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O que melhora a temperatura Autor: Laércio Vasconcelos |
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O que melhora a
temperatura de um micro
Recentemente
fizemos reviews dos processadores Pentium Extreme Edition de 3.46 GHz e Athlon
64 X2 4800 e notamos uma grande dificuldade com excesso de temperatura com o
produto da Intel. A temperatura máxima do processador é especificada pela
Intel em 69°C, mas assim que era executado um programa “pesado”, a
temperatura ultrapassava facilmente os 70°C. Foi preciso utilizar um cooler
traseiro de 12 cm (o normal é 8 cm) de alta potência (6 watts, quando o normal
é entre 1,5 e 2 watts), um cooler Thermaltake com base de cobre e heatpipes de
cobre, gabinete com duto lateral de entrada de ar para refrigerar o processador,
e uma fonte de alimentação com ventilador interno adicional.

Figura 1 – Gabinete com duto lateral para entrada de ar.
Tudo
bem que o uso do duto lateral é recomendado pela Intel desde o lançamento do
Pentium 4 Prescott, e é comum em quase todos os gabinetes atuais. Tudo bem que
o uso de um ventilador traseiro, operando como exaustor, na parte traseira do
gabinete, é obrigatório desde a época dos primeiros modelos de Pentium 4 e
Athlon. Tudo bem que tanto a Intel quanto a AMD recomendam fontes de alimentação
com ventilador interno, puxando o ar quente em torno do processador. Mesmo com
tudo isso o Pentium 4 EE ainda ficava muito quente, então foi preciso usar o
cooler Thermaltake ao invés do cooler Intel Box. Também foi preciso manter o
computador operando em ambiente refrigerado a 21°C.

Figura 2 – Cooler Thermaltake para Pentium 4, com
heatpipes de cobre.
Na
figura 2 vemos o cooler que precisamos usar nos testes com o Pentium 4 Extreme
Edition de 3.46 GHz. Com o cooler fornecido pela Intel o processador funcionava
bem, entretanto reduzia a sua velocidade ao atingir a temperatura de 70°C, o
que resulta em queda de temperatura e também de desempenho. Os “heatpipes”
são tubos sólidos de cobre que ligam mecanicamente a base de cobre do cooler
(o cobre tem melhor condutividade térmica que o alumínio) à parte superior
das aletas de refrigeração. O calor é então retirado mais rapidamente do
processador em comparação com um cooler sem heatpipes.
Por
outro lado, não tivemos dificuldades de refrigeração durante os testes com o
Athlon 64 X2 4800. Usamos o mesmo gabinete com duto lateral e fonte de alimentação
especial utilizado nos testes com o Pentium 4 EE, e mesmo sem o uso de ar
refrigerado, a temperatura máxima do processador foi de apenas 50°C durante
períodos de processamento “pesado”.

Figura 3 – Detalhe dos
heatpipes do cooler Thermaltake.
A
baixa temperatura do Athlon 64 X2 4800
O
Pentium 4 Extreme Edition usado nos nossos testes dissipa 130 watts. O Athlon 64
X2 4800 avaliado dissipa 110 watts. Esperávamos então que o Athlon 64 X2
apresentasse temperaturas apenas um pouco inferiores às do modelo Intel,
entretanto as temperaturas observadas foram ainda menores, um pouco acima de 50°C.
Fizemos um teste piorando a refrigeração do gabinete: retiramos o duto lateral
de refrigeração e tampamos a sua entrada de ar, usamos uma fonte de alimentação
normal, sem ventiladores adicionais, e desligamos o exaustor traseiro do
gabinete. Desligamos o ar condicionado. Ainda assim a temperatura do Athlon 64
X2 foi amena para um processador, chegando no máximo a cerca de 57°C. Nessas
mesmas condições o Pentium Extreme Edition simplesmente ultrapassava os 75°C.
A
facilidade em manter a temperatura dentro de limites seguros certamente era
devida ao processador, mas em parte poderia ser também ao cooler especial
Thermaltake, também com heatpipes.

