Upgrade de processador e placa mãe

Autor: Laércio Vasconcelos
Janeiro/2003

    O principal upgrade que pode ser feito em um PC para melhorar o desempenho é o da CPU. Podemos instalar um novo processador, mantendo a placa de CPU original, ou então instalar uma nova placa de CPU equipada com um processador mais veloz. Neste artigo estudaremos os processadores e as placas de CPU, depois trataremos das suas expansões.

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Pentium e compatíveis

O Pentium foi o primeiro processador considerado de 5ª geração. Começou a se tornar comum a partir de 1995, e vários outros fabricantes produziram chips similares: AMD, Cyrix, IDT e Rise. O último processador compatível com o Pentium foi o AMD K6-2 de 550 MHz, saindo do mercado no início do ano 2001.

Pentium P54C

Também chamado de Pentium Classic, ou simplesmente Pentium. Foi lançado em 1993, nas versões de 60 e 66 MHz, e tornou-se comum a partir de 1995. Antes do Pentium eram usados processadores mais antigos, como o 286, o 386 e o 486.

O Pentium é um processador de 32 bits, mas opera com memórias de 64 bits. Note que essas duas características estão presentes também nos demais processadores modernos. Desde o Pentium até os modernos Athlon e Pentium 4, o núcleo é de 32 bits e o barramento de dados é de 64 bits.

Fisicamente, o Pentium é instalado em um soquete tipo ZIF (Zero Insertion Force). A figura 1 mostra um pro­cessador Pentium e um soquete ZIF. Este soquete é chamado de Socket 7. Outros processa­dores, produzidos por outros fabricantes, que são compatíveis com o Pentium (podendo ser instalados no seu lugar), são ditos Socket 7 compatibles. Esses processadores são: Pentium, Pentium MMX, AMD K5, K6, K6-2, K6-III, Cyrix 6x86, 6x86MX, M-II, WinChip e Rise mP6.

Figura 1

Pentium e seu soquete.

 

 

O Pentium utiliza valores diferentes para seus clocks internos e externos. Os clocks externos são de 50, 60 ou 66 MHz. Os clocks internos chegavam a até 200 MHz. As placas de CPU possuem jumpers para programar os multiplicadores que definem o clock interno em função do externo. Por exemplo, com clock externo de 66 MHz e multiplicador 2x, era obtido o clock interno de 133 MHz.

Todas as versões do Pentium possuíam 16 kB de cache L1 (também chamada de cache interna ou primária). As placas de CPU para processadores Pentium e compatíveis possuíam chips de memória estática (SRAM) para formar a cache L2 externa, com 256 kB, 512 kB e algumas com 1024 kB. A função das caches é acelerar o desempenho da memória.

Troca de processador

Todos os processadores para Socket 7, exceto algumas unidades remanescentes do K6-2, são encontrados apenas no mercado de peças de segunda mão. Em geral essas placas de CPU podem ter seu processador trocado por uma versão mais veloz do Pentium. Podemos por exemplo instalar um Pentium-200 no lugar de um Pentium-133. Entretatno será preciso utilizar um processador Pentium de segunda mão. Algumas dessas placas de CPU podem operar com processadores mais novos, como o K6-2, mas para fazer esta instalação é preciso ter em mãos o manual da placa de CPU.

Os bugs do Pentium

As primeiras versões do Pentium tinham um erro de projeto conhecido como “bug FDIV”, que resultava em erros nos cálculos da sua unidade de ponto flutuante. Os usuários podiam encaminhar seus processadores defeituosos para troca na Intel. É raríssimo acontecer, mas eventuais processadores defeituosos que não tenham sido trocados podem ser identificados com programas de diagnóstico. Um exemplo é o programa PC-Check, que pode ser obtido em www.eurosoft-uk.com. Observe na figura 2 os testes do processador Pentium feitos com este programa, onde está indicado que o modelo testado não tem os dois bugs mais críticos, o FDIV e o FIST.


Figura 2 - Usando o PC-Check para verificar se o Pentium instalado tem bugs.

Pentium MMX

Trata-se de uma nova versão do Pentium, acrescido de 57 novas instruções para processamento de gráficos, som e imagem. Uma única instrução MMX realiza o pro­cessamento equivalente ao de várias instruções comuns. Todos os processadores modernos possuem instruções MMX.

Figura 3

Pentium MMX.

 

 

O Pentium MMX tem uma cache L1 de 32 kB. As placas de CPU para Pentium MMX (assim como outras placas para o Socket 7) apresentam 256 kB, 512 kB e algumas com 1024 kB de chips SRAM formando a cache L2 externa.

Upgrades envolvendo o Pentium MMX e suas placas de CPU

Placas de CPU que suportam o Pentium MMX precisam ser capazes de gerar as duas voltagens exigidas pelo processador: 2,8 (internos) e 3,3 volts (externos). Placas de CPU lançadas na época (1997) estão preparadas para gerar essas tensões. As placas de CPU com Socket 7 de fabricação ainda mais recente (meados de 1998 em diante) podem gerar praticamente qualquer voltagem interna para o processador, entre 2,0 volts e 3,5 volts.

Antigas placas de CPU para o Pentium P54C podem sofrer um upgrade para Pentium MMX, desde que possuem jumpers para configuração de voltagem interna, programando-a com 2,8 volts. Em geral as placas que apresentam este recurso podem gerar outras tensões internas, como 2,9 volts e 3,2 volts. Com essas voltagens internas, essas placas estão aptas a receber outros processadores mais avançados, como os diversos modelos da Cyrix e o AMD K6.

Processadores AMD

Desde os anos 80 a AMD produz processadores similares aos da Intel. No início as duas empresas eram parceiras. A AMD era licenciada pela Intel para produzir chips idênticos aos seus. A partir do processador Am386, a AMD passou a ser concorrente da Intel. Seu grande sucesso recente é devido ao processador K6-2, e mais recentemente aos processadores Athlon e Duron.

AMD K5

Este foi o primeiro chip compatível com o Pentium lançado pela AMD. Apesar de veloz, inteiramente compatível com o Pentium e bem mais barato. Entretatno demorou muito a chegar ao mer­cado e não fez tanto sucesso. O K5 tem 24 kB de cache L1, e podia ser instalado na maioria das placas de CPU para Pentium.

AMD K6

A maioria das características do K6 são similares às do Pentium MMX. O sis­tema de clock interno e externo, por exemplo, é totalmente similar. Utiliza no bar­ramento externo, o clock de 66 MHz. A cache interna do AMD K6 é maior que a do Pentium MMX: tem 64 kB.

