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2003 – Profissionalizando nossos vendedores de informática

Autor: Laércio Vasconcelos
Setembro/2003

Preparamos este artigo especificamente para vendedores de informática, e também para usuários que precisam comprar peças e acessórios e querem conhecer melhor os termos técnicos e comerciais. Esperamos assim ajudar os vendedores a atenderem melhor seus clientes. Nada melhor para um cliente que encontrar um vendedor que passe segurança sobre o que está vendendo.

As dificuldades dos vendedores de informática
Ser vendedor de produtos de informática é uma tarefa árdua. É preciso gostar de comércio, de lidar com o público. Não necessariamente um vendedor deveria gostar de estudar continuamente. Quem gosta de estudar muito, durante anos seguidos, normalmente vai para a área técnica. O problema é que na informática a tecnologia evolui e o vendedor é obrigado a conviver com novas informações técnicas, e normalmente sem tempo para fazer este estudo. Todos os dias chegam produtos novos que precisam ser imediatamente colocados à venda. Sem tempo para conhecer o novo produto, já é preciso vendê-lo. O cliente que não tem conhecimento técnico precisa contar com a “experiência” do vendedor, que muitas vezes está oferecendo um produto que acaba de ser lançado. Por exemplo, os nomes dos produtos acabam não sendo os nomes verdadeiros. Muitas vezes são nomes de fantasia inventados pelos fabricantes ou nomes errados inventados pelos importadores. A partir daí surgem inúmeros conceitos errados que acabam circulando entre os vendedores e depois entre os usuários!

Vamos procurar corrigir alguns desses conceitos para que os vendedores, ao lerem este artigo, possam usar os nomes corretos dos produtos. Mostraremos ainda informações técnicas úteis para um maior profissionalismo dos vendedores. Muitos erros são simples e inofensivas trocas de nomes. Outros erros vão muito além disso e podem causar transtorno aos clientes.

Pente de memória
É errado usar este termo. O correto é “Módulo de memória”. Tudo começou nos anos 80, quando para facilitar a instalação, os chips de memória foram agrupados em pequenas placas chamadas de módulos. Antes disso, eram usados chips de memória independentes, cujo formato era chamado de DIP (Dual In-Line Package), como vemos na figura 1. Note que este encapsulamento não era usado apenas por memórias, mas por praticamente todos os demais chips.

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Figura 1 – Chip de memória com encapsulamento DIP

A instalação de memórias com encapsulamento DIP era difícil e perigosa. Os PCs usavam normalmente de 9 a 36 chips de memória DIP. A instalação era muito demorada, e o técnico ainda corria o risco de dobrar acidentalmente as “perninhas” dos chips durante o encaixe (figura 2).

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Figura 2 – Era comum dobrar acidentalmente os terminais dos chips durante o encaixe.

Os chips de memória eram encaixados em soquetes. Retirar os chips dos soquetes também era uma operação trabalhosa. Era preciso usar uma chave de fenda um uma ferramenta especial para remover os chips com cuidado (figura 3).

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Figura 3 – Removendo um chip de memória do seu soquete.

Para facilitar a instalação e a retirada de memórias, foram criados os chamados módulos de memória, nos anos 80. Os primeiros módulos eram chamados de SIPP (Single In-line Pin Package). Um módulo nada mais era que uma pequena placa de circuito com vários chips de memória já instalados. Os módulos SIPP tinham terminais (“perninhas”) para encaixe no seu soquete. Ao instalar um módulo SIPP, estávamos na verdade encaixando simultaneamente, 8 ou 9 chips de memória.

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Figura 4 – Módulo de memória SIPP

Devido às suas “perninhas”, muitas pessoas achavam que o módulo SIPP era parecido com um pente. Por isso muitos os chamavam de “pentes de memória”. Este nome foi empregado praticamente só no Brasil. Em outros países ficou o nome “SIPP Module”, ou “SIPP Memory”.

O módulo SIPP era quase perfeito. O único problema era o seu processo de fabricação, com duas etapas: soldagem dos chips e soldagem dos terminais. Para tornar a fabricação mais simples foi criado um outro formato que não necessitava de terminais. O módulo não tinha as tradicionais “perninhas”. O contato elétrico era obtido graças ao seu soquete especial. Este novo módulo era chamado de SIMM (Single In-line Memory Module), como vemos na figura 5.

