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Athlon XP e compatíveis Autor: Laércio Vasconcelos |
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Copyright (C) |
Evolução
do Athlon
O Athlon
XP é sem dúvida o mais popular processador usado nos PCs modernos, sobretudo
no Brasil. Seu preço é acessível e o desempenho é muito bom. Por outro lado
surgem constantemente reclamações de usuários sobre problemas de aquecimento,
e até a queima do processador. Procuraremos neste artigo apresentar informações
técnicas que permitam o uso correto deste processador, minimizando eventuais
problemas.
O
primeiro Athlon
O
Athlon foi desenvolvido entre 1997 e 1999, época em que reinavam os
processadores AMD K6 e K6-2, o Pentium MMX, Pentium II e Pentium III da Intel, e
outros com menor participação no mercado, como o Cyrix 6x86MX e o Cyrix M-II.
Foi criado por uma equipe de engenheiros da AMD, originária da Digital, que foi
um grande fabricante de computadores de médio e grande porte nos anos 80. A
Digital havia desenvolvido o processador Alpha, de 64 bits, no início dos anos
90, para uso em servidores e estações de trabalho de alto desempenho.
Contratada pela AMD, esta equipe passou a implantar as técnicas avançadas do
Alpha em um novo processador para uso em PCs, chamado inicialmente de K7. No seu
lançamento, em meados de 1999, foi adotado o nome definitivo: Athlon.
Entretanto muitos ainda continuaram chamando este processador de K7. Até
atualmente as placas de CPU para Athlon usam nomes como K7xxx.

Figura 1 – Processador Athlon
O
Athlon foi inicialmente produzido com o formato de cartucho, muito parecido com
o do Pentium II e Pentium III. O uso do cartucho era necessário naquela época
para permitir o uso da memória cache L2 bem próxima do processador. Antes
disso, a cache L2, chamada também de cache externa, era formada por
chips de memória estática (SRAM) na placa mãe, e operava com até 100 MHz.
Para usar memórias ainda mais rápidas, era necessário aproximar bem esses
chips do processador. A Intel foi a primeira a adotar este recurso, no Pentium
II. Um processador da época, operando a 400 MHz, tinha sua cache L2 operando a
200 MHz.

Os
dois chips de memória existentes na placa interna do processador Athlon somavam
512 kB. Dependendo da velocidade do Athlon, esta cache L2 operava com a metade,
com 2/5 ou com 1/3 da velocidade do núcleo do processador. A tabela que se
segue resume as principais características do Athlon:
|
Processo |
0,25
micron |
Na
época, tanto a Intel quanto a AMD usavam um processo de fabricação de
0,25 micron. Posteriormente foram introduzidos os processos de 0,18 e 0,13
micron. Segundo a AMD, o processo de 0,09 micron será adotado até o
final de 2004. |
|
Clock
interno |
500
MHz |
Pela
primeira vez a AMD ultrapassa a Intel na briga pelo processador mais veloz
para PCs. Os dois fabricantes iniciaram uma corrida, lançando modelos
cada vez mais rápidos, chegando logo aos 1000 MHz. |
|
Conector |
Slot
A |
Este
slot é mecanicamente similar ao SLOT 1, usado pelo Pentium III,
entretanto não é eletronicamente compatível. Não podemos conectar um
Athlon em um slot para Pentium III, nem vice-versa. |
|
Cache
L1 |
128
kB |
Com
64k para dados e 64k para instruções, esta cache era bem maior que a
empregada pelo Pentium III, que tinha apenas 32 kB. |
|
Cache
L2 |
512
kB |
Esta
cache era bem parecida com a do Pentium III. Nas versões posteriores,
este cache foi movida para o núcleo do processador, teve seu tamanho
reduzido para 256 kB e a velocidade aumentada. Nos modelos mais novos, a
cache L2 voltou a ter 512 kB. |
|
Clock
externo |
100
MHz x2 |
O
FSB (Front Side Bus), ou barramento externo do Athlon, opera com clock de
100 MHz em modo DDR (Double Data Rate), fazendo duas transferências por
ciclo. O resultado é um desempenho equivalente a 200 MHz. |

