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Pentium Extreme Edition Autor: Laércio Vasconcelos |
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Pentium
processor Extreme Edition 9xx
No segundo semestre de 2005 a Intel lançou seus
processadores duais, o Pentium D e o Pentium processor Extreme Edition. A
principal diferença é que o Pentium D tem dois núcleos sem HT, e o Pentium
processor Extreme Edition tem dois núcleos HT, sendo portanto visto pelo
sistema como quatro processadores.

Figura 1 – Pentium Extreme Edition
A tabela abaixo mostra os quatro primeiros processadores
duais da Intel.
|
Processador |
Modelo |
Clock |
Cache
L2 |
Processo |
Soquete |
|
Pentium
D |
820 |
2.8
GHz |
2
x 1 MB |
90
nm |
LGA
775 |
|
Pentium
D |
830 |
3.0
GHz |
2
x 1 MB |
90
nm |
LGA
775 |
|
Pentium
D |
840 |
3.2
GHz |
2
x 1 MB |
90
nm |
LGA
775 |
|
Pentium
Extreme Edition |
840 |
3.2
GHz |
2
x 1 MB |
90
nm |
LGA
775 |
Mais recentemente foram lançados novos processadores duais, sendo a maioria deles já usando o processo de fabricação baseado na tecnologia de 65 nm. Este artigo trata especificamente dos novos modelos do Pentium Extreme Edition. Além do modelo 840 já existente, agora existem dois novos modelos: 955 e 965. A tabela que se segue compara as características desses três processadores.
Figura 2 – Agora são três modelos de Pentium
Extreme Edition
As principais diferenças entre os dois novos modelos (965
e 955) e o primeiro (840) são:
Processo de 65 nm – Permitiu a redução do custo de
produção, já que em um único waffer é possível produzir um número maior
de chips.
FSB de 1066 MHz – Depois de chegar a 800 MHz em 2003,
esses novos chips chegam ao novo patamar de clock externo. São na verdade 266
MHz em modo QDR (Quad Data Rate), resultando em 1066 milhões de transferências
por segundo.
Virtualização – Nova tecnologia que permite a execução
simultânea de múltiplos sistemas operacionais pelo mesmo processador.
O Pentium Extreme Edition que recebemos para avaliação
foi um modelo 955, de 3.46 GHz, cujas características são apresentadas na
tabela abaixo.
Figura 3 – Características do Pentium Extreme
Edition 955
É importante observar que este processador é bastante
quente. Apesar de usar o processo de 65 nm, dissipa os mesmos 130 watts do
modelo 840, fabricado com 90 nm. Tivemos que substituir o cooler original da
Intel por um modelo da Thermaltake (Silent 775). Em uso normal essa substituição
não era tão necessária, mas nas condições extremas sofridas pelo
processador durante os testes de desempenho, todo cuidado é pouco, por isso
optamos por melhorar a refrigeração.
Vale lembrar que os próprios modelos fabricados com 90 nm
do Pentium 4 sofreram uma pequena redução no aquecimento à medida em que o
processo de fabricação foi amadurecido. Por exemplo, o Pentium 4 HT de 3.2
GHz, com 90 nm, dissipava inicialmente 103 watts, e os modelos mais recentes (stepping
E0) dissipam cerca de 84 watts. Provavelmente os novos modelos de 65 nm também
apresentarão futuras reduções no aquecimento.
Uma dica: para comprar o modelo “menos quente”, faça o
seguinte:
1) Verifique em http://processorfinder.intel.com os modelos
existentes e cheque o seu S-Spec number, o código de 5 dígitos que identifica
o processador.
2) Ao fazer a compra, verifique na etiqueta existente na
caixa do processador, se o S-Spec number é o que você selecionou. Na figura 4,
vemos que o código é SL7PW. O S-Spec# é sempre um código de 5 dígitos,
sendo que o primeiro dígito é sempre “S”. Normalmente fica embutido na
numeração mais extensa indicada na caixa.

Figura 4 – Checando o S-Spec# na caixa do
procesador
Também é possível verificar o S-Spec# estampado na face
superior do processador, como vemos na figura 5.

Figura 5 – O S-Spec# pode ser visto também na
face superior do processador.
O processador que recebemos para avaliação é uma
“amostra de engenharia”. São versões com as mesmas características das
vendidas no comércio. As amostras de engenharia são enviadas para avaliação
por fabricantes, parceiros da Intel e publicações especializadas em hardware.
