Tutorial sobre placa mãe
Parte 3/3

Autor: Laércio Vasconcelos
Data: 25/março/2007

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    Extraído do livro

HARDWARE NA PRÁTICA 2a EDIÇÃO

Capítulo 2 do livro "Hardware na prática", segunda edição. Apresenta os conceitos técnicos sobre placas mãe modernas, suas interfaces, processadores e memórias. Informações importantes para quem quer conhecer esta importante placa, que é a mais importante do computador. OBS: O livro tem outros capítulos detalhados sobre memórias, processadores, discos, etc. 

Parte 1

Parte 2

  
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Laércio Vasconcelos Computação

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Conexões da fonte de alimentação

Placas mãe modernas, padrão ATX, possuem um conector de 20 vias para ligação na fonte de alimentação (figura 78). Nele ligamos o conector ATX principal da fonte de alimentação, também mostrado na figura. Observe que os pinos desses conectores têm formatos diferenciados. Alguns são retangulares e outros são hexagonais. Essa diferenciação impede que um usuário distraído faça a conexão de forma invertida. Se fosse possível ligá-lo de forma invertida, a placa mãe queimaria imediatamente.

     Figura 78
Conector ATX principal na fonte de alimentação e o correspondente na placa mãe.

Para ligar a fonte de alimentação nesse conector da placa mãe, faça como mostramos na figura 79. Observe que ambos os conectores têm travas, indicadas na figura como A e B. Para fazer o desencaixe, aperte o conector no ponto C, para que as travas A e B se soltem. Puxe cuidadosamente pelo conector, e não pelos fios.

     Figura 79
Conectando a fonte de alimentação ATX na placa mãe.

Praticamente todas as placas mãe modernas exigem fontes de alimentação ATX12V. Essas fontes possuem, além do conector principal, dois outros conectores (auxiliar e de 12 volts). São raras as placas mãe que usam o conector auxiliar, mas bem comuns as que usam o conector de 12 volts. A figura 80 mostra os conectores de 12 volts na placa mãe e na fonte de alimentação.

     Figura 80
Conectores de 12 volts na placa mãe e na fonte de alimentação (padrão ATX12V).

OBS: O conector do meio mostrado na figura 80, entre o de 12 volts e o principal, é chamado “conector auxiliar”. Este tipo de conector caiu em desuso, e as fontes ATX mais novas já não o possuem.

O conector de 12 volts também só encaixa em uma posição, devido ao formato dos seus pinos. Tanto o conector da placa mãe como o da fonte de alimentação possui travas. Para fazer o desencaixe, aperte na trava antes de puxar o conector.

     Figura 81
Detalhe do encaixe do conector de 12 volts.

Conector ATX de 24 pinos

A nova geração de fontes ATX (versão 2.2) tem algumas diferenças. O conector principal, que tinha 20 pinos, passou a ter 24 pinos. O conector auxiliar foi eliminado. Foi ainda incluído um novo conector de alimentação para discos Serial ATA. Entretanto a esmagadora maioria das placas mãe ainda opera com a fonte ATX 12V (ou ATX 2.1). Quando uma placa mãe possuir conector de alimentação de 24 pinos, você pode usar uma fonte ATX12V com conector de 20 pinos. Apesar do número de pinos ser diferente, o encaixe é compatível.

     Figura 82
Conector de alimentação de 24 pinos, na fonte.

O conector principal foi aumentado de 20 para 24 pinos para fornecer novas linhas de +5 volts. A corrente adicional fornecida por essas linhas pode ser necessária para o funcionamento de placas de vídeo tipo PCI Express de alto desempenho. Nesse caso a ligação mostrada na figura 84 poderá não atender ao consumo de corrente, e será preciso usar uma verdadeira fonte ATX 2.2, com conector de 24 pinos

    
Figura 83
Conector de alimentação de 24 pinos, na placa mãe.
Figura 84
Fontes ATX com conector de 20 pinos normalmente podem ser ligadas em placas com conector de 24 pinos.

  

    

Conexões da fonte AT

Em PCs mais antigos encontrávamos fontes de alimentação padrão AT. A transição entre AT e ATX ocorreu entre 1997 e 1999. Computadores dessa época, baseados em processadores AMD K6, K6-2, Pentium II, Celeron, Pentium III outros, podiam usar fontes AT ou ATX, dependendo da placa mãe. Algumas placas possuíam ambos os tipos de conectores. Já os micros anteriores usavam exclusivamente fontes AT.  