Figura 3: Slot A para processadores Athlon
Apesar
de ser veloz e mais barato que o Pentium III, o processador Athlon demorou um
pouco a se tornar popular, por dois motivos. O primeiro era o alto custo das
placas de CPU que o suportavam. Não existiam na época, modelos econômicos com
vídeo onboard, ao contrário do que ocorria com o Pentium III. Devido ao alto
custo da placa mãe, um PC com Athlon acabava sendo mais caro que um equipado
com o Pentium III. Outro grande problema foi a fama ruim que a AMD adquiriu
entre os usuários na época do K6-2. Aquele era um excelente processador, mas
muitos micros que o utilizavam, tinham também placas de CPU de baixa qualidade.
Como o seu aquecimento era maior que o do Pentium e Pentium MMX, muitos pequenos
integradores produziam micros com o K6-2 sem os devidos cuidados térmicos: usar
um cooler de tamanho adequado e acoplado ao processador por pasta térmica. Os
micros apresentavam problemas e o processador acabava ficando com a culpa.
Lentamente esta fama foi desfeita e os usuários aos poucos começaram a adotar
os processadores Athlon.
A AMD
classifica seus processadores por números de modelo. O modelo 1, o primeiro a
ser lançado, era fabricado com o processo de 0,25 micron. O modelo 2 usava o
processo de 0,18 micron.
Os
processadores Athlon também eram bem quentes, muito mais que o K6-2 e o Pentium
III. A tabela abaixo mostra a dissipação de potência para os modelos que
usavam encapsulamento em cartucho. Note que o modelo 2 dissipa bem menos potência
que o modelo 1, graças ao seu processo de fabricação com 0,18 micron. Apesar
de ser fabricado com 0,18 micron, o modelo 2 ainda tinha cache L2 discreta, ou
seja, formada por dois chips de SRAM no seu cartucho.
|
Clock
interno |
Potência,
modelo 1 (0,25
micron) |
Potência,
modelo 2 (0,18
micron) |
|
500
MHz |
42
W |
- |
|
550
MHz |
46
W |
31
W |
|
600
MHz |
50
W |
34
W |
|
650
MHz |
54
W |
36
W |
|
700
MHz |
50
W |
39
W |
|
750
MHz |
- |
40
W |
|
800
MHz |
- |
48
W |
|
850
MHz |
- |
50
W |
|
900
MHz |
- |
60
W |
|
950
MHz |
- |
62
W |
|
1000
MHz |
- |
65
W |
A potência
dissipada pelos Athlons é bastante elevada. Um Pentium III de 933 MHz, por
exemplo, dissipava cerca de 28 watts, enquanto o Athlon de 900 MHz dissipava 60
watts, mais que o dobro. Assim como ocorre hoje, naquela época também era
necessário usar coolers grandes.

Figura 4 – Identificação do Athlon
Modelo 1
A
figura 4 mostra os códigos identificadores de um processador Athlon. O código
fica estampado na face superior do cartucho. Por exemplo, no código AMD-K7 550
MTR51B C, o significado das letras e números é o seguinte:
550:
Indica o clock do processador, podendo ser de 500, 550, 600, 650 e 700 MHz para
o modelo 1, e de 550 a 1000 MHz para o modelo 2.
M:
Indica o encapsulamento em cartucho (Module)
R:
Indicador de temperatura (70ºC)
5:
Tamanho da cache L2 = 512 kB
1:
Divisor de cache, 1 indica 2:1, ou seja, cache opera com a metade da freqüência
do núcleo. As outras opções são 2 (2,5:1) e 3 (3:1) são encontradas somente
no modelo 2.
B:
Indica clock externo de 200 MHz (100 MHz x2)
C: Não
é oficialmente declarado, mas os exemplos dos manuais da AMD indicam que o
modelo 1 usa um caracter indicador “C” no final do código, enquanto o
modelo 2 usa um indicador “A”.

Figura 5 – Identificação do Athlon
Modelo 2
Os
significados das letras e números para o modelo 2 são similares às do modelo
1. A principal diferença é o “A” no final, indicador de modelo 2. Observe
ainda a indicação “Copyright 1999” para o modelo 1 e “Copyright 2000”
para o modelo 2. Observe ainda que para os Athlons com encapsulamento em
cartucho, só existe versão de 500 MHz no modelo 1. Entre 550 e 700 MHz existem
modelos 1 e 2, e a distinção pode ser feita pelos caracteres A e C finais.
Entre 750 e 1000 MHz, só existe modelo 2.
É
possível identificar o modelo de um processador Athlon já instalado usando
programas como o Hardware Info e o AIDA32. No exemplo da figura 6, vemos que o
Hardware Info identificou o processador Athlon de 650 MHz como sendo um modelo
2.

