similar ao que acompanha o processador na versão BOX. Como não tínhamos o cooler verdadeiro do Athlon 64 X2 4800, usamos um que acompanhava um Athlon 64 3200. Este processador dissipa 89 watts, contra 110 watts do Athlon 64 X2. Portanto a eficiência do verdadeiro cooler que acompanha o Athlon 64 X2 na versão box deve ser menor que a do Thermaltake testado e maior que a do modelo AVC emprestado do Athlon 64 3200.

Fizemos inúmeras medidas de temperatura, e em todas elas pudemos constatar que o cooler Thermaltake manteve o processador de 1 a 5 graus menos quente, em comparação com o cooler AVC do Athlon 64 3200. Portanto na pior das hipóteses, o Athlon 64 X2 4800 com o seu cooler ficaria até 21, e não apenas 16 graus mais quente que o gabinete. Com o gabinete a 40 graus, o processador chegaria no máximo a 61 graus, ainda assim abaixo da temperatura máxima indicada pelo fabricante.

A temperatura pode ser reduzida ainda mais se usarmos:

1) Gabinete com duto lateral para entrada de ar, de frente para o processador
2) Exaustor traseiro no gabinete
3) Fonte de alimentação com ventilador interno adicional

Teríamos então um gabinete com grande eficiência de ventilação. Mesmo usando o cooler AVC ao invés do Thermaltake, as temperaturas medidas nos nossos testes foram:

Ambiente: 25°C
Gabinete: 34°C
Processador: 55°C

Quando tempo é dinheiro…

Comparando o Athlon 64 X2 4800 com o Pentium EE de 3.46 GHz, vemos que esses dois processadores praticamente empatam em aplicações mono e biprocessadas, mas o Pentium EE leva vantagem nas aplicações quad-processadas. Também será preciso arcar com o custo adicional para ter esse ganho de desempenho. Se a produtividade nesse tipo de trabalho é importante, poderá valer a pena o gasto adicional.

Só pagará 2500 ou 4000 reais em um processador quem tem muito dinheiro sobrando, ou quem tem o uso do computador guiado pela norma “tempo é dinheiro”. Se o processador custar 2500 reais ao invés de 1000, e o computador for usado durante um ano, isso corresponderá a cerca de 7 reais por dia útil de trabalho. Usando um processador de 4000 reais, serão 14 reais a mais por dia de trabalho. É o que se paga a mais para ter um processador mais caro, comparando com um processador de 1000 reais. Um trabalho poderá ser feito em 4, 5 ou 6 horas, dependendo do processador utilizado. Usando um processador mais veloz pode viabilizar a entrega de três trabalhos por dia, ao invés de dois, ou então que se trabalhe 8 horas ao invés de 12. É claro, isso tudo diz respeito a atividades profissionais que demandam muito processamento. Não é o caso por exemplo de um escritor que passa 90% do dia usando o Word, mas é o caso de quem trabalha o dia inteiro com edição de fotos e filmes, por exemplo.

Antes de decidir se valerá a pena pagar mais por um processador mais avançado, verifique com outros usuários do seu programa profissional mais usado, ou mesmo com o seu fabricante, se existirá ganho de desempenho com o uso desses processadores mais avançados. Lembre-se que como regra geral, entre os processadores top de linha, um pequeno aumento de desempenho de 20 ou 30% pode resultar em um custo duas ou três vezes maior para esse processador.

Para quem não vai passar o dia inteiro realizando trabalhos pesados que demandam muito processamento, ou vai usar o micro mais para lazer que para trabalho, ou que vai realizar trabalhos de forma amadora, considere a possibilidade de economizar no processador e investir em uma placa de vídeo mais avançada (para quem gosta muito de jogos), uma tela maior, etc.

Comentários finais

A Intel lançou um Pentium D de 2.66 GHz com FSB de 533 MHz e cache L2 de 2 MB (1 MB em cada núcleo). É o processador dual mais simples existente no mercado, mas seu custo é muito atrativo: entre 400 e 500 reais nas lojas. Não testamos ainda esse processador, mas pelo histórico de clocks e desempenhos entre os processadores Intel e AMD lançados recentemente, este processador é provavelmente um pouco mais lento que o Athlon 64 X2 3800 (o processador dual AMD mais simples), entretanto o custo desse Pentium D simples é a metade do cobrado no comércio pelo Athlon 64 X2 3800. Como a Intel no Brasil não gosta de emprestar produtos para avaliação, talvez demore um pouco para testarmos esse processador por aqui, por isso recomendamos que o leitor procure em sites que têm mais facilidade com os produtos Intel, como www.tomshardware.com e www.anandtech.com. E vamos esperar que a AMD também ofereça no futuro próximo, versões de baixo custo dos seus processadores duais.

Outro comentário que gostaríamos de fazer aqui é sobre novos modelos da AMD que apresentam consumo de energia bastante reduzido. Existe um modelo de Athlon 64 X2 3800 que dissipa apenas 35 watts:

Athlon 64 X2 3800 2.0 GHz AM2 2 x 512 35W 78°C 90

Esses modelos são para desktop mas são fabricados com as mesmas características de energia que os processadores para notebooks. Em breve serão lançados novos modelos com esse baixo consumo. Já vai longe a era do “AMD esquenta mais”.