Normalmente essas versões de processadores são “destravados”, ou seja,
aceitam ser reprogramados com multiplicadores diversos para definir seu clock
interno. O modelo de 3.46 GHz opera como padrão com o multilicador 13 (13 x
266,66 MHz = 3.46 GHz), mas pode ser reprogramado para 3,73 GHz ou 4 GHz, por
exemplo, com o uso dos multiplicadores 14 e 15. Obviamente isso é overclock e
pode danificar o processador.
Normalmente as amostras de engenharia também não têm a
identificação usual na sua face superior, como a mostrada na figura 5. Pode
existir um código diferente ou simplesmente ter a indicação “INTEL
CONFIDENTIAL”. O modelo que recebemos veio sem inscrição alguma (figura 6).

Figura 6 – Processador Pentium Extreme Edition
(amostra de engenharia).
Nossos testes foram realizados com uma placa mãe Intel
D975XBX. Usamos 1 GB de memórias DDR2/667, da Corsair. É baseada no chipset
Intel 975X Express.

Figura 7 – Placa mãe Intel D975XBX
Quatro
“processadores”
Processadores Pentium 4 HT são vistos pelo sistema
operacional (desde que suporte múltiplos processadores, como é o caso do
Windows XP) como dois processadores lógicos. O mesmo ocorre com os
processadores de núcleo duplo, como o Pentium D. No Pentium Extreme Edition,
cada um dos seus dois núcleos é HT, portanto é visto como quatro
processadores lógicos. A figura 8 mostra como esses processadores são
apresentados no Gerenciador de dispositivos do Windows XP.
|
|
Figura 8 O Pentium Extreme Edition é visto como “quatro
processadores” |
O Gerenciador de tarefas do Windows XP (basta pressionar
Control-Alt-Del e clicar em Desempenho)
mostra quatro gráficos de uso da CPU, como vemos na figura 9.
|
|
Figura 9 O Gerenciador de tarefas do Windows XP mostra quatro gráficos
de uso da CPU. |
Graças ao núcleo duplo, o Pentium EE tende a ter um
desempenho duas vezes maior em comparação com um processador Pentium 4 de
clock equivalente. Como cada um desses núcleos é HT, o processador apresenta
um ganho adicional de 10% a 30%, dependendo da aplicação. É importante
observar que esse ganho de velocidade é obtido apenas nas aplicações que
fazem uso do multiprocessamento, ou seja, dividir a sua carga de trabalho entre
os processadores disponíveis. A maioria dos programas atuais que manipulam áudio,
vídeo e imagem usam tal recurso.
Testes de
benchmark
Micro 1:
Pentium 4 de 3.2 GHz, FSB de 800 MHz, placa Intel D915PCY, 1 GB de memória DDR2/533
(dual channel), placa ATI X850 (PCI Express), HD Samsung de 80 GB, 7200 RPM.
Micro 2:
Pentim Extreme Edition de 3.46 GHz, FSB de 1066 MHz, placa Intel D975XBX, 1 GB
de memória DDR2/667 (dual channel), placa ATI X850 (PCI Express), HD Samsung de
80 GB, 7200 RPM.
Vejamos então os resultados dos testes obtidos por esses
dois processadores.
PCMark 2002
Esse é um programa de benchmark bem antigo, inclusive pode
ser obtido gratuitamente no site do seu fabricante (www.futuremark.com).
Atualmente o PCMark 2002 não é mais usado para avaliar processadores modernos
(pode até mesmo travar com os processadores mais recentes), mas resolvemos usá-lo
aqui porque dá uma boa idéia do rendimento em aplicações que não fazem uso
de multiprocessamento.
PCMark 2002
|
Pentium 4 HT de 3.2 GHz |
6800 |
|
Pentium Extreme Edition de 3.46 GHz |
7670 |
O Pentium Extreme Edition, com um de seus núcleos não
utilizado no teste, foi apenas 13% mais veloz que o Pentium 4 de 3.2 GHz. O
ganho foi devido ao fato de seu clock ser 8% maior, ao FSB mais veloz, e à
cache L2 de 2 MB (são 2 MB em cada núcleo), contra 1 MB do Pentium 4. É
importante notar então que não conseguiremos ganhos expressivos de desempenho
somente pelo fato do processador ser dual. Os ganhos ocorrerão nas aplicações
que usam o recurso, e também quando executarmos múltiplos programas
“pesados” simultaneamente.
