Placas de CPU - parte 1/2

Autor: Laércio Vasconcelos, 
Agosto/2003
   

    A placa de CPU (ou "placa mãe")é a mais importante de um PC. Podemos até mesmo dizer que um PC nada mais é que uma placa de CPU, dentro de uma caixa metálica (gabinete), acrescida de outras placas, unidades de disco e cabos. 

Parte 2

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A placa de CPU (ou "placa mãe")é a mais importante de um PC. Podemos até mesmo dizer que um PC nada mais é que uma placa de CPU, dentro de uma caixa metálica (gabinete), acrescida de outras placas, unidades de disco e cabos. É muito importante ter bons conhecimentos sobre placas de CPU para quem precisa:

Quem quer comprar ou montar um PC precisa conhecer as placas de CPU modernas. Quem precisa fazer manutenção ou upgrades precisa conhecer também as placas antigas. Por isso neste artigo iremos estudar tanto as modernas como as antigas. 

Quem precisa entender hardware a fundo não pode deixar de conhercer todos os tipos de placas de CPU, sejam novas ou antigas, sejam enquadradas em padrões de mercado ou em “padrões proprietários”. Para montar computadores, o ideal é conhecer as placas mais modernas e que atendam a formatos padronizados, como ATX, Micro ATX e Flex ATX. Para quem vai fazer manutenção, é também importante conhecer as placas no formato AT, bem como as de formatos LPX e NLX, utilizados em micros ultra compactos produzidos por fabricantes famosos, como Compaq e IBM. Apesar de serem muitos modelos, todas essas placas têm muitas características em comum. Comerçaremos apresentando as placas nos padrões AT, ATX, Micro ATX e Flex ATX, por serem as mais comuns, equipadas com processadores a partir do Pentium. Terminado este estudo vamos apresentar placas de CPU um pouco mais antigas, equipadas com processdores entre 286 e 586. Afinal, para quem trabalha com manutenção, é razoável a probabilidade de enfrentar defeitos em um desses velhos PCs. Finalmente apresentaremos os padrões LPX e NLX, para o caso de você precisar fazer manutenção em um micro de grife e ultra compacto.

Placas AT e ATX

A maioria das placas de CPU modernas utiliza o padrão ATX. Existem ainda muitos modelos que usam os chamados Micro ATX e Flex ATX. Tratam-se de placas com características técnicas similares às do padrão ATX, porém com dimensões menores. Finalmente, encontramos ainda alguns poucos modelos novos no padrão AT. Para quem vai fazer manutenção e instalações em um PC um pouco antigo (anterior a 1999), existe a grande chance de que a placa de CPU encontrada seja do tipo AT. Apesar dos formatos e algumas funções serem diferentes, a maioria dos componentes são idênticos, por isso optamos por apresentar todos os tipos de placas de CPU neste capítulo, obviamente dando prioridade às placas ATX, que são as mais modernas.

Figura 1
Placas de CPU ATX, AT, Micro ATX e Flex ATX.

 

 

 

A figura 1 mostra os formatos desses 4 tipos de placas. As principais diferenças entre todas essas placas são as dimensões. Existem especificações rígidas quanto as larguras, porém o comprimento pode variar de um modelo para outro. Além disso, as placas ATX e suas derivadas possuem um bloco de conectores para as interfaces seriais, paralela, USB, teclado e mouse.

Figura 2
Bloco de conectores de uma placa de CPU ATX (encontrado também em placas Micro ATX e Flex ATX).

 

Interfaces USB são usadas para conectar diversos tipos de periféricos modernos, como impressoras, scanners, câmeras digitais, etc. Interfaces paralelas sempre foram tradicionalmente usadas para conectar impressoras, porém este tipo de impressora está caindo em desuso. As interfaces seriais também servem para alguns modelos de impressora, e também para mouse, certos controladores de jogos e outros dispositivos menos comuns. Nos PCs, as interfaces seriais e paralelas estão sendo cada vez menos usadas, pois os periféricos modernos estão aos poucos passando para o padrão USB. 