Figura 6 – O programa Hardware Info
indica o modelo do processador
Athlon
modelo 4 em cartucho
O
Athlon modelo 2 foi o primeiro a usar o processo de 0,18 micron, porém ainda
com a mesma arquitetura do modelo 1. No final do ano 2000 a AMD produziu o
modelo 4, com cache L2 “on die” (embutida no núcleo do processador, e não
mais formada por chips de SRAM no cartucho). Esta cache também opera no modo
“full speed”, ou seja, com a mesma freqüência que o processador. Todos os
processadores modernos possuem cache L2 com essas duas características. O
Athlon passou a ser fabricado com encapsulamento PGA, como ocorre com os modelos
atuais. Entretanto, para permitir o uso dos novos modelos em placas de CPU com
Slot A, a AMD produziu cartuchos equipados com este novo Athlon. A figura 7
mostra os códigos identificadores deste processador. A diferença fundamental
é o código identificador do tamanho da cache L2, que passa a ser “2” (256
kB), ao invés de “5” (512 kB).

Figura
7 – Identificação do Athlon Modelo 4 em cartucho
Suporte
a processadores em placas com Slot A
Normalmente
não existem problemas de compatibilidade em placas de CPU com Slot A. Todas
elas geralmente suportam Athlons em forma de cartucho, com até 1000 MHz. Para
ter certeza absoluta, verifique esta informação no site do fabricante da sua
placa de CPU. Em alguns casos é preciso uma atualização de BIOS, e o
fabricante da placa dá as orientações neste sentido, se for o caso. Também
quanto à voltagem do processador não há problema. Não existe muita diferença
em relação às voltagens internas do processador, variam de 1,6 volts a 1,8
volts, dependendo do modelo. As placas de CPU estão preparadas para gerar a
voltagem necessária para o processador, desde que estejam configuradas como
voltagem automática. As placas de CPU normalmente oferecem a opção de
voltagem manual (indicada para quem faz overclock) e automática, para uso
normal. Quando os jumpers indicadores de voltagem estão na opção automática,
o regulador de voltagem da placa mãe irá fornecer ao processador a voltagem
que for adequada a ele.
Todos
os Athlons para Slot A têm FSB de 200 MHz. Portanto todas as placas de CPU com
Slot A têm FSB compatível.
Athlon
T-Bird (modelo 4)
Em
outubro de 2000, a AMD criou o novo Athlon, chamado de Thunderbird (ou T-Bird).
Baseado no processo de 0,18 micron, foi o primeiro Athlon a ter sua cache L2
embutida no núcleo. Era chamado de Modelo 4, e tinha encapsulamento PGA. Era
necessário usar novas placas de CPU com o novo Socket A (ou Socket 462), ao invés
do Slot A, usado até então para os Athlons em forma de cartucho. Ao mesmo
tempo uma versão de cartucho do modelo 4 foi lançada para permitir o uso nas
placas de CPU já existentes. O Athlon T-Bird foi produzido em versões de 650 a
1400 MHz. Os modelos em forma de cartucho eram mais raros, mais facilmente
encontrados nas versões de 850 a 1000 MHz.