Figura 4

AMD K6 de 233 MHz.

 

 

 

O K6 dissipa uma quantidade de calor maior que o Pentium MMX. É preciso utilizar coolers de maior tamanho, com a parte de alumínio com 2 ou 3 cm de altura. O K6 dissipa entre 12 e 28 watts, dependendo do seu clock e da sua voltagem. Os modelos alimentados por 2,9 ou 3,3 volts esquentam mais (17 a 28 watts) que os modelos mais novos, alimentados por 2,2 volts (12 a 15 watts). A tensão de alimentação de um processador em geral é indicada na sua face superior, como vemos na figura 4. Como regra geral, use um cooler de bom tamanho, de preferência com 3 cm de altura e acoplado ao processador através de pasta térmica.

Super 7 – O Socket 7 a 100 MHz

Depois do lançamento do Pentium II, a Intel abandonou todo o suporte relacionado com a plataforma Socket 7. A AMD e os demais fabricantes de processadores, assim como os fabricantes de chipsets, passaram a especificar melhoramentos no Socket 7, visando aumentar o desempenho dos seus processadores. Foi criado então o padrão Super 7, que nada mais é que Socket 7 operando com clock externo de 100 MHz, e incluindo o barramento AGP, possibilitando o uso de placas de vídeo 3D de última geração. Ao longo de 1998 as placas de CPU para Socket 7 de 66 MHz foram dando lugar aos modelos para Super 7, com barramento de 100 MHz.

Upgrades envolvendo o AMD K6

Muitas placas de CPU para Pentium podem receber um K6, desde que a placa ofereça multiplicadores adequados. Por exemplo, para instalar um K6 de 300 MHz, é preciso usar o clock externo de 66 MHz e o multiplicador 4,5x. Ocorre que muitas dessas placas usam multiplicadores de até 3,5x, limitando a 233 MHz o clock do processador. Se a placa de CPU permitir a instalação de um K6-2, devemos dar preferência a este. Além de operar com clocks mais elevados, o K6-2 tem instruções para processamento 3D, não presentes no K6.

AMD K6-2

Este foi o sucessor do K6. Inicialmente chamado de “K6 3D”, era um K6 com clock externo de até 100 MHz e instruções 3D Now, usadas para processamento de imagens tridimensionais. Sua cache interna também é de 64 kB e suas tensões de alimentação variavam de 2,2 a 2,4 volts.

Podemos encontrar vários modelos do K6-2, a maioria deles operando com clocks externos de 100 MHz. Alguns modelos usam o clock externo de 95 MHz, e outros de 66 MHz. A tabela que se segue mostra os clocks externos e multiplicadores usados nas diversas versões do K6-2.

Clocks do K6-2

Clock externo

Multiplicador

266 MHz

66 MHz

4x

300 MHz

66 MHz

4.5x

300 MHz

100 MHz

3x

333 MHz

66 MHz

5x

366 MHz

66 MHz

6x

380 MHz

95 MHz

4x

400 MHz

100 MHz

4x

450 MHz

100 MHz

4.5x

475 MHz

95 MHz

5x

500 MHz

100 MHz

5x

533 MHz

95 MHz

5.5x

550 MHz

100 MHz

5.5x

Problemas de aquecimento do AMD K6-2

Assim como ocorreu com o K6, muitos processadores K6-2 apresentaram problemas de aquecimento, pelo fato de terem sido instalados sem respeitar as especificações de cooler indicadas pela AMD. Muitos produtores de PCs não utilizavam pasta térmica, e instalavam coolers de porte pequeno. Desta forma, os modelos mais sensíveis a temperatura e que dissipavam mais calor funcionavam mal, apresentando travamentos e outras anomalias. Tais problemas não teriam ocorrido se fossem usados coolers de tamanho adequado (parte de alumínio com 2,5 cm ou 3 cm de altura), e acoplados através de pasta térmica.

Upgrades envolvendo o AMD K6-2

O único upgrade que um processador K6-2 pode sofrer é a sua substituição por um modelo mais veloz do próprio K6-2, ou então por um K6-III. Não recomendamos a troca de um K6-2 por outro mais veloz, pois o aumento de desempenho é muito pequeno. Não chega a 30% o aumento de desempenho obtido quando trocamos um K6-2/300 por um K6-2/550, por exemplo. Já a troca por um K6-III é vantajosa, porém este processador é muito raro. O K6-III possui uma cache L2 integrada ao seu núcleo, assim como ocorre com processadores mais novos, como o Athlon e o Pentium III. Isto faz com que um K6-III/400 seja bem mais veloz que um K6-2/550.

AMD K6-III

Inicialmente chamado de “K6+3D”, tinha uma grande vantagem sobre o K6-2: uma cache L2 interna de 256 kB, operando com o mesmo clock do processador. Em um processador AMD K6-III de 400 MHz, a cache L2 opera também com 400 MHz, enquanto no K6-2 esta velocidade era de apenas 100 MHz. As placas de CPU com o soquete Super 7, destinadas ao K6-2, podiam perfeitamente suportar o K6-III. Os únicos requisitos especiais deste processador eram o barramento de 100 MHz (padrão do Super 7) e a possibilidade de configurar a tensão interna do processador para 2,4 volts ou 2,2 volts.

O K6-III foi lançado apenas nas versões de 400 e 450 MHz. Existem versões com tensão interna de 2,2 volts e de 2,4 volts. Eram processadores quentes, chegando a dissipar quase 30 watts. É preciso utilizar um cooler de bom tamanho (3 cm), acoplado ao processador com pasta térmica.

Não é possível fazer upgrades em placas equipadas com o K6-III. O K6-III/450 e o K6-III/400 são os dois processadores mais rápidos para o Socket 7, superando até mesmo o K6-2/550.

Processadores Cyrix

Todos os processadores Cyrix usam a nomenclatura PR (Pentium Rating) para indicar o seu desempenho, ao invés do clock. Na face superior do processador em geral encontramos as três informações básicas para fazer a sua instalação: clock externo, multiplicador e voltagem interna.

O processador Cyrix 6x86 era compatível com o Pentium, e o 6x86MX compatível como Pentium MMX. Isso significa que podiam ser instalados em placas de CPU para Pentium e Pentium MMX, respectivamente. Normalmente esses processadores usam a voltagem interna de 2,9 volts. Uma das diferenças mais importantes é que o 6x86MX possui instruções MMX, similares às do Pentium MMX.

Figura 5

Cyrix 6x86.

