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Adeus, micro velho

Autor: Laércio Vasconcelos
Data: 13/jun/2007

Sinopse:
É uma aberração produzir em 2007, um artigo que fala sobre processadores de 10 ou 12 anos atrás. Mas temos uma explicação coerente. É que nossos próximos livros, ao abordarem processadores, não irão mais citar modelos antigos, sobretudo os que usam o Socket 7 (Pentium a K6-III). Os “modelos antigos” abordados começarão com Pentium II, Pentium III e Athlon em formato de cartucho. Adicionamos também aqui o Pentium 4 com Socket 423 e a memória RAMBUS, que apesar de não serem tão antigos, seu uso foi extremamente restrito. Nesses livros indicaremos “consulte nosso artigo ADEUS MICRO VELHO” para obter informações sobre antigos processadores. Então este é um artigo para você “não ler”, mas saiba que está disponível caso precise de tais informações. Da mesma forma, outros artigos detalhados sobre modelos antigos poderão ser publicados – mesmo porque alguns concursos exigem ainda tais informações.

Pentium e outros processadores antigos

O Pentium começou a se tornar comum a partir de 1995, no final da era do 486, e vários outros fabricantes produziram chips similares: AMD, Cyrix, IDT e Rise. O último processador compatível com o Pentium foi o AMD K6-2 de 550 MHz, saindo do mercado no início do ano 2001.

Pentium P54C

Também chamado de Pentium Classic, ou simplesmente Pentium. Foi lançado em 1993, nas versões de 60 e 66 MHz, e tornou-se comum a partir de 1995. Antes do Pentium eram usados processadores mais antigos, como o 286, o 386 e o 486. Observe como os processadores antigos eram bem mais lentos que os atuais: os 60 e 66 MHz dos dois primeiros modelos de Pentium eram seu clock interno e externo.

O Pentium é um processador de 32 bits, mas opera com memórias de 64 bits. Note que essas duas características estão presentes também nos demais processadores modernos. Desde o Pentium até os modernos Athlon e Pentium 4, o núcleo é de 32 bits e o barramento de dados é de 64 bits.

Fisicamente, o Pentium é instalado em um soquete tipo ZIF (Zero Insertion Force). A figura 101 mostra um pro­cessador Pentium e um soquete ZIF. Este soquete é chamado de Socket 7. Outros processa­dores, produzidos por outros fabricantes, que são compatíveis com o Pentium (podendo ser instalados no seu lugar), são ditos Socket 7 compatibles. Esses processadores são: Pentium, Pentium MMX, AMD K5, K6, K6-2, K6-III, Cyrix 6×86, 6x86MX, M-II, WinChip e Rise mP6.

Figura 101

Pentium e seu soquete.

 

 

 

Os modelos de 60 e 66 MHz praticamente não foram vendidos no Brasil. Eram muito caros e a produção era pequena. A popularização começou com os modelos a partir de 75 MHz.

O clock externo de um Pentium pode ser de 50, 60 ou 66 MHz, dependendo do modelo. O valor correto devia ser configurado através de jumpers da placa mãe. Também era preciso configurar o multiplicador que resultava no clock interno. Por exemplo, para configurar um Pentium de 133 MHz, era preciso configurar o clock externo (gerador de clock) para 66 MHz e o multiplicador para x2.

Pentium

Clocks do Pentium Clock externo Multiplicador
60 MHz 60 MHz 1
66 MHz 66 MHz 1
75 MHz 50 MHz 1,5
90 MHz 60 MHz 1,5
100 MHz 66 MHz 1,5
120 MHz 60 MHz 2
133 MHz 66 MHz 2
150 MHz 60 MHz 2,5
166 MHz 66 MHz 2,5
200 MHz 66 MHz 3

Além de configurar o clock externo e o multiplicador, também era preciso configurar a voltagem de operação. No capítulo 4 mostraremos como isso é feito.