Figura 8 – Athlon T-Bird, com
encapsulamento PGA.
As
primeiras versões do Athlon T-Bird tinham FSB operando a 200 MHz (100 MHz x2).
Logo surgiram modelos com FSB operando a 266 MHz (133 MHz x2). As primeiras
placas de CPU para o Athlon T-Bird tinham FSB de apenas 200 MHz. Logo surgiram
os modelos com FSB de 266 MHz.
O
Athlon T-Bird continuava sendo um chip bastante quente. Graças a ele a indústria
dos coolers cresceu e prosperou. A tabela abaixo mostra a potência dissipada
por cada um dos modelos T-Bird.
|
Clock
interno |
Potência |
Temp
Máxima |
FSB |
|
850
MHz |
47
W |
90ºC |
200
MHz |
|
900
MHz |
50
W |
90ºC |
200
MHz |
|
950
MHz |
52
W |
90ºC |
200
MHz |
|
1000
MHz |
54
W |
90ºC |
200/266
MHz |
|
1100
MHz |
60
W |
95ºC |
200
MHz |
|
1133
MHz |
63
W |
95ºC |
266
MHz |
|
1200
MHz |
66
W |
95ºC |
200/266
MHz |
|
1300
MHz |
68
W |
95ºC |
200
MHz |
|
1333
MHz |
70
W |
95ºC |
266
MHz |
|
1400
MHz |
72
W |
95ºC |
200/266
MHz |
O
calor gerado pelos T-Birds é muito elevado. O modelo de 1400 MHz dissipa 72
watts, precisa usar um cooler bem grande. A temperatura também é elevada, são
90ºC para os modelos até 1000
MHz e 95ºC para os modelos
superiores. Note que essas temperaturas são elevadas porque são medidas
diretamente sobre o núcleo do chip. Outros chips que possuem encapsulamentos
metálicos sobre o núcleo, como os Athlons em cartucho, admitem temperaturas
menores, na faixa de 70ºC.
Entretanto esta temperatura não é medida no núcleo, e sim na parte externa do
encapsulamento, onde a temperatura é sempre menor. O núcleo é a parte mais
quente de um processador. Ainda assim o Athlon T-Bird chegou a um patamar de
temperatura jamais alcançado por outros processadores. Nem mesmo é aconselhável
operar com temperaturas tão elevadas. A melhor coisa a fazer é manter uma
margem de segurança, por exemplo, não deixando que em casos de extrema carga
de trabalho, o processador chegue a ficar 10 graus abaixo do limite máximo. Por
exemplo, para um chip que suporta 90 graus, devemos garantir um bom sistema de
resfriamento para que, ao executar programas pesados, o processador não
ultrapasse 80 graus. Em tarefas leves, a temperatura deve ficar entre 50 e 60
graus.
A
partir de 1000 MHz, existem modelos com FSB de 200 MHz, outros com FSB de 266
MHz. Existem dois modelos de 1000 MHz, um com FSB de 200 MHz e outro com FSB de
266 MHz. O mesmo ocorre com os modelos de 1200 e 1400 MHz. Apenas indicando o
clock interno não é possível saber o FSB. É preciso ler o código
identificador do processador para descobrir o FSB, como mostraremos adiante
(B=200 MHz, C=266 MHz). Os modelos de 1133 MHz e 1333 MHz têm FSB de 266 MHz, e
os modelos de 1100 MHz e 1300 MHz têm FSB de 200 MHz. Esta discussão é
importante porque as primeiras placas de CPU para o Athlon T-Bird tinham FSB de
apenas 200 MHz. Depois de alguns meses surgiram modelos que suportavam tanto 200
como 266 MHz. Para instalar um T-Bird em uma daquelas primeiras placas, é
preciso conseguir um modelo com FSB de 200 MHz.
Programas
como o Hardware Info e o AIDA32 podem identificar o tipo de processador,
discriminando entre as diversas versões do Athlon. Na figura 9, vemos que o
processador foi identificado como sendo um T-Bird, modelo 4.
Figura 9 – O Hardware Info identificou o
Athlon T-Bird
Note
que o Hardware Info identifica o clock externo em uso, mas não descobre qual é
o seu valor correto. Não é capaz de distinguir entre os modelos com FSB de 200
e 266 MHz, por exemplo. Para isso é preciso consultar o código identificador,
estampado na face superior do chip. Este código está na face superior do
Athlon T-Bird, sobre o núcleo do processador, como vemos na figura 10.

Figura 10 – Identificação do Athlon
T-Bird
Após
o indicador “A”, temos um número de quatro dígitos que indica o clock em
MHz. Para os modelos com encapsulamento PGA, existem versões de 850 a 1400 MHz.
O
caracter “A” indica o tipo de encapsulamento, PGA.
O
caracter seguinte indica a voltagem do núcleo do processador: M=1,75V e P=1,7V
O próximo
caracter indica a temperatura máxima suportada pelo núcleo: S=95ºC e T=90ºC.
O próximo
dígito indica o tamanho da cache L2: “3” indica 256 kB.
Finalmente
o último caracter indica o FSB. B=200 MHz e C=266 MHz.
O
Athlon T-Bird foi produzido com até 1400 MHz. Com seus 72 watts de potência,
foi o chip mais quente de sua época. Apenas em meados de 2003 chegaram chips
mais quentes, como o Athlon-64, versões mais velozes do Pentium 4, e versões
mais recentes do Athlon XP.
AMD
Duron (Spitfire)
O
Duron é o “irmão mais novo” do Athlon T-Bird. Sua principal diferença é
a cache L2, com apenas 64 kB, ao invés de 256 kB. Seu FSB opera sempre com 200
MHz, enquanto o Athlon T-Bird estava disponível também em versões de 266 MHz.

