Configurações de jumpers

Autor: Laércio Vasconcelos
maio/2004
  

    A maioria das placas de CPU modernas são "jumperless", mas isto não é uma regra geral. Muitas placas modernas ainda têm jumpers, e é preciso saber configurá-los. Também é o caso das placas de CPU um pouco mais antigas, cheias de jumpers. Neste artigo discutiremos principalmente os jumpers das placas de CPU e unidades IDE, além de alguns exemplos de configurações em placas mais antigas. 

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Jumpers de processadores

Todos os processadores modernos, com raríssimas exceções, operam com duas voltagens: Interna e externa, também chamadas de CORE e I/O. A voltatem interna é usada na maior parte dos circuitos, inclusive no núcleo do processador. A voltagem externa é usada nos circuitos que fazem comunicação com a memória, chipset e com circuitos externos em geral. A maioria dos processadores modernos opera com voltagens internas menores que 2 volts. A voltagem externa em geral é de 3,3 volts, mas novos modelos (ex: Pentium III Tualatin) já estão adotando o padrão de 2,5 volts.

A maioria dos processadores modernos configuram automaticamente sua voltagem interna, não necessitando da programação de jumpers. Outros mais antigos não possuem este recurso. A tabela abaixo mostra o modo de configuração de voltagem interna para diversos processadores:  

Processador

Configuração de voltagem

Pentium 4

Automática

Pentium III

Automática

Pentium II

Automática

Celeron

Automática

Athlon

Automática

Duron

Automática

K6-III

Manual

K6-2

Manual

K6

Manual

Cyrix M III

Manual

Cyrix M II

Manual

Cyrix 6x86MX, 6x86

Manual

WinChip

Manual

Pentium MMX

Manual

Pentium

Manual

Muitas placas de CPU oferecem ao usuário a opção de configuração manual, mesmo para processadores que podem usar configuração automática. Recomendamos que nesses casos seja usada a configuração automática.  

Figura 1

Exemplo de programação da voltagem interna para o processador Athlon em uma placa de CPU. Observe a opção CPU DEFAULT, que é a recomendada.  

 

A figura 1 mostra um exemplo de configuração de voltagem interna do processador Athlon, em uma placa de CPU Asus K7V. A opção recomendada é a CPU Default, que resulta na voltagem correta, informada pelo próprio processador. As outras opções são usadas pelos adeptos do overclock, e permitem utilizar voltagens entre 1.3 volts e 2.0 volts. Antes de instalar um processador devemos programar a opção automática.

As placas de CPU para processadores mais antigos que não fazem configuração automática de voltagem possuem jumpers ou dip switches para esta configuração, que é obrigatória. No manual da placa de CPU existirão instruções para esta programação, como a que vemos na figura 2.  

Figura 2

Programação de voltagem interna do processador em uma placa de CPU com Socket 7.

 

 

 

Ao programar a voltagem interna de um processador que necessite deste tipo de programação, podemos sempre consultar as especificações indicadas na face superior deste processador. A maioria dos processadores possui esta indicação. Nos raros casos em que não possui, é possível descobrir esta informação no manual do processador.

Processadores K6-2, bastante comuns em PCs de baixo custo, possuem na sua face superior, indicações com seu nome, clock e várias letras adicionais. Por exemplo, “AMD K6-2/550 AGR”. A letra do meio no sufixo “AGR” pode ser F, G ou H, e cada uma indica uma faixa de voltagem:

F = 2,2 volts
G = 2,3 volts
H = 2,4 volts

Em certos processadores antigos, descobrir a voltagem correta pode ser difícil pelo fato de não existirem indicações. Um exemplo é o Pentium P54C (modelos anteriores ao Pentium MMX). Este processador era produzido em duas versões: STD e VRE. A versão VRE era programada com 3,4 volts, e a versão STD com 3,3 volts. É possível descobrir a versão através da numeração do chip, como mostra a figura 3. Basta verificar a letra existente após a “/”. Se for “S”, trata-se de uma versão STD, e se for “V”, trata-se de uma versão VRE. Em caso de dúvida, para ambos os casos pode ser usada a tensão de 3,4 volts, já que atende aos requisitos da versão VRE, e também da versão STD, que funciona com voltagens entre 3,1 e 3.6 volts.  

