Home » Artigos arquivados » 2004 – Socorro! Meu PC está travando!

2004 – Socorro! Meu PC está travando!

Autor: Laércio Vasconcelos,
Fev/2004

É frustrante receber cerca de 50 e-mails com dúvidas de leitores, todos os dias, e não poder respondê-las, simplesmente pela falta de tempo. Seriam necessárias de 4 e 8 horas por dia. Tentaremos então ajudar a resolver um dos problemas mais comuns, o travamento.

Meu PC está travando

Boa parte dos PCs apresenta algum tipo de travamento. Pode ser a temível “tela azul da morte”, que normalmente caracteriza um problema de hardware, ou os comuns erros de “operação ilegal” ou erros gerais, daqueles que mostram uma janela com diversos números hexadecimais, muitas vezes causados por software. Quando isso ocorre, o PC precisa ser revisado por um bom técnico, mas vejamos o que o usuário pode fazer e quais são as causas comuns desses problemas.

Qualidade ruim

Muitos PCs, principalmente os de baixo custo e produzidos em pequenas lojas (geralmente “sem nome”) usam peças de má qualidade. A placa mãe, a mais importante do computador, deve ser de boa qualidade, caso contrário o PC poderá ser sempre problemático. O mesmo se aplica a outras placas, como modems, placas de vídeo, placas de rede e placas de som. Como a placa mãe é a mais crítica, seus problemas costumam ser mais graves, resultando em travamento geral. Um modem ruim, por exemplo, pode no máximo causar dificuldades de conexão com a Internet, baixa velocidade ou conexões interrompidas. Uma placa mãe ruim faz o micro parar totalmente. Muitos produtores de micros, visando reduzir ainda mais os preços, usam peças de baixa qualidade, peças recondicionadas e peças usadas. De um modo geral, quanto mais barato é o micro, maior é a chance de ter problemas causados pela baixa qualidade das suas peças. É preciso portanto entender que travamentos causados por baixa qualidade não têm solução. Uma placa barata que usa conectores de baixa qualidade ficará repleta de maus contatos depois de alguns meses de uso, ou pode até mesmo ter erros de projeto. Não há como tornar essas placas confiáveis.

Incompatibilidades

Teoricamente qualquer placa de CPU funciona com qualquer placa de vídeo, qualquer processador e qualquer memória, desde que todas sigam o mesmo padrão. Um módulo de memória DDR266 deve teoricamente funcionar em qualquer placa de CPU que tenha um soquete para este tipo de memória. Na prática existem entretanto algumas incompatibilidades. Uma determinada placa de vídeo pode não funcionar corretamente com uma determinada placa de CPU. Os fabricantes normalmente não testam a compatibilidade total dos seus produtos. São milhares de modelos de placas de CPU e de placas de expansão, e a compatibilidade total não pode ser assegurada. Entra em ação o trabalho do integrador de hardware, que tem a obrigação de testar previamente a compatibilidade das peças usadas nos PCs que produz. Quando um usuário compra uma placa para instalar no seu computador, corre um pequeno risco de recair em problemas de compatibilidade. Não há solução para este tipo de travamento. O máximo que o usuário pode fazer é tentar usar drivers mais recentes para os produtos envolvidos.

PC mal montado

Montar um PC é relativamente fácil, por isso existem muitos montadores com pouca capacidade técnica, e acabam fazendo coisas erradas na montagem. Parafusos mal colocados, cabos mal organizados, fonte de alimentação mal dimensionada, coolers pequenos demais e sem pasta térmica. Um micro que funciona bem quando está na posição horizontal e trava ao ser colocado na posição vertical tem provavelmente erros na sua montagem mecânica. Felizmente um bom técnico tem condições de revisar a montagem e corrigir eventuais falhas.

Descargas eletrostáticas

Este é um dos problemas mais comuns nos micros de pequenos fabricantes. O corpo humano acumula cargas elétricas conforme fazemos movimentos. Ao andar em um carpete, retirar um casaco de lã e levantar de uma cadeira, por exemplo, o atrito resulta em troca de elétrons, gerando um potencial que pode chegar a milhares de volts. Tanto é assim que muitas vezes levamos choques ao tocarmos em maçanetas e outros corpos metálicos. Não sentimos choque quando a voltagem é mais baixa, mas podemos danificar chips com essas descargas. Quando tocamos nos diversos chips, memórias, processadores, placas e circuitos em geral, estamos provocando pequenas descargas eletrostáticas que podem danificá-lo. A figura 1 mostra um trecho interno de um chip, visto com o microscópio, danificado por uma descarga eletrostática. Devemos segurar as placas, processadores e módulos de memória pelas bordas laterais, sem tocar nos contatos metálicos. Devemos ainda descarregar periodicamente a eletricidade estática, tocando as duas mãos em um corpo metálico, como a chapa interna do gabinete do computador. No caso de fabricantes e montadores de PCs, o ideal é usar uma pulseira anti-estática. Preparamos um artigo que explica mais sobre o assunto.