 

 

 

Outro processador da Cyrix é o M-II. Este processador é idêntico ao 6x86MX. A troca de nome foi uma manobra de marketing, visando concorrer com o Pentium II, mais especificamente com o Celeron.

Figura 6

Processador Cyrix M II/333.

 

 

 

Uma das características dos processadores Cyrix eram os seus clocks externos. Na época em que os processadores Intel e AMD usavam clocks externos de até 66 MHz, a Cyrix adotava clocks externos de 66, 75 e 83 MHz. Isto resultava em um sério problema: a maioria das placas de CPU suportava de forma confiável, um clock externo de no máximo 66 MHz. Opções como 75 e 83 MHz eram oferecidas pelos fabricantes de placas de CPU sem garantias de funcionamento confiável. Como resultado, muitos PCs equipados com processadores Cyrix apresentavam problemas de funcionamento.

Ganho de velocidade com o upgrade do processador

Trocar um processador por outro mais veloz resulta em ganho de desempenho, mas este ganho dependerá muito do modelo utilizado. Os processadores K6-2 têm um grande problema. Sua cache L2 opera com 100 MHz fixos. Isto ocorre com outros processadores mais simples, porém o problema não chega a atrapalhar o desempenho. A partir de 300 MHz, o “congelamento” do clock da cache L2 em 100 MHz começa a prejudicar o desempenho, e por isso os ganhos de velocidade são pequenos quando o clock é aumentado.

A tabela que se segue mostra os índices de velocidade de vários processadores para Socket 7. Esses índices são medidos com o Norton Sysinfo e com o Winbench 99. Os dois índices medidos com o Winbench 99 são o CPUMark32, para processamento geral, e FPUWinMark, para processamento numérico. Note que o K6-2/550 e o K6-2/500 ultrapassam o K6-III/450 no processamento numérico, já que este depende pouco da cache L2. Nos demais processamentos, os dois modelos do K6-III são os mais rápidos.

Processador e clock

Norton

CPUMark32

FPUWinMark

K6-III/450* MHz

200

1490

1510

K6-III/400* MHz

177

1320

1340

K6-2/550* MHz

149

1010

1770

K6-2/500* MHz

145

965

1590

K6-2/450* MHz

140

933

1450

K6-2, 400* MHz

135

860

1250

K6-2, 350* MHz

130

800

1100

K6-2, 300* MHz

120

760

950

K6, 300 MHz

110

620

930

K6, 266 MHz

100

580

850

K6, 233 MHz

90

550

750

Cyrix MII PR300

85

560

520

AMD K6, 200 MHz

80

520

640

6x86MX PR266

75

540

460

6x86MX PR233

64

470

420

Pentium MMX, 233 MHz

61

440

830

6x86MX PR200

60

430

390

Pentium MMX, 200 MHz

55

400

750

6x86 PR200

52

420

380

OBS.: Os processadores indicados com (*) têm clock externo de 100 MHz.

Através desta tabela podemos ter uma idéia do ganho de velocidade de processamento obtido com a substituição de um processador por outro mais veloz, desde que compatível com a placa de CPU. Por exemplo, ao trocar um Pentium MMX/233 (índice 61 medido com o Norton Sysinfo) por um K6-2/400 (índice 135), a velocidade de processamento será mais que duas vezes maior. Note que este aumento de velocidade diz respeito apenas ao processamento. O desempenho total na execução de programas dependerá também da velocidade do disco rígido, da velocidade da placa de vídeo e em alguns casos, da quantidade de memória.

Arquitetura P6

Estudaremos agora os processadores de 6a geração produzidos pela Intel. Esses processadores foram bastante utilizados a partir de 1998, e ainda em 2001 eram populares. Entre eles citamos o Pentium II, Pentium III e Celeron.

Pentium Pro

O Pentium Pro foi o primeiro processador de 6a geração lançado pela Intel. Inicialmente chamado de P6, foi lançado em 1995, voltado para o mercado de servidores. Sendo voltado para servidores, não foi utilizado nos PCs para uso pessoal, cujo mercado era na época dominado pelo Pentium e Pentium MMX.

Pentium II

Podemos considerar o Pentium II como um “relançamento” do Pentium Pro, com novas características. Passou a ser usado pela primeira vez o encapsulamento na forma de cartucho, chamado SECC. SECC. No interior deste cartucho metálico existe uma pequena placa contendo o processador e os chips de memória SRAM que formam a cache L2 de 512 kB. O conector da placa de CPU no qual é encaixado o Pentium II é chamado de Slot 1. Além da cache L2 de 512 kB e da cache L1 de 32 kB, o Pentium II possui instruções MMX. Seu microcódigo foi otimizado para permitir maior eficiência no processamento de programas de 16 bits, sanando assim uma deficiência do Pentium Pro, que era otimizado para operações de 32 bits.

Figura 7

Processador Pentium II.

 

 

Uma das características interessantes introduzidas no do Pentium II e mantida nos processadores mais modernos é a sua capacidade de informar a sua voltagem de funcionamento do núcleo interno. Não era mais preciso programar a tensão interna do processador através de jumpers da placa de CPU, como ocorria com a maioria dos processadores lançados até então.

O Pentium II e o barramento de 100 MHz

Depois de alguns meses produzindo modelos com clock externo de 66 MHz, a Intel lançou novas versões do Pentium II que aumentaram o clock externo para 100 MHz. Isso possibilitou um aumento de 50% na velocidade de acesso à memória. Ficaram portanto disponíveis as seguintes versões do Pentium II:

233, 266, 300 e 333 MHz: operam com clock externo de 66 MHz
350, 400 e 450 MHz: operam com clock externo de 100 MHz

A partir de então todos os novos processadores passaram a utilizar clocks de 100 MHz e superiores. A Intel lançou ainda o chipset i440BX, o primeiro a suportar o clock externo de 100 MHz.

Upgrades em placas com Pentium II

Nem sempre vale a pena fazer um upgrade em uma placa de CPU para Pentium II, instalando um novo processador. Se a placa tiver barramento de 66 MHz, decididamente não valerá a pena instalar um novo processador. As versões mais velozes do Pentium II operam com clock externo de 100 MHz e têm os multiplicadores travados. Se instarmos um Pentium II/450 (100 MHz x 4,5) em uma placa de CPU Pentium II com barramento de 66 MHz, o processador irá operar com apenas 300 MHz (66 MHz x 4,5), o que inviabiliza os upgrades. E não compensa trocar, por exemplo, um Pentium II de 233 MHz por um de apenas 300 MHz. Também não vale a pena instalar um Pentium III, já que suas versões mais novas operam com voltagens incompatíveis com as do Pentium II. A versão mais veloz do Pentium III que tem voltagens compatíveis com as do Pentium II é o de 600 MHz, porém ao ser instalado em um barramento de 66 MHz, irá operar com clock interno de apenas 400 MHz. Além disso o Pentium III na versão cartucho é relativamente difícil de ser encontrado.