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Figura 5 – Módulo SIMM

Módulos SIMM eram eletronicamente idênticos aos módulos SIPP. A única diferença era que não tinham “perninhas”. Ambos tinham 30 contatos, portanto os módulos SIPP eram chamados também de SIPP/30 (módulo SIPP de 30 pinos), enquanto os módulos SIMM eram chamados também de SIMM/30 (módulos SIMM de 30 vias). Note que era impreciso dizer “módulo SIMM de 30 pinos”, já que não existiam pinos (terminais na forma de “perninhas”).

Módulos SIMM/30 foram muito usados em PCs equipados com processadores 80286, 80386 e 80486 (1990 a 1994). Cada um desses módulo fornecia 8 bits simultaneamente. Processadores 286 e 386SX operavam com memórias de 16 bits, portanto precisavam de 2 módulos SIMM/30 para formarem um banco de memória. Processadores 386DX e 486 operavam com memórias de 32 bits, portanto precisavam de 4 módulos SIMM para formarem um banco de memória.

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Figura 6 – Um banco de memória formado por 4 módulos SIMM/30 em uma placa de CPU 486.

Em meados dos anos 90 surgiu um novo tipo de módulo SIMM, com 32 bits e 72 vias. Era o chamado SIMM/72. Era usado principalmente nas placas de CPU Pentium. O Pentium precisava de uma memória com 64 bits (assim como ocorre com o Pentium II, Pentium III, Pentium 4, Athlon, Duron e outros processadores atuais). Se fossem usados módulos SIMM/30, seriam necessários 8 módulos para formar um banco de 64 bits (8×8 bits). Com módulos SIMM/72, bastavam dois módulos para formar um banco de 64 bits (2×32 bits). A figura 7 mostra um módulo SIMM/30 e um módulo SIMM/72.

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Figura 7 – módulo SIMM de 72 e de 30 vias.

Note que os nomes DIP, SIPP e SIMM não dizem respeito ao TIPO de memória, e sim ao formato do encapsulamento utilizado. Os mesmos chips de memória poderiam ser usados para formar módulos SIPP, SIMM/30 ou SIMM/72.

Como vemos, os processadores Pentium e superiores (a maioria deles) operam com memórias de 64 bits. Seria interessante a criação de um novo módulo com um total de 64 bits. Poderia ser chamado de SIMM, mas os fabricantes preferiram chamá-lo de DIMM (Dual In-line Memory Module). A diferença básica é que os módulos SIMM têm conexões iguais de ambos os lados. Por exemplo, o terminal 1 da face frontal é eletricamente ligado ao terminal 1 da face posterior. Nos módulos DIMM esta ligação não existe. Módulos DIMM/168 têm um total de 168 terminais, sendo 84 na face frontal e 84 na face posterior. Módulos DIMM/168 operam com 64 bits simultâneos, portanto um único módulo forma um banco de memória. A figura 8 mostra os módulos SIMM/30, SIMM/72 e DIMM/168.

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Figura 8 – Módulos SIMM/30, SIMM/72 e DIMM/168

Os primeiros módulos DIMM/168 usavam chips idênticos aos dos módulos SIMM/72, mas logo surgiu um novo tipo de chip de memória, bem mais veloz que os existentes até então. Era a SDRAM (Memória dinâmica síncrona). Este tipo de memória passou a ser muito usada a partir de 1997, já depois que o Pentium foi popularizado. Praticamente todos os módulos DIMM/168 usavam chips SDRAM, por isso essas duas palavras passaram a ser usadas como sinônimos – o que é errado. O termo DIMM/168 é o nome do módulo, enquanto SDRAM é o nome dos chips que formam o módulo. No comércio tornou-se comum pedir “memórias DIMM” ou “Memórias SDRAM”. Na verdade as memórias são os chips. A plaquinha com chips de memória é um módulo, portanto é correto dizer “Módulo DIMM”.

Memórias DIMM, DDR
Os módulos DIMM eram até o ano 2000 usados para memórias SDRAM. A partir daí surgiu um tipo de chip de memória ainda mais veloz, chamado DDR. O nome completo é DDR SDRAM, mas não é errado chamá-la apenas de DDR. Para evitar o encaixe de memórias DDR em soquetes destinados a memórias SDRAM e vice-versa, foi criado um novo tipo de soquete e um novo módulo para as memórias DDR, chamado DIMM/184. Na figura 9 vemos os módulos DIMM/168 (SDRAM) e DIMM/184 (DDR).

