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2004 – Intel lança o soquete LGA 775

Autor: Laércio Vasconcelos
Setembro/2004

O Pentium 4 usa agora um novo soquete, o LGA775. Novas placas de CPU chegaram ao mercado, equipadas com os chipsets 915 e 925, com novos recursos interessantes, como memórias DDR2 e PCI Express.

Intel promove mudanças na plataforma do Pentium 4

O Pentium 4 está usando agora o seu terceiro formato de soquete, agora com 775 pinos. A mudança do formato do soquete de um processador é um fato importante para usuários que planejam fazer upgrades futuros, trocando o processador e mantendo a placa mãe. As mudanças nos formatos de soquetes são necessárias para acomodar características elétricas e permitir o uso de maiores velocidades, e sobretudo uma melhor distribuição de corrente elétrica para chips cada vez mais “famintos” de energia. O próprio Pentium III foi fabricado com três tipos de soquetes e duas velocidades diferentes (FSB com 100 e 133 MHz). O Athlon está na sua segunda versão de soquete e na quarta versão de velocidade.

Os novos modelos do Pentium 4 têm características similares aos da série Prescott, lançados em fevereiro último. Foram lançados novos modelos com 2.8, 3.0, 3.2 e 3.4 GHz, já existentes para soquete 478, e o inédito modelo de 3.6 GHz. Todos possuem FSB operando a 800 MHz, 1 MB de cache L2, tecnologia Hyper-Threading, instruções SSE3 e são fabricados com o novo processo de 90 nm, lançado no início deste ano.

Chipsets 915 e 925

Também foram lançados dois novos chipsets compatíveis com o novo soquete do Pentium 4. Entretanto o que esses chipsets têm de especial é a inclusão de novos recursos bastante interessantes. Os novos slots PCI Express estão substituindo os velhos slots PCI (já com 10 anos) e AGP (que completaram 7 anos). O slot AGP das novas placas de CPU será substituído por um slot PCI Express x16, que tem taxa de transferência de 8 GB/s, contra cerca de 2 GB/s verificados no AGP 8x. Os slots PCI tradicionais (133 MB/s) continuarão sendo suportados, e irão conviver com novos slots PCI Express x1 (500 MB/s). Note que esses chipsets não são necessariamente presos ao formato LGA775. Vários fabricantes de placas de CPU lançaram modelos com esses chipsets, mas com opção de manter o antigo soquete de 478 pinos.

A nova geração de memórias (DDR2) também é suportada pelos novos chipsets. Suportam módulos DDR2/533 em duplo canal, resultando em desempenho bem maior que o das memórias DDR/400 em duplo canal, encontradas nas placas mais avançadas até então. O novo vídeo integrado, chamado Intel Media Accelerator 900, opera com desempenho 50% superior ao dos modelos da geração anterior (Intel Extreme Graphics 2). Quatro portas SERIAL ATA capazes de operar em modo RAID oferecem alto desempenho no acesso a disco. Assim como ocorre com a maioria dos chipsets modernos, os novos modelos possuem oito portas USB 2.0. Recurso ainda mais interessante é a interface de rede wireless integrada no próprio chipset. Com ela, um PC irá operar como ponto de acesso para redes wireless, facilitando a conexão com notebooks e outros PCs. Finalmente merecem destaque os novos circuitos de áudio, que podem ser configurados de formas nunca antes encontradas nos PCs. Cada uma das 5 conexões de áudio podem operar de forma independente, permitindo o uso de programas diferentes de forma simultânea. Por exemplo, uma saída pode reproduzir música enquanto outra reproduz o som de um DVD, ao mesmo tempo que outra sonoriza um jogo.

O novo processador Celeron-D

Os processadores Celeron existentes até então eram derivados do Pentium 4 de 2002, com cache de 128 kB, FSB de 400 MHz e tecnologia de 130 nm. Os novos modelos de Celeron operam com 2.4, 2.6 e 2.8 GHz, têm cache L2 de 256 kB, FSB de 533 MHz e instruções SSE3. São fabricados com a nova tecnologia de 90 nm. Segundo a Intel, esses novos modelos apresentam desempenho 15% maior que os correspondentes da geração anterior, mantendo preços similares.

Por onde caminha a AMD

A concorrência no ramo de processadores é muito benéfica para os usuários, resulta em consideráveis quedas de preço. A AMD continua oferecendo seus processadores Athlon 64, ainda em escala reduzida, para uso em PCs de alto desempenho. O modelo mais avançado atualmente é o 3800, e utiliza um soquete de 939 pinos. É preciso notar entretanto que os primeiros modelos do Athlon 64 utilizam um soquete de 754 pinos. É muito ruim comprar um processador caro e ter a notícia triste de que o fabricante mudou o formato de soquete. Aliás isso também ocorreu com o Pentium 4, lançado com soquete de 423 pinos e pouco tempo depois substituído por um de 478 pinos. Recomendamos portanto cautela com as mudanças de formato dos soquetes, e isto se aplica também ao recém lançado soquete de 775 pinos da Intel.

Para a linha de PCs de custo menor, a AMD continua oferecendo os tradicionais Athlon XP e Duron, com Soquete A. Em breve darão lugar a novos processadores de baixo custo derivados do Athlon 64, como o Sempron, que já chegou ao mercado.