Celeron

O Celeron, ao ser lançado, era um Pentium II sem cache L2. Como operava apenas com seus 32 kB de cache L1, o Celeron era bem mais lento que o Pentium II. Um Celeron de 266 MHz, por exemplo, chegava a perder para o Pentium MMX/233 em termos de desempenho. Um outro fator que prejudicava o seu desempenho era o barramento externo de 66 MHz, usado mesmo na época em que o Pentium II já operava com 100 MHz externos, e que o Pentium III operava com 100 e 133 MHz externos. Ainda assim fez um relativo sucesso no mercado de PCs de baixo custo.

Este processador pode ser instalado nas mesmas placas de CPU projetadas para o Pentium II e Pentium III. O Celeron era uma alternativa barata em relação ao Pentium II/III, apesar de não apresentar vanta­gens em relação aos outros processadores para a sua faixa de preço, produzidos pela AMD e Cyrix. Pouco depois o Celeron sofreu melhoramentos e passou e incluir uma cache L2 de 128 kB. O encapsulamento usado nos primeiros Celerons era chamado de SEPP (Single Edge Processor Package).

Figura 8

Uma das primeiras versões do Celeron, ainda usando o encapsulamento SEPP para Slot 1.

 

Posteriormente a Intel passou a produzir o Celeron com o encapsulamento PPGA (Plastic Pin Grid Array). O soquete usado é do tipo ZIF, porém chamado de Socket 370.

Figura 9

Processador Celeron PPGA - Socket 370.

 

 

Finalmente a Intel passou a produzir o Celeron com um novo formato, chamado FC-PGA ((Flip-Chip Pin Grid Array), o mesmo das versões mais recentes do Pentium III. Apenas a parte superior do processador era diferente. A parte inferior é idêntica, inclusive usa também o Socket 370.

Figura 10

Celeron com encapsulamento FC-PGA.

 

 

Upgrades envolvendo o Celeron

Sempre é possível fazer um upgrade de processador em PCs equipados com o Celeron, fazendo a sua substituição por um Pentium II ou Pentium III. Para cada modelo de Celeron, sempre encontramos um modelo de Pentium II ou Pentium III com características de voltagem semelhantes. Apenas fazendo a troca do Celeron por um Pentium II ou Pentium III de mesmo clock, conseguimos um ganho de desempenho de cerca de 30%. Podemos entretanto usar um novo processdor com clock maior, resultando em desempenho ainda maior. As placas de CPU produzidas a partir de meados de 1998 suportam barramento de 100 MHz, e operam com 66 MHz quando utilizadas com o Celeron. Através de jumpers, do CMOS Setup ou mesmo por detecção automática, o barramento é ajustado para 100 ou 133 MHz para a instalação do novo processador.

Pentium III

O Pentium III foi lançado em 1999, inicialmente como um melhoramento do Pentium II. Utilizava o encapsulamento em forma de cartucho chamado SECC2 (Single Edge Contact Cartridge 2), uma versão derivada do SECC, usado pelo Pentium II.

Figura 11

Pentium III com encapsulamento SECC2.  

 

Os primeiros processadores Pentium III utilizavam o núcleo chamado Katmai, semelhante ao do Pentium II, porém com pequenas diferenças, como as novas instruções SSE (Streamed SIMD Extensions), voltadas para processamento 3D e multimídia. O novo núcleo Coppermine foi introduzido em meados do ano 2000. Possui uma nova cache L2 de 256 kB integrada ao núcleo. Esta nova versão do Pentium III passou a ser produzida no tradicional encapsulamento SECC2 e também no novo FC-PGA (Flip Chip Pin Grid Array).

Figura 12

Pentium III com encapsulamento FC-PGA.

 

 

 

Note que a cache L2 do Pentium III Katmai não é integrada ao seu núcleo, ou seja, é formada por chips discretos adicionais (“discretos”, significa que tratam-se de componentes independentes do processador). Possui 512 kB e opera com a metade da freqüência do processador, a exemplo do que ocorria com o Pentium II. Por exemplo, em um Pentium III/500, a cache L2 operava com 250 MHz.

Muitas placas de CPU para Pentium II podem ser usadas para instalar um Pentium III, desde que o barramento externo seja de 100 MHz. Placas para Pentium II mais antigas operavam com apenas 66 MHz (ex: chipset i440LX), e desta forma não aproveitavam todo o potencial do Pentium III. A partir de 600 MHz, o Pentium III passou a ser também oferecido com o clock externo de 133 MHz.

Também deve ser tomado cuidado com a questão do cooler. Existem coolers que são próprios para o Pentium II, e outros que são próprios para o Pentium III. O Pentium II possui na sua parte posterior uma chapa metálica para acoplar o ventilador e facilitar a dissipação de calor. O seu encapsulamento é conhecido como SECC. O Pentium III usa o SECC2 (apesar de existirem versões com o SECC, igual ao do Pentium II), que não possui esta chapa metálica, ficando exposta a placa onde está o processador e a cache L2. Conjuntos de ventilador/dissipador para o Pentium III SECC2 deverão conter a chapa metálica apropriada.

Figura 13

Cartuchos SECC e SECC2, vistas frontais e traseiras.  

 

 

Pentium III Coppermine

A principal característica desta segunda versão do Pentium III é a sua cache L2 embutida no próprio núcleo do processador (cache L2 on-die). O Pentium III Coppermine tem cache L2 embutida operando na mesma freqüência do núcleo (full speed). Em outras palavras, em um Pentium III Coppermine de 600 MHz, a cache L2 opera com 600 MHz, enquanto nas versões Katmai de 600 MHz, a cache L2 operava com apenas 300 MHz. 

Apesar de ter apenas 256 MB, a cache L2 do Pentium III Coppermine leva vantagem sobre a cache L2 de 512 kB do Pentium III Katmai, não só por usar um clock duas vezes maior, mas também por operar com 256 bits, ao invés dos 64 bits do Katmai. Esta cache é chamada de Advanced Transfer Cache. O Pentium III passou a adotar o sufixo “E” para indicar este tipo de cache. Todas as novas versões do Pentium III, de 600 MHz em diante, além das versões 550E, 533EB e 500E apresentam cache L2 na nova arquitetura.