col-001
Figura 1 – Interior de um chip danificado por descarga eletrostática, visto com microscópio

Uma descarga eletrostática pode danificar um chip imediatamente. É o que chamamos de falha catastrófica. Pior ainda é a chamada falha latente. O chip pode continuar funcionando, mas ficar parcialmente danificado, e estragar totalmente depois de algum tempo de uso. Quando um PC tem peças danificadas por eletricidade estática, não há o que fazer, a não ser trocar as peças defeituosas.

O grande problema para o usuário é que nas lojas, os próprios vendedores, colocam as mãos nas placas, correndo o risco de danificá-las. Muitas vezes abrem a embalagem anti-estática para colocar a “etiqueta da garantia” e seguram as peças sem cuidado, tocando nos chips e nas partes metálicas. Aqui tem dois argumentos para você usar com os vendedores:

1) “Se você não segurar as peças corretamente, vou desistir da compra”

2) “Já que as peças são minhas, pois eu estou comprando, tenho o direito de decidir como as peças devem ser manuseadas”.

Aquecimento

Aqui está um problema causador de travamento que o usuário pode corrigir, sozinho caso tenha alguma habilidade com hardware, ou então com a ajuda de um técnico. Os PCs modernos, equipados com processadores velozes como o Pentium 4 e o Athlon XP, esquentam mais que os PCs de alguns anos atrás. O calor é ainda maior quando levamos em conta o uso de placas 3D de alto desempenho, gravadores de CDs e discos rígidos de 7200 RPM, todos componentes quentes. PCs com gabinetes muito compactos tendem a ficar mais quentes. O ideal é usar gabinetes com no mínimo 50 cm de altura, chamados de midi torre. Esses gabinetes devem ter, além do exaustor da fonte, que puxa o ar quente para a parte traseira do computador, um outro ventilador dianteiro que puxa o ar frio para o interior do gabinete. Opcionalmente podemos usar ainda um ventilador-exaustor, também instalado na parte traseira do gabinete. Os melhores gabinetes já vêm com todos esses ventiladores instalados, mas podemos comprá-los separadamente e fazer sua instalação.

Exaustor traseiro
no interior da fonte

Exaustores traseiros
opcionais – Usar quando
o PC tem muitos
componentes
que aquecem
Entrada frontal de ar –
obrigatória para
Pentium 4 e Athlon XP

col-002

Figura 2 – Interior de um gabinete de PC

Devemos ainda organizar os cabos flat no interior do gabinete para que não atrapalhem o fluxo de ar. No CD-ROM que acompanha a placa de CPU encontramos um programa que faz a monitoração de diversos itens de hardware, como a temperatura do processador e a temperatura do gabinete. São chamados respectivamente de CPU temperature e Motherboard temperatura. A temperatura interna do gabinete não deve ser superior a 42 graus. Se estiver elevada, devemos instalar ventiladores adicionais e organizar os cabos flat no interior do gabinete.

col-004
Figura 3 – Exemplo de programa de monitoração de temperatura, voltagem e rotação

O cooler do processador deve ter tamanho apropriado, em função da sua velocidade. Um bom cooler chega a custar 100 reais, e muitos produtores de PCs usam coolers menores e mais baratos. Conseguem refrigerar bem o processador quando não está sendo muito exigido, por exemplo, usando programas como Word, Excel e acesso à Internet. O aquecimento do processador é muito maior na execução de programas pesados, e um cooler adequado pode não conseguir manter o processador a uma temperatura adequada (o ideal é que não ultrapasse os 75 graus). A instalação de um cooler correto, acoplado ao processador através de pasta térmica, resolve este tipo de problema. Quando o micro travar e você desconfiar de aquecimento, use o programa de monitoração de temperatura, ou então o CMOS Setup, que também faz esta medida. Valores altos (acima de 70 graus para o processador e acima de 42 graus para o gabinete) confirmam o problema de aquecimento.
Temperaturas máximas recomendadas
Interior do gabinete 42°C
Processadores Intel 70°C
Processadores AMD 75°C

Se o ambiente externo já está quente, digamos, 35 graus, então é difícil atingir a meta de 42 graus máximos para a temperatura interna do gabinete. Já um gabinete bem ventilado consegue ficar abaixo de 42 graus, estando o ambiente a 32 graus. Em outras palavras, gabinete espaçoso e bem ventilado consegue ficar no máximo 10 graus mais quente que o ambiente exterior. Se o ambiente exterior está muito quente, então será preciso usar um aparelho de ar condicionado.