É errado dizer "saída USB", "saída paralela", "saída serial". Essas interfaces servem tanto para transmitir como para receber dados, portanto é errado chamá-las de "saídas". O correto é dizer "portas USB", "portas paralelas" e "portas seriais". 

O termo “AT” foi durante muitos anos usado para designar os PCs 286 e superiores (seria portanto correto dizer que PCs equipados com  o Pentium 4 são versões novas do PC AT). Este termo caiu em desuso, mas em nada mudou o formato padrão utilizado pelas placas de CPU. Durante todos esses anos, as placas têm respeitado as dimensões do chamado “padrão AT”, bem como a sua variante “Baby AT”. Como não são mais produzidas placas no formato AT original, só no “Baby AT”, tornou-se comum usar os termos AT e Baby AT como sinônimos.

OBS: O IBM PC AT (AT=Advanced Technology), lançado no início dos anos 80, deu início ao padrão "AT" para a construção de placas de CPU, fontes de alimentação e gabinetes. A partir de meados dos anos 90 tornou-se comum o padrão ATX, e os equipamentos no padrão AT caíram em desuso. 

Compatibilidade entre placa e processador

Além de se preocupar com o formato da placa de CPU, é preciso também que seja considerada a sua compatibilidade com o processador a ser usado. Podemos dividir as placas de CPU em diversas categorias, de acordo com o soquete usado pelo processador:

Soquete do processador

Processadores suportados

Socket 478

Pentium 4 atual e Celeron atual

Socket 423 Primeiros modelos do Pentium 4

Socket 370

Pentium III FC-PGA e Celeron PPGA/FC-PGA, Via C3.

Slot 1 (SC242)

Pentium II, Pentium III e Celeron SEC

Slot 2 (SC330)

Pentium II Xeon e Pentium III Xeon

Socket A (Socket 462)

AMD Duron, Athlon PGA ou Athlon MP

Slot A

AMD Athlon SEC

Socket 603

Intel Xeon

Super 7

AMD K6, K6-2, K6-III, Cyrix M-II, Pentium, Pentium MMX, voltagem programada por jumpers.

Não basta levar em conta a tabela acima. Uma placa para um determinado tipo de processador pode não ser totalmente compatível com todos os modelos deste mesmo processador. Uma determinada placa pode ter sido lançada para processadores até 800 MHz e posteriormente ser constatada a compatibilidade com modelos de 900, 1000, 1100 MHz, mas apresentar problemas com um modelo de 1200 MHz. Como regra geral, devemos inicialmente consultar no manual da placa de CPU, quais são os processadores compatíveis, e depois acessar o site do fabricante da placa para checar quais novos processadores são suportados.

Outra questão que pode causar incompatibilidade é o barramento externo. Muitas placas para Pentium III, por exemplo, operam com barramento externo de no máximo 100 MHz. Ao ser instalado um Pentium III/800EB, por exemplo, ele funcionará com apenas 600 MHz. A razão disso é que esta versão do Pentium III usa barramento de 133 MHz e multiplicador 6x, resultando em 800 MHz. Ao ser instalado em uma placa com barramento de 100 MHz, o multiplicador 6x (que não pode ser alterado) resultará em apenas 600 MHz. Esta é apenas uma das questões de compatibilidade que deve ser levada em conta.

Processadores Pentium 4 operam com clocks externos de 400, 533 ou 800 MHz, dependendo do modelo. Da mesma forma, as placas de CPU para Pentium 4 podem operar com 400 (modelos antigos), 533 (modelos mais recentes) ou 800 MHz (modelos ainda mais recentes). Ao comprarmos um processador e uma placa de CPU, devemos ter a certeza de que ambos operam com clocks externos iguais. Mais adiante mostraremos como saber qual é o clock externo de um Pentium 4 e de uma placa de CPU correspondente. 

Da mesma forma, processadores Athlon XP podem operar com clock externo de 266, 333 ou 400 MHz. Ao comprarmos este processador temos que saber qual é o seu clock externo, assim como o da placa de CPU. Mais adiante mostraremos como descobrir esta informação. 