Pentium MMX

Trata-se de uma versão avançada do Pentium, lançada em 1997. O Pentium original foi acrescido de 57 novas instruções para processamento de gráficos, som e imagem. Uma única instrução MMX realiza o pro­cessamento equivalente ao de várias instruções comuns. Todos os processadores modernos possuem instruções MMX.

Figura 102

Pentium MMX.

 

 

 

Uma placa mãe projetada para o Pentium nem sempre suporta o Pentium MMX. O Pentium MMX foi o primeiro processador Intel a operar com duas voltagens: uma interna (2,8 volts) e uma externa (3,3 volts). As placas mãe para Pentium existentes no lançamento do Pentium MMX não tinham configurações separadas para essas duas voltagens. A partir de 1997 esta opção passou a estar presente nas placas mãe.

Pentium MMX para Desktop

Clocks do Pentium Clock externo Multiplicador
166 MHz 66 MHz 2,5
200 MHz 66 MHz 3
233 MHz 66 MHz 3,5

OBS: Foram produzidos ainda modelos de 266 e 300 MHz para notebooks

Figura 103

Operação de um Pentium-200.

 

 

 

A figura 103 mostra a operação de um Pentium-200. O clock externo deve ser configurado em 66 MHz e o multiplicador deve ser configurado como x3, resultando no clock interno de 200 MHz.

Upgrades dos processadores Pentium e Pentium MMX

Placas de CPU que suportam o Pentium MMX precisam ser capazes de gerar as duas voltagens exigidas pelo processador: 2,8 (internos) e 3,3 volts (externos). Placas de CPU lançadas a partir de 1997 estão preparadas para gerar essas tensões (é preciso confirmar no manual da placa). As placas de CPU com Socket 7 de fabricação ainda mais recente (meados de 1998 em diante) podem gerar praticamente qualquer voltagem interna para o processador, entre 2,0 volts e 3,5 volts.

Antigas placas para o Pentium P54C podem sofrer um upgrade para Pentium MMX, desde que possuam jumpers para configuração de voltagem interna, programando-a com 2,8 volts. Em geral as placas que apresentam este recurso podem gerar outras tensões internas, como 2,9 volts e 3,2 volts. Com essas voltagens internas, essas placas estão aptas a receber outros processadores mais avançados, como os diversos modelos da Cyrix e o AMD K6.

Defeito:   Um processador Pentium MMX apresentará comportamento errático e travamentos se for instalado em uma placa mãe que não tenha configuração de voltagem para 2,8 volts.

O Pentium II e o barramento de 100 MHz

Depois de alguns meses produzindo modelos com clock externo de 66 MHz, a Intel lançou novas versões do Pentium II que aumentaram o clock externo para 100 MHz. Isso possibilitou um aumento de 50% na velocidade de acesso à memória. Ficaram portanto disponíveis as seguintes versões do Pentium II:

Clock interno Clock externo Multiplicador
233 MHz 66 MHz 3,5
266 MHz 66 MHz 4
300 MHz 66 MHz 4,5
333 MHz 66 MHz 5
350 MHz 100 MHz 3,5
400 MHz 100 MHz 4
450 MHz 100 MHz 4,5

Os primeiros processadores Pentium II tinham pinos que eram ligados a jumpers da placa mãe através dos quais era programado o seu multiplicador que resultava no clock interno. No exemplo da figura 84, vemos que o Pentium de 266 MHz deve ter o gerador de clock configurado como 66 MHz e o multiplicador como 4.

Figura 84

Operação de um Pentium II de 266 MHz.

 

 

 

Note que o Pentium II, assim como os demais processadores da sua época, não multiplica o valor do clock recebido do gerador de clock para definir o clock externos. Em outras palavras, o clock externo é o próprio clock configurado no gerador de clock.

Na figura 85 vemos a operação de um Pentium II de 450 MHz. O gerador de clock deve ser configurado para 100 MHz, e o multiplicador deve ser configurado como 4,5.