Podemos portanto encontrar no Pentium III Coppermine, sufixos como B, E e EB. Os sufixos são usados apenas quando necessários, para diferenciar entre modelos diferentes, porém de mesmo clock.

Pentium III Tualatin

Em meados do ano 2001 a Intel lançou esta terceira versão do Pentium III, chamada Tualatin. Uma curiosa novidade do Pentium III Tualatin é a voltagem externa, que passa a ser de 2,5 volts. Durante vários anos os processadores têm operado com voltagem externa de 3,3 volts, enquanto a voltagem interna se tornava cada vez menor. A partir de então a tensão de 2,5 volts se tornará padrão para chipsets, memórias e processadores. Um Pentium III Tualatin não pode ser instalado em uma placa de CPU para Pentium III Coppermine, já que nesses modelos a tensão externa é de 3,3 volts, e não 2,5 volts. Novas placas de CPU para Pentium III operam tanto com 3,3 como com 2,5 volts.

Figura 14

Pentium III Tualatin, com encapsulamento FC-PGA2.

 

 

O novo Pentium III utiliza o encapsulamento FC-PGA2, uma variante do FC-PGA. A diferença está no dissipador de calor localizado na sua parte superior. Além de facilitar a dissipação, este dissipador também dá maior rigidez mecânica ao processador, protegendo o seu núcleo de choques mecânicos e outros acidentes. O Pentium III Tualatin é oferecido com caches L2 de 256 kB ou 512 kB.

Upgrades envolvendo o Pentium III

As chances de fazer um upgrade compensador em placas de CPU equipadas com o Pentium III são muito grandes. De um modo geral é preciso checar se a nova placa de CPU suporta as voltagens e o clock externo do novo processador. As primeiras placas de CPU para Pentium III ofereciam apenas o clock externo de 100 MHz. A partir do final de 1999 as placas de CPU passaram a oferecer as opções de 100 e 133 MHz. A questão da voltagem normalmente não é muito problemática. Tudo depende da versão do VRM (voltage regulator module) existente na placa de CPU. As versões mais novas em geral abrangem a maior parte da faixa de voltagens das versões anteriores, mesmo assim existem casos de incompatibilidade. Placas de CPU mais recentes podem não gerar as voltagens exigidas pelos processadores mais antigos, mesmo que o soquete seja compatível. Uma forma simples de checar a compatibilidade é consultar o manual da placa de CPU, verificando quais são as novas versões suportadas. A seguir fazemos uma consulta ao site do fabricante da placa de CPU, onde podemos checar informações mais atualizadas sobre o assunto.

Pentium 4

Este processador inaugurou finalmente uma nova família de chips Intel de alto desempenho. A família anterior, formada pelos processadores Pentium Pro, Pentium II, Pentium III e Celeron, era baseada na microarquitetura P6. Cada um deles não era na verdade um projeto novo, mas um melhoramento do projeto anterior.

Figura 15

Processador Pentium 4.

 

 

São as seguintes as principais inovações do Pentium 4:

Um PC baseado no Pentium 4 tem algumas características diferentes. Os gabinetes precisam ter furos adicionais, compatíveis com um novo sistema de fixação do processador. O soquete é diferente do utilizado no Pentium III. Utiliza o formato ZIF, mas possui 423 pinos (versões mais recentes usam um soquete de 478 pinos). As memórias precisam ser do tipo RDRAM para permitir o funcionamento a 400 MHz, porém existem chipsets que suportam memórias SDRAM e DDR. São necessários coolers diferentes, e os gabinetes devem ter uma boa dissipação de calor, já que o Pentium 4 é um chip bastante quente.

Pouco tempo depois do lançamento do Pentium 4, a Intel criou uma nova versão com um encapsulamento um pouco diferente. Necessita de placas de CPU equipadas com o Socket 478. Pelo menos durante algum tempo serão lançadas novas versões com clocks maiores, para ambos os tipos de soquetes: Socket 423 e Socket 478.

Figura 16

Pentium 4 para Socket 478.

 

 

A cache L2 do Pentium 4 é similar à do Pentium III, com 256 kB, 256 bits e operando na mesma freqüência do núcleo. Nada impede entretanto que sejam futuramente lançadas versões com caches maiores. A Intel não informa o tamanho exato da cache L1 do Pentium 4. Informa apenas que a cache L1 tem 8 kB para dados e mais espaço para armazenar 12k micro-operações, que são as instruções aguardando para serem executadas dentro do processador.

AMD Athlon

Lançado em meados de 1999, este novo processador AMD trazia uma característica inédita: tomou o primeiro lugar da Intel na corrida pelo processador mais rápido para PCs. Um Athlon/550, por exemplo, era sensivelmente mais veloz que um Pentium III/550, e seu custo era menor.

Figura 17

Processador AMD Athlon para Slot A.

 

A primeira versão do Athlon utilizava um encapsulamento de cartucho, similar ao do Pentium II e do Pentium III. O seu soquete, chamado Slot A, era bastante parecido com o Slot 1, entretanto não são compatíveis do ponto de vista elétrico. Não é possível encaixar um Athlon em um Slot 1, assim como não é possível encaixar um Pentium II/III em um Slot A. Ambos os conectores são parecidos, mas possuem chanfros em posições diferentes que impedem o encaixe do processador errado.

Barramento de 200 a 400 MHz

O Athlon foi criado para operar com um barramento externo de 200 MHz, podendo ter este clock aumentado para até 400 MHz em novas versões. Este barramento emprega um método chamado DDR (Double Data Rate), já utilizado por vários barramentos para obter clocks maiores. Em cada período de clock, o Athlon realiza duas transferências de dados, portanto cada período vale por dois. Com o clock de 100 MHz e usando DDR, o resultado é equivalente ao de um clock de 200 MHz. Com 133 MHz e DDR, o resultado é 266 MHz. As primeiras versões do Athlon operavam com 100 MHz x 2. No final do ano 2000 foram lançadas versões de 133 MHz x 2.

Mesmo sendo o Athlon capaz de operar a 200 MHz externos, as primeiras placas de CPU para Athlon não suportavam memórias de 200 MHz, pois elas simplesmente não existiam. Os primeiros chipsets faziam a comunicação com o processador à taxa de 200 MHz (100 MHz com DDR), mas comunicavam-se com a memória a 100 ou 133 MHz (memórias PC100 e PC133). Finalmente no ano 2001 chegaram ao mercado as memórias de 200 e 266 MHz (DDR SDRAM), bem como as placas de CPU capazes de operar com essas memórias.