É importante notar que ao contrário da Intel, a AMD não produz chipsets, pelo menos com a mesma regularidade. Os chipsets para processadores AMD são desenvolvidos e produzidos por outros fabricantes, como Nvidia, VIA e SiS. Fica a cargo desses fabricantes produzir os chipsets que definem os recursos da placa mãe. Já existem chipsets para a linha AMD oferecendo suporte a memórias de duplo canal (Twin Bank), Serial ATA, rede, USB e som de alta qualidade. Os mesmos recursos oferecidos pela Intel, ou já estão, ou estarão disponíveis para a linha AMD a curto prazo. Portanto os recursos avançados introduzidos nos novos chipsets 915 e 925 não são exclusividade da Intel, e sim, padrões da indústria de PCs como um todo. O grande mérito da Intel, como líder de mercado, é assumir papel decisivo na criação de novos padrões e novas tecnologias que são a seguir adotadas pelos demais fabricantes.

Fique por dentro das mudanças

O formato do processador Pentium 4 mudou, o que é uma mudança imediata. Outras mudanças serão feitas de forma mais suave. Por exemplo, os antigos slots PCI continuarão presentes, juntamente com os novos slots PCI Express.

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Figura 1 – Pentium 4 com novo encapsulamento LGA775:

Os pinos do novo soquete são muito frágeis. O novo Pentium 4 não tem pino algum. Apesar de não existir mais o risco dos pinos do processador serem entortados acidentalmente, o risco de entortar os pinos do soquete são grandes, caso o técnico não seja cuidadoso. Segundo meu colega e colunista de hardware Paulo Couto, que já teve contato com o novo processador, ao aplicar pasta térmica em excesso, esta pasta poderá escorrer e cair sobre os pinos do soquete, que correrá risco de mau contato.

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Figura 2 – O novo soquete de 755 pinos, encontrado nas novas placas para Pentium 4

As novas placas de CPU ainda seguem o padrão ATX e usam o mesmo tipo de fonte de alimentação (ATX12V). Na placa mostrada na figura 3 vemos o soquete do processador, os slots para memória DDR2 em duplo canal, o chipset com seu grande dissipador de calor e quatro slots PCI tradicionais. Também são encontradas as tradicionais interfaces IDE e para drive de disquetes.

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Figura 3 – Novos modelos de placas de CPU (Intel D925XCV)

Convivendo com as antigas interfaces, encontramos na placa da figura 3, dois slots PCI Express x1 e um slot PCI Express x16, para vídeo. Logo chegarão ao mercado placas de expansão PCI Express, mas poderão conviver perfeitamente com as placas PCI tradicionais. Apenas o slot AGP foi eliminado, dando lugar ao novo PCI Express x16. Já existem placas de vídeo neste novo padrão.

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Figura 4 – parte traseira de uma placa de CPU de nova geração (Intel D925XCV)

Vemos na figura 4 os conectores existentes na parte traseira das novas placas de CPU. Notamos a eliminação das portas seriais, entretanto alguns modelos novos ainda apresentam a COM1. A interface paralela, por enquanto, está mantida, mas ela desaparecerá em breve. Vemos ainda os conectores USB, Firewire, USB e 5 conectores de som que podem ser reconfigurados por software para reproduzirem fluxos de áudio independentes, ou seja, sons provenientes de programas diferentes.

As novas placas de CPU também apresentam quatro interfaces Serial ATA, além das interfaces IDE tradicionais. Você poderá então decidir pelo uso de discos rígidos neste novo padrão, que está aos poucos substituindo o padrão IDE antigo.

Conclusões

Mudar o formato do soquete é uma má notícia para quem quer fazer upgrades. Principalmente quando se trata de um processador já existente. Normalmente os soquetes são alterados quando é lançada uma nova família de processadores. A mudança foi necessária para melhorar a transferência de corrente elétrica para os novos processadores, cada vez mais quentes, e para permitir velocidades mais altas no FSB. Já as mudanças de tecnologias são bastante oportunas, principalmente pelo fato da transição ser feita de forma gradual. A maioria dos novos padrões convivem nas novas placas com os padrões antigos, o que possibilitará ao mercado adotar as novas tecnologias sem correria.

Intel promove recall de placas com os novos chipsets 915 e 925

Apenas cinco dias depois do lançamento do novo Pentium 4 e dos chipsets 915 e 925, chega ao público a notícia de defeitos de projeto nesses chipsets. A Intel promoveu um recall das placas de CPU envolvidas. Os usuários que compraram placas equipadas com os novos chipsets devem procurar as respectivas lojas para que seja feita a troca das placas defeituosas.

Para quem pode, é bom comprar produtos recém-lançados, da mais alta tecnologia, mas sempre corremos o pequeno risco de problemas como este. É mais difícil passar por problemas quando os produtos já estão há alguns meses no mercado.

A Intel passou por problemas semelhantes em 1996, quando foi descoberto um bug nas operações matemáticas feitas pelo primeiro processador Pentium. Foi feita a troca de todos os processadores, mesmo os que não foram comprados por meios oficiais. No ano 2000 ocorreu um problema semelhante com um dos componentes do chipset i820, que também resultou em recall. Como o defeito nos chipsets 915 e 925 foi encontrado apenas poucos dias depois do seu lançamento, provavelmente será bem reduzido o número de usuários afetados.

No Brasil o problema foi ínfimo, pois as novas placas não haviam chegado ao mercado quando o problema foi detectado. Compras foram suspensas até a regularização dos problemas. Os modelos existentes hoje nas lojas já são isentos do bug.