Figura 85

Operação de um Pentium II de 450 MHz.

 

 

 

O Pentium II foi o primeiro processador a utilizar multiplicadores travados. Antes dele, os processadores tinham seu multiplicador interno configurado através de jumpers. Muitos vendedores desonestos aproveitavam esse recurso para vender “gato por lebre”. Configuravam, por exemplo, um Pentium II de 233 MHz com multiplicador 4, ao invés de 3,5. O processador de 233 MHz passava a operar com 266 MHz, porém com baixa confiabilidade. O usuário pagava por um processador de 266 MHz e recebia um modelo de 233 MHz acelerado.

Para evitar essas falsificações, a Intel passou a cortar internamente as ligações que definiam os multiplicadores. O multiplicador passou a ser configurado internamente, de forma fixa, e não mais ligado nos pinos externos. Apesar de ser possível atuar sobre os jumpers da placa mãe que definem o multiplicador, seu valor externo é ignorado, valendo sempre o valor interno definido na fábrica.

Processadores AMD

Desde os anos 80 a AMD produz processadores similares aos da Intel. No início as duas empresas eram parceiras. A AMD era licenciada pela Intel para produzir chips idênticos aos seus. A partir do processador Am386, a AMD passou a ser concorrente da Intel. Seu grande sucesso nos últimos anos é devido ao processador K6-2, e mais recentemente aos processadores da família Athlon.

AMD K5

Este foi o primeiro chip compatível com o Pentium lançado pela AMD. Era veloz, inteiramente compatível com o Pentium e bem mais barato. Entretanto demorou muito a chegar ao mer­cado e não fez tanto sucesso. O K5 tinha 24 kB de cache L1, e podia ser instalado na maioria das placas mãe para Pentium.

AMD K6

A maioria das características do K6 são similares às do Pentium MMX. O sis­tema de clock interno e externo, por exemplo, é totalmente similar. Utiliza no bar­ramento externo, o clock de 66 MHz.

Figura 104

AMD K6 de 233 MHz.

 

 

 

O K6 dissipa uma quantidade de calor maior que o Pentium MMX. É preciso utilizar coolers de maior tamanho, com a parte de alumínio com 2 ou 3 cm de altura. O K6 dissipa entre 12 e 28 watts, dependendo do seu clock e da sua voltagem. Os modelos alimentados por 2,9 ou 3,3 volts esquentam mais (17 a 28 watts) que os modelos mais novos, alimentados por 2,2 volts (12 a 15 watts). A tensão de alimentação de um processador em geral é indicada na sua face superior, como vemos na figura 104. Como regra geral, use um cooler de bom tamanho, de preferência com 3 cm de altura e acoplado ao processador através de pasta térmica. Como hoje não existem mais à venda coolers para K6, você pode, em caso de necessidade, usar um cooler para Socket A.

Clocks do AMD K6 Clock externo Multiplicador
200 MHz 66 MHz 3x
233 MHz 66 MHz 3.5x
266 MHz 66 MHz 4x
300 MHz 66 MHz 4,5x

Super 7 – O Socket 7 a 100 MHz

Depois do lançamento do Pentium II, a Intel abandonou todo o suporte relacionado com a plataforma Socket 7. A AMD e os demais fabricantes de processadores, assim como os fabricantes de chipsets, passaram a especificar melhoramentos no Socket 7, visando aumentar o desempenho dos seus processadores. Foi criado então o padrão Super 7, que nada mais é que Socket 7 operando com clock externo de 100 MHz, e incluindo o barramento AGP, possibilitando o uso de placas de vídeo 3D de alto desempenho. Ao longo de 1998 as placas de CPU para Socket 7 de 66 MHz foram dando lugar aos modelos para Super 7, com barramento de 100 MHz.