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Figura 9 – Módulos DIMM/168 e DIMM/184

Note que o módulo DIMM/184 tem cortes (chanfros) diferentes do módulo DIMM/168. Graças a esses chanfros é impossível encaixar um módulo de memórias DDR em um soquete para SDRAM, e vice-versa.

É comum chamar esses dois tipos de memória de “Memória DIMM” e “Memória DDR”. Está errado, pois DIMM não é o nome da memória, é o nome do módulo. Se a memória SDRAM está sendo chamada pelo formato do seu módulo, deveria ser usado então “DIMM/168”. Além disso, se chamamos a memória SDRAM pelo nome do módulo, devemos fazer a mesma coisa com a memória DDR (DIMM/184). Seria correto então dizer “memória SDRAM x memória DDR”, ou então “módulo DIMM/168 x módulo DIMM/184”. Chamar essas memórias de “DIMM e DDR” é uma grande imprecisão técnica. Imagine por exemplo que uma lanchonete vende água mineral com ou sem gás, ambas em garrafas, e o vendedor pergunta: “quer garrafa ou gasosa?”. É o mesmo que dizer que as memórias são DIMM ou DDR. Vamos então usar os termos corretos: DIMM/168 e DIMM/184, ou então SDRAM e DDR.

Velocidade das memórias DDR
Os chips de memórias DDR são classificados de acordo com as sua velocidades. Encontramos atualmente (2003) quatro tipos:

DDR200: operam com 200 MHz
DDR266: operam com 266 MHz
DDR333: operam com 333 MHz
DDR400: operam com 400 MHz

Além de usar esses nomes para os chips de memória, os fabricantes criaram também nomes que indicam as velocidades dos módulos. Por exemplo, um módulo que tem chips DDR200, como opera com 64 bits (8 bytes), fornece uma taxa de transferência de 200 x 8 = 1600 Megabytes por segundo. Por isso esses módulos receberam o nome de PC1600. Da mesma forma:

Módulos PC1600 usam chips DDR200
Módulos PC2100 usam chips DDR266
Módulos PC2700 usam chips DDR333
Módulos PC3200 usam chips DDR400

Apesar de terem sido criados os nomes PC1600, PC2100, PC2700 e PC3200 para os módulos, muitos fabricantes preferiram não usar esses nomes para evitar confusão, chamando então os seus módulos pelo mesmo nome dos seus chips: módulo DDR200, módulo DDR266, módulo DDR333, módulo DDR400. É correto usar esses termos.

O problema é que agora surgiu uma confusão com a mistura desses dois nomes. Muitos comerciantes estão usando termos como “Módulo DDR1600”, “Módulo DDR2100”, etc. Está errado. Ou usam termos DDR200, DDR266, DDR333 e DDR400, ou usam PC1600, PC2100, PC2700 e PC3200. A culpa não é dos vendedores, e sim dos importadores e distribuidores. Os vendedores, até que normalmente estudam, procuram ficar informados sobre os novos produtos, mas os importadores nem sempre são estudiosos e acabam inventando palavras. Vendedores e usuários acabam adotando essas invenções como se fossem termos técnicos corretos.

Megabyte, Gigabyte, Megahertz, Gigahertz
Aqui está outro ponto confuso. Os erros mais comuns são as confusões entre capacidade e velocidade (Megabyte e Gigabyte, contra Megahertz e Gigahertz), o emprego errados das palavras (“Megas”, a invés de “Mega”), e a dúvida sobre o valor exato de 1 Megabyte e 1 Gigabyte.

Antes de mais nada, não é correto dizer por exemplo que um PC tem “256 megas de memória”, ou um disco rígido com “80 gigas”, ou que um processador funciona com velocidade de “2.4 gigas”, por exemplo. Essas palavras são multiplicadores e devem ser usadas no singular. Ou dizemos que um PC tem 256 megabytes, ou que tem 256 mega.

O Megahertz (MHz) e o Gigahertz (GHz) são usados para indicar a velocidade de processadores, memórias e outros componentes velozes de um computador. Nesse contexto, o “mega” significa 1 milhão, e o “giga” significa 1 bilhão, exatamente. Por exemplo um processador de 800 MHz executa 800.000.000 ciclos por segundo.

Valores diferentes têm o mega e o giga quando estamos falando sobre quantidade de memória. Em qualquer aula de informática, aprendemos o seguinte:

1k = 210 = 1024
1M = 220 = 1024 x 1024 = 1.048.576
1G = 230 = 1024 x 1024 x 1024= 1.073.741.824

Por exemplo, um PC com 256 MB de memória tem na verdade:

256 x 1.048.576 = 268.435.456 bytes

É errado dizer por exemplo que este PC tem 268 MB. Tem na verdade 256 MB, o que equivale a pouco mais de 258 milhões de bytes. Portanto, em se tratando de capacidade de memória, 1 mega não é exatamente 1 milhão, da mesma forma como 1 giga não é exatamente igual a 1 bilhão.