Figura 3

Identificando o Pentium P54C.

 

 

 

Configurando o clock externo do processador

Em praticamente todas as placas de CPU, o clock externo não é configurado automaticamente. Cabe ao montador do PC fazer esta programação. Isto é válido tanto nas placas de CPU antigas quanto nas modernas. A figura 4 mostra a programação do clock externo em uma placa de CPU para Pentium 4. Através de dip switches podem ser escolhidos valores entre 100 e 133 MHz. O valor correto para este processador é 100 MHz, mas os adeptos do overclock podem utilizar valores mais elevados – lembramos que o uso do overclock não é recomendável.  

Figura 4

Programação de clock externo em uma placa de CPU para Pentium 4.

 

 

 

Note que o Pentium 4 não opera com clock externo de 400 MHz, e sim com 100 MHz, mas faz 4 transferências a cada ciclo. Para efeito de programação, o valor que vigora é 100 MHz. Da mesma forma, os modelos com FSB de 533 e 800 MHz devem ser configurados como 133 e 200 MHz, respectivamente. 

O mesmo ocorre no caso dos processadores Athlon e Duron. Você encontrará indicações sobre clocks externos  200, 266, 333 e 400 MHz. Na verdade os clocks utilizados são 100, 133, 166 e 200 MHz, respectivamente. Como são feitas duas transferências a cada clock, tudo se passa como se fossem mesmo clocks de 200, 266, 333 e 400 MHz, mas para efeito de programação dos clocks externos das suas placas de CPU, os valores que vigoram são 100, 133, 166 e 200 MHz, respectivamente.

Configurações para Pentium 4

FSB      Clock real
400 MHz 100 MHz
533 MHz 133 MHz
800 MHz 200 MHz

Configurações de Athlons e Durons

FSB      Clock real
200 MHz 100 MHz
266 MHz 133 MHz
333 MHz 166 MHz
400 MHz 200 MHz

FSB do Athlon XP

Existem processadores Athlon XP com FSB de 200, 266, 333 e 400 MHz. Entretanto, o FSB desses processadors opera com DDR (duas transferências a cada ciclo), portanto os valores que são programados pelos jumpers são 100, 133, 166 e 200 MHz.

Todos os processasdores Athlon XP até 2400 têm FSB de 266 MHz, e precisam ser programados com 133 MHz.

Os modelos de 2500, 2700, 2800 e 3000 têm FSB de 333 MHz, precisam ser configurados com 166 MHz.

O Athlon XP 3200 e o Athlon XP 3000 têm FSB de 400 MHz, ou seja, precisam ser configurados com FSB de 200 MHz.

 

O Athlon XP 2600 é o um dos modelos deste processador que deixa margem a dúvidas. Existem dois modelos:

Modelo C: FSB de 266 MHz (configurar como  133 MHz)
Modelo D: FSB de 333 MHz (configurar como  166 MHz)

Outro modelo que também deixar margem a dúvidas é o XP3000, disponível com FSB de 333 e de 400 MHz.

De um modo geral, todo processador Athlon, Athlon XP ou Duron tem uma letra no seu código que indica o FSB

B = 200 MHz (configurar como 100 MHz)
C = 266 MHz (configurar como 133 MHz)
D = 333 MHz (configurar como 166 MHz)
E = 400 MHz (configurar como 200 MHz)

É fácil identificar o FSB de um processador Athlon, Athlon XP e do seu “irmão mais novo”, o Duron. É preciso checar a numeração estampada na etiqueta identificadora do chip. No exemplo ao lado temos a indicação:

AXDA3200DKV4E

O último dígito indica a velocidade do FSB. Temos B=200, C=266, D=333 e E=400 MHz.

Por exemplo, o Athlon XP 2600 mostrado ao lado tem o indicador  “D”, ou seja, tem FSB de 333 MHz, que deve ser configurado na placa mãe como 166 MHz.

Exemplo: Placa Asus A7N266

Esta placa de CPU tem dois jumpers que indicam o clock das memórias e o FSB do processador. Os valores permitidos são 100 e 133 MHz, que levando em conta o fato de ambos serem DDR, resultarem em 200 e 266 MHz.