Quando o interior do gabinete está muito quente, uma das melhores soluções que podemos dar é instalar um exaustor traseiro no gabinete do computador. Isso contribui para reduzir a temperatura interna, de 10 a 15 graus. Organize os cabos flat no interior do computador para que não atrapalhem o fluxo de ar.

Para saber se um processador está muito quente ou não, devemos comparar a sua temperatura com a do interior do comptuador. No exemplo da figura 4 o computador está usando simplesmente aplicativos o Microsoft Office.

col-005
Figura 4 – Processador a 53 graus executando trabalhos leves

Neste exemplo, o gabinete está a 36°C e o processador (Athlon XP 2400+) está a 53°C. A diferença de temperatura é então de:

53°C – 36°C = 17°C

É normal que o processador esteja de 10°C a 20°C mais quente que o interior do gabinete quando realiza trabalhos leves, e que fique cerca de 30°C a 35°C mais quente quando executa tarefas mais pesadas. Mas se mesmo executando tarefas leves, o processador já fica mais de 20°C acima da temperatura do gabinete, significa que seu cooler não está bem dimensionado. Usar um cooler de tamanho grande permite ao processador ficar de 5°C a 10°C mais frio. Usar pasta térmica ou elastômero (fita térmica) reduz a temperatura do processador em mais 5°C ou 10°C.

O programa para monitorar a temperatura, como o exemplificado nas figuras 3 e 4, pode ser encontrado no CD-ROM que acompanha a sua placa de CPU, ou no site do fabricante desta placa.

Memórias defeituosas ou incompatíveis

Nem todas as memórias são totalmente compatíveis com qualquer placa de CPU. Certos fabricantes de placas de CPU divulgam listas de marcas e modelos de módulos que tiveram a compatibilidade testada, o que assegura a compatibilidade. Se instalarmos uma memória genérica (o que ocorre na maioria das vezes), também é quase certo que funcionará, mas não poderemos garantir isso com 100% de certeza. Em casos de incompatibilidade, o PC pode apresentar a “tela azul da morte”, pode apresentar erros fatais e operações ilegais ou reiniciar o computador. O PC também pode ficar totalmente travado, inclusive sem reconhecer movimentos do mouse e comandos pelo teclado. Muitas podem ser as causas desses problemas, mas as memórias são suspeitas. Devemos se possível substituir os módulos de memória, que podem ser defeituosos ou incompatíveis. Uma forma de testar se as memórias estão funcionando ou não é usando programas de diagnóstico. Quem possui o Norton Utilities pode usar o programa NDIAGS.EXE para fazer este teste. É preciso gerar um disquete de boot com este programa e seus arquivos auxiliares (NDIAGS.* e o arquivo NLIB*.DLL, que varia de acordo com a versão do programa). Desative as caches L1 e L2 pelo CMOS Setup e execute um boot com este disquete. Execute o NDIAGS e deixe-o testando a memória durante várias horas seguidas. Eventuais defeitos serão detectados desta forma.

Quando instalamos dois ou mais módulos de memória SDRAM ou DDR, pode ser necessário fazer um pequeno ajuste no Advanced Chipset CMOS Setup. Programamos o item SDRAM TIMING como Manual (a opção default é “SPD”) e alteramos o CAS Latency para 3. Em certos casos, os módulos podem informar que operam com latência 2 mas quando são instalados dois ou mais em conjunto, pequenos retardos nos sinais digitais podem impedir o correto funcionamento com esta latência, tornando necessário o aumento manual para 3.

Drivers do chipset

Depois de instalar o Windows, é preciso instalar a versão mais nova dos drivers do chipset da placa mãe. Esta instalação deve ser feita preferencialmente quando o Windows é instalado, mas podemos fazê-lo posteriormente. Esses drivers são obtidos no CD-ROM que acompanha a placa de CPU, mas devemos preferencialmente usar a versão mais nova, encontrada no site do fabricante da placa de CPU. Sem esses drivers instalados, o computador pode apresentar inúmeras anomalias, inclusive travamentos. Além disso devemos instalar também as versões mais novas dos drivers de todas as placas de expansão, e também dos dispositivos onboard (som, vídeo, etc.).

