Configuração de sistemas operacionais - parte 4/4

Autor: Laércio Vasconcelos, junho/2003
 

Copyright (C)
Laércio Vasconcelos Computação

Nenhuma parte deste site pode ser reproduzida sem o consentimento do autor. Apenas usuários individuais estão autorizados a fazer download ou listar as páginas e figuras para estudo e uso próprio e individual, sem fins comerciais.

Linux

O Linux é um sistema operacional de utilização relativamente fácil, do ponto de vista do usuário, apesar de ser um pouco mais difícil para quem precisa instalar, configurar parâmetros do sistema e adicionar hardware. Possui várias interfaces gráficas, entre as quais o KDE, que é muito parecido com o Windows. É acompanhado de programas como o Netscape para acesso à Internet e o Star Office, pacote de utilitários similar ao Microsoft Office. Várias empresas no Brasil fazem a distribuição do Linux, entre elas a Conectiva (www.conectiva.com.br).

O Linux pode ser instalado em um disco rígido vazio, sem partições. Para isso devemos usar o programa FDISK para eliminar as partições do disco rígido. Se quisermos podemos deixar o disco rígido inteiramente ocupado por uma partição do DOS/Windows. O programa de instalação do Linux irá cortar esta partição, deixando espaço livre para que ele crie uma nova partição “não-DOS” para seu sistema de arquivos. Finalmente, podemos criar as partições no disco usando o FDISK, deixando um espaço livre, não ocupado por partições, no qual o Linux será posteriormente instalado. O gerenciador de boot do Linux permite que possamos escolher, na ocasião do boot, se queremos usar o Windows ou o Linux. Partições usadas pelo Windows poderão ser acessadas pelo Linux.

Preparação de modems

Muitas pessoas vão dizer que o Linux exige modems “jampiados”. Esta palavra é realmente bem estranha, por isso a colocamos entre aspas. Ela é muito empregada informalmente entre os conhecedores de hardware, apesar de sintaticamente e tecnicamente estar errada. Ela se refere a dispositivos que possuem jumpers. No caso estamos falando dos modems de legado (não Plug and Play), que possuem jumpers para definir o endereço de E/S (COM1, COM2, COM3 ou COM4) e a IRQ a ser utilizada pelo modem. O problema aqui é que o Linux não reconhece automaticamente modems Plug and Play, e a solução mais simples para o problema é usar um modem de legado, ou seja, com jumpers. Esses modems podem ser configurados de várias formas, entre as quais:

COM3 ou COM4, usando uma interrupção livre, como IRQ9
COM2, usando IRQ3

Se você quer usá-lo como COM2, terá que desabilitar a COM2 da placa de CPU, através do CMOS Setup. Em qualquer dos casos será preciso reservar no CMOS Setup, a IRQ a ser usada para o modem. Para isso use o menu PCI/PnP do CMOS Setup e programe a interrupção a ser usada pelo modem como Legacy/ISA.

O Linux pode também utilizar modems Plug and Play, desde que tenham DSP (digital signal processor), ou seja, que eles não sejam Winmodems (também chamados de soft modems ou HSP modems). A configuração dos modems com DSP pode ser feita manualmente no Linux, sem problemas, como mostraremos mais adiante.

Problemática é a instalação dos Winmodems. Não são modems verdadeiros, e sim, placas com alguns circuitos de modem. Os circuitos não existentes (o DSP, por exemplo) são implementados por software, que é executado pelo processador da placa de CPU. Esses modems foram feitos para funcionar no Windows, e a maioria deles não funcionam no Linux. Seus fabricantes têm mostrado pouco interesse em compatibilizá-los com o Linux, mas vários deles já foram compatibilizados. Os drivers para esses modems nem sempre são criados pelos seus fabricantes, e sim por colaboradores independentes.

O processo de instalação

Execute um boot com o CD de instalação do Linux. Todos os PCs modernos permitem fazer o boot pelo drive de CD-ROM. Se isto não for possível, como por exemplo no caso de PCs antigos, faça o boot pelo disquete de instalação que acompanha o Linux.

Ao executarmos o boot pelo CD de instalação do Linux, será mostrada a tela do GRUB (figura 42). Podemos escolher o tipo de instalação e teclar ENTER.