Uma fonte AT tem conectores diferentes para ligação na placa mãe. Ao invés de usar um conector de 20 pinos como o já mostrado, usa dois conectores de 6 pinos, como vemos na figura 85.

    
Figura 85
Conector de alimentação em uma placa mãe padrão AT.
Figura 86
Ligando a fonte de alimentação AT na placa mãe.

Na figura 86 vemos a ligação dos dois conectores da fonte de alimentação AT na placa mãe. É preciso alinhar corretamente os dois conectores de 6 pinos sobre o conector de 12 pinos da placa mãe. Se for feita alguma inversão ou encaixe errado, a placa mãe queimará.

Para conectar corretamente, observe que cada um dos dois conectores possui dois fios pretos. Os quatro fios pretos devem ficar juntos na parte central do conector.

Fixação das peças no gabinete

Os gabinetes para PC são acompanhados de parafusos e diversos acessórios para a fixação das placas e unidades de disco. A figura 87 mostra o exemplo de um kit de acessórios típico de um gabinete moderno.

     Figura 87
Acessórios que acompanham um gabinete moderno.

As dezenas de parafusos que acompanham o gabinete são de tipos diferentes. Infelizmente a indústria padronizou parafusos diferentes para os diversos módulos envolvidos na montagem de um PC. Para não perder tempo durante a montagem do micro, identifique antes qual é a função de cada parafuso. Todos eles são parafusos do tipo PHILIPS, ou seja, possuem em sua cabeça, uma fenda em forma de “x”. Para apertá-los, devemos usar uma chave PHILIPS tamanho médio (3/16”). Aliás, uma boa idéia é adquirir um estojo de ferramentas para micros. Podemos encontrá-lo em praticamente todas as revendas de material para informática, e lá estarão algumas ferramentas muito úteis.

Algumas ferramentas desse estojo são indispensáveis. Outras são tão úteis que por si só justificam a compra do jogo completo. Por exemplo, existe uma pinça com três pequenas garras, muito boa para segurar parafusos. É a melhor forma de colocar com facilidade um parafuso em seu lugar antes de apertá-lo.

    
Figura 88
Chaves para fixação de parafusos.
Figura 89
Pinças.

Parafusos

Separe todos os parafusos que você recebeu junto com o gabinete. Você poderá observar que são divididos em duas categorias (veja a figura 90)

Tipo 1: Esses parafusos são usados para os seguintes dispositivos:

Tipo 2: Usados para os seguintes dispositivos:

OBS(*): As furações para parafusos existentes nos gabinetes nem sempre são padronizadas. Você deve, a princípio, tentar usar os parafusos de classe 1. Se forem muito finos para a furação existente, use parafusos classe 2.

    
Figura 90
Parafusos de tipos 1 e 2. Observe que o de tipo 2 é mais “gordinho” e tem menor número de voltas.
Figura 91
Placas de expansão são fixas ao gabinete, a princípio com parafusos tipo 1 (rosca fina); se forem inadequados, use os de tipo 2 (rosca grossa).

Teste sempre todos os parafusos antes de fixá-los definitivamente. Se você usar o parafuso tipo 1 em uma rosca de tipo 2, verá que o parafuso ficará frouxo. Troque-o então por um parafuso tipo 2.

     Figura 92
Unidades de CD e DVD são fixados ao gabinete através de parafusos de rosca fina.

O drive de CD-ROM, o gravador de CDs, o drive de DVD e o gravador de DVDs utilizam normalmente parafusos tipo 1 (figura 92). Normalmente essas unidades são acompanhadas de parafusos próprios para esta fixação.

    
Figura 93
Drives de disquete de 3½” são fixados ao gabinete através de parafusos de rosca fina (item 1). Para fixar o disco rígido ao gabinete, usamos parafusos de rosca grossa (item 2).
Figura 94
Pontos para aparafusar as unidades de disco no gabinete (setas brancas).

O drive de disquetes usa parafusos tipo 1. Já os discos rígidos usam sempre parafusos tipo 2, como vemos na figura 93. A figura 94 mostra a parte interna de um gabinete, no qual estão presentes uma unidade de CD/DVD, um drive de disquetes de 3½” e um disco rígido. Todos são fixados ao gabinete através de parafusos laterais. É suficiente utilizar dois parafusos de cada lado.