O Athlon possui vários recursos que resultam em alto desempenho. Entre eles citamos a unidade de ponto flutuante mais eficiente que a dos processadores Intel, a cache L1 de 128 kB e as instruções Enhanced 3D Now.

Athlon T-Bird

Assim como a Intel integrou a cache L2 no núcleo do Pentium III Coppermine, a AMD lançou uma nova versão do Athlon, também com cache L2 de 256 kB integrada ao núcleo. É o chamado Athlon T-Bird (ou Thunderbird). Esta novo Athlon era produzido tanto no formato de cartucho (para Slot A) como no formato PGA (para Socket A).

Figura 18

Processador Athlon T-Bird para Socket A.

 

 

 

Apesar dos novos processadores Athlon terem encapsulamento PGA, a AMD ainda produz versões de cartucho. Podemos identificar facilmente um Athlon T-Bird de cartucho. Observe inicialmente a inscrição existente no cartucho, por exemplo:

AMD A850 MPR24B A

Trata-se de um Athlon de 850 MHz (A850) em forma de cartucho (M=Cartucho, P=PGA), voltagem interna de 1,7 volts (T=1,6V, P=1,7V, M=1,75V, N=1,8V), temperatura externa máxima de 70 graus (R), cache L2 de 256 kB (2), divisor de cache 1:1 (4), e barramento de 200 MHz (B). O que caracteriza o Athlon T-Bird de cartucho é o indicador 24 para a sua cache L2.

Os Athlons com encapsulamento PGA têm uma nomenclatura um pouco diferente. Por exemplo:

A 1400 AMS3C

Trata-se de um Athlon de 1400 MHz (A 1400), com encapsulamento PGA (A), voltagem interna de 1,75 volts (M=1,75V, P=1,7V), temperatura máxima de 95 graus (S=95oC e T=90oC), cache L2 de 256 kB (3) e barramento externo de 266 MHz (B=200 MHz, C=266 MHz). São informações úteis para conferir o processador na ocasião da compra, e também para configurar corretamente um computador durante sua montagem, manutenção ou expansão.

Athlon XP, Athlon MP e Athlon 4

Depois de lançar o Athlon T-Bird, a AMD criou uma nova geração formada por três modelos: o Athlon MP (servidores e workstations), o Athlon 4 (portáteis), e finalmente o Athlon XP (inicialmente conhecido como Palomino). Essas novas versões do Athlon possuem otimizações diversas, tais como Professional 3D Now (compatíveis com o SSE do Pentium III) e menor consumo de energia.

Os processadores Athlon XP são classificados não de acordo com o seu clock, mas através de uma comparação com o Pentium 4. Por exemplo, o model 1900+ opera na verdade com clock de 1,6 GHz, mas supera o desempenho de um Pentium 4 operando a 1,9 GHz. Esta alteração nas especificações se deve ao fato de um Athlon superar com boa margem, um Pentium 4 de mesmo clock.

O Athlon MP é uma versão do Athlon capaz de operar em placas de CPU com múltiplos processadores. O Athlon 4 é uma versão destinada ao mercado de PCs portáteis.

AMD Duron

Assim como a Intel produziu processadores Celeron como versões de menor custo e menor desempenho do Pentium II e Pentium III, a AMD produziu a partir do Athlon T-Bird, o AMD Duron. A única diferença entre o Athlon e o Duron é a cache L2. O Athlon tem 256 kB, enquanto o Duron tem 64 KB. O Duron não foi produzido em versões de cartucho. Foi criado já na versão T-Bird, com encapsulamento PGA.

Figura 19

Processador AMD Duron.

 

 

Upgrades envolvendo o Athlon e o Duron

Trocar um processador Athlon ou Duron por outro mais veloz é um upgrade vantajoso em termos de desempenho. O desempenho desses processadores é proporcional ao seu clock. Por exemplo, um Athlon de 1600 MHz é cerca de duas vezes mais veloz que um Athlon de 800 MHz. Além disso, um Athlon é cerca de 15% a 20% mais veloz que um Duron de mesmo clock.

Um aspecto que sempre deve ser levado em conta na troca de um processador é a voltagem. Os primeiros processadores Athlon, com encapsulamento de cartucho, operavam com 1,7 volts internos, mas as placas de CPU estão preparadas para gerar voltagens entre 1,30 volts e 2,05 volts, em intervalos de 0,05 volt. Todos os processadores Athlon no formato de cartucho operam com voltagens compatíveis com as que as placas podem gerar. A maioria deles opera com tensões em torno de 1,7 volts.

Processadores Duron e Atlhon no formato PGA (o que inclui o Athlon XP) também operam com tensões próximas de 1,7 volts, mas as placas de CPU estão preparadas para gerar tensões de 1,1 volt a 1,85 volt, em intervalos de 0,025 volt. Portanto não existe problema de compatibilidade no que diz respeito à voltagem. Uma placa de CPU com Socket A equipada com uma versão “antiga” do Athlon com encapsulamento PGA irá gerar corretamente a voltagem requerida pelas versões mais novas do Athlon, como o XP.

O único problema de compatibilidade que pode ocorrer em um upgrade de processadores Athlon é a falta do barramento externo de 266 MHz. Durante os dois primeiros anos de produção, as placas de CPU para Athlon operavam com clock externo de 200 MHz (100 MHz com DDR). Só então surgiram placas, e também os processadores Athlon com clock externo de 200 MHz. Se instalarmos um Athlon XP de 1600 MHz (que é na verdade chamado de Athlon XP 1900+) em uma placa de CPU que opera com barramento externo de 200 MHz, este Athlon XP irá operar com apenas 1200 MHz. A redução de 25% no clock externo resulta na mesma redução de 25% no clock interno. Portanto antes de fazer a troca de um processador Athlon, verifique se a placa de CPU suporta o clock externo de 266 MHz, ou então procure uma versão do Athlon com clock externo de 200 MHz. Infelizmente a tendência é não serem mais fabricadas versões com clock externo de 200 MHz. Por exemplo, todos os modelos do Athlon XP (pelo menos na ocasião do seu lançamento) operavam com clock externo de 266 MHz, prejudicando a sua instalação em placas de CPU que operam com 200 MHz.