No caso de placas de CPU antigas, com processadores K6-2 e anteriores, existe outra questão importante, a voltagem interna do processador. É preciso saber qual é a voltagem interna exigida pelo processador e como programar esta voltagem corretamente na placa mãe. Usando placas de CPU e processadores modernos (Pentium II, Athlon e superiores), não existe problema de voltagem. O próprio processador informa à placa a voltagem necessária. Os reguladores de tensão da placa geram automaticamente a voltagem própria para o processador instalado. 

Medidas das placas

Apresentamos na figura 3 uma placa de CPU padrão ATX. Esta placa possui um Socket A e destina-se a processadores Athlon XP e Duron. Apesar de ser apenas um exemplo, as características discutidas aqui são válidas para outros modelos de placas.


Figura 3 - Placa de CPU ATX para processadores Athlon XP e compatíveis.

A figura 4 mostra uma placa de CPU ATX para processadores Athlon e Duron, com Socket A. Comparando as figuras 3 e 4, constatamos que existem pouquíssimas diferenças. É difícil descobrir à primeira vista, por exemplo, a quais processadores a placa se destina. 

Figura 4 - Uma placa de CPU ATX para Athlon

A figura 4 mostra vários componentes importantes da placa de CPU, dos quais muitos deles serão apresentados em detalhes neste capítulo:

2 – Chipset
3 – Soquete para o processador
4 – Soquetes para as memórias
5 – Conector para a fonte de alimentação
6 – Chaves de configuração
7 – Interface IDE
8 – Interface para drives de disquetes
9 – Interface IDE
11 – BIOS
15 – Super I/O
16 – Chipset
18 – Slot AMR
19 – Slots PCI
22 – Slot AGP
23 – Conectores de áudio
26 – Conector da porta paralela
28 – Conectores USB
29 – Conectores para teclado e mouse

Figura 5
Placa de CPU AT.

 

 

 

A figura 5 mostra uma típica placa de CPU tamanho Baby AT. A largura dessas placas é padronizada, em 21,5 cm (8 ½”), mas o comprimento pode ser maior ou menor.  


Figura 6 - Placa de CPU Micro ATX.

A placa mostrada na figura 6 segue o padrão Micro ATX. Sua largura pode ser no máximo 9,6” (22,9 cm), porém muitos fabricantes as produzem com largura de 8,5”(21,6 cm), a mesma do padrão Baby AT. O modelo apresentado na figura 6 é para processadores Pentium 4 e Celeron.

Já a figura 7 mostra uma placa tipo Flex ATX. Sua largura padrão é de 9” (22,9 cm). Observe que todas essas placas possuem componentes bastante semelhantes, e que a diferença principal está nos formatos.

Figura 7
Placa de CPU Flex ATX.

 

 

 

A tabela que se segue mostra as dimensões dos vários padrões de placas. Normalmente os fabricantes seguem com exatidão as larguras especificadas pelo padrão adotado, mas o comprimento pode variar bastante, já que cada padrão especifica apenas o comprimento máximo. Quanto à largura, apesar de quase serpre ser seguida com exatidão, alguns casos podem utilizar medidas um pouco menores.

Formato

Largura máxima

Comprimento máximo

Full AT

12” (305 mm)

13” (330 mm)

Baby AT

8,5” (216 mm)

13” (330 mm)

Full ATX

12” (305 mm)

9,6” (244 mm)

Mini-ATX

11,2” (288 mm)

8,2” (208 mm)

Micro ATX

9,6” (244 mm)

9,6”(244 mm)

Flex ATX

9” (229 mm)

7,5” (191 mm)

Esta tabela apresenta ainda dois tamanhos bastante raros. O “Full AT” foi utilizado durante os anos 80. Eram placas bastante grandes, pois necessitavam de muitos componentes, já que a tecnologia da época não permitia a construção de chips VLSI como os atuais. A partir de 1990, aproximadamente, caiu em desuso, passando a ser usado no seu lugar o padrão AT ou Baby AT, com largura fixa em 8,5”, mas cujo comprimento poderia ser maior ou menor, de acordo com a complexidade da placa.