 

Note que a placa citada como exemplo suporta memórias DDR200 e DDR266, que devem ser configuradas respectivamente com 100 e 133 MHz. O FSB do processador pode ser de 100 ou 133 MHz, que correspondem a 200 (B) e 266 MHz (C). Se instalarmos, por exemplo, um Athlon XP 2000 (FSB de 266 MHz) e memórias DDR266, temos que programar:

DRAM = 133 MHz
CPU = 133 MHz

Esta é por sinal, a configuração de fábrica (default).

Note que a configuração de fábrica no exemplo desta placa é para processadores com FSB de 266 MHz e memórias DDR266. Se instalarmos um processador mais lento será prciso configurar os jumpers

Ainda neste exemplo, se instarmos um processador Duron de 1.2 GHz (FSB de 200 MHz) e memórias DDR266, temos que usar:

DRAM = 133 MHz
CPU = 100 MHz

Temos então que reconfigurar os jumpers assim:

BSEL0: ligar 3-2
BSEL1: ligar 3-2

Considere agora que estamos instalando nesta placa um Athlon XP 1900 (FSB de 266 MHz), mas estamos aproveitando antigas memórias DDR200, ou seja:

DRAM = 100 MHz
CPU = 133 MHz

Temos então que reconfigurar os jumpers assim:

BSEL0: ligar 3-2
BSEL1: ligar 2-1

Confira os jumpers de FSB do processador (caso existam) antes de ligar o computador! Se for usado um valor mais elevado, o processador poderá “fritar”!

Clock externo do Pentium III

A figura 5 mostra um outro exemplo de programação de clock externo, o da placa P3V4X. Dependendo do processador instalado, clocks diferentes devem ser usados. Para os processadores Celeron o clock externo é de 66 MHz. Para processadores Pentium III são usados 100 MHz ou 133 MHz, dependendo da versão. Valores diferentes são usados para overclock.  

Figura 5

Configuração de clock externo em uma placa para Pentium II / Pentium III / Celeron.

 

 

 

Em geral quando programamos o clock externo do processador, estamos também programando o clock da memória DRAM e o clock do barramento PCI. O clock PCI padrão é de 33 MHz (existem modelos avançados com barramento PCI operando a 66 MHz), desde que o processador esteja operando com seu clock correto. Quando é usado overclock, o clock PCI aumenta proporcionalmente. Também o clock da DRAM é vinculado ao clock externo do processador, tanto é que nas figuras anteriores temos indicações de clock para “CPU/DRAM”. Existem entretanto placas de CPU com chipsets que permitem utilizar clocks diferentes para o processador e para a DRAM. A figura 6 mostra um exemplo de configuração de clock externo em uma placa de CPU com Socket 7, na qual vemos que é permitida a operação da memória de forma assíncrona, ou seja, usando um clock diferente do usado pelo processador.

Figura 6

Configurando o clock externo em uma placa de CPU com Socket 7.

 

 

 

Configurando o clock interno do processador

Esta é uma configuração que nem sempre está disponível, sobretudo quando são usados processadores modernos. O clock interno é formado pela composição entre o clock externo e um multiplicador. Por exemplo, com clock externo de 100 MHz e multiplicador 5x, chegamos ao clock interno de 500 MHz. Nos processadores antigos, o multiplicador era sempre definido através de jumpers ou dip switches. Em alguns casos o multiplicador era escolhido pelo CMOS Setup. O correto é escolher o multiplicador de acordo com o clock do processador. Por exemplo, em um K6-2/450, o correto é usar o clock externo de 100 MHz e o multiplicador 4,5x.

Dizemos que um processador é “travado” quando utiliza sua própria configuração de multiplicador, ignorando a configuração da placa de CPU. Dizemos que o processador é “destravado” quando aceita configurações de multiplicador pela placa de CPU, através de jumpers ou do CMOS Setup. Os processadores “destravados” são:

Os processadores “travados” são:

OBS: Existem algumas versões do Athlon e do Duron que são destravadas. Existem ainda métodos para destravar processadores, mas deixamos isso para os sites e publicações que incentivam o overclock. 