O problema é obter os drivers do chipset quando a placa de CPU já é um pouco antiga e os drivers do seu CD estão desatualizados. Ou então quando perdemos o CD-ROM que acompanha a placa mãe. Felizmente a maioria das placas de CPU apresenta na tela, logo que o computador é ligado, a sua marca e o seu modelo. Em caso de dúvida, ou quando a placa realmente não apresenta esta informação na tela, podemos descobrir o fabricante e o modelo usando programas especiais como o Hardware Info e o AIDA32. Esses programas podem ser encontrados em:
Hardware Info www.hwinfo.com
AIDA 32 www.aida32.hu

col-006
Figura 5 – Identificando a placa mãe usando o programa Hardware Info

Programas como o Hardware Info e o AIDA32 são muito úteis para dar informações sobre o hardware instalado no computador. São programas bons para técnicos, mas usuários comuns também podem obter informações valiosas, como por exemplo, as marcas e modelos de todas as placas instaladas.

col-007
Figura 6 – O programa AIDA32

Depois de descobrir a marca e o modelo da placa mãe, você pode ir ao site do fabrticante para fazer o download dos drivers do chipset. Ao chegar no referido site, procure por comandos como Support / Download / Drivers.

Apresentamos a seguir alguns endereços de sites de fabricantes de placas de CPU.

Asus http://www.asus.com
Soyo http://www.soyo.com
Tyan http://www.tyan.com
Supermicro http://www.supermicro.com
Abit http://www.abit.com.tw
AOpen http://www.aopen.com
Biostar http://www.biostar-usa.com/
Chaintec http://www.chaintech.com.tw/
DFI http://www.dfi.com
DTK http://www.dtk.com.tw
Epox http://www.epox.com
FIC http://www.fic.com.tw
Gigabyte http://www.giga-byte.com
Intel http://www.intel.com 
Tomato http://www.zida.com
MSI (Microstar) http://www.msi.com.tw
PC Chips http://www.pcchips.com ou http://www.amptron.com 
QDI / Legend http://www.qdius.com/

Você encontrará uma lista mais competa em www.wimsbios.com

Maus contatos

Dentro do PC existem inúmeras conexões de cabos e placas. Essas conexões podem ficar frouxas, resultando em maus contatos, quando fazemos o transporte do computador ou quando o abrimos para fazer alguma alteração e deixamos um cabo parcialmente solto, acidentalmente, resultando em maus contatos. Um PC que está há muito tempo sofrendo a ação da poeira e da umidade também pode ter seus contatos eletrônicos afetados. Finalmente, PCs com peças de baixa qualidade podem ter conectores sem proteção contra oxidação. Os melhores conectores são revestidos por uma fina camada de ouro que praticamente impede a oxidação. Conectores de baixa qualidade não possuem esta camada, e o mau contato pode surgir depois de alguns meses. O computador pode apresentar um comportamento intermitente, sem seguir lógica alguma, ora funcionando bem, ora com travamentos. Um bom técnico deve verificar todas as conexões e realizar uma limpeza geral nos contatos eletrônicos. Limpezas gerais de contatos feitas uma vez por ano podem evitar inúmeros problemas.

Programas corrompidos

Programas e os arquivos que os acompanham podem ficar corrompidos (com o conteúdo modificado) quando desligamos o computador de forma indevida. A execução automática do Scandisk ou similar ao ser detectado um desligamento indevido tende a reduzir a ocorrência desses problemas. No Windows XP, arquivos de sistema excluídos ou modificados são automaticamente restaurados, evitando que fiquem corrompidos. Ainda assim, se determinados travamentos e erros ocorrem sistematicamente em determinados programas, recomendamos que o programa seja desinstalado e a seguir instalado novamente. Assim as versões com problemas serão substituídas pelas versões originais desses arquivos. Reinstalar software é portanto um procedimento correto.

Reinstalar o Windows

Arquivos do Windows também podem ficar corrompidos, e uma reinstalação resolve o problema. Entretanto na maioria das vezes não é preciso formatar o disco rígido, como muitos fazem. Basta instalar o Windows “por cima” da instalação atual. Os aplicativos instalados e os demais dados existentes no disco rígido serão preservados. Apenas quando este procedimento não resolve o problema é justificável formatar o disco rígido e instalar o Windows a partir do zero. O problema que isto requer um backup prévio de todos os dados. Também será preciso instalar todos os drivers e a seguir todos os aplicativos. Mas tome cuidado, muitas assistências técnicas formatam o disco rígido por qualquer motivo. Um leitor de Belo Horizonte que tinha seu micro ainda na garantia, estava com problemas no funcionamento do joystick, que não era reconhecido. O técnico disse que seria preciso “formatar o disco rígido, pois o PC estava com muitos programas instalados, impedindo o reconhecimento do joystick”. Orientei este leitor para que verificasse se a interface do joystick (Game Port) estava habilitada no CMOS Setup. Estava desabilitada, por isso o joystick não funcionava. O PC foi assim poupado de uma formatação desnecessária.