Upgrades envolvendo o AMD K6

Muitas placas mãe para Pentium podem receber um K6, desde que a placa ofereça multiplicadores adequados. Por exemplo, para instalar um K6 de 300 MHz, é preciso usar o clock externo de 66 MHz e o multiplicador 4,5. Ocorre que muitas dessas placas usam multiplicadores de até 3,5, limitando a 233 MHz o clock do processador. Se a placa mãe permitir a instalação de um K6-2, devemos dar preferência a este. Além de operar com clocks mais elevados, o K6-2 tem instruções para processamento 3D, não presentes no K6.

AMD K6-2

Este foi o sucessor do K6. Inicialmente chamado de “K6 3D”, era um K6 com clock externo de até 100 MHz e instruções 3D Now, usadas para processamento de imagens tridimensionais. Sua cache interna também é de 64 kB e suas tensões de alimentação variavam de 2,2 a 2,4 volts.

Podemos encontrar vários modelos do K6-2, a maioria deles operando com clocks externos de 100 MHz. Alguns modelos usam o clock externo de 95 MHz, e outros de 66 MHz. A tabela que se segue mostra os clocks externos e multiplicadores usados nas diversas versões do K6-2.

Clocks do AMD K6-2 Clock externo Multiplicador
266 MHz 66 MHz 4x
300 MHz 66 MHz 4.5x
300 MHz 100 MHz 3x
333 MHz 66 MHz 5x
366 MHz 66 MHz 6x
380 MHz 95 MHz 4x
400 MHz 100 MHz 4x
450 MHz 100 MHz 4.5x
475 MHz 95 MHz 5x
500 MHz 100 MHz 5x
533 MHz 95 MHz 5.5x
550 MHz 100 MHz 5.5x

A figura 105 mostra a operação de um K6-2/550. O clock externo deve ser programado para 100 MHz, e o multiplicador para 5,5 através dos jumpers da placa mãe, resultando no clock interno de 550 MHz. Também é preciso configurar a voltagem interna do processador, como mostraremos no capítulo 4.

Figura 105

Operação de um K6-2/550.

 

 

 

Problemas de aquecimento do AMD K6-2

Assim como ocorreu com o K6, muitos processadores K6-2 apresentaram problemas de aquecimento, pelo fato de terem sido instalados sem respeitar as especificações de cooler indicadas pela AMD. Muitos produtores de micros não utilizavam pasta térmica e instalavam coolers de porte pequeno. Desta forma, os modelos mais sensíveis a temperatura e que dissipavam mais calor funcionavam mal, apresentando travamentos e outras anomalias. Tais problemas não teriam ocorrido se fossem usados coolers de tamanho adequado (parte de alumínio com 2,5 cm ou 3 cm de altura), e acoplados através de pasta térmica.

Defeito:   Problemas de aquecimento nos processadores da família K6 são muito comuns, ora porque não foi usada pasta térmica, ora porque o cooler não tem tamanho suficiente.

Upgrades envolvendo o AMD K6-2

O único upgrade que um processador K6-2 pode sofrer é a sua substituição por um modelo mais veloz do próprio K6-2, ou então por um K6-III. Não recomendamos a troca de um K6-2 por outro mais veloz, pois o aumento de desempenho é muito pequeno. Não chega a 30% o aumento de desempenho obtido quando trocamos um K6-2/300 por um K6-2/550, por exemplo. Já a troca por um K6-III é vantajosa, porém este processador é muito raro. O K6-III possui uma cache L2 integrada ao seu núcleo, assim como ocorre com processadores mais novos, como o Athlon e o Pentium III. Isto faz com que um K6-III/400 seja bem mais veloz que um K6-2/550.

AMD K6-III

Inicialmente chamado de “K6+3D”, tinha uma grande vantagem sobre o K6-2: uma cache L2 interna de 256 kB, operando com o mesmo clock do processador. Em um processador AMD K6-III de 400 MHz, a cache L2 opera também com 400 MHz, enquanto no K6-2 esta velocidade era de apenas 100 MHz. As placas de CPU com o soquete Super 7, destinadas ao K6-2, podiam perfeitamente suportar o K6-III. Os únicos requisitos especiais deste processador eram o barramento de 100 MHz (padrão do Super 7) e a possibilidade de configurar a tensão interna do processador para 2,4 volts ou 2,2 volts.