O outro tamanho bastante raro citado na tabela é o Mini-ATX, um pouco menor que o ATX (ou Full ATX). Como a diferença é muito pequena, os fabricantes que desejavam produzir placas menores preferiam optar pela padrão Micro ATX. O Flex ATX é ainda um pouco raro, e resulta em placas menores que as do padrão Micro ATX, mas está aos poucos sendo adotado por muitos fabricantes.


Figura 8 - Dimensões das placas ATX, Micro ATX e Flex ATX. As medidas são dadas em polegadas e em milímetros.

A figura 8 mostra as medidas das placas ATX, Micro ATX e Flex ATX. Todas as medidas são dadas em polegadas e em milímetros. Por exemplo, 12.000 polegadas é indicado como [304,8 mm]. Note ainda que os furos dos gabientes (representados por A, B, C, etc.) são coincidentes para os vários modelos. Por exemplo, os furos B, C e F de placas Flex ATX também são encontrados em placas Micro ATX e ATX. Os furos A, G e K são usados apenas em placas ATX. O furo R é usado nas placas ATX e Micro ATX, mas não nas placas Flex ATX. A compatibilidade de furos torna possível a instalação de placas menores em gabinetes maiores. Por exemplo, uma placa Micro ATX pode ser instalada em um gabinete ATX tamanho grande, e assim por diante. Alguns desses furos têm correspondênciaa com os padrões AT e Baby AT, portanto até mesmo as placas desses padrões podem ser instaladas em gabientes que seguem o padrão ATX e suas variantes.

Os componentes das placas de CPU

Não importa o formato de uma placa de CPU, seus componentes são bastante semelhantes. A maioria dos componentes encontrados em uma placa ATX, por exemplo, são também encontrados em placas Flex ATX, e até nas antigas placas AT. Mostraremos agora esses componentes com maiores detalhes. Apenas para ilustrar as semelhanças, mostraremos como exemplo uma placa padrão AT (figura 9) e outra padrão ATX (figura 10). Podemos notar realmente muitas semelhanças.

A figura 9 mostra uma placa de CPU com o Socket 7, própria para processadores Pentium, Pentium MMX, Cyrix 6x86, 6x86MX, M II, WinChip, AMD K5, AMD K6, K6-2 e K6-III. Lembre-se que nem todas as placas para Socket 7 suportam todos esses processadores, apesar de todos serem bastante semelhantes. Note ainda que o Socket 7 não é uma exclusividade do padrão AT. Existem placas ATX (e Micro ATX) com Socket 7, e também placas com Socket 370 e Slot 1 no padrão AT, apesar de serem mais raras.


Figura 9 - Exemplo de placa de CPU padrão AT, para processadores que usam o Socket 7.

A figura 10 mostra uma placa de CPU ATX. Note que existem muitas semelhanças com as outras placas ATX mostradas aqu.

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Figura 10 - Placa de CPU com Slot 1, padrão ATX.

Passaremos agora a apresentar diversos componentes e itens das placas de CPU.

Furos para fixação da placa no gabinete

As placas de CPU possuem diversos furos para sua fixação ao gabinete. Esta fixação pode ser feita através de parafusos metálicos, ou então por espaçadores plásticos. Tanto os parafusos como os espaçadores são fornecidos junto com o gabinete. Normalmente os gabinetes AT são acompanhados de parafusos de fixação e de espaçadores plásticos, mas os modelos ATX, Micro ATX e Flex ATX em geral utilizam apenas parafusos metálicos para fixar a placa de CPU.

Figura 11
Um doa vários furos para fixar a placa de CPU ao gabinete.

 

Conector do teclado

Este conector fica localizado na parte traseira da placa de CPU, sendo acessado pela parte traseira do gabinete. Nas placas de CPU padrão AT, o conector para o teclado é do tipo DIN de 5 pinos, o mesmo usado nos PCs antigos, desde os anos 80 (figura 12). O teclado, por sua vez, tam­bém possui um conector DIN 5 do tipo macho, como o mostrado na figura 13.

Figura 12
Conector de teclado padrão DIN de 5 pinos fêmea, na placa de CPU.

