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Processadores Multicore de 2ª geração Autor: Laércio Vasconcelos |
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Processadores Multicore de 2ª geração
A primeira geração de
processadores duais consiste no AMD Athlon 64 X2 e nos processadores Intel
Pentium D e Pentium Extreme Edition. O Athlon 64 X2 é formado por uma pastilha
dupla de silício, contendo dois núcleos de Athlon 64. Processadores Pentium D
e Pentium Extreme Edition são formados com a montagem de dois processadores
Pentium 4 no mesmo encapsulamento. A principal diferença entre esses dois
modelos da Intel é a tecnologia HT, presente no Pentium Extreme Edition e
ausente no Pentium D. Você encontrará no artigo Processadores
Dual Core informações detalhadas sobre esses processadores duais de
primeira geração.
As novas gerações de
processadores Intel e AMD incluem modelos de dois e de quatro núcleos (dual
core e quad core). Os modelos da Intel para Desktop são:
Core 2 Duo
Core 2 Quad
Core 2 Extreme
Pentium Dual Core
Celeron Dual Core
Esses processadores são
descritos nos artigos Processadores Dual Core
e O Pentium está de volta, dual core. O
principal processador desta geração é o Core 2 Duo, e dele derivam os demais
modelos. Por exemplo, o Pentium Dual Core e o Celeron Dual Core são versões
simplificadas, contando com cache L2 menor, clocks menores e com alguns recursos
desativados, como a virtualização. Processadores Core 2 Quad são sempre de
quatro núcleos, formados pela montagem de duas pastilhas de Core 2 Duo em um só
encapsulamento. Já os processadores Core 2 Extreme podem ser de dois ou quatro
núcleos.
Você pode conhecer informações
detalhadas sobre esses processadores nos artigos aqui citados, mas se achar o
assunto “pesado”, pode começar com a breve introdução que daremos no
presente capítulo. Mostraremos informações básicas sobre os processadores
derivados do Core 2 Duo e sobre os novos processadores multicore da AMD,
reunidos sobre a marca Phenom.
Core
2 Duo e derivados
É unanimidade no meio técnico
que os novos processadores Intel Core 2 Duo são um bom produto. Não é sempre
que são lançados processadores com melhor desempenho, menor custo e menos geração
de calor. O Core 2 Duo é tudo isso, e uma boa escolha para quem deseja máquinas
avançadas.
Todos os processadores tiveram
uma grande queda de preços depois do lançamento do Core 2 Duo. Durante algum
tempo continuaram sendo vendidos modelos de baixo custo como o Pentium 4, o
Celeron D, o Sempron e o Athlon 64. Os processadores Intel já foram substituídos
por modelos da nova geração, mas os da AMD (Sempron e Athlon 64) ainda
continuam no mercado. Há poucos anos atrás, o Pentium 4 era objeto de desejo
de muitos usuários. Em meados de 2005, um Pentium 4 de 3.2 GHz custava cerca de
1000 reais. Já no início de 2007 era possível comprar este processador por
apenas 300 reais. Mesmo naquela época existiam opções mais baratas e de maior
desempenho, como o Core 2 Duo E6300. No início de 2008 temos entre as várias
opções, o Pentium Dual Core modelo E2140, com desempenho similar ao de um
Pentium 4 de 3.2 GHz, mas custando apenas 150 reais.
Processadores derivados do Core
2 Duo apresentam melhor performance e menor geração de calor, se comparados
aos antigos modelos derivados do Pentium 4.
Menos
calor
A menor geração de calor do
Core 2 Duo deve-se ao fato do seu projeto ter sido inspirado em técnicas
empregadas no Pentium M, o processador da plataforma Centrino para notebooks,
com baixo consumo de energia. O Pentium 4 de 3.2 GHz dissipa entre 80 e 100
watts, dependendo do modelo. A maioria dos modelos do Core 2 Duo dissipam cerca
de 65 watts. Para os padrões atuais, levando em conta seu alto desempenho e o
fato de ser dual, podemos considerá-los como processadores que operam com
moderadas temperaturas.
A tendência é a redução
inda maior na geração de calor e nos preços, pois a Intel lançou no final de
2007, o novo processo de fabricação de 45 nm (nanômetros). A geração
anterior, tanto do Pentium 4 como do Core 2 Duo era de 65 nm.