PCMark 2004
Este é um programa de benchmark mais indicado para avaliar
processadores duais, já que entre os seus diversos testes utiliza o
multiprocessamento. As pontuações obtidas pelos dois processadores no teste
foram:
PCMark 2004 - CPU
|
Pentium 4 HT de 3.2 GHz |
4900 |
|
Pentium Extreme Edition de 3.46 GHz |
6600 |
O PCMark 2004 realiza diversos testes: processador, memória,
vídeo, HD. Como estamos comparando os processadores, preferimos simplificar e
apresentar apenas o teste de CPU. O Pentium Extreme Edition marcou 6600 pontos,
contra 4900 do Pentium 4 de 3.2 GHz, um ganho de 34%. Note que nesse teste, o
Pentium 4 está usando o Hyper-Threading. O Pentium Extreme Edition divide o
trabalho entre dois núcleos reais, levando então uma vantagem maior. A
vantagem não foi maior por dois motivos:
1) O PC Mark 2004 não dá trabalho para os quatro
“processadores virtuais”, e sim, para apenas dois.
2) O programa faz uma miscelânea de processamentos
diversos, entre os quais apenas alguns deles tiram proveito do
multiprocessamento.
Esse é o risco de usar programas antigos para avaliar
processadores novos. Se o usuário trabalha com programas mais antigos que não
fazem uso das novas tecnologias, de nada adianta fazer testes que envolvem essas
tecnologias. Já para ter uma idéia do ganho de performance em programas mais
novos, devemos usar programas de benchmark mais recentes.
PCMark 2005
O PC Mark 2005 faz testes de desempenho de CPU parecidos
com o do PCMark 2004, mas utiliza em alguns deles, quatro processamentos
independentes simultâneos. O Pentium 4 Extreme Edition, visto como quatro
processadores, tem nesses testes uma pontuação maior que a do Pentium 4 HT,
que é visto como apenas dois processadores.
PCMark 2005
|
Pentium 4 HT de 3.2 GHz |
4100 |
|
Pentium Extreme Edition de 3.46 GHz |
6000 |
Marcando cerca de 6000 pontos contra 4100 do Pentium 4 HT,
o Pentium Extreme Edition mostrou ser 46% mais veloz. Lembramos mais uma vez que
o programa faz uma bateria de testes, sendo que alguns usam os quatro
processadores, outros usam dois, e outros apenas um. O ganho será maior quando
usarmos uma aplicação que faz uso intensivo dos quatro processadores lógicos.
São os casos das aplicações que geram conteúdo de multimídia. Mostraremos
esse teste a seguir.
A
vantagem dos dois núcleos HT
Os testes de CPU feitos pelo programa PC Mark 2005 dão uma
idéia boa da vantagem dos processadores duais, e da vantagem ainda maior com o
uso do HT nos dois núcleos. A tabela que se segue mostra os resultados
individuais obtidos em cada um dos testes de CPU feitos pelo programa.
|
File Compression |
9.1 MB/s |
|
File Decompression |
139.4 MB/s |
|
File Encryption |
79.3 MB/s |
|
File Decryption |
74.7 MB/s |
|
Image Decompress |
27.7 MP/s |
|
Audio Compression |
2246 kB/s |
|
|
|
|
M1 File Compresss |
9.0 MB/s |
|
M1 File Encryption |
79.4 MB/s |
|
|
|
|
M2 File Decompression |
79.7 MB/s |
|
M2 File Decryption |
40.4 MB/s |
|
M2 Audio Decompression |
1327 kB/s |
|
M2 Image Decomprression |
16.7 MP/s |
Os testes indicados com M1 e M2 são os que usam o
multiprocessamento. No teste M1 são executadas duas tarefas simultâneas que
demandam 100% de uso da CPU: compressão e criptografia de arquivos. A mesma
tabela mostra que essas duas tarefas, executadas de forma individual, são
feitas à velocidade de 9,1 MB/s e 79,3 MB/s. Quando são executadas de forma
simultânea, as velocidades praticamente não foram alteradas, graças aos dois
núcleos do processador. Já os testes M2 executam quatro tarefas de forma
simultânea. Como são quatro tarefas e apenas dois núcleos, a velocidade
deveria cair à metade, mas não cai graças ao HT. Ao invés dos quatro índices
M2 caírem pela metade, ficam de 10% a 20% maiores. É o ganho de um processador
com dois núcleos HT, em comparação com um processador com dois núcleos sem
HT.