Figura 7 - Programação de multiplicadores.

A figura 7 mostra um exemplo de programação de multiplicadores, extraído do manual de uma placa de CPU. Podemos observar que existem configurações para:

1.5x / 2x / 2,5x / 3x / 4,5x / 5x / 5,5x

Devemos sempre programar o multiplicador de acordo com o processador a ser instalado. Por exemplo, para um K6-2/550, usamos o multiplicador 5,5x, bem como o clock externo de 100 MHz.

Mesmo quando uma placa de CPU é específica para processadores “travados”, sempre estarão disponíveis as configurações para definir o multiplicador, mesmo que o processador as ignore.

Processadores Athlon e Duron operam com clocks externos de 100 MHz ou 133 MHz. Seus “200 MHz” são obtidos pelo uso das duas transições de cada período de clock (Double Data Rate). Portanto a forma correta de programar um Athlon/900, por exemplo, é usar o clock externo de 100 MHz e o multiplicador 9x. Versões mais novas do Athlon e do Duron usam o “clock externo de 266 MHz”. Na verdade este clock deve ser programado na placa de CPU como 133 MHz. Os multiplicadores atuam sobre este valor para obter o clock interno.

Outros jumpers de placas de CPU

Além dos jumpers que definem a voltagem de operação e os clocks, existem outros menos importantes, mas que também precisam ser revisados.

Jumper para descarga do CMOS

Este jumper pode ser usado para “limpar” o CMOS Setup, em caso de esquecimento de senha. Existem casos em que este jumper desativa a bateria do CMOS, economizando a sua carga enquanto a placa não é montada em um PC.  

Figura 8

Jumper para descarga do CMOS.  

 

 

Flash BIOS

As placas de CPU modernas possuem seu BIOS armazenado em Flash ROM. Ao contrário das ROMs comuns, podem ser reprogramadas pelo usuário, utilizando softwares apro­priados, fornecidos pelo fabricante da placa de CPU.

Existem Flash ROMs com voltagens de programação de 5 volts, e outras mais antigas, com voltagens de programação de 12 volts. Modelos mais novos nem necessitam de voltagens especiais: são programadas apenas com um comando de gravação, habilitado pelo chipset. Não altere este jumper, deixe-o como veio de fábrica. Ele não deve ser programado pelo usuário, e sim pelo fabricante.  

Figura 9

Programando a voltagem de programação da Flash ROM.  

 

Voltagem da SDRAM

A maioria das memórias SDRAM opera com tensão de 3,3 volts, mas existem modelos antigos de 5 volts. Existem algumas que possuem jumpers através dos quais podemos selecionar entre as duas tensões possíveis. A figura 16 mostra um exemplo desta programação.  

Figura 10

Exemplo de programação da voltagem de operação da SDRAM.  

 

A figura 11 mostra um típico módulo SDRAM com encapsulamento DIMM/168. O chanfro indicado com uma seta serve para impedir que um módulo seja encaixado em um soquete com voltagem errada. Quando o chanfro está centralizado, trata-se de um módulo de 3,3 volts. Módulos de 5 volts possuem o chanfro deslocado para a esquerda. Este sistema de chanfros garante que apenas o módulo apropriado pode ser encaixado.

Figura 11

Módulo SDRAM DIMM/168 e seu chanfro indicador de voltagem.  

Tipo e voltagem da DDR SDRAM

Os módulos de DDR SDRAM podem ser encontradas em versões diferentes. A maioria delas é de 2,5 volts, mas existe a previsão do lançamento de novos módulos de 1.8 volts. Esses módulos utilizam soquetes diferentes, assim como ocorre com a SDRAM. Da mesma forma, encontramos dois tipos de módulos: Unbuffered DDR (os mais comuns) e Registered DDR. Placas de CPU que suportam DDR em geral possuem um jumper para a indicação do tipo de módulo DDR, como mostra a figura 12.  

Figura 12

Indicando o tipo de DDR SDRAM.