 

 

Figura 13
Conector padrão DIN de 5 pinos, macho, no teclado

 

 

Até aproximadamente 1998, praticamente todos os teclados para PC, bem como os respectivos conectores nas placas de CPU, eram do tipo DIN de 5 pinos, como mostrados nas figuras 12 e 13. As placas de CPU ATX, Micro ATX e Flex ATX aboliram totalmente os conectores DIN, e passaram a utilizar um tipo de conector menor, conhecido como “PS/2” (figura 14). Passaram a ser fabricados teclados com este tipo de conector. São na verdade conectores DIN de 6 pinos, também conhecidos como “mini DIN”.

Figura 14
Conector de teclado padrão PS/2, em uma placa de CPU ATX.

 

 

 

 

Um teclado com conector PS/2 pode ser conectado em uma placa de CPU com conector DIN, bastando utilizar um adaptador apresentado na figura 15. Atualmente a maioria dos fabricantes de teclados adoraram o formato PS/2. Alguns aboliram totalmente o padrão DIN, portanto seus teclados necessitam de adaptadores para serem ligados em placas de CPU padrão AT.

Figura 15
Um conector de teclado padrão PS/2 e adaptador para DIN.

 

A figura 16 mostra as pinagens dos conectores DIN de 5 pinos e DIN de 6 pinos. Como vemos, apesar dos tamanhos diferentes, ambos utilizam 4 linhas:

Figura 16
Pinagem dos conectores DIN de 5 pinos e DIN de 6 pinos (PS/2).

 

 

 

Portanto os teclados padrão DIN 5 e DIN 6 (ou por similicidade, DIN e PS/2) possuem exatamente a mesma forma de comunicação com o computador, sendo a única diferença, o formato do conector utilizado. Por isso é possível ligar qualquer teclado em qualquer computador, mesmo que utilizem conectores diferentes, utilizando um adaptador apropriado.

Conector da fonte de alimentação

Este conector pode ser encontrado em duas versões: AT e ATX (as versões Mini, Micro e Flex ATX usam conectores iguais aos do ATX). O conector de fonte padrão AT é o mostrado na figura 17. Possui as seguintes tensões:

+5 Volts
- 5 Volts
+12 Volts
- 12 Volts

Figura 17
Conector para a fonte de alimentação padrão AT.

 

 

Na fonte de alimentação existem dois conectores que fornecem essas voltagens. Esses conectores e essas voltagens são indicadas na figura 18.

Figura 18
Pinagem dos conectores de uma fonte AT.

 

 

 

Os dois conectores que partem da fonte de alimentação são chamados de P8 e P9. Esses nomes ainda são usados por razões históricas. São os nomes dos conectores que eram usados no IBM PC, há mais de 20 anos. O conector P8 tem os pinos de 1 a 6, e o P9 tem os pinos de 7 a 12. Os fios que ligam esses conectores à fonte de alimentação costumam seguir uma padronização de cores, como indica a tabela abaixo, mas alguns fabricantes podem simplesmente usar cores diferentes, apesar das tensões serem mantidas no padrão. Note na tabela abaixo que além das tensões de alimentação, existe uma linha especial chamada Power Good. Trata-se de uma tensão de +5 Volts que é ligada depois que a fonte está totalmente estabilizada, o que ocorre um ou dois segundos depois que o computador é ligado. Esta linha é usada para gerar o sinal de Power on Reset, ou seja, que provoca o Reset automático assim que o PC é ligado.

Pino

Cor

Tensão

1

Laranja

Power Good (+5V)

2

Vermelho

+5V

3

Amarelo

+12V

4

Azul

-12V

5

Preto

GND

6

Preto

GND

7

Preto

GND

8

Preto

GND

9

Branco

-5V

10

Vermelho

+5V

11

Vermelho

+5V

12

Vermelho

+5V

É preciso muita atenção ao ligar os dois conectores P8 e P9 de uma fonte de alimentação padrão AT na placa de CPU. Os conectores devem ser alinhados de modo que os 4 fios pretos fiquem juntos. Também é preciso checar se todos os pinos ficaram corretamente encaixados, e não deslocados lateralmente. Se esta conexão for feita de forma errada, a placa de CPU será queimada assim que o computador for ligado!