VIA Cyrix III

Apesar deste processador ser bastante raro no Brasil, não poderíamos deixar de fazer uma citação. Afinal a Cyrix sempre foi o terceiro maior fabricante de processadores para PCs. Infelizmente a Cyrix mudou de dono duas vezes ao longo dos útlimos anos. Foi comprada pela National Semiconductors, que praticamente a sucateou. Passou muito tempo sem novos lançamentos, até que foi finalmente comprada pela VIA Technologies. Foi então criado o processador Via Cyrix III. Ele é na verdade uma espécie de Celeron, tendo alguns pontos superiores e outros inferiores. Os pontos superiores são:

Seu ponto fraco é a ausência de cache L2. Isso lembra os primeiros processadores Celeron, que também não tinham cache L2.

Figura 20

Processador VIA Cyrix III.

 

 

VIA C3

Um ponto fraco do VIA Cyrix III é a ausência de cache L2. Por isso a VIA optou por incluir uma cache L2 de 64 kB no seu novo processador, o VIA C3. Possui portanto as seguintes características:

Uma placa para cada processador

Passaremos a partir de agora a discutir as placas de CPU usadas em PCs. Conhecendo melhor essas placas você terá condições de fazer um upgrade de processador, ou então um upgrade de placa de CPU.

No passado, as placas de CPU eram universais e permitiam instalar diversos processadores da mesma família. Hoje em dia a variedade é muito maior, as placas para um tipo de processador não permitem instalar modelos de outras famílias. É portanto preciso levar em conta a compatibilidade com o processador a ser usado:

Soquete do processador

Processadores suportados

Socket 423 e Socket 478

Pentium 4

Socket 370

Pentium III FC-PGA e Celeron PPGA/FC-PGA, Via C3.

Slot 1

Pentium II, Pentium III e Celeron SEPP

Socket A

AMD Duron, Athlon PGA ou Athlon MP

Slot A

AMD Athlon SEC

Super 7

AMD K6, K6-2, K6-III, Cyrix M-II, Pentium, Pentium MMX, voltagem programada por jumpers.

Outra questão importante é o barramento externo. Muitas placas para Pentium III, por exemplo, operam com barramento externo de no máximo 100 MHz. Ao ser instalado um Pentium III/800EB, por exemplo (que exige o clock externo de 133 MHz), ele funcionará com apenas 600 MHz. A razão disso é que esta versão do Pentium III usa barramento de 133 MHz e multiplicador 6x, resultando em 800 MHz. Ao ser instalado em uma placa com barramento de 100 MHz, o multiplicador 6x (que não pode ser alterado) resultará em apenas 600 MHz.

Também devemos levar em conta a voltagem interna do processador. Placas antigas podem não suportar processadores novos pelo fato de não serem capazes de gerar as voltagens necessárias.

Expansão da CPU

Uma das formas mais eficazes de aumentar a velocidade de um computador é instalando um novo processador. Todas as placas de CPU modernas são projetadas para operar com processadores de diversas velocidades. Uma placa de CPU inicialmente equipada com um Pentium III/600 pode receber posteriormente, digamos, um Pentium III/1000.

Note entretanto que nem sempre o processador será suficiente para aumentar o desempenho de um computador. Um PC pode apresentar um baixo desempenho em gráficos 3D pelo fato de utilizar uma placa de vídeo obsoleta. Pode apresentar lentidão em diversas situações pelo fato de apresentar pouca memória. Quando um PC torna-se muito lento em certas ocasiões, fazendo muitos acessos a disco (veja o LED de acesso ao HD) quando na verdade não deveria estar acessando tantos arquivos, a lentidão pode estar sendo causada pela baixa quantidade de memória, obrigando o sistema operacional a utilizar a memória virtual.

Figura 50

Monitorando a quantidade de memória (Windows 9x/ME).

 

 

 

Para tirar a dúvida, use o programa Monitor do Sistema, mostrado na figura 50. Este programa está no menu de utilitários do Windows 9x/ME. Se não o encontrar, instale-o, usando Painel de Controle / Adicionar e Remover programas / Instalação do Windows / Ferramentas do Sistema / Monitor do Sistema. Use o o comando Editar / Adicionar itens, e indique os dois itens:

Gerenciador de memória: Arquivo de permuta em uso
Gerenciador de memória: Memória física não usada

O computador torna-se lento por falta de memória quando a memória física não usada chega ao valor zero e o tamanho do arquivo de permuta em uso cresce à medida em que são usados novos programas e que são abertos novos arquivos. Se a lentidão estiver ligada a esses dois fatores, não adianta instalar um novo processador. O problema é falta de memória.

No Windows XP, o quantidade de memória física disponível pode ser monitorada pelo Gerenciador de tarefas. Pressione Control-Alt-Del e no quadro apresentado, selecione a guia Desempenho. Serão apresentadas informações úteis sobre o desempenho, como a taxa de uso do processador e a quantidade de memória física livre.

Processadores suportados

Ao decidir instalar um novo processador, precisamos identificar quais são os modelos suportados pela placa de CPU. Para isto consultamos inicialmente o seu manual. Podemos ter instalado, por exemplo, um Pentium III/550, e o manual indicar que pode ser instalado no máximo um Pentium III/733. Se este processador for suficientemente veloz para nossas necessidades, podemos fazer a sua instalação. Se quisermos um processador ainda mais veloz, devemos consultar o site do fabricante da placa de CPU e verificar se existem informações atualizadas, com indicações de processadores mais novos.

Figura 51

O manual da placa de CPU indica no máximo o Pentium III/733.

 

 

 

A figura 51 mostra o exemplo da placa de CPU Asus P3V4X. É indicado que o processador mais veloz suportado é o Pentium III/733. No site do fabricante entretanto podemos saber se processadores mais novos podem ser usados. Para esta mesma placa, encontramos (figura 52) instruções para instalar um Pentium III de 866, 933 e até (não mostradas na figura) 1000 MHz. Em alguns casos pode ser preciso realizar atualizações de BIOS para que os novos processadores sejam usados. Também é preciso checar a versão da placa (PCB Revision). As primeiras unidades produzidas podem realmente apresentar problemas com processadores mais novos, não disponíveis na época da sua fabricação. Eventuais problemas são corrigidos e são lançadas novas versões da placa. Portanto, para ter certeza absoluta de que um novo processador realmente pode ser usado é preciso buscar informações no manual da placa de CPU, bem como no site do seu fabricante.

Figura 52

No site do fabricante existem instruções para o uso de processadores mais velozes, de 866, 933 e 1000 MHz.  