Figura 42 - Início da instalação do Linux.

Seguirão algumas telas onde informamos o tipo de teclado e mouse, monitor e placa de vídeo. O processo é quase automático e requer muito pouca intervenção do usuário, mas optamos por não detalhá-lo, já que existem diferenças dependendo da versão utilizada.

O ambiente KDE

Para aqueles que já conhecem o Windows e querem aprender Linux, o KDE é uma excelente forma de começar. Ao ser executado o boot, é perguntado o gerenciador a ser utilizado. Escolhemos então KDE. Será também preciso efetuar o login do usuário. 


Figura 43 - O ambiente KDE.

A figura 43 mostra o aspecto da área de trabalho no KDE. Qualquer semelhança com o Windows é meramente proposital. A maioria dos comandos que são realizados no Windows, são encontrados de forma semelhante no KDE.

 
Figura 44 - Centro de controle KDE.

Quem precisa instalar e configurar hardware no Windows precisa conhecer o Painel de Controle. No KDE, o correspondente é o Centro de Controle KDE. Ele é obtido com o comando K / Centro de Controle. Observe que o botão “K”, localizado na parte esquerda da barra de tarefas, é o correspondente ao botão Iniciar do Windows. A figura 44 mostra uma parte das informações obtidas com o Centro de Controle KDE. Neste exemplo selecionamos o item Informações / PCI. Observe na parte direita da janela, várias informações sobre os dispositivos PCI, entre as quais:

Serial controller: Unknown vendor Unknown device (ver 1).
Vendor id=12b9. Device id=1008,
Medium devsel. IRQ5.
I/O at 0xdc00 [0xdc01]

Essas informações serão importantes quando formos configurar o modem. Será preciso informar a IRQ (no nosso exemplo é 5) e o endereço de I/O (no nosso exemplo é 0xdc00.

Configurando o monitor no Linux

A placa de vídeo é configurada na ocasião da instalação do Linux. O mesmo ocorre com o monitor, mas podemos posteriormente mudar esta configuração. Para isso usamos o utilitário Xconfigurator. Tome cuidado, pois o Linux é “case sensitive”. Isto significa que faz distinção entre letras maiúsculas e minúsculas. A palavra Xconfigurator, por exemplo, deve ser usada exatamente assim, com “X” maiúsculo e o restante das letras minúsculas. O Xconfigurator é executado em uma janela de Terminal, um modo que lembra muito o MS-DOS. Para executar o Terminal, usamos:

K / Sistema / Terminal (modo super-usuário)

A janela do Terminal será aberta, como vemos na figura 45. Podemos então teclar Xconfigurator.

Figura 45

Executando o Terminal.

 

 

 

Uma outra forma de executar o Xconfigurator é usando K / Executar. Preenchemos o nome Xconfigurator e clicamos no botão Opções. Marcamos então a opção “Executar no terminal”. O Xconfigurator começará informando a placa de vídeo detectada, como vemos na figura 46.

Figura 46

Placa de vídeo detectada.

 

 

 

A seguir é apresenta a seleção de monitor. Inicialmente selecionamos o fabricante na lista, e depois selecionamos o modelo. Podemos ainda usar a opção Personalizado, como mostra a figura 47.

Figura 47

Escolhendo a marca e o modelo do monitor.

 

 

 

Podemos agora escolher um entre os vários modelos personalizados, baseados nas informações do manual do monitor: resolução e freqüência vertical em cada uma dessas resoluções. A maioria dos monitores simples de fabricação nos últimos anos aceita a opção “SVGA não entrelaçado, 1024x768 em 60 Hz, 800x600 em 72 Hz”. Monitores mais avançados podem operar nessas resoluções com 72 ou 75 Hz. Consulte o manual do seu monitor para saber os modos suportados.

Figura 48

Configurando um monitor no modo personalizado.

 

 

 

O programa fará mais algumas perguntas, como a faixa de freqüências verticais permitidas. A opção “50-90” é a mais indicada. Perguntará ainda a quantidade de memória de vídeo existente na placa de vídeo. Perguntará ainda uma “Configuração de Clockchip”, que pode ficar desativada. Finalmente perguntará as resoluções e modos gráficos que serão utilizados, como vemos na figura 49. A seguir serão feitos testes dessas resoluções e modos gráficos, e estará finalizada a configuração.