 

 

A figura 13 mostra a diferença entre os dois tipos de módulos DDR. A versão registered possui além dos chips de memória, um grupo de chips (registradores) próximos ao conector. A figura mostra também a posição do chanfro em função da voltagem do módulo.  

Figura 13 

Identificando o tipo de módulo DDR.

 

 

 

Keyboard power on

Várias placas de CPU possuem um jumper que pode ser usado para manter o teclado ligado, mesmo com o computador desligado, fazendo com que a sua tecla Power possa ser usada para ligar o computador.  

Figura 14

Exemplo de jumper para habilitar a tecla Power do teclado.  

 

BIOS write protect

Existem vírus de computador que acessam as funções de gravação do BIOS e apagam todo o seu conteúdo. Milhares de computadores já foram atacados por este tipo de vírus. Felizmente vários fabricantes de placas de CPU adicionaram jumpers para habilitar e desabilitar a gravação do BIOS.

Figura 15

Habilitando e desabilitando a gravação do BIOS.  

 

 

Internal buzzer

Todas as placas de CPU possuem uma conexão (PC Speaker) para o alto falante existente no gabinete. Muitas placas entretanto possuem um pequeno alto falante (buzzer) que substitui o existente no gabinete. Essas placas podem ter um jumper para habilitar ou desabilitar este alto falante.

AC ’97 Enable/Disable

Muitas placas de CPU possuem circuitos de áudio integrados, dispensando o uso de uma placa de som. Normalmente essas placas permitem desabilitar os seus circuitos de áudio, permitindo a instalação de uma placa de som avulsa.

CPU Voltage Setting

Algumas placas de CPU possuem jumpers ou chaves adicionais para aumentar a voltagem para o núcleo do processador, e para aumentar a voltagem de funcionamento do chipset, memórias e barramentos. O aumento de voltagem é usado quando é feito overclock. Deixe esses jumpers ou chaves nas suas opções default (“default”, muitas vezes traduzido como “padrão”, significa “assumido por falta”, ou seja, se não existir indicação a respeito, deixe na opção default). Os leitores que querem arriscar o uso do overclock, ensinado em www.tomshardware.com, verão que uma das providências a serem tomadas é o aumento das voltagens. Isto significa, por exemplo, usar 3,4 volts onde deveria ser 3,3 volts. Algumas placas de CPU permitem adicionar 0,1 ou 0,2 volts às tensões normais, como no exemplo da figura 31. Outras placas possuem opções de 3,3 volts, 3,4 volts e 3,5 volts para a voltagem externa, enquanto a interna deve ser aumentada manualmente.

Vídeo onboard

Existem placas nas quais o vídeo onboard nunca pode ser desabilitado. Existem outras nas quais ele é desabilitado automaticamente quando uma placa de vídeo é instalada. Existem outras onde, ao ser instalada uma placa de vídeo, podemos selecionar através do CMOS Setup, qual dos dois “vídeos” é o primário e qual é o secundário. Finalmente, encontramos placas onde o vídeo onboard pode ser totalmente desatilitado, através de um jumper ou do CMOS Setup.

VGA frame buffer

A maioria das placas de CPU com vídeo onboard utiliza parte da memória principal como memória de vídeo. É a chamada memória de vídeo compartilhada. Uma parte da memória DRAM que seria destinada ao processador é utilizada como memória de vídeo. Algumas dessas placas de CPU podem opcionalmente utilizar chips de memória independentes para formar a memória de vídeo. Essas placas possuem um jumper para indicar se a memória de vídeo é independente ou compartilhada.

Freqüência do barramento AGP

Sem utilizar overclock, o barramento AGP deve operar com 66 MHz. Os modos AGP 2x, AGP 4x e AGP 8x utilizam, respectivamente, 2 4 e 8 transferências a cada clock, mas a freqüência é sempre 66 MHz. Muitas placas de CPU ajustam automaticamente a freqüência do barramento AGP para 66 MHz, outras precisam que isto seja ajustado manualmente. Existem placas nas quais este ajuste é feito através de uma fração do clock do barramento externo do processador. Para barramentos de 66 MHz, a relação é de 1:1. Para barramentos de 100 MHz, a relação é de 2:3, e para barramentos de 133 MHz, a relação é de 1:2.