A confusão cresceu quando os fabricantes de discos rígidos começaram a deturpar os conceitos de MEGA e GIGA. Eles simplesmente decretaram que 1 mega vale 1 milhão, e que 1 giga vale 1 bilhão. Ou seja, para memórias vale uma regra, para discos vale outra regra. Por exemplo, um disco rígido com 40 bilhões de bytes tem na verdade 37,25 GB, aproximadamente, se considerarmos que 1 GB vale exatamente 1.073.741.824 bytes. Se considerarmos como os fabricantes de discos rígidos, que 1 GB é igual a 1.000.000.000 bytes, então esses discos têm realmente 40 GB. Ocorre que a Microsoft considera os valores tradicionais (e corretos) de 1 MB e 1 GB. Para saber a capacidade de um disco em GB, o Windows divide o número total de bytes por 1.073.741.824. Um disco anunciado pelos fabricantes como “80 GB”, por exemplo, aparece com 74,5 GB. Portanto o Windows sempre indicará o valor levando em conta os conceitos tradicionais de GB e MB, chegando então a resultados sensivelmente menores. Não precisa reclamar sobre a capacidade errada do disco. Afinal, se a maioria dos usuários pensarem que 1 GB é exatamente igual a 1 bilhão de bytes, então a capacidade anunciada estará correta.

Por fora dessas confusões numéricas, não devemos confundir capacidade com velocidade. É comum ver anúncios de informática na mídia impressa, no rádio e na TV, do tipo “Computador Pentium 4 de 2 gigabytes por apenas…”. Está errado, não é gigabyte, é gigahertz, pois estamos valando da velocidade, e não de capacidade. Afinal, os discos rígidos de 2 GB não são mais fabricados desde 1997…

Eletricidade estática
Os vendedores precisam saber sobre os perigos da eletricidade estática para não estragarem as peças que vendem, como discos, placas, processadores e memórias. É fácil tomar os cuidados para que os estragos não aconteçam.

O computador novinho em folha já veio com alguns problemas de mau funcionamento. O outro, depois de alguns meses de uso, passou a apresentar defeito na memória. Qual é o usuário que nunca viu essas coisas acontecerem? Esses são apenas alguns exemplos de problemas inexplicáveis existentes em PCs novos ou com poucos meses de uso. As descargas eletrostáticas (ESD) que ocorreram quando os componentes foram tocados com as mãos pelos vendedores, técnicos e usuários, foram as responsáveis por esses defeitos. Tais problemas seriam evitados se essas pessoas tomassem os devidos cuidados, o que por sinal não dá trabalho algum. Vejamos então o que são as descargas eletrostáticas, os problemas que causam e como evitá-las.

Como ocorrem as descargas eletrostáticas
As descargas eletrostáticas ocorrem quando tocamos placas e chips com as mãos. Quando o vendedor coloca uma placa na vitrine, ou quando cola e escreve aquela “etiqueta da garantia”, ou quando ele retira ou coloca uma placa, chip ou disco rígido na embalagem. Ocorre quando o técnico ou o usuário segura as peças para fazer a instalação. Os vendedores e técnicos deveriam tomar cuidado. Afinal as peças que estão manuseando não pertencem a eles, e sim ao usuário que irá comprá-las.

O que são as descargas eletrostáticas
Todos se lembram de um belo dia, lá por volta da sexta série do primeiro grau, quando na aula de ciências é apresentada uma experiência com eletricidade estática. Esfregamos uma caneta nos cabelos ou no casaco, tornando-a eletrificada. A caneta passa a atrair para si, pequenos pedacinhos de papel. Os elétrons acumulados na caneta são os responsáveis por esta atração. Quaisquer materiais, quando friccionados entre si, produzem quantidades maiores ou menores de eletricidade estática. Ao se levantar de uma cadeira forrada com material plástico, retirar um casaco de lã ou mesmo ao andar por um carpete, o corpo humano acumula cargas suficientes para gerar uma tensão de alguns milhares de volts. Certamente você já deve ter tomado algum dia, um choque ao abrir a porta de um automóvel, ou mesmo uma porta comum. Tensões estáticas superiores a 3000 volts são percebidas por nós, na forma de um pequeno choque. Tensões mais baixas não chegam a provocar choques, por isso tendemos a não acreditar nas descargas eletrostáticas. Para danificar um chip de memória ou um processador, bastam algumas dezenas de volts. Não notamos descargas inferiores a 3000 volts porque a sua duração é muito pequena, apenas alguns bilionésimos de segundo. Mas os chips sentem a descarga e estragam.