Figura 49

Escolhendo os modos gráficos a serem usados.

 

 

 

Configurando o modem no Linux

Como já abordamos, a maioria dos modems atuais foram feitos para funcionar no Windows, e o Linux não é capaz de reconhecê-los, configurá-los e usá-los. Algumas dessas restrições podem ser vencidas, mas nem todos os modems podem ser usados. Vejamos então os tipos de modems que o Linux reconhece e como utilizá-los.

Os modems que não são Plug and Play e não são soft modems funcionam perfeitamente no Linux. Eles até podem ser Plug and Play, mas é preciso que possam ser ativados pelo BIOS, sem a necessidade de programações do Windows. Todos os modems que possuem jumpers recaem nesta categoria. Eles são os chamados “Legacy Modems”, ou “modems de legado”. Possuem jumpers para definir a porta serial e a IRQ que utilizam. Para que o Linux os utilize, basta usar o programa linuxconf e indicar a porta serial usada, como veremos adiante.

Um pouco mais complicado é quando o modem é Plug and Play. Normalmente os modelos PCI recaem nesta categoria, mas existem também modelos ISA Plug and Play. Modelos ISA Plug and Play podem operar de dois modos: Legado e Plug and Play. Para que operem no modo de legado, basta instalar os jumpers para definir a porta e a IRQ. Recomendamos que esses modems sejam configurados assim no Linux. Para que operem no modo PnP, basta retirar os jumpers. Deixe os jumpers desses modems instalados e use a instalação padrão com o linuxconf. No CMOS Setup, desabilite a opção Boot with PnP OS.

Para usar um modem PCI que não seja Winmodem (ou seja, que execute seu trabalho 100% por hardware), é preciso descobrir o seu endereço de I/O e sua IRQ. Esta informação pode ser obtida com a ajuda do Centro de controle KDE (figura 44). Neste exemplo temos:

·          Endereço de I/O: 0xdc00

·          Interrupção: IRQ 5

Execute então o Terminal em modo super-usuário e utilize os comandos mostrados na figura 50:

cd /dev
./MAKEDEV ttyS14
setserial /dev/ttyS14 port 0xdc00 irq 5 uart 16550a
ln -sf /dev/ttyS14 /dev/modem
 

 

Figura 50 - Ativando o modem PCI PnP com o Termina

Caso o programa setserial não esteja instalado, insira o CD de instalação do Linux e monte-o:

mount /mnt/cdrom

Instale o pacote:

rpm -ivh /mnt/cdrom/conectiva/RPMS/setserial-*

Os quatro comandos mostrados na figura 50 têm o seguinte significado:

1) Entra no diretório /dev
2) Cria o dispositivo ttyS14
3) Programa os parâmetros da porta serial
4) Cria um link para o modem

Terminados esses comandos, podemos usar, na própria janela do Terminal, o programa linuxconf (figura 51). Clique na guia Configuração.

Figura 51

O programa linuxconf.

 

 

 

Use neste programa a opção Serviços diversos. Será mostrada a janela da figura 52, onde devemos clicar em Modem.

Figura 52

Clique em Modem.

 

 

 

Será mostrado o quadro da figura 53. Note que modems que possuem jumpers não necessitam dos 4 comandos especiais usados na figura 50. Podemos ir diretamente a esta janela para indicar a porta serial na qual está ligado o modem. No caso de modems PCI PnP, temos que usar no quadro da figura 53, o botão Detect. O modem será encontrado e será usada a “porta” ttyS14 que criamos na janela da figura 50.

Figura 53

Indicando a porta serial onde está ligado o modem

 

 

 

Podemos agora clicar em OK e em Aceitar na figura 53. O modem está pronto para ser usado. Basta usar o discador KPPP (K / Internet / Discador KPPP). Preenchemos o número do provedor, o nome do usuário e a senha. Estabelecida a conexão, usamos o Netscape Navigator.

Aos poucos, drivers para soft modems estão sendo criados para o Linux. Você encontrará informações a respeito em www.linmodems.org.

Parte 1

Parte 2

Parte 3