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Fontes de alimentação, reguladores, potência Autor: Laércio Vasconcelos |
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Fontes de alimentação, reguladores, potência
Quem
usa um PC moderno sabe da importância de uma boa fonte de alimentação.
Infelizmente a qualidade das fontes de alimentação tem caído com o passar dos
anos (aliás, o mesmo pode ser dito sobre alguns outros componentes do micro).
Uma fonte de alimentação anunciada como 500 watts, na prática não consegue
fornecer os anunciados 500 watts. Fontes de alimentação de melhor qualidade têm
sido anunciadas como “fontes de xxx watts reais”.
As
fontes de alimentação fornecem cinco voltagens:
+3,3
volts
+5
volts
+12
volts
-5
volts
-12
volts
As
saídas de +3,3, +5 e +12 são de alta corrente. As duas restantes são de baixa
corrente, praticamente não existem placas que as utilizam. Podemos citar como
exemplo, as placas de som, que operam com sinais analógicos que assumem valores
positivos e negativos, por isso normalmente usam as fontes de +12 e -12 volts,
normalmente. As interfaces seriais também precisam operar com +12 e -12 volts,
que são as voltagens que representam os bits zero e um neste tipo de interface.
Fora esses dois casos, é difícil lembrar de outra interface que use as tensões
de -5 e -12.
Uma
fonte de alimentação de melhor qualidade tende a apresentar variações dentro
dessas faixas restritas de tolerância, mesmo quando fornecem a máxima
corrente. Uma fonte de qualidade inferior apresenta quedas de voltagem mais
acentuadas quando são solicitadas para fornecer a máxima corrente, ou então
simplesmente não chegam a fornecer a corrente anunciada.
Na
carcaça de uma fonte de alimentação encontramos indicações das correntes
que são fornecidas por cada uma das saídas de voltagem.

Figura 1 – Indicações de corrente de uma fonte de
alimentação
Quando
uma placa mãe tem conector ATX de 12 volts, esta tensão é convertida em uma
voltagem menor, porém com alta corrente (por exemplo, 1,5 volts e 40 ampères)
para alimentar o processador. Quando a placa mãe não possui o conector ATX de
12 volts, então a fonte de +5 volts é usada para conversão de voltagem para
alimentação do processador. Note na tabela da figura 1:
+3,3
volts x 28A = 92,4 watts
+5
volts x 50A = 250 watts
+12
volts x 18A = 216 watts
Obviamente
se todas essas três saídas fornecerem a corrente máxima, a potência total
ultrapassaria 530 watts, e a fonte é anunciada como sendo de apenas “450
watts”. O que ocorre na prática é que existem dois tipos de placas de CPU:
A)
Placas que exigem muita corrente em +5, e moderada corrente em +12
B)
Placas que exigem muita corrente em +12, e moderada corrente em +5
Este
é um outro motivo que faz com que uma fonte nunca forneça na prática a potência
anunciada: na prática as placas não “puxam” simultaneamente a corrente máxima
em todas as saídas da fonte.
Portanto
na prática as fontes de +5 e +12 não serão solicitadas simultaneamente para
suas máximas correntes.
Note
ainda na figura 1 que o fabricante apresenta algumas ressalvas:
MAX
220 watts for +5 and +3,3 output combination
MAX 380 watts for +5, +3,3 and +12 output combination
No
caso dessa fonte, apesar da saída de +5 volts fornecer 50 ampères (250 watts),
o fabricante anuncia que não pode passar de 220 watts, mesmo junto com a potência
fornecida pela saída de +3,3 volts. Então, mesmo que a saída de +3,3 volts não
fornecesse corrente alguma, a saída de +5 volts poderia fornecer no máximo 44
watts. Vemos que as correntes que são indicadas na etiqueta da fonte não são
para serem levadas a sério. São valores de pico, e não podem ser sustentadas
de forma contínua. Para ter um bom fornecimento de corrente elétrica é
preciso adquirir uma fonte de alta qualidade, ou então uma fonte genérica
super dimensionada: se o fabricante anunciar 500 watts, talvez consiga fornecer
na prática 400 watts.
Funcionamento
de uma fonte de alimentação linear
Você
encontrará este tipo de fonte nos chamados “AC Adapters”, que acompanham
algumas caixas de som, modems e outros dispositivos externos. Já as fontes
usadas pelos micros são chamadas de “fontes chaveadas”, apresentadas mais
adiante neste artigo.
A
fonte de alimentação é um dispositivo que tem a mesma função que uma
bateria. A diferença é que a energia elétrica não fica armazenada em células
de voltagem (como ocorre com pilhas e baterias), e sim, é extraída da rede elétrica.
Muitos aparelhos são alimentados diretamente a partir da rede elétrica, como
é o caso de lâmpadas e motores. A voltagem da rede elétrica não é adequada
para aparelhos eletrônicos, portanto esses aparelhos possuem fontes de alimentação.
São circuitos que convertem a tensão da rede elétrica (110 volts em corrente
alternada) para tensões adequadas ao seu funcionamento (em geral inferiores a
20 volts, em corrente contínua).