Existem ainda parafusos bem diferentes, mostrados na figura 95. São usados para fixar a placa mãe ao gabinete. Um deles é um parafuso metálico hexagonal, chamado “parafuso macho-fêmea”. Possui uma rosca externa e uma rosca interna. Deve ser aparafusado em locais apropriados na chapa do gabinete, e sua rosca interna poderá ser de tipo 1 ou tipo 2. Esta despadronização não causa problema, pois sempre serão fornecidos parafusos compatíveis com os furos existentes no gabinete. Após ser colocada a placa mãe, é introduzido um outro parafuso, juntamente com uma arruela isolante.

    
Figura 95
Parafusos para fixar a placa mãe ao gabinete.
Figura 96
Fixação da placa mãe no gabinete através de parafusos hexagonais.

Na figura 96 vemos como fixar a placa mãe ao gabinete, utilizando os parafusos mostrados na figura 95. A operação completa é mostrada na figura 97:

1) Primeiro fixamos ao gabinete, os parafusos hexagonais. Devemos utilizar os furos da chapa do gabinete que possuem correspondência com os furos da placa mãe.

2) Depois colocamos a placa mãe no gabinete.

3) Fazemos a sua fixação, usando os parafusos apropriados.

     Figura 97
Fixando a placa mãe ao gabinete (passos 1, 2 e 3).

Métodos alternativos para fixar a placa mãe

O método de fixação da placa mãe mostrado na figura 97 é o mais comum. Podemos entretanto encontrar métodos alternativos, e nem sempre tão bons. Alguns gabinetes por exemplo podem ser acompanhados de espaçadores plásticos como o mostrado na figura 98. Esses espaçadores possuem uma rosca que deve ser aparafusada na chapa do gabinete. A placa mãe não é aparafusada nesses espaçadores, e sim, encaixada.

    
Figura 98
Péssima forma de fixação do gabinete: espaçadores plásticos com rosca (parte direita da figura), ao invés dos tradicionais parafusos hexagonais.
Figura 99
Fixadores plásticos para a placa mãe. Este não é um bom método de fixação.

A grande desvantagem é a dificuldade para retirar a placa mãe uma vez fixada. É preciso tentar girar os espaçadores (o que é muito difícil) para que saiam do gabinete. A placa mãe sairia então, com todos os espaçadores plásticos presos. Em geral para remover a placa mãe presa dessa forma precisamos cortar os espaçadores com um alicate.

Para economizar parafusos hexagonais ou espaçadores plásticos, alguns fabricantes fazem saliências com rosca na própria chapa da placa mãe. Esta saliência (figura 100) tem cerca de 6 mm de altura, e na sua parte superior existe uma rosca própria para os parafusos que fixarão a placa mãe. Nesses gabinetes, não usamos espaçadores. Simplesmente apoiamos a placa mãe sobre as saliências (a placa não tocará na chapa do gabinete, tocará apenas nas saliências) e usamos parafusos para prender a placa no gabinete.

     Figura 100
Saliências no gabinete para fixar a placa mãe.

Existem ainda espaçadores plásticos presos no gabinete com um furo superior, com rosca, para aparafusar a placa mãe. A rosca é normalmente um pouco apertada, e pode ficar difícil colocar o parafuso superior que prenderá a placa mãe. De um modo geral, usar somente espaçadores plásticos não é uma boa idéia. Os pontos de contato que a placa mãe faz com a chapa do gabinete, através dos parafusos de fixação, funcionam como aterramento e blindagem eletromagnética, o que contribui para um melhor funcionamento do computador. Com fixação feita exclusivamente por espaçadores plásticos, a blindagem fica comprometida. Dê preferência aos gabinetes que usam parafusos metálicos hexagonais para fixar a placa mãe.

Tampas plásticas frontais

Os gabinetes são acompanhados de tampas plásticas para serem usadas nos locais vagos reservados para a instalação de unidades de disco. Por exemplo, um gabinete pode ter local para a instalação de dois drives para disquetes (3½”), mas normalmente instalamos apenas um. Neste caso, o outro local deve ser tampado. Da mesma forma, existem locais (baias) para a instalação de várias unidades de CD/DVD. Caso não usemos todos os locais, devemos fechar os que ficaram sem uso com essas tampas plásticas. A figura 101 mostra esses dois tipos de tampa. Normalmente são introduzidas por pressão, pela parte frontal do gabinete.