Figura 19
Ligando corretamente uma fonte AT.

 

As fontes de alimentação padrão ATX, bem como as placas de CPU ATX (o mesmo é válido para as variantes do ATX), utilizam um conector de alimentação completamente diferente. Trata-se de um conector único, de 20 vias, mostrado na figura 20. Observe que existem algumas placas de CPU com formato AT, mas que podem ser instaladas em gabinetes ATX. Para isto, essas placas possuem dois conectores de alimentação. Não existe perigo de ligação errada (fonte AT em conector ATX, e vice-versa), pois os conectores são completamente diferentes.

Observe na figura 20 que além da presença de uma guia plástica na parte lateral, os seus furos possuem formatos diferentes, sendo alguns quadrados e outros pentagonais. Isto evita que o conector da fonte seja ligado de forma invertida.

Figura 20
Conector para fonte de alimentação em uma placa padrão ATX.

 

 

 

A figura 21 mostra as tensões existentes nos pinos dos conectores de fontes ATX. Note que o conector da esquerda é o existente na placa de CPU (como o da figura 20), e o conector indicado à direita tem os mesmos pinos, porém é o conector existente na fonte.

Figura 21
Conector da fonte ATX – na placa de CPU e na fonte de alimentação.

 

 

 

Além das tensões de +5, +12, -5, -12 e +3,3 volts e GND (terra), temos os seguintes pinos:

+5V Standby – Fornece uma alimentação de 5 volts para alimentar os circuitos que precisam ficar ativos quando o computador está em estado de espera. A memória, o processador, o chipset e vários outros circuitos alimentam-se por esta linha durante o estado de espera, porém com um consumo de corrente bastante reduzido, já que esses circuitos paralisam suas atividades.

Power Good – Tem o mesmo propósito do sinal Power Good já explicado para as fontes AT.

Power Supply On – Este sinal é enviado da placa de CPU para a fonte, provocando o seu ligamento e desligamento. É comandado a partir do botão Power Switch existente na parte frontal de um gabinete ATX.

3,3 V sense (pino 11) – Nem todas as fontes de alimentação possuem este sinal. A maioria delas tem no pino 11, um único fio laranja que envia a tensão de +3,3 volts para a placa de CPU. A especificação ATX deixa como opção do fabricante da fonte, ligar também neste pino 11, um segundo fio que é usado como sensor da tensão de +3,3 volts. Quando a corrente consumida pela fonte de +3,3 volts é elevada, pode ocorrer queda de tensão interna na fonte e nos próprios fios que ligam a fonte à placa de CPU. Quando a fonte possui neste pino 11 a entrada +3,3 V sense, a tensão é monitorada pela fonte. A fonto irá aumentar automaticamente a tensão da fonte de +3,3 volts para compensar esta queda. Por exemplo, se ao gerar +3,3 volts, a tensão medida pelo pino 11 for de +3,1 volts, a fonte aumentará sua tensão para +3,5 volts, de modo que após descontada a queda de tensão nos fios que a ligam à placa, sobrarão os +3,3 volts exigidos pelo padrão ATX. A maioria das fontes não possui este recurso, e podem apresentar eventuais quedas na linha de +3,3 volts. É fácil reconhecer quando uma fonte tem o sinal +3,3 V sense. Basta verificar se no pino 11 do conector existe apenas um fio laranja ou dois fios, um laranja e um marrom. O fio marrom é o +3,3 sense.

Figura 22
Tensões e cores dos fios de uma fonte ATX.