Desempenho
Fizemos testes comparativos de
desempenho entre o Pentium 4 3.2 GHz (em quase “topo de linha” de poucos
anos atrás) e o Core 2 Duo E6400 (processador de médio desempenho e médio
custo da geração atual). A idéia da comparação é orientar quem comprou um
bom computador em meados de 2005 (Pentium 4 3.2 GHz) e depois de três anos de
uso fará a sua substituição. Note que o valor que será pago por um Core 2
Duo E6400 será bem menor que o que foi gasto no Pentium 4 na sua época. Para
fazer uma comparação mais coerente, usamos um Pentium 4 com Socket LGA 775,
para poder ser instalado na mesma placa mãe onde funciona o Core 2 Duo, ou
seja, o mesmo computador foi testado com dois processadores diferentes. Note que
existem opções novas de Core 2 Duo, com melhor relação custo/benefício.
Apesar de termos testado o modelo E6400 (devido à disponibilidade no nosso
laboratório), existem melhores opções atualmente, como o E6420, um pouco mais
barato que o E6400 e com 4 MB de cache, contra 2 MB do E6400.
O Core 2 Duo E6400 e o Pentium
4 de 3.2 GHz foram testados na mesma placa mãe, em um computador com a
configuração:
|
Placa mãe |
Intel DQ965GBF |
|
Placa de vídeo |
Nvidia GeForce 7600 GS |
|
Memória |
1 GB DDR2/667 em dual
channel |
|
Disco rígido |
Seagate, SATA-II, de 160
GB |
Os testes que realizamos dizem
respeito apenas à velocidade do processador. A placa de vídeo, a memória e o
disco rígido têm pouca influência sobre a velocidade de processamento. É
claro que um micro com mais memória levará vantagem quando são usados muitos
programas ao mesmo tempo, um disco rígido rápido permitirá a carga rápida de
aplicativos e as operações que envolvem leitura e gravação de dados, a placa
de vídeo mais veloz resultará em melhor desempenho 3D, o que é bom sobretudo
para jogos.
Usamos nos testes os programas
medidores de desempenho (benchmark) PCMark 2002 (para tarefas monoprocessadas) e
PCMark 2005 (para processamento dual e quádruplo). Note que qualquer computador
pode executar vários programas ao mesmo tempo, mas todos eles ficam em uma
fila. Cada um desses programas é executado durante alguns milésimos de
segundo, depois volta para a fila, dando a vez ao próximo programa. Não
notamos lentidão porque na maioria dos casos queremos que um certo programa
fique em primeiro plano enquanto outros ficam “parados” em segundo plano.
Por exemplo, estamos navegando na Internet enquanto um documento de texto está
aberto. O processador acaba ficando a maior parte do tempo executando nosso
programa principal. Notamos lentidão quando dois ou mais programas exigem muito
do processador. Por exemplo, rodar um programa anti-vírus para fazer uma
varredura em todo o disco rígido, ao mesmo tempo em que estamos editando uma
fotografia de alta resolução.
Quando usamos processadores
duais, as tarefas pesadas são executadas em paralelo, e não uma de cada vez, e
assim a lentidão não ocorre. Quando executamos apenas um programa pesado em
primeiro plano e os demais programas estão inativos com pouca atividade, menor
será a vantagem de um processador dual em comparação com um processador
comum.
O Pentium 4 de 3.2 GHz não
chega a ser um processador comum. Ele usa a tecnologia HT, que podemos
considerar como um processador dual virtual. Não são na verdade dois núcleos,
é um só, mas o processador usa partes internas momentaneamente ociosas para
simular um segundo processador. Já o Core 2 Duo é um processador
verdadeiramente dual, com dois núcleos independentes.
As medidas de desempenho
revelaram o seguinte:
Processamento simples: O Core 2
Duo foi de 20% a 30% mais veloz.
Processamento dual e quádruplo: O Core 2 Duo foi de 70% a 80% mais veloz.
Vantagens
sobre o Pentium D e Pentium Extreme Edition
Antes do Core 2 Duo, os
processadores duais da Intel eram o Pentium D e o Pentium Extreme Edition.
Internamente o Pentium D é formado por dois chips Pentium 4 dentro do mesmo
encapsulamento. O Pentium Extreme Edition é formado por dois chips Pentium 4 HT
dentro do mesmo encapsulamento. Apesar do aumento de desempenho devido aos dois
núcleos, esses processadores são muito quentes porque o próprio Pentium 4
precisa operar com clocks muito elevados para ter alto desempenho. O Core 2 Duo
é um projeto mais eficiente, e com pouco mais de 2 GHz ultrapassa um Pentium 4
de 3.2 GHz, e ainda com menor geração de calor.