O K6-III foi lançado apenas nas versões de 400 e 450 MHz. Existem versões com tensão interna de 2,2 volts e de 2,4 volts. Eram processadores quentes para a época, chegando a dissipar quase 30 watts. É preciso utilizar um cooler de bom tamanho (3 cm), acoplado ao processador com pasta térmica.

Não é possível fazer upgrades em placas equipadas com o K6-III. O K6-III/450 e o K6-III/400 são os dois processadores mais rápidos para o Socket 7, superando até mesmo o K6-2/550.

Apesar de não ser vantajoso em termos de velocidade, investir em um upgrade para processadores da família K6, é bastante viável fazer a troca de um processador queimado por outro compatível. É possível encontrar no comércio de peças usadas com relativa facilidade, processadores K6-2 para tal substituição. Basta configurar os jumpers que definem o clock externo, o multiplicador e a voltagem do processador, e instalar um cooler adequado.

Defeito:   Infelizmente algumas placas mãe para K6-2 podem apresentar instabilidades ao usarem o K6-III. É recomendável checar a configuração de voltagem, fazer atualização de BIOS, e em último caso, desativar a cache externa da placa mãe.

Processadores Cyrix

Todos os processadores Cyrix usam a nomenclatura PR (Pentium Rating) para indicar o seu desempenho, ao invés do clock. Na face superior do processador em geral encontramos as três informações básicas para fazer a sua instalação: clock externo, multiplicador e voltagem interna.

O processador Cyrix 6×86 era compatível com o Pentium, e o 6x86MX compatível como Pentium MMX. Isso significa que podiam ser instalados em placas de CPU para Pentium e Pentium MMX, respectivamente. Normalmente esses processadores usam a voltagem interna de 2,9 volts. Uma das diferenças mais importantes é que o 6x86MX possui instruções MMX, similares às do Pentium MMX.

Figura 106

Cyrix 6×86.

 

 

 

A tabela a seguir mostra os diversos modelos do Cyrix 6×86. Note que o valor do clock não é igual ao número do modelo. É preciso configurar o clock externo e o multiplicador de acordo com a tabela. Seja como for, o próprio chip vem com esses valores impressos na sua face superior, como vemos na figura 106.

Modelo Clock interno Clock externo Multiplicador
6×86-P90+ 80 MHz 40 MHz 2x
6×86-P120+ 100 MHz 50 MHz 2x
6×86-P133+ 110 MHz 55 MHz 2x
6×86-P150+ 120 MHz 60 MHz 2x
6×86-P166+ 133 MHz 66 MHz 2x
6×86-P200+ 150 MHz 75 MHz 2x

O processador 6x86MX é um 6×86 com instruções MMX. A tabela abaixo mostra todos os modelos produzidos.

Modelo Clock interno Clock externo Multiplicador
6x86MX-PR166 133 MHz 66 MHz 2x
6x86MX-PR166 150 MHz 60 MHz 2,5x
6x86MX-PR200 166 MHz 66 MHz 2,5x
6x86MX-PR233 188 MHz 75 MHz 2,5x
6x86MX-PR233 200 MHz 66 MHz 3x
6x86MX-PR266 225 MHz 75 MHz 3x
6x86MX-PR266 233 MHz 66 MHz 3,5x

Outro processador da Cyrix é o M-II. Este processador é idêntico ao 6x86MX. A troca de nome foi uma manobra de marketing, visando concorrer com o Pentium II, mais especificamente com o Celeron.

Figura 107

Processador Cyrix M II/333.

