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Placas de diagnóstico Autor: Laércio Vasconcelos |
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Placas de diagnóstico
Talvez não seja vantagem para um técnico de manutenção pagar 500 ou 700 reais em uma placa de diagnóstico que pode eventualmente ajudar a analisar um computador que trava logo que é ligado (tela preta). Mas se este tipo de placa custar menos de 200 reais, possivelmente valerá o risco. Esta placa é a Soyo Tech Aid, encontrada com relativa dificuldade no mercado brasileiro.
Existem placas de diagnóstico com diversos níveis de sofisticação. As mais simples, como a Soyo Tech Aid, limitam-se a exibir em um display os códigos hexadecimais que são gerados durante o processo de POST (Power on Self Test). Todos os PCs, desde os originais lançados pela IBM no início dos anos 80, geram códigos durante o processo de POST. Esses códigos são enviados para uma porta de E/S padrão (80h). Essas placas possuem uma porta de saída com o endereço 80h que alimenta um display hexadecimal para exibir os códigos de POST.

Figura 1 – Placa SOYO
TECH AID
Durante o POST são feitas várias operações de hardware. Podemos citar algumas delas:
Inicialização dos registradores do processador
Inicialização dos registradores do chipset
Inicialização da placa de vídeo
Carregamento de configurações a partir do CMOS
Configuração do FSB
Inicialização das interfaces de disco
O final do processo de POST é o início de carregamento do sistema operacional, a partir do setor de boot do disco selecionado. Durante o processo completo, pode ocorrer um travamento repentino, em caso de defeito de hardware ou configuração errada. Por exemplo, a configuração do gerador de clock para um FSB muito veloz, não suportado pelo processador. Quando se dá o travamento, o display mostra o último código de POST gerado. Este código é uma pista para a solução do problema. Algumas vezes o código ajuda, outras deixa o técnico ainda sem solução. Por exemplo, o que pode estar ocorrendo de errado se o código apresentado significa “Early chipset initialization”? Travou ao inicializar o chipset. Pode ser defeito na placa mãe, no processador, na memória (que é sempre suspeita), uma configuração errada no Setup, defeito na fonte de alimentação...
Por outro lado, se ao ligarmos o computador a placa exibe um código fixo (00 ou FF normalmente), então o processador não está funcionando. Devemos então investigar motivos para o processador não funcionar, como clock configurado de forma errada ou falta de voltagem para alimentar o processador. Ou então o processador pode estar queimado mesmo. A placa não está dando uma solução, e sim uma direção a ser investigada.
As placas de POST não identificam o problema, e sim, fornecem um código que algumas vezes serve como pista para a solução. Não vale a pena comprar uma placa de POST, mesmo barata, para consertar um único micro. Mas para um técnico que vive consertando micros, em alguns casos a placa pode ajudar, e a médio prazo tende a ser pago o investimento.
Algumas dificuldades no uso de placas de POST:
As tabelas de códigos variam de um BIOS para outro. Tabelas da AMI são diferentes das tabelas da Award. Também não significa que todo BIOS AMI usa códigos semelhantes, idem para BIOS Award.
Tabelas em inglês dificultam o uso para muitos técnicos.
Até para quem compreende o inglês, os significados dos códigos são quase sempre vagos.
Muitas vezes o que um técnico pode fazer para tentar solucionar os problemas é um roteiro simples como:
Checar a fonte de alimentação
Checar as conexões de placas e cabos
Verificar a bateria da placa mãe
Checar as memórias
Revisar os jumpers
Fazer um CLEAR CMOS
Trocar peças
Provavelmente qualquer técnico faria todas essas coisas ao lidar com um computador “morto”, mesmo sem ter uma placa de diagnóstico. A placa pode entretanto direcionar o técnico para chegar mais rapidamente à solução.
É bom lembrar que muitas placas de CPU possuem placas de POST “onboard”. Muitas placas ABIT, por exemplo, possuem o display para exibir códigos. Outras placas, como alguns modelos da Intel e da MSI, possuem um grupo de LEDs que indicam combinações durante o POST. Em caso de travamento, checamos a configuração de LEDs e verificamos no manual o que pode ser o problema.
Algumas placas de diagnóstico são mais caras e mais sofisticadas. Por exemplo, ao invés de exibir códigos hexadecimais, podem exibir diretamente o texto com o significado do código. É o caso da placa da Axol Electronics (figura 2). Não existe demanda para placa de POST no Brasil, portanto é muito difícil consegui-las. É mais fácil importá-las via Internet.

Figura 2 – Placa de POST
da Axol Electronics (www.axol-electronics.com)
Outras placas possuem uma ROM com um programa de diagnóstico que faz testes no processador, na memória, nos discos, etc.