Aplicações
E para que alguém precisa de
tanto desempenho? Novos processadores possibilitam novas aplicações que antes
não eram viáveis. Processadores duais são muito eficientes para manipular
conteúdos de som, imagem e vídeo. Programas que operam com esses conteúdos
podem dividir o arquivo em partes independentes em enviar a metade para cada núcleo
do processador. Com dois núcleos trabalhando, o resultado fica pronto em tempo
bem menor. Por exemplo, você pode fazer pequenos filmes com uma câmera digital
e enviá-los para o YouTube. Os arquivos de vídeo gerados pela câmera ocupam
um espaço maior que o necessário, resultando em maior tempo de upload e maior
espaço de armazenamento no site. O ideal é tratar os arquivos de vídeo
obtidos da câmera digital, codificando-os através de um CODEC como o DIVX
(MPEG-4), mantendo a qualidade dos filmes e reduzindo drasticamente seu tamanho.
Essa codificação é demorada, mas um processador dual fará o trabalho na
metade do tempo. Da mesma forma, filmes em formato analógico, obtidos de fitas
de VCR, podem ser digitalizados com uma placa de captura de vídeo e codificados
para redução do espaço ocupado. As tarefas de edição de vídeo, como adição
de legendas, trilha sonora e cortes, também dão muito trabalho ao processador,
usar um chip de dois núcleos será vantagem.
Jogos de última geração também
já estão demandando processadores mais rápidos. Tipicamente ter uma placa de
vídeo veloz tem sido mais importante para jogos, que ter um processador veloz.
Ocorre que os novos jogos usam inteligência artificial e realismo de
movimentos, aproveitando os recursos dos processadores velozes.
Cuidados
com o gabinete e a fonte
Resta acrescentar que apesar do
menor aquecimento e menor consumo de energia elétrica, não devemos nos
descuidar da alimentação elétrica e da refrigeração do gabinete. É preciso
ter uma boa fonte de alimentação, com pelo menos 450 watts. Os modelos que
custam R$ 50,00 vão decepcionar, use uma fonte boa. É preciso também usar um
gabinete com boa refrigeração. O ideal é usar modelos midi-torre (45 a 50 cm
de altura), com locais para instalação de ventiladores adicionais e duto
lateral de ventilação para o processador.
Consulte nosso artigo sobre
processadores duais para maiores detalhes técnicos sobre a construção de
computadores com este recurso.
AMD
K10: Opteron e Phenom
Sabemos que os circuitos
internos de um chip ficam em uma base de silício com milhões de transistores,
chamada em inglês de die. Em português,
esse termo costuma ser traduzido como pastilha. É uma base retangular de silício com pouco mais de 1
centímetro de lado, na qual são depositadas as substâncias que formam os
transistores, que por sua vez formam todos os circuitos do processador.
Uma característica importante
do processo de fabricação é o tamanho dos transistores que formam os chips. A
Intel usa atualmente transistores de 65 nm, e já iniciou a fabricação de
chips com transistores de 45 nm. A unidade nm (nanômetro) vale um milionésimo
de milímetro. A AMD, por sua vez, adotou no início de 2007 o processo de 65
nm. A miniaturização desses transistores resulta em menor consumo de energia,
redução de custo (pois as pastilhas ficam menores e é possível produzir mais
pastilhas em uma única forma) e a criação de chips mais avançados (com
transistores maiores é possível usar circuitos mais complexos e sofisticados).
Também permite aumentar a velocidade de operação (clock) sem necessariamente
provocar mais aquecimento. Toda a evolução dos chips é conseqüência da
miniaturização dos seus transistores.
Quad Core
da Intel
A figura 1 mostra o interior de
um processador Intel de quatro núcleos (Core 2 Quad e Core 2 Extreme Qxxxx).
Esses processadores são baseados na pastilha Intel de dois núcleos. Com uma
pastilha é formado um processador dual (ex: Core 2 Duo), e com duas pastilhas
é formado um processador de quatro núcleos. Os modelos de dois núcleos têm
um consumo de energia moderado, mas os de quatro núcleos consomem mais de 100
watts, por isso ainda são caros e de uso limitado. Com a adoção do novo
processo de 45 nm, ocorrerá uma queda de preços nos processadores de quatro núcleos.

Figura 1 – Interior de um processador Intel de quatro núcleos
Novo núcleo
AMD Quad Core
Os primeiros processadores dual
core foram lançados simultaneamente pela Intel e pela AMD. Assim como a Intel
colocou dois núcleos de Pentium 4 no mesmo chip, a AMD juntou dois núcleos de
Athlon 64, formando o Athlon 64 X2 – apesar do processo para “juntar” os
dois núcleos ser completamente diferente. No final de 2007 a AMD lançou novos
processadores com quatro núcleos em uma única pastilha. Essa arquitetura é
chamada K10, e seu nome código é Barcelona.

