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Conexões de ponte em redes
Autor: Laércio Vasconcelos, jul/2005 |
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Conexões de ponte em
redes
A maioria das redes de micros segue o padrão Fast Ethernet, com velocidade de
100 Mbits/s. Existem padrões mais rápidos, como o Gigabit Ethernet (1000
Mbits/s), já em processo de popularização, e a Ethernet de 10 Gbits/s, ainda
fora do alcance das pequenas redes. Altas velocidades em redes são usadas para
interligação dos servidores, mas em pequenas redes podem ser usadas quando
queremos manter um caminho de alta velocidade entre dois ou mais micros. Acima
dos 100 Mbits/s, existem duas opções de redes em alta velocidade:
Gigabit Ethernet (GBE): São placas de rede, também com
conectores RJ-45 e conexões em par trançado, porém de categoria 6 (CAT6) e
1000 Mbits/s, em contraste com a categoria 5, usada com 100 Mbits/s. Hoje é
possível comprar essas placas por cerca de 150 reais. Muitas placas de CPU topo
de linha são fornecidas com interfaces de rede de 1000 Mbits onboard.
Firewire, ou IEEE-1394: É uma espécie de “primo rico”
do USB. Opera com 400 Mbits/s, e tem sido tradicionalmente usada por
dispositivos digitais que operam com áudio e/ou vídeo, como por exemplo,
filmadoras de vídeo digital. Ao encontrar uma interface Firewire, o Windows XP
a instala como se fosse uma placa de rede. Esta “placa de rede virtual” tem
as mesmas características de uma placa de rede normal: tem endereço físico
(MAC), IP e utiliza todos os protocolos disponíveis no Windows. É possível
fazer uma rede de micros usando este tipo de placa. Sua ligação é feita em
cascata: o primeiro micro ligado no segundo, o segundo no terceiro, e assim por
diante. Placas de CPU topo de linha são atualmente fornecidas em interfaces
Firewire onboard, mas também as encontramos em outras placas, como a Sound
Blaster Audigy. É possível comprar uma placa Firewire com três portas por
cerca de 100 reais.

Figura 1 – Placa de interface Firewire

Figura 2 – Placa Firewire com três portas
É caro fazer uma rede totalmente Firewire, ou totalmente
GBE. Podemos utilizar essas interfaces de rede rápidas apenas para interligar
os micros que necessitam de maior tráfego de dados, e manter os demais micros
da rede usando interfaces padrão de 100 Mbits/s.
Um método para formar tal rede híbrida é usar um switch
de 1000 Mbits/s. Os switches para esta velocidade, mas de custo mais acessíveis
(em média 800 reais) possuem várias portas de 100 Mbits/s e algumas portas de
1000 Mbits/s. Usaríamos então um switch como este para formar a rede. Os
micros que necessitarem de maior tráfego seriam ligados nas portas de 1000
Mbits/s, e os demais nas portas de 100 Mbits/s. O roteador para compartilhamento
de banda larga também seria ligado em uma porta de 100 Mbits/s.
Este esquema funciona bem e é o ideal, mas requer o
investimento no switch. A solução não funciona para placas de rede Firewire,
pois não existem no mercado switches que operem simultaneamente com Ethernet e
Firewire.
Podemos dar uma solução simples para o problema usando um
conceito antigo, porém útil e de fácil implementação no Windows XP: As
conexões em ponte. Escolhemos um micro da rede para operar com duas placas de
rede, uma de baixa (100 Mbits/s, no caso) e outra de alta velocidade (pode ser
GBE ou Firewire). Este micro faria a ligação entre as duas seções de rede, a
de alta e a de baixa velocidade. Na seção de baixa velocidade estaria a maior
parte da rede, incluindo impressoras compartilhadas e o acesso à Internet. Na
seção de alta velocidade usamos Firewire ou GBE para interligar os micros que
necessitam trocar maior quantidade de dados entre si. Por exemplo, micros que
lidem com digitalização e edição de vídeo.

Figura 3 – Rede híbrida, com Firewire e Ethernet
Para formar a seção de alta velocidade com Firewire, não
é preciso usar switches. As placas Firewire podem ser ligadas em cascata, como
já explicado. Já uma seção GBE necessitaria de um switch de 1000 Mbits/s,
exceto se usarmos apenas dois micros, que podem ser ligados diretamente por um
cabo. Não é preciso usar cabo crossover, pois as placas de interface Gigabit
Ethernet são “auto-sense”, ou seja, detectam automaticamente o tipo de cabo
utilizado.

Figura 4 – Rede com seção GBE de dois micros
O método usado se aplica para as configurações das figuras 3 e 4. Em ambos os casos um micro com duas placas de rede, uma de alta e uma de baixa velocidade, é usado como BRIDGE (ponte). Devemos ir ao quadro de conexões de rede, selecionar as duas conexões e clicar na dupla com o botão direito do mouse, escolhendo no menu a opção “Conexões em ponte”

Figura 5 – Criando uma ponte
Depois de alguns segundos a ponte estará criada. De início
ela aparece marcada com um “X” vermelho, mas depois de alguns segundos fica
ativa. As conexões que deram origem à ponte ficam indicadas como mostra a
figura:
“Ativa,
com ponte”.

Figura 6 – A ponte foi criada
A ponte é vista pelo Windows como uma conexão de rede
virtual. Ela tem seu próprio endereço MAC e seu próprio IP, fornecido pelo
DHCP da rede. Você pode usar o PING para qualquer computador da rede (de ambos
os lados da ponte), pode fazer PING para o IP da ponte e usar todos os comandos
normais de rede.

Figura 7 – Propriedades da conexão em ponte – IP fornecido pelo DHCP
As conexões reais que deram origem à ponte ficam com
todos os seus comandos desativados. Tudo se passa como se o computador usasse
uma única placa de rede na qual existem os circuitos das duas placas que deram
origem à ponte, e com uma ligação interna entre esses circuitos.
O que importa é que as duas redes foram “fundidas” por
esta ponte. Lembre-se que esta união só existirá enquanto o Windows estiver
sendo executado. Se você desligar o computador, a ponte ficará “suspensa”
até que seja novamente ligado o micro e iniciado o Windows.

Figura 8 – As placas de rede reais, em uso pela ponte, ficam com suas
propriedades indisponíveis.