Trocar um processador antigo por um outro mais novo da mesma família, com clock 20, 30, 40% maior, dificilmente trará melhoramentos. Não vamos portanto notar muita diferença entre um Celeron/466 e um Celeron/633, nem entre um Pentium III/550 e um Pentium III/733. É vantagem trocar Celeron por Pentium III, assim como trocar Duron por Athlon. Para ter um bom ganho de velocidade é também recomendável que o clock do novo processador seja substancialmente mais elevado que o do antigo. Por exemplo, passar do patamar de 500 para 900 MHz trará um bom melhoramento.

Placas que reconhecem automaticamente o processador

Instalar um novo processador é uma tarefa tão simples quanto foi instalar o antigo processador. É preciso configurar a placa de acordo com o processador que está sendo instalado. Isto significa indicar:

Os processadores modernos indicam automaticamente para a placa de CPU, a voltagem interna que necessitam para funcionar. Da mesma forma indicam o multiplicador que aplicado sobre o clock externo, resultam no valor do clock interno. Por exemplo, um Pentium III/1000 opera com clock externo de 133 MHz e multiplicador 7.5x. Muitos processadores modernos são “travados” no que diz respeito ao multiplicador, mas são flexíveis no que diz respeito ao clock externo. Um Pentium III/1000 requer um clock externo de 133 MHz, mas este valor não é obrigatório. Usuários adeptos do overclock programam suas placas de CPU para operarem com clocks externos mais elevados. Em geral as placas de CPU possuem jumpers que devem ser configurados de acordo com o clock externo exigido pelo processador.

Graças ao reconhecimento automático da voltagem e do clock interno (multiplicador travado), instalar um novo processador pode requerer apenas um eventual ajuste no clock externo, caso o novo processador opere com um clock externo diferente do utilizado pelo antigo processador.

Placas que requerem reconfiguração de jumpers

Placas de CPU antigas podem requerer que não apenas o clock externo do novo processador seja configurado, mas também o clock interno (multiplicador) e a voltagem. Este é tipicamente o caso dos processadores para o Socket 7 (Pentium, Pentium MMX, K6, K6-2, K6-III, etc.). Esses processadores não informam à placa de CPU a voltagem de que necessitam, por isso normalmente precisamos indicar esta voltagem através de jumpers quando instalamos um novo processador. O clock externo do novo processador também precisa ser indicado, assim como o multiplicador que resultará no clock interno correto. Por exemplo, ao trocarmos um K6-2/350 por um K6-2/550, temos que alterar o multiplicador de 3.5x para 5.5x. Ambos os processadores utilizam o mesmo clock externo de 100 MHz. A voltagem precisará ser corrigida, de acordo com a indicação na face superior do novo processador.

Instalando uma nova placa de CPU

Quando não é viável aumentar a velocidade de um computador através da instalação de um novo processador, devemos trocar a placa de CPU por uma mais moderna, e já equipada com um processador mais veloz. Por exemplo, se você comprou um PC equipado com o processador AMD K6-2/550, não poderá instalar na sua placa de CPU um processador mais veloz. A plataforma Super 7 (Soquete 7 com barramento de 100 MHz e slot AGP) foi descontinuada, o K6-2/550 foi o seu último processador. A única forma de instalar um processador mais veloz é mediante a instalação simultânea de uma nova placa de CPU.

A instalação de uma nova placa de CPU é uma operação mais cara que a troca pura e simples do processador, mas traz diversas vantagens, entre as quais citamos:

Trocar uma placa de CPU é uma operação bem parecida com a montagem de um computador. Ao trocarmos uma placa de CPU, estamos na verdade desmontando um computador e montando-o novamente com uma nova placa. As placas de expansão originais poderão ser aproveitadas, desde que existam slots apropriados na nova placa de CPU. A maioria das placas de CPU de fabricação recente não possuem slots ISA, portanto se no seu PC original existem placas de expansão ISA, procure uma nova placa de CPU que também tenha esses slots, ou então será preciso trocar também as placas de expansão por modelos PCI.

Muitos usuários e técnicos, ao trocarem a placa de CPU, aproveitam para formatar o disco rígido e reinstalar o sistema operacional e demais softwares. Este procedimento está correto, mas não é preciso ter tanto trabalho. Podemos manter todos os softwares instalados. O próprio Windows é capaz de detectar e instalar os dispositivos da nova placa de CPU. Apenas poderá ser preciso instalar os drivers da nova placa de CPU. Esses drivers estão no CD-ROM que acompanha a nova placa de CPU. Trocar a placa de CPU e deixar o Windows detectar os dispositivos da nova placa é um procedimento aceitável, mas não é totalmente correto. Para que seja totalmente correto, é preciso, antes de retirar a placa antiga, eliminar todos os seus dispositivos. Esta operação é feita através do Gerenciador de Dispositivos.

Figura 53

Removendo os dispositivos da antiga placa de CPU.

 

 

 

Faça o seguinte:

1) Ainda com a antiga placa de CPU instalada, abra o Gerenciador de Dispositivos (figura 53).

2) Abra o item Dispositivos do Sistema. 

3) Para cada dispositivo use o botão Remover.

4) Repita o procedimento até remover todos os itens da seção Dispositivos do Sistema.

5) Terminada a remoção, use o comando de desligamento do Windows.

6) Desligue o computador e retire a antiga placa de CPU. Faça a instalação da nova placa.

7) Quando o computador for ligado, o Windows detectará corretamente todos os dispositivos da nova placa de CPU.

OBS.: No Windows XP este procedimento não pode ser adotado. Deixe que o Windows detecte os dispositivos da nova placa de CPU. Caso não esteja sendo usada uma versão OEM, será preciso contactar a Microsoft para ativar o Windows XP novamente.

Expansão do processador em PCs antigos

Consulte o capítulo 27 para detalhes adicionais sobre upgrades que envolvem placas de CPU e placas de expansão antigas.

Overclock

Overclock é uma “técnica de envenenamento” do processador, fazendo-o traba­lhar mais rápido que o normal. Por exemplo, é possível fazer um K6-2/450 trabalhar com 550 MHz, programando o seu multiplicador para 5.5x, ao invés de 4.5x, ou fazer um Pentium III/700 trabalhar em 933 MHz, programando o seu clock ex­terno para 133 MHz, ao invés de 100 MHz. Praticamente todos os processadores po­dem ser acelerados por overclock, mas esta prática não é recomendável. Nem sempre o overclock funciona, o processador aquece mais e pode ser danificado, o PC torna-se instável, podendo apresentar travamentos diversos. Desaconselhamos totalmente o uso do overclock.

 

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