Modo de segurança

Algumas placas de CPU possuem um jumper chamado safe mode (modo de segurança). Quando o processador é destravado, ou seja, aceita programação do clock interno, uma programação indevida dos multiplicadores através do CMOS Septup pode impedir o computador de funcionar, e desta forma nem mesmo o CMOS Setup pode ser utilizado. Ao ativarmos o modo de segurança, o processador irá operar com um clock baixo, e desta forma podemos ter acesso ao CMOS Setup para corrigir a programação errada. Feita a correção, desativamos o modo de segurança para que o computador volte a funcionar com a velocidade correta.

Não esqueça do CMOS Setup

Muitos dos tópicos apresentados neste artigo dizem respeito a jumpers e chaves de configuração, mas lembre-se que a maioria das configurações de hardware também podem ser definidas pelo CMOS Setup. Ao montar um computador, utilize sempre a configuração default para o CMOS Setup. Sempre existirá um comando para o carregamento dessas opções default. Posteriormente os itens do CMOS Setup podem ser revisados para obter mais eficiência, segurança e desempenho.

Jumpers de dispositivos IDE

Um disco rígido IDE pode ter seus jumpers configurados de 3 formas:

Master

Esta é a configuração com a qual os discos rígidos saem da fábrica. O drive está preparado para operar como Master (ou seja, o primeiro dispositivo de uma inter­face), sem Slave (ou seja, sem estar acompanhado de um segundo dispositivo na mesma interface). A princípio, o disco IDE ligado como Master na interface IDE primária será acessado pelo sistema operacional como drive C.

Slave

O disco rígido é o Slave, ou seja, o segundo dispositivo IDE ligado a uma interface. A princípio, um dispositivo IDE ligado como Slave da interface IDE secundária, será acessado pelo sistema operacional como drive D.

Drive is Master, Slave Present

Nesta configuração, o disco rígido é o Master, ou seja, o primeiro dispositivo de uma interface IDE, porém, existe um segundo dispositivo IDE ligado na mesma interface. Como vemos, não basta indicar para um disco rígido que ele opera como Master, é preciso também avisar, através dos seus jumpers, que existe um Slave ligado na mesma interface. A princípio, quando existem dois dispositivos IDE liga­dos na interface IDE primária, o Master será acessado pelo sistema operacional como drive C, e o Slave como drive D.

Note que quando fizemos referência às letras recebidas pelos drives, tomamos cui­dado de dizer “a princípio”. A razão disso é que essas letras podem mudar, através de configurações de software. Por exemplo, um drive de CD-ROM pode ter sua letra alterada para qualquer outra, ao gosto do usuário.

As configurações de outros dispositivos IDE (drive de CD-ROM, LS-120, ZIP Drive IDE, gravadores, DVDs, etc) são parecidas, exceto pelo fato de não utilizarem a configuração Slave Present. Portanto, as configurações válidas para esses dispositivos são as seguintes:

Master

Usada quando o drive é o primeiro dispositivo ligado a uma interface IDE. No caso desses drives, não importa se existe ou não um segundo dispositivo ligado na mesma interface. A configuração do Master será a mesma, com ou sem Slave.

Slave

Usada quando o drive é o segundo dispositivo ligado em uma interface IDE.

Vejamos alguns exemplos de conexões de discos rígidos e dispositivos IDE e suas respectivas configurações.

Exemplo 1

Suponha que existe um disco rígido ligado na interface IDE primária, e um drive de CD-ROM ligado na interface IDE secundária. Os jumpers devem ser configura­dos da seguinte forma:

Conexão

Dispositivo

Configuração

Primary Master

Disco rígido

One drive Only

Primary Slave

-

-

Secondary Master

Drive de CD-ROM

Master

Secondary Slave

-

-

Exemplo 2

Suponha agora dois discos rígidos IDE ligados na interface IDE primária, e na se­cundária, um drive de CD-ROM IDE ligado como Master, e um ZIP Drive IDE li­gado como Slave. Os jumpers devem ser configurados da seguinte forma:

Conexão

Dispositivo

Configuração

Primary Master

Disco rígido

Drive is Master,
Slave Present

Primary Slave

Disco rígido

Drive is Slave

Secondary Master

Drive de CD-ROM

Master

Secondary Slave

ZIP Drive

Slave

Exemplo 3

Nesta configuração, façamos a ligação de um disco rígido IDE e um drive de CD-ROM ligados na interface IDE primária, e um segundo disco rígido IDE ligado na interface secundária.