DIVX 6
O DIVX é um CODEC de vídeo no padrão MPEG-4. É muito
popular, usado para distribuição de vídeo na Internet. Uma das aplicações
interessantes é a conversão de DVD para arquivos AVI, usando o DIVX em
conjunto com programas como o FlaskMPEG. No nosso teste copiamos inteiramente o
conteúdo de um filme de um DVD para o disco rígido, usando o programa DVD
Decrypter. A partir daí usamos o FLASKMPEG versão 078 (www.flaskmpeg.net) e o
DIVX versão 6.22 (www.divxmovies.com)
para converter o filme para um grande arquivo AVI. Dependendo da taxa de
compressão utilizada, um filme de duas horas fica reduzido a apenas 700 MB,
podendo ser gravado em um CD-R.

Figura 10 – Usando o FlaskMPEG e o DIVX para
converter um DVD para arquivo AVI
Durante essa conversão, tipicamente os processadores duais
ou com HT levam vantagem, já que o trabalho pode ser facilmente dividido entre
os processadores. É preciso entretanto utilizar versões mais recentes dos
programas, pois fazem uso mais otimizado dos recursos oferecidos pelos
processadores mais modernos. Por exemplo, usando a verão 060 do FlaskMPEG e a
versão 6.1 do DIVX, os resultados mostram que o Pentium Extreme Edition é 46%
mais rápido que o Pentium 4 de 3.2 GHz. Fazendo entretanto o teste com as versões
mais recentes dos programas (FlaskMPEG 078 e DIVX 6.22), os resultados foram os
seguintes:
FlaskMPEG 078 + DIVX 6.22
|
Pentium 4 HT de 3.2 GHz |
45 FPS |
|
Pentium Extreme Edition de 3.46 GHz |
75 FPS |
Vemos antão que a vantagem do Pentium Extreme Edition foi
ainda maior com o uso de versões mais novas e otimizadas dos programas.
Lembre-se que estamos comparando modelos de clocks diferentes, o que significa
uma pequena vantagem adicional nos resultados obtidos pelo Pentium Extreme
Edition.
OBS: Você pode encontrar tabelas detalhadas de medidas de
desempenho de vários processadores, feitas com diversos programas, em www.tomshardware.com.
Overclock
para 4 GHz
Como é uma amostra de engenharia, o processador que
testamos tem seu multiplicador destravado. É possível então acessar o CMOS
Setup e alterar as configurações de clock. Mantendo o FSB em 1066 MHz e o
multiplicador em 15x, seu clock interno aumentou para 4 GHz.
|
|
Figura
11 O
processador operando a 4 GHz |
Durante o uso normal do computador, não foram observados
travamentos na velocidade de 4 GHz. A temperatura do processador permaneceu em
limites seguros, variando entre 55 e 60 graus. Entretanto sabemos que o
Gerenciamento de energia do Windows reduz automaticamente a velocidade do
processador em períodos de ociosidade. O processador na verdade só opera com a
sua velocidade máxima quando é mais solicitado. Chegamos a fazer uma medida de
desempenho com o programa PC Mark 2002, que não utiliza os dois núcleos de
forma simultânea. A temperatura do processador aumentou para cerca de 65 graus,
e os resultados podem ser vistos na tabela abaixo:
PC Mark 2002
|
Pentium Extreme Edition de 3.46 GHz |
7670 |
|
Pentium Extreme Edition @ 4 GHz |
8830 |
O aumento de desempenho foi de 15%, o mesmo aplicado sobre
o aumento de clock. Devido ao alto custo do processador e da possibilidade de
queimá-lo com o overclock, não fizemos outros testes de benchmark nessa
velocidade. Poderemos entretanto fazê-lo em um artigo posterior, com a instalação
de um sistema de refrigeração mais avançado, como um water cooler.
Preço x
desempenho
O Pentium Extreme Edition 955 é um processador caro. No
seu lançamento (abril/2006) era cotado a 999 dólares, em lotes de 1000 peças.
É um preço elevado para o mercado de médio e pequeno porte. A maioria dos usuários,
sobretudo no Brasil, não comprariam esse processador (nem mesmo este autor que
vos escreve), mas certamente existe mercado para aplicações profissionais
pesadas em que “tempo é dinheiro”. Nosso objetivo com este artigo técnico
passa longe da questão do preço. O importante é divulgar agora a tecnologia
que em um futuro próximo será comum. Basta lembrar que no final de 2002, o
primeiro Pentium 4 HT, de 3.06 GHz, também tinha um preço elevadíssimo. Hoje
processadores na faixa de 3 GHz já estão ao alcance da maioria dos usuários
de micros de médio porte.
/// FIM ///