 

 

 

Existe uma novo tipo de fonte ATX, chamado ATX12V. A principal diferença é a presença de um conector de alimentação adicional com +12 volts e capaz de fornecer alta corrente. O uso deste conector é uma tendência nas placas de CPU modernas. Até agora, as tensões necessárias aos processadores modernos (em geral inferiores a 2 volts) eram geradas a partir das tensões de +3,3 volts e +5 volts, disponíveis no conector padrão ATX. Esta geração de voltagem é feita a partir de conversores DC/DC, que são circuitos que geram uma tensão contínua, a partir de uma outra tensão contínua de valor diferente. Ocorre que os conversores DC/DC com entrada de +12 volts são mais eficientes que aqueles que usam entradas de +3,3V e +5V. A partir de +12 volts é possível operar com maior rendimento e menor aquecimento. Fontes ATX12V possuem ainda um conector adicional com as voltagens de +3.3V e +5V, fornecendo assim maior corrente para essas voltagens. Todas as fontes ATX12V possuem este conector auxiliar, mas existem fontes ATX não “ATX12V” que também possuem este conector auxiliar. Esses conectores são mostrados na figura 23.

Figura 23
Conectores adicionais de uma fonte ATX12V.

 

 

 

Muitas placas de CPU para Pentium 4 e outras para processadores que exigem muita corrente possuem os três tipos de conexões para fontes ATX12V, como mostra a figura 24. Como as fontes ATX12V surgiram na mesma época que o processador Pentium 4, são conhecidas no comércio como "Fonte para Pentium 4". Isto não significa que todas as placas de CPU para Pentium 4 necessitam deste tipo de fonte. Existem algumas que usam apenas o conector padrão de 20 pinos, podendo assim usar uma fonte ATX comum. Da mesma forma, placas de CPU para outros processadores (Athlon XP, por exemplo) podem eventualmente necessitar dos conectores adicionais mostrados na figura 23. É errado portanto pensar que todos os PCs com Pentium 4 exigem fonte ATX12V, e que PCs com outros processadores exigem fontes ATX comuns. Recomendamos que ao comprar uma fonte você exija um modelo ATX12V, pois com ela poderá alimentar qualquer tipo de placa de CPU moderna. 

Figura 24
Os três conectores de alimentação de uma placa de CPU que exige fonte ATX12V.

 

 

 

Conectores para o painel frontal do gabinete

Todos os gabinetes possuem um painel frontal, com diversas chaves e LEDs. Podemos citar, por exemplo, o botão RESET, o LED que indica o acesso ao disco rígido, o LED que indica que o computador está ligado (Power LED), etc. Na parte traseira deste painel, no interior do gabinete, estão ligados diversos fios, nas extremidades dos quais existem conectores que devem ser ligados na placa de CPU, em locais apropriados. Portanto, todas as placas de CPU possuem conexões para o painel do gabinete, como as que vemos na figura 25.

Figura 25
Conectores para o painel do gabinete.

 

Existem diferenças sutis entre essas conexões, quando confrontamos placas de CPU novas e placas de CPU antigas. Por exemplo, nas antigas existia uma entrada Turbo, que servia para controlar a velocidade do processador (alta e baixa). Hoje em dia todos operam na velocidade mais alta. Existia ainda uma conexão chamada Keylock, que servia para trancar o teclado, usando uma chave. Esta conexão também caiu em desuso porque perdeu a sua finalidade de impedir o uso do computador quando o teclado está trancado – já que podemos utilizar o mouse para executar a maioria dos comandos. Encontramos ainda diferenças entre as conexões de placas AT e de placas ATX. Nas placas ATX, por exemplo, existe uma conexão chamada Power Switch, para um botão no gabinete que serve para ligar e desligar, e ainda para colocar o computador em estados de baixo consumo de energia. As placas AT não possuem esta conexão. Para ligar e desligar o computador, usamos um interruptor, também localizado na parte frontal do gabinete, porém ligado diretamente na fonte de alimentação.

Encontramos no manual da placa de CPU, um diagrama com as instruções para as conexões neste painel frontal, como as que vemos na figura 26.

Figura 26
Instruções para as conexões da placa de CPU no painel frontal de um gabinete ATX. São encontradas no manual da placa de CPU.

 

 

 

Soquete para o processador

Podemos encontrar nas placas de CPU, dois tipos de soquete, dependendo do encapsulamento do processador:

a) Soquetes ZIF – Este tipo é o mais comum. Era utilizado desde os tempos do 486 e foi também adotado pelo Pentium e seus sucessores que utilizavam os chamados Socket 7 e Super 7. Os formatos de cartucho (Slot 1 e Slot A) caíram logo em desuso e voltaram a utilizar o soquete ZIF. Foram substituídos respectivamente pelo Soquete 370 (Pentium III e Celeron) e Socket A (Athlon e Duron). O Pentium 4 também utiliza um soquete, chamado “Socket 432”.