    

Figura 101
Tampas plásticas frontais.

Figura 102
Tampas traseiras para o gabinete (espelho cego).

Tampas traseiras

Os gabinetes possuem na sua parte traseira oito fendas onde se alojam os conectores traseiros das placas de expansão. Como nem sempre utilizamos todas essas 8 posições, é conveniente tampar as que não estiverem em uso. Uma das formas de tampar essas fendas é com o uso de tampas metálicas apropriadas, como as mostradas na figura 102 (normalmente acompanham o gabinete).

Furos de fixação da placa mãe

Como vimos, a fixação da placa mãe é feita por parafusos metálicos hexagonais na maioria dos gabinetes modernos, podendo usar outros métodos em alguns modelos, como os espaçadores plásticos. Devemos, contudo, ter muito cuidado com o uso dos parafusos. Inicialmente devemos identificar quais são os furos existentes na chapa do gabinete, próprios para a recepção desses parafusos. A seguir, devemos checar quais são os furos da placa mãe que têm correspondência com esses furos na chapa do gabinete. Observando atentamente os furos existentes na placa mãe, podemos verificar que existem dois tipos, ambos mostrados na figura 103:

     Figura 103
Furo metalizado e furo normal.

O furo metalizado pode ser usado para fixação através de parafusos metálicos, ou de espaçadores plásticos. O furo normal deve ser usado apenas para fixação por espaçadores plásticos. Se usarmos um parafuso metálico em um furo sem metalização, este parafuso poderá arranhar a camada de verniz da placa, provocando o contato entre as trilhas de circuito impresso, resultando em um curto circuito que danificará a placa.

Painel traseiro do gabinete ATX

As placas mãe padrão ATX possuem um painel traseiro (moldura), no qual ficam os conectores de várias das suas interfaces: seriais, paralela, teclado, etc. Os gabinetes ATX são acompanhados de uma pequena chapa metálica, na qual este painel se encaixará. Nos primeiros anos da era ATX (1997-1999), os gabinetes eram acompanhados de diversas molduras. Era preciso aparafusar a moldura correta (figuras 104 e 105).

     Figura 104
Chapa metálica para painel das interfaces de uma placa mãe ATX. Deve ser encaixada pela parte interna do gabinete.

      

     Figura 105
A chapa deve ser aparafusada no gabinete, e nela se encaixarão os conectores da placa mãe.

Nos gabinetes atuais, a moldura tem a furação mostrada na figura 106. Tem dois ou três pontos de solda que a seguram. Se a placa mãe possuir disposição diferente de conectores traseiros, será preciso quebrar a moldura antiga para instalar uma nova, que acompanha a própria placa mãe (figura 107).

     Figura 106
Típica moldura de um gabinete ATX.

      

     Figura 107
A maioria das placas ATX são acompanhadas de uma moldura própria, que deve substituir a que existe no gabinete.

Para retirar a moldura original, dobre e desdobre a moldura sucessivas vezes até que saia por completo. Pode ser preciso usar antes um alicate de corte para romper um dos pontos de solda (figura 108).

     Figura 108
Retirando a moldura original de um gabinete ATX.

Depois de retirar a moldura original, instale a que acompanha a placa mãe, encaixando-a pela parte interior do gabinete (figura 109).

     Figura 109
Encaixando a nova moldura.

       

    

Espaçadores plásticos em micros antigos

Você encontrará gabinetes mais antigos (AT) que usam espaçadores plásticos para fixar a placa mãe, como os que vemos na figura 110. Esses espaçadores plásticos devem ter inicialmente a sua parte superior encaixada em furos apropriados na placa mãe. Sua parte inferior deve ser encaixada em fendas existentes no gabinete.

    

     Figura 110
Espaçadores plásticos.

O encaixe dos espaçadores é um pouco difícil de fazer. Inicialmente devemos verificar quais são as fendas existentes no gabinete que estão alinhadas com furos na placa mãe. Encaixamos espaçadores plásticos nos furos da placa mãe que possuem fendas correspondentes na chapa do gabinete.

     Figura 111
Furos e fendas na chapa do gabinete, para fixação da placa mãe.