Figura 11 – AMD Duron
O
Duron foi lançado em diversas versões. As iniciais eram chamadas de “modelo
3”, com 0,18 micron e FSB operando com 200 MHz. A potência dissipada era
inferior à observada no Athlon, e também variava de acordo com a voltagem
interna do seu núcleo.

Figura 12 – Identificação do Duron,
modelo 3 (Spitfire)
Os
primeiros modelos do Duron tinham normalmente o núcleo alimentado com 1,5
volts. A AMD previa variações, chegando até 1,8 volts, mas nem sempre essas
previsões eram cumpridas. Da mesma forma, estava prevista uma versão com cache
L2 de 128 kB, que não chegou a ser produzida. As características térmicas
dessas primeiras versões do Duron eram as seguintes:
|
Clock
interno |
Potência |
Temperatura
máxima |
FSB |
|
550
MHz |
21,2
W |
90ºC |
200
MHz |
|
600
MHz |
22,7
W |
90ºC |
200
MHz |
|
650
MHz |
24,3
W |
90ºC |
200
MHz |
|
700
MHz |
25,5
W |
90ºC |
200
MHz |
Pouco
depois do seu lançamento, o projeto do Duron sofreu pequenas alterações.
Foram lançados modelos com clocks mais elevados e com voltagem um pouco maior:
1,6 volts, ao invés dos 1,5 volts anteriores. Este pequeno aumento de voltagem
era necessário para permitir o seu funcionamento com clocks mais elevados. A
identificação desses novos modelos do Duron, ainda considerados “modelo
3”, está indicada na figura 13. Note que foi descartada a previsão de cache
L2 com 128 kB. A voltagem interna foi fixada em 1,6 volts. O clock interno ia de
550 a 950 MHz, apesar da previsão inicial ir apenas de 600 a 800 MHz.

Figura 13 - Identificação do Duron,
modelo 3 (cont)
A potência
dissipada por esses modelos do Duron era um pouco superior à dos modelos
anteriores. Esses já operavam com 1,6 volts, enquanto os anteriores usavam
apenas 1,5 volts.
|
Clock
interno |
Potência |
Temperatura
máxima |
FSB |
|
550
MHz |
25,4
W |
90ºC |
200
MHz |
|
600
MHz |
27,4
W |
90ºC |
200
MHz |
|
650
MHz |
29,4
W |
90ºC |
200
MHz |
|
700
MHz |
31,4
W |
90ºC |
200
MHz |
|
750
MHz |
33,4
W |
90ºC |
200
MHz |
|
800
MHz |
35,4
W |
90ºC |
200
MHz |
|
850
MHz |
37,4
W |
90ºC |
200
MHz |
|
900
MHz |
39,5
W |
90ºC |
200
MHz |
|
950
MHz |
41,5
W |
90ºC |
200
MHz |
Duron
modelo 7 (Morgan)
Mais
tarde foi introduzido o Duron modelo 7, com clocks a partir de 900 MHz. A
voltagem ficou um pouco maior: 1,75 volts. Um indicador “DHD” antes dos dígitos
que definem o clock o diferenciam do modelo 3.

Figura 14 – Identificação do Duron
modelo 7 (Morgan)
|
Clock
interno |
Potência |
Temperatura
máxima |
FSB |
|
900
MHz |
42,7
W |
90ºC |
200
MHz |
|
950
MHz |
44,4
W |
90ºC |
200
MHz |
|
1000
MHz |
46,1
W |
90ºC |
200
MHz |
|
1100
MHz |
50,3
W |
90ºC |
200
MHz |
|
1200
MHz |
54,7
W |
90ºC |
200
MHz |
|
1300
MHz |
60
W |
90ºC |
200
MHz |
Duron
modelo 8 (Applebred)
Mais
de um ano depois que o Duron foi descontinuado, uma nova versão (modelo 8).
Opera com clocks a partir de 1400 MHz. A principal diferença é o FSB, que
agora opera com 266 MHz. Esta nova versão foi criada para concorrer com o novo
Celeron da Intel, derivado do Pentium 4.