Figura 27
Soquete ZIF.

 

Os soquetes ZIF possuem uma alavanca lateral que deve ser levantada para permitir a colocação do processador. Uma vez posicionado, abaixamos a alavanca, e o processador ficará firmemente preso no soquete. Dependendo do processador, um ou dois cantos do soquete possuem uma configuração de furos diferente das dos outros cantos. Isto impede que o processador seja encaixado de forma errada.

b) Slots – Usados para processadores em forma de cartucho. O Slot 1 era usado pelo Pentium II, bem como pelas versões antigas do Pentium III e Celeron. O Slot A é muito parecido, e era usado pelas versões antigas do Athlon. O Slot 2 (que passou posteriormente a ser chamado de SC330) destina-se a processadores Pentium II Xeon e Pentium III Xeon.

Figura 28
Exemplo de slot para processadores com formato de cartucho.

 

 

 

 

Em geral as placas de CPU que usam conectores tipo slot são acompanhadas de peças adicionais para ajudar na sustentação e fixação do processador. A tabela abaixo mostra os diversos soquetes e slots encontrados em placas de CPU e os processadores suportados.

Soquete do processador

Processadores suportados

PAC418 Socket

Itanium

Socket 423 e Socket 478

Pentium 4

Socket 370

Pentium III FC-PGA e Celeron PPGA/FC-PGA, Via C3.

Slot 1 (SC242)

Pentium II, Pentium III e Celeron SEC

Slot 2 (SC330)

Pentium II Xeon e Pentium III Xeon

Socket A (Socket 462)

AMD Duron, Athlon PGA ou Athlon MP

Slot A

AMD Athlon SEC

Socket 603

Intel Xeon

Super 7

AMD K6, K6-2, K6-III, Cyrix M-II, Pentium, Pentium MMX, voltagem programada por jumpers.

Socket 8

Pentium Pro

Socket 7

Pentium, Pentium MMX e compatíveis, com barramento de 66 MHz, 3,3/2,8 volts

Socket 6

486DX4, 3 volts

Socket 5

Pentium, 3,3 volts

Socket 4

Pentium-60 e Pentium-66, 5 volts

Socket 3

486SX, DX, DX2, DX4, 3 e 5 volts

Socket 2

486SX, DX, DX2, 5 volts

Socket 1

486SX, DX, 5 volts

Como regra geral, processadores mais sofisticados tendem a apresentar soquetes ou slots com maior número de pinos.

É importante conhecer de perto os soquetes para os processadores Pentium 4 e Athlon XP modernos. A figura 28A mostra duas placas de CPU, uma para Pentium 4 (esquerda) e uma para Athlon XP (direita). São mostrados ainda os respectivos soquetes. O Socket 478 é usado para o Pentium 4 e para o atual processador Celeron. Note que existem processadores Celeron antigos, que eram derivados do Pentium II e do Pentium III. Os atuais processadores Celeron, com clocks a partir de 1,7 GHz, são derivados do Pentium 4, sendo então instalados em placas de CPU com Socket 478. O Socket A ou Socket 462 é usado pelo Athlon XP e processadores compatíveis (Athlon e Duron). 


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Figura 28A - Placas de CPU para Pentium 4 (esquerda) e Athlon XP (direita)
e os seus respectivos soquetes

Soquetes para as memórias

Aqui existirão pequenas diferenças, dependendo das memórias utilizadas:

1) Soquetes SIMM/72
Usado para memórias SIMM/72, tipos FPM e EDO. Essas memórias caíram em desuso recentemente. Tais soquetes são encontradas em placas de CPU para Socket 7 antigas. Placas para Socket 7 de fabricação mais recente possuem apenas módulos para memórias DIMM/168, e algumas menos recentes possuem ambos os tipos de soquete: SIMM/72 e DIMM/168.