A seguir colocamos a placa no seu lugar, de forma que todos os espaçadores plásticos encaixem simultaneamente nas respectivas fendas. A figura 112 mostra o detalhe do encaixe de um espaçador na sua fenda.

     Figura 112
Detalhe do encaixe de espaçador plástico no gabinete.

Após acoplar a placa mãe, devemos olhar no verso da chapa onde a placa foi alojada, para verificar se todos os espaçadores encaixaram-se perfeitamente nas suas fendas. Cada espaçador plástico deve estar alinhado com a fenda, como indicado em “A” na figura 112. Estando todos alinhados, movemos a placa de forma que todos os espaçadores fiquem encaixados nas fendas metálicas como indicado em “B” na figura 112.

As interfaces da placa mãe

Não é necessário conhecer detalhadamente as interfaces da placa mãe para montar o computador. Se você quer fazer logo a montagem, pode pular para o capítulo seguinte. Pode ler o restante deste capítulo depois, para aprofundar seus conhecimentos.

A maioria dos dispositivos existentes em um computador necessita de uma interface. A interface é um circuito que permite ao processador comunicar-se com esses dispositivos. Por exemplo, um teclado não pode enviar dados diretamente para o processador. Esta passagem de dados é feita através de um circuito chamado “interface de teclado”, que fica localizado na placa mãe. Algumas interfaces são placas inteiras, como por exemplo a placa de vídeo. Ela nada mais é que uma interface que serve para enviar dados para o monitor.

Interfaces onboard

O termo onboard significa na placa. Ao longo dos anos 90, várias interfaces que eram localizadas em placas de expansão foram aos poucos transferidas, com vantagens, para a placa mãe. Tanto era vantagem esta transferência que as antigas placas de expansão que utilizavam essas interfaces deixaram de ser produzidas. Não encontramos no mercado (exceto em algumas placas bastante raras), placas de expansão com interface para disquetes, interfaces seriais, paralelas e interfaces IDE.

No final dos anos 90, uma nova onda de transferências de interfaces para a placa mãe começou. Inicialmente surgiram placas mãe com circuitos de som. Logo alguns fabricantes passaram a produzir chips sonoros de baixíssimo custo para serem usados nessas placas. Eram as chamadas “placas mãe com som onboard”. Pouco depois foram produzidos chips gráficos de baixo custo para o uso em placas mãe. Eram as placas mãe com “vídeo onboard”. Nas primeiras dessas placas, o chip gráfico possuía sua própria memória de vídeo, depois passaram a utilizar parte da memória que era destinada ao processador. São muitos os modelos de placas mãe de baixo custo (e muitas vezes de baixo desempenho) com som e vídeo onboard. A maioria das placas mãe atuais possuem ainda rede onboard, e algumas têm também modem onboard.

Ao contrário da passagem das interfaces seriais, paralela, de disquetes e IDE para a placa mãe, a transferência das interfaces de som, vídeo, modem e rede para a placa mãe não traz necessariamente vantagem no desempenho, e sim no custo. Tanto é assim que os fabricantes de placas continuam produzindo centenas de modelos de placas de som, placas de vídeo, placas de rede e modems. Muitas vezes essas placas são de melhor desempenho que os circuitos equivalentes existentes nas placas mãe com “tudo onboard”. São bastante comuns os casos de usuários que compram PCs baratos com todas essas interfaces embutidas e acabam tendo problemas, sendo obrigados posteriormente a comprar placas de expansão de verdade para que funcionem melhor e com bom desempenho.

Em relação a esses circuitos onboard, podemos afirmar o seguinte:

a) Vídeo onboard: Em geral é de desempenho inferior ao oferecido por uma boa placa de vídeo avulsa. Isso também depende do modelo. Um vídeo onboard de 2006 pode superar uma típica placa de vídeo avulsa de 2003.

b) Som onboard: As primeiras versões de som onboard eram de qualidade inferior à das placas de som. Aos poucos foram produzidos circuitos de som onboard com melhor qualidade. A partir de aproximadamente meados de 2002 já era possível encontrar placas mãe com som onboard de alta qualidade. Os modelos atuais (exceto nas placas mãe muito baratas) operam normalmente com 6 canais de áudio (“som 5.1”) e alta qualidade.

c) Rede onboard: Praticamente todas as placas mãe atuais possuem interface de rede onboard. Essas interfaces são normalmente equivalentes às placas de redes avulsas.

d) Modem onboard: Normalmente os circuitos de modem onboard são de baixa qualidade. São comuns os casos de usuários que acabam desativando o modem onboard e instalando uma placa de modem de verdade.