Figura 15 – Novas versões do Duron a
partir de 1400 MHz (Applebred)

Figura 15A – Duron Applebred
Podemos
encontrar o Duron Applebred com encapsulamento verde, como o da figura 15A, ou
marron, como vemos na figura 15B. Note que a cor do encapsulamento do
processador não está necessariamente relacionada com o seu funcionamento. O
fabricante pode utilizar materiais diferentes, mesmo em processadores de núcleos
iguais.

Figura 15B – Duron Applebred
O
Duron modelo é construído com tecnologia de 0,13 micron, e possui a mesma
arquitetura da segunda geração do Athlon XP (Thoroughbred).
A
dissipação de calor do Duron modelo 8 é inferior à de modelos anteriores,
graças ao processo de fabricação de 0,13 microns. Os modelos 3 e 7 eram
fabricados com 0,18 micros e geravam mais calor.
|
Clock
interno |
Potência |
Temperatura
máxima |
FSB |
|
1400
MHz |
45,5
W |
85ºC |
266
MHz |
|
1600
MHz |
48
W |
85ºC |
266
MHz |
|
1800
MHz |
53
W |
85ºC |
266
MHz |
Athlon
XP modelo 6 (Palomino)
Ao ser
lançado, o Athlon era um concorrente do Pentium III, depois passou a ser um
concorrente do Pentium 4. O Athlon ultrapassava um pouco o desempenho de um
Pentium III de mesmo clock, mas no caso do Pentium 4, a vantagem era ainda
maior. Por exemplo, ao operar com 1,4 MHz, o Athlon superava o Pentium 4 de 1,6
GHz. Este foi um dos motivos que levou a AMD a alterar a numeração dos seus
processadores. Ao invés de ter uma indicação em MHz, passaram a usar um número
que tentava indicar sua equivalência com o Pentium 4. Esta modificação foi
feita a partir do Athlon modelo 6, que passou a ser chamado de Athlon XP. Esta
foi a primeira família de Athlon XP, também chamada de Palomino.

Figura 16 – Athlon XP Modelo 6 (Palomino)
O
Athlon XP veio com alterações na sua arquitetura. O barramento de 266 MHz
virou padrão, não foram lançadas versões de 200 MHz, para tristeza dos usuários
que possuíam placas de CPU para Athlon T-Bird, com FSB de 200 MHz. O processo
de fabricação ainda era o de 0,18 micron, o mesmo usado pelo T-Bird. Foram
adicionadas instruções SSE, similares às do Pentium III, e novas instruções
3D Now.
A
diferença mais notável para o usuário foi o novo sistema de numeração,
abandonando a indicação de clock. Os modelos passaram a ser indicados por um número,
seguido de “+”. Por exemplo, o modelo 1500+ operava na verdade com 1333 MHz.