Conexão

Dispositivo

Configuração

Primary Master

Disco rígido

Drive is Master,
Slave Present

Primary Slave

Drive de CD-ROM

Slave

Secondary Master

Disco rígido

One drive Only

Secondary Slave

-

 

Certas configurações devem ser evitadas, apesar de funcionarem. Por exemplo, devemos evitar ligar um drive de CD-ROM ou outros dispositivos, na mesma interface onde está o disco rígido. Este tipo de ligação pode resultar na redução do desempenho do disco rí­gido. Se você vai ligar outros dispositivos IDE além de discos rígidos, é melhor dei­xar a interface IDE primária para discos rígidos, e a interface IDE secundária para os outros dispositivos. Também não é recomendado ligar um disco rígido IDE como Slave, em uma inter­face na qual o Master não é um disco rígido. Este tipo de configuração muitas vezes não funciona, e deve ser evitada.

Todos os discos rígidos pos­suem jumpers através dos quais pode ser escolhida uma entre as três configurações possíveis (Master sem Slave, Slave e Master com Slave). No manual do disco rígido você sempre encontrará as instruções para configurar esses jumpers.

A figura 16 mostra um exemplo de tabela de configurações de jumpers, da forma como é encontrada nos manuais dos discos rígidos. Considere esta figura apenas como exemplo, pois discos rígidos diferentes normalmente utilizam tabelas de con­figurações diferentes. Tome como base as instruções de instalação existentes no manual do seu próprio disco rígido.  

Figura 16

Tabela de configurações de jumpers para um disco rígido.

 

 

 

No exemplo da figura 16, vemos que a configuração (1) é a que chamamos de “Drive is Master” ou “One drive Only”. Na figura, esta configuração é chamada de Single (sozinho). Se o drive está sozinho, significa que é Master, e que não existe Slave instalado.

A configuração (2), indicada na figura como Dual Master, é o que chamamos aqui de “Drive is Master, Slave Present”. Se a configuração é Dual, significa que existem Master e Slave instalados, portanto, podemos dizer que existe um Slave presente.

A configuração (3), indicada como Dual Slave, é o que chamamos de “Drive is Slave”. Obviamente, só configuramos drives como Slave quando existem dois dis­positivos instalados na mesma interface.

A tabela da figura 21 mostra ainda uma quarta opção, que é a Cable Select. Esta configuração raramente é usada, e necessita de um cabo flat IDE especial. Com esta opção, não é preciso alterar jumpers do disco rígido para fazer a sua instalação. Basta ligá-lo na extremidade do cabo, e será automaticamente reconhecido como Master, ou ligá-lo no conector do meio do cabo, para que seja automaticamente reconhecido como Slave.

Jumpers em drives de CD-ROM

A figura 17 mostra os jumpers de um drive de CD-ROM IDE. Muitos drives de CD-ROM são configurados como Slave na fábrica, e portanto não funcionam ao serem instalados sozinhos, sem um Master. É preciso fazer uma revisão nos seus jumpers, programando-os corretamente.

Figura 17

Jumpers de um drive de CD-ROM IDE.

 

 

A figura 18 mostra as configurações de jumpers de um drive LS-120. Assim como ocorre em qualquer dispositivo IDE, temos as configurações Master, Slave e Cable Select.

Figura 18

Jumpers de um drive LS-120.

 

 

 

Na figura 19 vemos os jumpers para um ZIP Drive IDE. Observe que a configura­ção de fábrica é Slave. Por isso, nem sempre podemos instalar diretamente um dis­positivo IDE sem revisar os seus jumpers. A configuração de fábrica não funciona­ria se este drive fosse instalado como Master.

Figura 19

Jumpers de um ZIP Drive IDE.