Comprar uma placa mãe com “tudo onboard” pode ser uma incógnita. Muitas possuem som ruim, modem ruim e vídeo onboard lento. Muitos modelos modernos entretanto, têm interface de rede onboard de bom desempenho, vídeo onboard com desempenho bastante satisfatório e som onboard de alta qualidade. Normalmente os chipsets da Intel, Nvidia e ATI apresentam dispositivos onboard de excelente desempenho e qualidade. Os chipsets VIA apresentam em geral circuitos onboard de bom desempenho e qualidade, exceto o vídeo, que em geral é um pouco lento. A SiS, um fabricante de chipsets para placas mãe de baixo custo, também costuma produzir chips com vídeo de baixo desempenho.

Interfaces seriais

As interfaces seriais (ou portas seriais) são chamadas de COM1 e COM2. Seus conectores ficam na parte traseira do computador e são normalmente do tipo DB-9 macho. Alguns computadores mais antigos usam para a COM1, um conector DB-9, e para a COM2 um conector DB-25, ambos do tipo macho.

     Figura 113
Conectores externos das interfaces seriais (setas).

As interfaces seriais são muito antigas, existem nos PCs desde o início dos anos 80. Sua principal característica é que podem transmitir ou receber um bit de cada vez. As interfaces seriais existentes nos PCs atuais podem operar com taxas de até 115.200 bits por segundo, o que é uma velocidade bastante lenta. Mesmo sendo lenta, essa interface é adequada para alguns dispositivos que não necessitam de alta velocidade. Há alguns anos era grande o número de computadores que usavam a interface serial COM1 para conectar um mouse. Existem entretanto várias outras aplicações. Através da interface serial podemos conectar dois PCs para troca de informações, apesar de ser uma transmissão muito demorada. Também com esta conexão é possível utilizar certos jogos com dois jogadores, um em cada PC.

Nos próximos anos, os PCs não utilizarão mais interfaces seriais. Suas funções passarão a ser desempenhadas pelas interfaces USB. Tanto é assim que todos os PCs modernos possuem interfaces USB, e todos os fabricantes de dispositivos seriais estão produzindo modelos USB.

Interface paralela

A interface paralela também pode ser chamada de porta paralela, interface de impressora ou porta de impressora. As referências às impressoras devem-se ao fato desta interface ter sido originalmente criada para a conexão de impressoras. O nome “paralela” foi usado porque esta interface transmite 8 bits de cada vez, em contraste com as interfaces seriais, que transmitiam um bit de cada vez. Esta não é a única interface paralela que existe, e também não serve apenas para conectar impressoras, portanto ambos os nomes, apesar de consagrados, não são bem adequados.

     Figura 114
Conector externo da interface paralela.

O conector da interface paralela fica localizado na parte traseira do computador. É um conector do tipo DB-25 fêmea. As interfaces paralelas antigas podiam transmitir apenas 150 kB/s, mas as atuais, operando nos modos EPP e ECP, podem transmitir 2 MB/s.

Interfaces USB

As interfaces seriais, paralelas, de teclado e de joystick usadas nos PCs, são praticamente as mesmas usadas no início dos anos 80. São interfaces obsoletas para os padrões atuais. Apesar de funcionarem, não apresentam os recursos avançados que a eletrônica moderna permite. Em meados dos anos 90 surgiu uma nova interface, mais moderna, versátil e veloz, a chamada USB (Universal Serial Bus). Tanto os fabricantes de placas mãe e computadores quanto os fabricantes de periféricos (teclado, mouse, impressora, etc.) demoraram um pouco a adotá-la. Hoje encontramos interfaces USB em todos os PCs modernos, e praticamente todos os fabricantes de periféricos produzem modelos USB.

     Figura 115
Conectores das interfaces USB (setas).

As placas mãe ATX possuem duas interfaces USB, acessíveis através de dois conectores localizados na sua parte traseira. Os modelos mais novos possuem 4, 6 e até 8 interfaces USB. Cada uma delas permite ligar até 128 dispositivos, através de um pequeno hub, que deve ser adquirido separadamente. Para ligar todos os 128 dispositivos é preciso utilizar vários hubs em cascata.