Figura 2 – O K10 tem quatro núcleos em uma só pastilha
Com seus quatro núcleos, o
chip da AMD pode ser um grande concorrente para os processadores rivais da
Intel, mas não é possível ainda competir em preço com os modelos da Intel.
Processadores de quatro núcleos AMD não são destinados a concorrer com os de
dois núcleos da Intel, e sim com os de quatro, que ainda são raros. O melhor
mercado para chips de quatro núcleos no momento é o de servidores. Por isso a
AMD, assim como fez com o Athlon XP e o Athlon 64, lançou primeiro modelos para
uso em servidores. Portanto em um primeiro momento, apenas as novas versões do
AMD Opteron (modelos para servidores) usaram o novo projeto de quatro núcleos.
No início de 2008 a AMD disponibilizou processadores de quatro núcleos para
desktop, chamados Phenom.
Principais
características do K10
A arquitetura K10 é baseada em
um projeto de quatro núcleos, usada inicialmente pelos novos modelos do
Opteron, e depois pelos pelos novos processadores Phenom, para desktops.
Processadores Opteron e Phenom têm várias diferenças externas, mas
internamente são muito parecidos, ambos baseados na mesma arquitetura. O
Opteron é voltado para servidores, e é instalado no chamado Socket F, com 1207
contatos. O Phenom é voltado para micros de mesa, e é instalado no Socket AM2,
com 940 contatos.

Figura 3 – Processador
Opteron Quad Core (Socket F)

Figura 4 – Processador AMD
Phenom
A pastilha do K10 tem quatro núcleos
e uma generosa quantidade de memória cache. São caches L1, L2 e L3. Cada núcleo
tem 128 kB de cache L1 e 512 kB de cache L2. Existem ainda 2 MB de cache L3
compartilhada entre os quatro núcleos. A figura 5 mostra de forma resumida como
o K10 está organizado.

Figura 5 – Diagrama do K10
Vemos na figura 5 os quatro núcleos,
cada um com sua cache L1 de 128 kB e sua cache L2 de 512 kB, além da cache L3
compartilhada de 2 MB. O chip tem 2 canais de memória DDR2 com suporte até
DDR2/800. O Phenom tem ainda um link HyperTransport 3.0, usado na comunicação
com o chipset, operando com velocidade total de 14,4 GB/s.
Os primeiros modelos de Opteron
baseados no K10 têm clocks variando entre 1.7 e 2.0 GHz. Modelos mais velozes
serão lançados aos poucos, ainda com a tecnologia de 65 nm. Modelos ainda mais
velozes serão lançados com o novo processo de 45 nm, no final de 2008. O
Phenom foi inicialmente lançado com versões com clocks de 2.2 e 2.3 GHz.
Vários melhoramentos internos
foram feitos no núcleo do K10. A unidade de ponto flutuante foi bem melhorada,
ficando cerca de 50% mais veloz em comparação com a geração anterior. Foram
feitas modificações visando reduzir o consumo de energia. Por exemplo, os
quatro núcleos podem operar com clocks diferentes, de acordo
com a carga de trabalho de cada um, permitindo reduzir o consumo de núcleos com
menor atividade.
Os primeiros modelos do Phenom foram lançados no início de 2008. São os modelos 9500 e 9600, com clocks de 2.2 e 2.3 GHz. São versões para Socket AM2, compatíveis com as placas mãe atuais. O ideal entretanto é adquirir o novo processador juntamente com uma nova placa mãe, já com suporte a HyperTransport 3.0 (Socket AM2+).
AMD
Tri-Core ?
Está previsto oficialmente
pela AMD o lançamento de uma versão do Phenom com 3 núcleos (Phenom X3). É
realmente estranho algo com “3” na informática, já que quase todos os números
são potências de 2. A questão é que ao produzir uma pastilha com quatro núcleos,
a probabilidade de uma delas ter defeito de fabricação é maior. Todos os
chips são testados e os defeituosos são descartados, mas entre esses
processadores, existe uma quantidade considerável de pastilhas com defeito em
um único núcleo. Ao invés de serem descartados, esses chips podem operar com
um núcleo desabilitado. Apesar do mais comum ser encontrar sistemas com dois,
quatro ou oito processadores, a distribuição do trabalho pode ser feita para
qualquer número de processadores, inclusive 3. Mas com certeza isso vai causar
muito espanto.
Também serão lançados
modelos de dois núcleos (Phenom X2). Assim como os modelos X3, são indicados
para computadores de menor custo.
Você pode checar as informações
mais recentes sobre os novos processadores AMD no site www.amd.com
e obter detalhes técnicos como velocidade, tamanho de cache, consumo de energia
e outras informações em www.amdcompare.com.
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