Bugs em programas

Este tipo de travamento é relativamente fácil de diagnosticar. Quando um PC trava aleatoriamente, em qualquer programa, pode estar sofrendo um problema de hardware. Quando os problemas ocorrem especificamente em um determinado programa, podem ser culpa do próprio programa. É preciso instalar uma atualização para o programa, que muitas vezes é gratuita e visa corrigir problemas encontrados pelos usuários. Muitas vezes encontramos soluções no help on-line do site do fabricante do software, ou no suporte via telefone. Atualizações são muito comuns em jogos. Esses programas exigem normalmente todos os recursos do computador, e tendem a apresentar problemas com mais facilidade que aplicativos comuns. Quando apenas alguns jogos travam e outros semelhantes funcionam bem, devemos procurar o site do fabricante para fazer o download dos patches. O próprio Windows pode eventualmente apresentar alguns bugs. Correções são obtidas através do comando Windows Update.

Este programa causou um erro…

Erros em programas e arquivos executáveis (EXE, SYS, DLL, etc.) resultam normalmente em mensagens como a da figura 7.

col-003
Figura 7 – Programa executou operação ilegal

Este relatório mostra vários números hexadecimais, como o conteúdo dos registradores internos do processador e o trecho do programa (em linguagem de máquina) onde ocorreu o erro. Tais informações são úteis para o desenvolvedor do software, que tem acesso a programa original (fonte) e ferramentas para identificar o problema. Para o usuário, essas informações são entretanto inúteis. Recebemos mensalmente centenas de e-mails nos quais o leitor digita pacientemente todos os números apresentados neste relatório. Infelizmente não podemos analisar esses números pois não temos acesso ao código fonte do programa.

Ainda assim, quadros como este podem dar algumas pistas. Observe na figura 7 que o arquivo envolvido no problema foi o LEXLMPM.DLL. Procurando este arquivo com o comando Localizar ou Pesquisar, podemos clicá-lo com o botão direito e escolher no menu a opção Propriedades. São apresentadas informações sobre o arquivo, incluindo o seu fabricante. Podemos então ter uma pista sobre a origem do problema. Este arquivo citado pode fazer parte dos drivers de uma impressora LEXMARK, que está apresentando alguma incompatibilidade com o Windows ou mesmo com a interface de impressora. Devemos tentar obter drivers mais novos no site do fabricante.

No site da Microsoft encontramos também várias dicas sobre problemas típicos reportados pelos usuários. Usamos o comando SEARCH e preenchemos as palavras ERROR e LEXLMPM.DLL ou SPOOL32 (os nomes dos programas envolvidos no erro) e escolhemos a opção ALL WORDS. Serão apresentados diversos links a respeito de erros conhecidos nesses arquivos, e muitas vezes é indicada uma solução. Certos problemas ocorrem apenas em determinadas situações, com determinados programas. Quando o problema é comum, tanto a Microsoft quanto o fabricante do software ou produto envolvido podem pesquisá-lo e apresentar uma solução. Quando o problema é muito específico e raro, o usuário fica “no mato sem cachorro”.

Conclusão

Seria muito bom construir uma extensa tabela contendo a solução Y para cada problema X, levando em conta as mensagens de erro que o computador apresenta. Não é possível construir tais tabelas, por um motivo principal. O PC é um computador de arquitetura aberta, e apesar dos padrões, podem ser produzidos em bilhões de combinações diferentes de placa mãe, processador, memória, placas de expansão e softwares. É impossível para os fabricantes testar todas as combinações, e mesmo respeitando os diversos padrões existentes (os grandes fabricantes fazem esses testes com as peças que utilizam nos seus PCs), não é possível garantir o funcionamento correto, apesar da chance de tudo funcionar bem em um PC genérico ser de quase 100%. Adicionando a esta diversidade, os defeitos de hardware, os problemas de temperatura, as descargas eletrostáticas e o despreparo de alguns técnicos, temos um quadro bem feio de PCs problemáticos.

Não existem portanto regras específicas para resolver cada problema, apenas as regras gerais que citamos neste artigo. A experiência de um bom técnico contam bastante nesses casos.