Figura 4 – Cooler
Thermaltake fornecido com o Athlon 64 X2
Contactamos
a AMD para perguntar se o cooler Thermaltake que recebemos no kit para avaliação
era o mesmo fornecido pela AMD na versão box. Foi então explicado que o cooler
da versão box era outro, porém suficiente para refrigerar adequadamente o
processador. Seria então interessante fazer medidas de temperatura usando o
cooler original da AMD. Como não tínhamos esse cooler, usamos o cooler que
acompanha o nosso Athlon 64 3200. É na verdade um modelo AVC, certificado pela
AMD. Como o Athlon 64 3200 dissipa 89 watts e o Athlon 64 X2 4800 dissipa 110
watts, certamente o cooler que o acompanha é melhor que o do Athlon 64 3200.
16
testes de temperatura
Fizemos
medidas de temperatura com 16 combinações diferentes para a regrigeração do
gabinete:
Fonte
de alimentação normal / Fonte de alimentação com ventilador adicional
Gabinete
com duto lateral / Gabinete sem duto lateral
Gabinete
com exaustor traseiro / Gabinete sem exaustor traseiro
Cooler
AMD (AVC) / Cooler Thermaltake
Para
cada uma das 16 combinações medimos as temperaturas do interior do computador
(motherboard temperature) e a temperatura do processador (CPU Temperature) em três
situações:
R:
Repouso
Deixando o micro parado durante alguns minutos, apenas apresentando a tela
do Windows.
N:
Processamento normal:
Executando atividades como exibir um filme ao mesmo tempo em que é feita a
cópia de uma grande quantidade de arquivos e navegação na Internet.
P:
Processamento pesado:
Convertendo um filme de DVD para CD usando os programas FLASKMPEG 0.78 e
DIVX 6.22, o processador tende a ficar 100% ocupado e sua temperatura chega ao
valor máximo para cada caso. Temperaturas equivalentes são obtidas quando
fazemos outro teste: medida de performance de CPU em modo multithreading usando
o programa PC Mark 2005.
Fizemos
assim o levantamento da tabela a seguir.
Medidas
com Athlon 64 X2 4800, ambiente a 25 graus
R =
Computador em repouso
N = Processamento normal
P = Processamento pesado
Importante: Os valores de temperatura obtidos na tabela são válidos obviamente para a configuração testada. Resultados diferentes são obtidos quando usamos gabinetes com outras dimensões ou com outra disposição de placas, ou quando existem vários discos rígidos, ou quando são usadas placas de vídeo que geram muito calor, etc. Leve em conta as medidas de forma qualitativa, e não quantitativa. O idéia é motivar o leitor a fazer testes semelhantes e verificar os melhoramentos obtidos.
Fonte
de alimentação normal![]() |
Fonte
de alimentação com ventiladores internos![]() |
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Foram
feitas medidas da placa mãe e do processador em repouso (R), processamento
normal (N) e processamento pesado (P). Comparando a configuração 0 com a
configuração 8 na tabela maior, vemos que a única diferença é a fonte de
alimentação utilizada. Os números das tabelas 0 e 8 mostram que usar uma
fonte de alimentação com ventilador adicional interno resulta na redução de
1 a 2 graus na temperatura do processador e que praticamente não tem efeito na
temperatura interna no gabinete. Não necessariamente isso ocorre sempre dessa
forma. Comparando as tabelas 4 e 12 vemos que o processador ficou de 3 a 5 graus
mais frio com o uso da fonte de alimentação especial.
A
tabela grande traz outras comparações interessantes. Comparar uma tabela de número
par com a tabela ímpar seguinte mostra a diferença entre os resultados obtidos
com o cooler de processador comum (AMD/BOX) e com o uso do cooler Thermaltake.
Comparar, por exemplo, as tabelas 0 e 2, mostra a diferença entre usar e não
usar um exaustor traseiro no gabinete. Comparar por exemplo, 0 com 4, ou 1 com
5, ou 9 com 13, mostra a diferença entre usar a não usar duto lateral no
gabinete.
As
medidas de temperatura foram feitas em um micro com processador Athlon 64 X2
4800, placa de vídeo com chip Nvidia 7600 GS e com ambiente externo a 25°C.