Figura 2 - Tensão
contínua e tensão alternada.
A
figura 2 mostra a diferença entre uma fonte de tensão contínua e uma
alternada. Na fonte de tensão contínua (CC), a corrente trafega sempre no
mesmo sentido. O valor da tensão é constante, e se ligarmos um circuito de
características constantes, como lâmpadas e resistores, a corrente também será
constante. Existem dois terminais, o positivo e o negativo. Na fonte de corrente
alternada (CA), a corrente trafega, ora em um sentido, ora em outro sentido. A
fonte CA empurra e puxa a corrente, indefinidamente.
A
rede elétrica usada no Brasil opera com 60 ciclos por segundo, ou seja, empurra
a corrente, depois puxa a corrente, e repete este ciclo 60 vezes a cada segundo.
Dizemos que a tensão da rede é 60 Hz. Em alguns países, sobretudo na Europa,
a rede opera com 50 Hz. O gráfico da tensão alternada tem a forma de uma senóide
porque a geração é feita por eixos rotativos, existentes nos geradores das
usinas de energia. Uma vantagem da tensão alternada é que pode ser facilmente
convertida em valores mais altos ou mais baixos, através de transformadores,
coisa que não pode ser feita tão facilmente com a corrente contínua.
Uma
fonte de alimentação recebe corrente alternada a partir da rede elétrica, com
freqüência de 60 Hz e voltagem que pode ser de 110 ou 220 volts. Inicialmente
esta tensão é reduzida para um valor menor, através de um transformador.
Temos então corrente alternada, mas com um valor menor. A seguir é feita uma
retificação, que consiste em fazer a corrente trafegar sempre no mesmo
sentido. O próximo passo é a filtragem, e finalmente a regulação. A figura 3
mostra as etapas da geração de tensão contínua em uma fonte.

Figura 3 - Operação de uma fonte linear.
As
fontes que operam como mostramos na figura 3 são as chamadas “fontes
lineares”. Sua principal desvantagem é que requerem transformadores muito
pesados para fazer a redução de voltagem, e capacitores muito grandes para
fazer a filtragem. São adequadas quando a potência a ser fornecida (potência
= tensão x corrente) é pequena. Os chamados “adaptadores AC”, usados para
alimentar caixas de som e dispositivos que não possuem fonte própria, consomem
pouca potência. Eles são na verdade fontes lineares de alimentação, com
operação similar ao mostrado na figura 3.
Funcionamento
de uma fonte de alimentação chaveada
Tanto
os transformadores quanto os capacitores usados nas fontes de alimentação
poderiam ser bem menores se a freqüência da rede elétrica fosse mais elevada,
ao invés de operar com apenas 60 Hz. Por isso foram criadas as fontes
chaveadas, utilizadas nos PCs e em todos os equipamentos eletrônicos modernos.
Elas não necessitam de tranformadores e capacitores grandes, e por isso podem
fornecer muita potência, porém mantendo peso e tamanho reduzidos.