As atuais interfaces USB são da versão 2.0, e operam com velocidades de até 480 Mbits/s. A geração anterior era a versão 1.1, que operava com no máximo 12 Mbits/s. Interfaces USB 1.1 têm velocidade mais que suficiente para dispositivos como teclado, mouse, joystick, modem externo, WebCAM (câmera para transmitir imagens via Internet), impressora, scanner, gravador de CDs e vários outros produtos. Interfaces USB 2.0 são muito mais velozes e beneficiam dispositivos que necessitam de mais velocidade, como discos rígidos externos. Qualquer dispositivo USB 1.1 pode ser ligado em uma interface USB 2.0, e qualquer dispositivo USB 2.0 pode ser ligado em uma interface USB 1.1. Nesses casos, prevalecerá sempre a velocidade mais baixa.

As interfaces USB possuem ainda outros recursos úteis, como o Hot Plugging. Podemos conectar e desconectar dispositivos com o computador ligado. Se fizermos isso com a impressora, teclado, mouse e outros dispositivos não USB, corremos o risco de queimá-los. As interfaces e os dispositivos USB foram projetados para permitir as conexões sem a necessidade de desligar os equipamentos.

Interface para teclado

Do ponto de vista eletrônico, as interfaces de teclado de todos os PCs são idênticas. Ficam localizadas na placa mãe, e seu conector fica na sua parte traseira, ou seja, é acessível pelo painel traseiro do gabinete. Existem entretanto diferenças nos tipos de conectores. As placas mais antigas utilizavam um conector padrão DIN, de 5 pinos. As mais novas utilizam um conector menor, chamado padrão PS/2 ou mini-DIN. Existem no comércio adaptadores para ligar teclados novos (conector PS/2) em placas mãe antigas (conector DIN), e vice-versa.

     Figura 116
Conectores da interface para teclado: DIN e PS/2.

Interface para mouse PS/2

Até aproximadamente 1997, o mouse era tipicamente conectado em uma porta serial. A partir de então surgiram modelos com conectores mini-DIN, padrão PS/2. As placas mãe padrão ATX padronizam a presença desse tipo de conector para a ligação do mouse. Ainda hoje o mouse padrão PS/2 é o mais comum. Já podemos entretanto encontrar modelos USB, mas seu uso tem escala bem menor.

     Figura 117
Conector da interface para mouse PS/2.

Interface para joystick

As placas de som possuem interface para joystick. Podemos encontrar essa interface também nas placas mãe com som onboard. Já existem entretanto placas mãe mais modernas que aboliram a interface de joystick. Novos modelos de joystick utilizam o padrão USB. A interface de joytick tradicional usa um conector externo, acessível pelo painel traseiro do computador, na placa de som ou na placa mãe. É um conector do tipo DB-15 fêmea, menor que o conector da impressora (que é DB-25) e maior que os conectores das portas seriais (DB-9).

     Figura 118
Conector DB-15 para joystick em uma placa mãe com som onboard.

Nesse conector podemos ligar um único joystick, de até 8 botões, ou então ligar dois joysticks, com 2 botões cada um, através de um cabo especial comercializado por algumas lojas (Cabo em “Y” de extensão para joystick). Recomendamos entretanto que você opte por um joystick padrão USB, e não um com o tradicional conector DB-15.

Interface de rede onboard

Quase todas as placas mãe atuais possuem interface de rede onboard. Isso não era comum há alguns anos atrás, mas a partir de aproximadamente 2003 passamos a encontrar com facilidade a rede onboard. Muitas vezes esta interface é integrada ao próprio chipset da placa mãe, outras vezes é um chip adicional, idêntico aos encontrados em placas de rede avulsas. Interfaces de rede onboard normalmente funcionam com tanta confiabilidade e velocidade quanto os modelos “offboard”.

     Figura 119
Conector da interface de rede onboard.

Conector do vídeo onboard

Muitas placas mãe possuem vídeo integrado (onboard). Nesses modelos, o conector para o monitor (DB-15 fêmea, com três fileiras), fica normalmente localizado no lugar de uma das interfaces seriais (figura 120).

     Figura 120
Conector do monitor em placas mãe com vídeo onboard.

 

Parte 1

Parte 2

/// FIM ///

 

 

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