Figura 17 – Identificação do Athlon XP
modelo 6
A
tabela que se segue mostra as características de todos os Athlons XP modelo 6
lançados. Todos possuem cache L1 de 128 kB e L2 de 256 kB.
|
Modelo |
Clock
interno |
Potência |
Temperatura
máxima |
FSB |
|
1500+ |
1333
MHz |
60
W |
90ºC |
266
MHz |
|
1600+ |
1400
MHz |
62,8
W |
90ºC |
266
MHz |
|
1700+ |
1467
MHz |
64
W |
90ºC |
266
MHz |
|
1800+ |
1533
MHz |
66
W |
90ºC |
266
MHz |
|
1900+ |
1600
MHz |
68
W |
90ºC |
266
MHz |
|
2000+ |
1667
MHz |
70
W |
90ºC |
266
MHz |
|
2100+ |
1733
MHz |
72
W |
90ºC |
266
MHz |
Apesar
de usar o mesmo processo de fabricação (0,18 micron) e a mesma voltagem do
Athlon T-Bird, o Athlon XP Palomino apresenta uma menor dissipação de calor,
graças a melhoramentos na sua microeletrônica. Enquanto o T-Bird de 1400 MHz
dissipava 72 watts, o Athlon XP de 1400 MHz (1600+) dissipava apenas 62,8 watts,
uma boa marca. Os mesmos 72 watts do T-Bird/1400 são verificados apenas no
Athlon XP 2100+, que opera com 1733 MHz.
O
Athlon XP foi lançado na mesma época que o Windows XP, mas cada “XP” tem
seu significado. No caso do Windows, significa “eXPerience”, e no caso do
Athlon, significa “eXtra Performance”.
O
Athlon XP era, e ainda é nos modelos atuais, o concorrente direto do Pentium 4.
Por exemplo, o Athlon XP 2000 tem desempenho similar ao de um Pentium 4 de 2
GHz, porém com um custo bem menor.
Muitos
usuários demoraram a entender a nova nomenclatura dos processadores AMD. Por
exemplo, é bastante comum encontrar pessoas chamando o Athlon XP 2000+ de
“Athlon XP 2.0” ou “Athlon XP de 2 Giga”. Só faz sentido usar termos
2.0 ou 2 Giga se o clock deste processador fosse realmente 2 GHz, e como já
vimos, seu clock real é 1,667 GHz. Portanto o nome correto é “Athlon XP
2000”.
Apesar
de ser um excelente processador, o Athlon XP logo esbarrou em uma séria limitação:
a elevada dissipação de calor, chegando a 72 watts no caso do modelo 2100+.
Este é o mesmo limite de dissipação que a AMD usou para o Athlon T-Bird, no
caso, o de 1400 MHz. Apenas com a adoção do novo processo de fabricação, com
0,13 microns, a AMD pode aumentar mais o clock do Athlon. Quando isto ocorreu,
foi criado o modelo 8, também chamado de Thoroughbred.
Assim
como ocorre com outras versões do Athlon, programas identificadores de hardware
como o Hardware Info podem indicar o tipo de Athlon XP presente no computador.
Figura 18 – O Hardware Info identificou
um Athlon XP modelo 6 (Palomino).
Athlon
XP modelo 8 (Thoroughbred)
A
principal diferença é o uso do novo processo de fabricação, com 0,13 micron,
possibilitando uma redução considerável na dissipação de calor. Dependendo
do modelo, pode operar com FSB a 266 ou 333 MHz. Todos têm cache L1 de 128 kB e
L2 de 256 kB. Os modelos 1600+ a 2400+ operam com FSB de 266 MHz. O modelo 2700+
opera com FSB de 333 MHz. Existem dois modelos 2600+, um operando com 266 MHz e
outro operando com 333 MHz de FSB. Para distinguir um do outro é preciso
observar o último caracter do seu código identificador: C indica 266 MHz e D
indica 333 MHz.
Figura 19 – Identificando o Athlon XP
Modelo 8 (Thoroughbred)
Visualmente
é fácil distinguir entre um Modelo 6 e um modelo 6. O modelo 6 tem o núcleo
em forma de quadrado, e o modelo 8 tem forma de retângulo. A etiqueta preta em
uma das bordas da face superior do processador, traz um código identificador. O
Athlon XP modelo 6 tem sempre a seqüência “AX” antes do número do modelo,
por exemplo, AX2000DMT3C. O modelo 8 tem sempre um “AXDA” antes do número
do modelo, por exemplo, AXDA2700DKV3D.
Figura
20 - Athlon XP modelo 8 (Thoroughbred)
A
figura 21 mostra como um Athlon XP 2400 (Throroughbred) é identificado pelo
programa Hardware Info.
Figura 21 – O Hardware Info identificou o
processador como modelo 8.
Entre
os diversos modelos do Thoroughbred, alguns operam com voltagem interna de
1,50V, outros com 1,60V e outros com 1,65V. A seleção de voltagem, assim como
ocorre com todos os demais Athlons, é feita de forma automática, basta que a
programação de voltagem na placa mãe seja deixada em “CPU Default”.
Alguns modelos têm como temperatura limite, 85 graus, outros 90 graus. A tabela
abaixo resume as principais características.
Note
que existem informações que só podem ser obtidas pela consulta ao código
indicado na face superior do processador. Por exemplo, existem dois modelos
2200+. Ambos operam com 1800 MHz e FSB de 266 MHz, mas um deles opera com 1,60V
e dissipa 62,8 W, o outro opera com 1,65V e dissipa 67,9W. Situação semelhante
ocorre com o modelo 2400+.
Athlon
XP modelo 10 (Barton)
Note
que o clock máximo do Athlon XP modelo 8 ficou limitado em cerca de 2,2 GHz,
por conta principalmente da dissipação de calor. A nova família de
processadores Athlon XP manteve o processo de 0,13 micron, mas ainda com a mesma
limitação de clock. Os melhoramentos foram feitos com aumento do FSB para 333
ou 400 MHz, e aumento da cache L2 para 512 kB. Este é o Modelo 10, também
chamado de Barton.
Figura 22 – Athlon XP modelo 10
(Barton)
Inicialmente
foram lançados três versões do modelo 10, chamados de 2500, 2800 e 3000.
Todos operam com FSB de 333 MHz e têm cache L2 de 512 kB. Depois foram lançadas
versões 2600 e 3200.
Figura 23 – Indentificação de um Athlon
XP Modelo 10 (Barton)
Existem
modelos com FSB de 333 MHz (2500+, 2600+, 2800+ e 3000+) e 400 MHz (3000+ e
3200+). Com esses novos modelos, ficamos ao todo com três modelos 2600+, sendo
dois Thoroughbred (um com FSB de 266 MHz e outro com FSB de 333 MHz) e um
Barton, com FSB de 333 MHz. A tabela abaixo resume as características dos
diversos modelos do Barton.
|
Modelo |
Clock
interno |
Potência |
Temperatura
máxima |
FSB |
|
2500+ |
1833
MHz |
68,3
W |
85ºC |
333
MHz |
|
2600+ |
1917
MHz |
68,3
W |
85ºC |
333
MHz |
|
2800+ |
2083
MHz |
68,3
W |
85ºC |
333
MHz |
|
3000+ |
2167
MHz |
74,3
W |
85ºC |
333
MHz |
|
3000+ |
2100
MHz |
68,3
W |
85ºC |
400
MHz |
|
3200+ |
2200
MHz |
76,8
W |
85ºC |
400
MHz |
Códigos
de identificação
Processadores
Athlon e Duron têm códigos de identificação padronizados. Cada letra ou número
tem um significado, já apresentado nas tabelas deste artigo. Faremos agora um
resumo de todos os códigos. Esses códigos são chamados pela AMD de OPN
(Ordering Part Number).