 

 

 

Gravadores de CDs, drives de DVD, discos rígidos, drives de CD-ROM, unidades de discos removíveis, enfim, diversos tipos de dispositivos IDE, são todos configurados da mesma forma. Todos possuem jumpers Master/Slave, e cada interface IDE pode controlar um (Master) ou dois (Master e Slave) desses dispositivos.

Jumpers de placas antigas

Até agora mostramos neste artigo, configurações de jumpers de placas de CPU de fabricação recente. Um técnico de manutenção precisa entretanto estar apto a lidar com equipamentos antigos. Vamos então apresentar novamente o assunto, porém com enfoque concentrado nos modelos mais antigos.

Configurações do Pentium II

As versões antigas do Pentium II tinham algumas características que o diferenciam de modelos mais novos. Além de operar com clock externo de 66 MHz, não tinha seus multiplicadores travados, portanto era necessário configurar na placa de CPU, os jumpers que definiam o multiplicador, e em conseqüêcia, o clock interno. Esta característica era encontrada nos modelos até 333 MHz.

Clocks do Pentium II

As placas de CPU Pentium II equipadas com os chipsets i440FX e i440LX supor­tam o clock externo de 66 MHz, apesar de normalmente poderem ser configuradas para outros valores diferentes, como 75 MHz (overclock). Já as placas de CPU equipadas com o chipset i440BX suportam as novas versões do Pentium II, com clock externo de 100 MHz. É preciso saber o tipo de placa e o tipo de processador que você vai utilizar. Não adianta instalar um Pentium II que pode operar com 100 MHz externos em uma placa de CPU que não suporta este clock.

Também é possível que a sua placa tenha sido lançada na época em que o Pentium II mais veloz era, digamos, o de 300 MHz, e você agora quer instalar um processa­dor Pentium II com um clock mais elevado, a princípio não suportado pela placa. Clocks mais elevados podem ser usados, bastando programar corretamente o mul­tiplicador de clock através dos jumpers BF0, BF1, BF2 e BF3. Mais adiante neste artigo veremos como descobrir as configurações de clocks mais elevados que não são especificadas no manual da placa de CPU.

Figura 20

Tabela de configuração de jumpers para os clocks interno e externo em uma placa de CPU Pentium II.

 

 

 

A figura 20 mostra o trecho do manual de uma placa de CPU Pentium II, prepa­rada para operar com clocks internos de até 300 MHz. Seu clock externo padrão é 66 MHz, podendo utilizar (o que nem sempre funciona) o clock de 75 MHz, e opcio­nalmente, os valores mais baixos de 60 e 50 MHz (totalmente desnecessários). Al­gumas placas de CPU são preparadas para chegar o clock ex­terno máximo de 83 MHz. A chance de uma placa operar com este clock externo é pequena, a menos que utilize o chipset i440BX, projetado para operar a até 100 MHz, ou então um chipset mais moderno.

Voltagens do Pentium II

Você não precisa programar a voltagem de operação do Pentium II. Ao contrário dos processadores que usam o Socket 7, o Pentium II possui 5 dos seus pinos dedi­cados a informar à placa de CPU, qual é a sua voltagem de opera­ção. Ainda assim, podemos encontrar algumas placas que possuem jumpers para sua configuração de voltagem. Se esta tensão for programada no modo manual, temos que saber qual é a voltagem interna utilizada pelo Pentium II. A tabela abaixo indica essas tensões:

Clock

Voltagem

233 MHz

2,8 volts

333, 350, 400, 450 MHz

2,0 volts

266 e 300 MHz

Existem modelos de 2,8 e 2,0 volts

Apenas os modelos de 266 e 300 MHz nos levam à dúvida. Para ambos os clocks, existem versões de 2,8 (CPUID=63) e 2,0 volts (CPUID=65). O Pentium II e os processadores modernos não possuem indicação externa do seu clock, já que a configuração é automática. Neste caso, é melhor usar a configuração automática da placa de CPU e verificar no CMOS Setup, a voltagem que foi configurada automaticamente. Mesmo primeiras placas para Pentium II possuem um monitor de voltagens que pode ser consultado no CMOS Setup. Sabendo a voltagem correta, poderemos usar a configuração manual, se