 

 

 

Uma das características dos processadores Cyrix eram os seus clocks externos. Na época em que os processadores Intel e AMD usavam clocks externos de até 66 MHz, a Cyrix adotava clocks externos de 66, 75 e 83 MHz. Isto resultava em um sério problema: a maioria das placas de CPU suportava de forma confiável, um clock externo de no máximo 66 MHz. Opções como 75 e 83 MHz eram oferecidas pelos fabricantes de placas de CPU sem garantias de funcionamento confiável. Como resultado, muitos PCs equipados com processadores Cyrix apresentavam problemas de funcionamento.

Defeito:   Se um processador Cyrix não está funcionando corretamente, é possível que a placa mãe não suporte operar com FSB de 75 ou 83 MHz. Reduza o FSB para 66 MHz e cheque o funcionamento.

Figura 108

Operação de um Cyrix M-II/333.

 

 

 

A figura 108 mostra a operação de um Cyrix M-II/333. Opera com clock externo de 83 MHz e multiplicador x3, resultando no clock interno de 250 MHz.

Modelo Clock interno Clock externo Multiplicador
M II / 300 225 MHz 75 MHz 3x
M II / 300 233 MHz 66 MHz 3,5x
M II / 333 250 MHz 83 MHz 3x
M II / 333 250 MHz 100 MHz 2,5x
M II / 350 300 MHz 100 MHz 3,5x

OBS: Existem mais informações sobre processadores antigos nesta outra área do nosso site.

O primeiro Pentium 4

O Pentium 4 foi lançado no final do ano 2000. Inicialmente operava com clocks de 1.5 e 1.6 GHz. O Pentium III chegava na época, ao máximo de 1133 MHz. Uma grande novidade era o seu FSB, de 400 MHz. Superava então os 133 MHz do Pentium III e os 266 MHz do Athlon T-Bird. Era preciso usar um chipset capaz de operar a 400 MHz, e memórias com essa mesma velocidade. As memórias SDRAM chegavam apenas a 133 MHz. Por isso as primeiras placas de Pentium 4 eram equipadas com memórias RAMBUS (RDRAM) e com o chipset Intel 850, ambos capazes de operar a 400 MHz.

O Pentium 4 para Socket 423

Curioso era o formato do Pentium 4 no seu lançamento. O soquete utilizado então era o chamado Socket 423. O processador tinha uma face metálica na parte superior, idêntica à dos atuais modelos. Era entretanto montado sobre uma base maior, parecido com um pedaço de placa de circuito. Poucos meses depois o Pentium 4 passou a adotar o Socket 478. Quem comprou as primeiras placas de Pentium 4 ficou sem opções de upgrade, pois os modelos com 423 pinos foram fabricados apenas até 2 GHz.

Figura 65

Pentium 4 para Socket 423.

 

 

 

A memória RAMBUS

O fato do Pentium 4 ter sido lançado com um tipo de soquete, para ser mudado poucos meses depois, foi realmente lamentável. Também péssimo foi o fato das memórias mais velozes da época, a RAMBUS, terem mais tarde caído em desuso. Não existiam ainda memórias DDR, que estavam em desenvolvimento pela AMD e fabricantes de memória. A RAMBUS era uma aposta da Intel, que acabou sendo ruim. Apesar da elevada velocidade, seu custo era elevadíssimo.

Um módulo de memória RAMBUS é chamado de RIMM (RAMBUS Inline Memory Module). Alguns tinham uma pequena chapa metálica sobre seus chips, que funcionava como um dissipador de calor, necessário devido à alta velocidade e alto aquecimento desses chips de memória.

Figura 66

Módulos RIMM.

 

 

 

Memórias RAMBUS operavam na verdade com 800 MHz e 16 bits. Precisavam ser usadas as pares para formar um banco de 32 bits a 800 MHz. O chipset fazia a conversão dos dados para 64 bits com 400 MHz, que era o “formato” exigido pelo Pentium 4.