Observando
atentamente os números da grande tabela podemos chegar a várias conclusões
interessantes.
Influência
da fonte de alimentação
Na
maioria dos casos, o uso da fonte de alimentação com ventilador interno
resultou em redução de 2°C a 3°C na temperatura interna do gabinete. Em
alguns casos a redução foi de apenas 1°C e em certos caso não houve redução.
Pode parecer pouca coisa, mas é muito. Entre em uma sala a 25°C, ligue o ar
condicionado e espere a temperatura do ambiente reduzir para 20°C. Você verá
que antes a temperatura era agradável, depois o ambiente passou a ficar gelado.
Assim como a sensação de calor e frio varia muito com diferenças de poucos
graus, obter poucos graus de redução na temperatura de um computador é um
grande feito. Em um ambiente a 25°C, o interior do gabinete pode estar 10°C
mais quente, ficando a 35°C. Em condições normais, um processador fica até
30°C mais quente que o interior do gabinete quando opera com carga máxima,
chegando a 65°C. Essa é a temperatura máxima suportada por muitos
processadores. Conseguir reduções de alguns graus significa manter o
processador alguns graus abaixo do limite especificado pelo fabricante. Qualquer
pequena redução é bem-vinda.
Influência
do duto lateral
Podemos
checar a influência do duto lateral no gabinete se fizermos as comparações:
0-4; 1-5; 2-6; 3-7; 8-12; 9-13; 10-14; 11-15.
Vemos
então que o uso do duto lateral tem influência pequena na temperatura interna
do gabinete. Na maioria dos casos, o gabinete fica 1°C mais frio, em alguns
casos a temperatura é mantida, e em alguns chega mesmo a aumentar 1°C. Mas em
todos os casos observamos uma redução significativa na temperatura do
processador, em alguns casos chega a reduzir 3°C ou 4°C. O processador é
refrigerado com o ar que o seu cooler sopra sobre ele. Sem duto lateral, esse ar
está com a temperatura interna do gabinete. Com o duto, o ar está com a
temperatura ambiente, já que é puxado de fora para dentro do gabinete através
do seu duto. Não é necessário ter um ventilador acoplado ao gabinete na
entrada do duto. O próprio ventilador do cooler do processador já puxa o ar
automaticamente. É um erro grosseiro instalar ventilador lateral no gabinete,
na direção do processador, puxando o ar de dentro para fora. Teremos assim
dois ventiladores puxando ar em sentidos opostos. Quando o gabinete não tem
duto, um ventilador lateral pode ser instalado, mas de estiver alinhado com o
processador, deve empurrar o ar para dentro. Se o ventilador lateral não estiver
alinhado com o processador, bons resultados podem ser obtidos nos dois sentidos.
Você pode fazer medidas de temperatura e decidir em qual sentido deve usar o
ventilador para obter maior redução. Os resultados variam de acordo com cada
caso.
Influência
do exaustor traseiro
Podemos
checar a influência do uso do exaustor traseiro no gabinete comparando as
tabelas:
0-2;
1-3; 4-6; 5-7; 8-10; 9-11; 12-14; 13-15.
Vemos
que na maioria dos casos, a temperatura interna do gabinete é reduzida em 3°C
ou 4°C. Em alguns casos a redução chega a 5°C, em outros poucos casos a redução
é de 1°C ou 2°C. Mas na maioria dos casos a redução é significativa, por
isso desde a chegada de processadores que dissipam mais de 40 watts (Pentium 4,
Athlon) é recomendado o uso do ventilador traseiro no gabinete, jogando o ar
para fora.
Em
geral uma redução na temperatura interna do gabinete provoca uma redução
equivalente na temperatura do processador, como podemos comprovar na tabela, mas
existem exceções. Comparando 8-10, 9-11, 12-14 e 13-15, vemos que a redução
na temperatura do processador foi pequena com o uso do cooler traseiro, em
comparação com a redução obtida na temperatura interna do gabinete. É que
nesses casos está sendo usada uma fonte de alimentação com ventilador
interno, que já está puxando o ar quente das proximidades do processador. Isso
reduz a influência da temperatura interna do gabinete sobre a temperatura
interna do processador. Ainda assim vemos que o uso do ventilador externo
praticamente em todos os casos provoca redução na temperatura do processador.