Figura
24 – Forma geral do OPN
Os
elementos do OPN são os seguintes, da esquerda para a direita:
Arquitetura
do processador
Número
do modelo do processador (velocidade)
Encapsulamento
Voltagem
do núcleo
Máxima
temperatura do núcleo
Tamanho
da cache L2
FSB
Cada
um desses elementos pode ter diversos valores possíveis. São eles:
Arquitetura
do processador

OBS:
O Duron Modelo 8 (Applebred) usa tecnologia de 0,13 micron, e não de 0,18.
Número
do modelo do processador (velocidade)

Encapsulamento
|
OPN
Code |
Encapsulamento |
|
A |
CPGA |
|
B |
OBGA |
|
D |
OPGA |
|
E |
uPGA |
|
F |
OPGA |
|
G |
uPGA |
Voltagem
do núcleo
|
OPN
Code |
Voltagem |
|
Y |
1.10
V |
|
C |
1.15
V |
|
T |
1.20
V |
|
X |
1.25
V |
|
W |
1.30
V |
|
J |
1.35
V |
|
V |
1.40
V |
|
Q |
1.45
V |
|
L |
1.50
V |
|
H |
1.55
V |
|
U |
1.60
V |
|
K |
1.65
V |
|
P |
1.70
V |
|
M |
1.75
V |
|
N |
1.80
V |
Temperatura
|
OPN
Code |
Temperatura |
|
R |
70ºC |
|
Y |
75ºC |
|
V |
85ºC |
|
T |
90ºC |
|
S |
95ºC |
|
Q |
100ºC |
Tamanho
da cache L2
|
OPN
Code |
Tamanho
da cache L2 |
|
1 |
64
kB |
|
2 |
128
kB |
|
3 |
256
kB |
|
4 |
512
kB |
FSB
|
OPN
Code |
Velocidade |
|
B |
200
MHz |
|
C |
266
MHz |
|
D |
333
MHz |
|
E |
400
MHz |
Conclusão
É importante identificar qual modelo de Athlon ou Duron um PC está usando. A correta configuração de clock externo e a sua dissipação de calor dependem disso. Use programas identificadores como o HARDWARE INFO ou o AIDA32 para identificar um processador já instalado. Use as tabelas aqui apresentadas para identificar um processador antes da sua compra ou instalação.