As memórias RAMBUS eram usadas aos pares. Cada uma operava com 16 bits e 800 MHz, o que resulta em uma taxa de transferência de 1,6 GB/s. O Pentium 4 tinha seu FSB operando com 64 bits e 400 MHz, o que resulta na taxa de 3,2 GB/s. Sendo assim, cada módulo RAMBUS fornece a metade dos 3,2 GB/s exigidos pelo Pentium 4. Usando dois módulos, a taxa de transferência total das memórias será 3,2 GB/s.

OBS: Para calcular a taxa de transferência de um barramento, basta fazer:
TAXA = Freqüência x número de bytes

Por exemplo:

Taxa da RDRAM = 800 MHz x 2 bytes (16 bits) = 1600 MB/s = 1,6 GB/s

Taxa do FSB do Pentium 4 = 400 MHz x 8 bytes (64 bits) = 3200 MB/s = 3,2 GB/s

Figura 67

Canais de memória RAMBUS.

 

 

 

Para permitir o funcionamento dos módulos RDRAM em dupla, o chipset da placa mãe tinha dois canais de memória, como mostra a figura 67. Por exemplo, para formar 512 MB era preciso usar dois módulos RDRAM de 256 MB. Além de serem usados aos pares, os módulos RDRAM necessitam que todos os soquetes sejam preenchidos. Se uma placa tem quatro soquetes, como na figura 67, e instalamos apenas dois módulos, devemos fazer o seguinte:

1) Instalar os dois módulos RDRAM nos soqutes mais próximos do chipset,
2) Instalar módulos de continuidade RIMM (figura 68) nos demais soquetes.

Os módulos de continuidade têm o mesmo formato e o mesmo número de pinos que o módulo RAMBUS, entretanto não possui chips de memória, e sim, resistores de terminação. Se esses módulos de continuidade não forem instalados, o funcionamento da RDRAM será errático.

OBS: Memórias DDR não necessitam de módulos de continuidade.

Figura 68

Módulos RIMM e módulos de continuidade RIMM.

 

 

 

Para reduzir os preços dos micros com Pentium 4, a Intel criou chipsets com suporte a memórias SDRAM. Infelizmente essas memórias, apesar de baratas, eram lentas para o Pentium 4 (133 MHz, contra os 400 MHz exigidos pelo Pentium 4). Pouco depois a Intel criou chipsets para Pentium 4 com suporte a memórias DDR. A partir de 2003, as memórias DDR passaram a ser usadas em todas as placas de CPU para Pentium 4.

Quem comprou na época um micro com Pentium 4, não encontra mais memórias RAMBUS para fazer uma expansão, nem encontra modelos mais velozes do Pentium 4 com Socket 423, que chegaram apenas até 2 GHz.

Freqüências do Pentium 4 com Socket 423

Todos os modelos de Pentium 4 para soquete de 423 pinos foram fabricados com as seguintes características:

  • FSB de 400 MHz
  • Cache L2 de 256 kB
  • Processo de 0,18μ.

A tabela abaixo mostra os clocks internos de todos esses modelos.

Pentium 4 para Socket 423
1.30 GHz
1.40 GHz
1.50 GHz
1.60 GHz
1.70 GHz
1.80 GHz
1.90 GHz
2.00 GHz

Socket 478

Logo no início de 2001 a Intel adotou o novo soquete para o Pentium 4, chamado Socket 478. Este formato permaneceu inalterado até meados de 2004, quando foi lançado um novo soquete: o LGA 775. Ainda assim, em meados de 2005, o Socket 478 ainda era o mais comum nas placas de CPU disponíveis no mercado. Somente a partir de 2006 o Socket 775 passou a ser encontrado em placas mãe de baixo custo, tornando mais popular este tipo de processador.

Figura 69

Pentium 4 para Socket 478.

 

 

 

Bem, o Socket 478 não é considerado característica de “micro antigo”. É abordado em vários livros novos, e você encontrará na área de artigos desse site, inúmeros artigos sobre processadores Pentium 4 com este tipo de soquete.