Figura 4 - Operação de uma fonte chaveada.
A
figura 4 mostra as etapas de funcionamento de uma fonte chaveada. Inicialmente a
tensão da rede elétrica é retificada e filtrada. Não existe dificuldade técnica
na retificação de tensões elevadas. Quanto à filtragem, podem ser usados
capacitores de menor valor, pois a corrente é mais baixa, apesar da tensão ser
elevada. O resultado é uma tensão contínua de valor elevado. Esta tensão
passa por um transistor de chaveamento que a transforma em uma onda quadrada de
alta freqüência, entre 100 e 200 kHz. Este transistor opera como uma chave elétrica
que abre e fecha o circuito para a passagem de corrente, em alta velocidade.
Esta onda quadrada passa por um transformador e tem sua tensão reduzida, porém
com valor de corrente maior. Este transformador pode ser pequeno, já que opera
com freqüência muito mais elevada, e quanto maior é a freqüência, maior é
a facilidade que um transformador tem para fazer o seu trabalho.
Temos
então uma corrente alternada, mas com amplitude menor e freqüência maior.
Esta corrente é retificada e filtrada, desta vez usando capacitores de menor
tamanho, já que a filtragem também é facilitada pela freqüência elevada.
Finalmente temos a etapa de regulação, na qual imperfeições são eliminadas,
resultando em um valor constante na saída. Uma fonte de alimentação usada em
um PC possui várias seções para a geração dos diversos valores de voltagem.
Reguladores
de voltagem da placa mãe
Você
encontrará nas placas de CPU, circuitos chamados de “reguladores de
voltagem”. Esses circuitos são pequenas fontes de alimentação do tipo CC-CC
(convertem tensão contínua em outra tensão contínua com valor diferente). A
figura 5 mostra alguns desses circuitos. São formados por um transistor
chaveador (o componente preto com três “perninhas” que fica “deitado”
sobre a placa), o transformador (o anel de ferrite com fios de cobre ao seu
redor), capacitores de filtragem (os componentes em forma de cilindro) e o
regulador de voltagem (são similares aos transistores chaveadores).

Figura 5 – Reguladores de voltagem de uma placa mãe
O
objetivo do regulador de voltgem é
gerar as voltagens necessárias ao funcionamento dos chips. Por exemplo, memórias
DDR operam com 2,5 volts, mas a fonte de alimentação não gera esta voltagem.
Então um circuito regulador na placa mãe recebe uma entrada de +5 ou +3,3
volts e a converte para 2,5 volts.
Na
época dos primeiros PCs, a esmagadora maioria dos chips operavam com +5 volts.
Esta era portanto a única saída de alta corrente (fontes padrão AT). A saída
de +12 volts naquela época operava com corrente menor que nas fontes atuais.
Chegaram então os primeiros processadores a operarem com 3,3 volts, como o
486DX4 e o Pentium. As placas de CPU passaram a incluir circuitos reguladores de
voltagem, que geravam +3,3 volts a partir da saída de +5 volts da fonte.
Novos
processadores, chips e memórias passaram a operar com voltagens menores. Memórias
SDRAM operavam com +3,3 volts, ao contrário das antigas memorais FPM e EDO, que
usavam +5 volts. Chipsets, que fazem entre outras coisas, a ligação entre a
memória e o processador, passaram a operar com +3,3 volts. Os slots PCI ainda
usam até hoje, +5 volts, mas o slot AGP no seu lançamento operava com +3,3
volts, e depois passou a operar com +1,5 volt. Por isso uma placa de CPU moderna
tem vários reguladores de voltagem.
Interessante
é o funcionamento do regulador de voltagem que alimenta o processador. Este
regulador era antigamente configurado através de jumpers. Por exemplo, a
maioria dos processadores K6-2 operava com 2,2 volts, e esta tensão tinha que
ser configurada. A partir do Pentium II, a voltagem que alimenta o núcleo do
processador passou a ser automática, apesar de muitas placas continuarem
oferecendo a opção de configuração manual de voltagem para o núcleo do
processador.
Um
processador moderno tem um conjunto de pinos chamados VID (Voltage
Identification). São 4, 5 ou 6 pinos, dependendo do processador. Esses pinos
geram uma combinação de zeros e uns que é ligada diretamente nos pinos de
programação do regulador de voltagem que alimenta o processador. Na maioria
das placas de CPU, este circuito gera a tensão do núcleo do processador a
partir da saída de +12 volts da fonte. Por isso as fontes de alimentação
atuais (ATX12V, mas conhecidas vulgarmente no comércio como “fonte de Pentium
4”) tem o conector de +12 volts dedicado e de alta corrente.

Figura 6 – Funcionamento
de um regulador de voltagem
O
funcionamento dos diversos reguladores de voltagem da placa mãe está ilustrado
na figura 6. Usamos como exemplo a geração de +1,5 volts para um processador
Pentium 4 a partir dos +12 volts da fonte.
Os +12 volts passam pelo transistor chaveador e são transformados em +12 volts pulsantes (onda quadrada) de altra freqüência. Esta onda passa pelo transformador e é reduzida para uma voltagem adequada à redução posterior (+2 volts, por exemplo). Esta tensão é retificada e filtrada. Finalmente passa por um regulador que “corta” o excesso de voltagem, deixando passar exatamente a voltagem exigida pelo núcleo do processador.