De
qualquer forma, a redução da temperatura interna do gabinete será benéfica
para outros componentes quentes, como o disco rígido, o chipset e a placa de vídeo.
Influência
do cooler do processador
Para
checar a influência do cooler do processador, comparamos:
0-1;
2-3; 4-5; 6-7; 8-9; 10-11; 12-13; 14-15.
Vemos
que em geral o cooler usado pelo processador não afeta a temperatura interna do
gabinete, mas em alguns casos o deixa 1°C mais quente. Isso ocorre porque o
calor que ficava “acumulado” no processador, na forma de temperatura, é
“desviado” para o gabinete, deixando-o um pouco mais quente. O uso de
ventiladores para expulsar o ar para fora do gabinete resolve o problema.
Já
a temperatura do processador é sempre reduzida com o uso de um cooler melhor. A
redução varia na maioria dos casos entre 2°C e 5°C, mas chegamos a observar
redução de até 7°C. Portanto o uso de um cooler melhor para o processador é
sempre uma boa opção.
Mais
ventiladores, mais barulho
Infelizmente
as reduções de temperatura obtidas com o uso de ventiladores tem um preço:
mais barulho. Cada ventilador adicional instalado é mais um zumbido para
incomodar constantemente nossos ouvidos enquanto usamos o computador. Usar um
cooler mais potente também resulta em ruído maior que usando um cooler mais
fraco.
A
maioria dos usuários não se incomodam mais pois já se acostumaram e nem
prestam mais atenção no barulho. O ideal é usar uma configuração de
ventiladores que não seja exagerada a ponto de causar muito barulho, nem
simplificada a ponto de permitir o aquecimento excessivo do processador.
De
20 para 130 watts e voltando para 35 watts
Antigamente
os processadores esquentavam menos e não era preciso usar tantos ventiladores.
Um processador Pentium dissipava em torno de 15 watts. O Pentium III dissipava
em torno de 30 watts, assim como o K6-2. O Pentium 4 e o Athlon foram os
primeiros a ultrapassar esse limite. A corrida por velocidade entre Intel e AMD,
em 1999, provocou um aumento de clock maior que o que seria considerado um ritmo
normal. Naquela época, os processadores passaram de 500 MHz para 1000 MHz em
poucos meses. Ao mesmo tempo, a potência elétrica aumentou muito e foi necessário
o uso de coolers cada vez maiores. Depois disso foi mantido um ritmo normal
entre 2000 e 2003, e desde então, ambos os fabricantes têm problemas para usar
clocks muito elevados. A Intel “patina” entre 3 GHz e 4 GHz desde o final de
2002, enquanto a AMD tem seus modelos variando entre 2 e 3 GHz.
Os
recentes aumentos de desempenho dos processadores foram obtidos por outros meios
que não o aumento de clock: aumento da velocidade do FSB (clock externo),
aumento da cache L2 e o uso de recursos como Hyper-Threading (Intel) e a chegada
dos processadores duais.
Com
o clock interno praticamente paralisado, melhoramentos no processo de fabricação
podem ser voltados para, em um primeiro momento, reduzir a dissipação de
calor. Depois de ultrapassar os 100 watts, tanto a AMD quanto a Intel já
oferecem vários modelos dissipando bem abaixo desse valor. Existem modelos de
Athlon 64 X2 que dissipam 65 watts, e novos modelos em torno de 35 watts. A própria
Intel está lançando uma nova série de processadores que vai reduzir o seu
patamar para cerca de 60 watts. Certamente isso tudo é necessário para
permitir o uso dos novos processadores em notebooks.
É
possível que em um futuro bem próximo, com processadores dissipando o mesmo
calor que um Pentium III, possamos ter micros avançados sem a necessidade de
tantos ventiladores, e sem tanta preocupação com o aquecimento. Também é
possível que os fabricantes aproveitem a redução da dissipação de calor
para implementar aumentos de clock, acima de 4 GHz, mantendo o nível de
aquecimento dos processadores atuais.
/// FIM ///
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