Os estragos causados pelas descargas eletrostáticas
Descargas eletrostáticas podem causar dois tipos de falhas: catastróficas e latentes. As falhas catastróficas são as mais fáceis de serem percebidas. A placa, chip ou disco rígido simplesmente não funcionam, mesmo quando novos. O usuário compra um módulo de memória, o vendedor o toca com as mãos. Talvez o tenha queimado. O usuário vai instalar o módulo e a memória não funciona. Sendo imediatamente percebida esta falha, o usuário pode ir à loja e solicitar a troca (azar do dono da loja). As falhas latentes são bem piores. O equipamento funciona aparentemente bem, mas depois de alguns meses, semanas ou até dias, a falha é manifestada, de forma permanente ou intermitente. Se ocorrer fora do período de garantia, o azar será do usuário.

Os fabricantes avisam
Todos os chips, placas e discos rígidos possuem avisos dos seus fabricantes, alertando sobre os perigos da eletricidade estática. Todos os fabricantes, sem exceção, dão este aviso. Infelizmente 99% dos vendedores e usuários, além da maioria dos técnicos, ignoram esses avisos. A vida de um componente eletrônico começa na fábrica com todos os cuidados, de onde sai protegido por embalagens anti-estáticas. A seguir sofre inúmeras descargas durante a venda e instalação, e acaba com falhas catastróficas ou latentes, além de sofrer reclamações de usuários devido a travamentos. Quem está errado? O fabricante? Ou aqueles que não tomam cuidado? O usuário precisa conhecer os perigos da eletricidade estática e cobrar aos técnicos e vendedores para que tenham cuidado. Simplesmente não deveriam comprar em lojas nas quais os vendedores ignoram a eletricidade estática. Cabe a você, um futuro produtor de PCs, tomar os devidos cuidados com a eletricidade estática.

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Figura 10

Etiquetas com advertências sobre a eletricidade estática.

Influência da umidade relativa do ar
É errado pensar que as descargas eletrostáticas só ocorrem quando o clima é seco. Andar em um carpete pode gerar tensões de 3500 volts se a umidade relativa do ar estiver baixa, ou de apenas 1500 volts se a umidade estiver alta. Esta tensão é mais que suficiente para danificar qualquer chip.

A tabela abaixo mostra algumas situações cotidianas e as voltagens adquiridas por nosso corpo em cada uma delas. Observe que quanto menor é a umidade relativa do ar, mais altas serão as voltagens. Muitos técnicos dizem que em cidades úmidas não existe eletricidade estática, mas tal afirmação é falsa. As voltagens são menores nos ambientes mais úmidos, mas ainda assim são suficientes para danificar chips.

Como mostra a tabela, mesmo em um ambiente razoavelmente úmido, as voltagens geradas ainda são muito elevadas. Basta uma descarga de algumas centenas de volts para danificar um chip.

Ações Umidade relativa do ar
  10% 40% 55%
Andar em um carpete 35000 Volts 15000 Volts 7500 Volts
Andar em piso de vinil 12000 Volts 5000 Volts 3000 Volts
Movimentos de técnico em uma bancada 6000 Volts 800 Volts 400 Volts

A figura 11 mostra uma imagem, obtida por um microscópio, do interior de um chip que foi danificado por uma descarga eletrostática.

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Figura 11

Visão microscópica do interior de um chip que foi danificado por uma descarga eletrostática.

Porque não sentimos choque?
Felizmente não sentimos choque na maior parte das descargas eletrostáticas. Tendemos a não acreditar no perigo devido à ausência de choque. A duração das descargas é tão pequena (bilionésimos de segundo) que não permite estabelecer uma corrente elevada, mesmo sendo a tensão tão alta. Ainda assim é suficiente para danificar os minúsculos transistores que formam os chips. Podemos entender isso através de uma analogia com o fogo. Acenda uma vela e mova o dedo rapidamente sobre o fogo. Se mantivéssemos o dedo parado sobre o fogo, sofreríamos uma queimadura, mas se o passarmos por apenas uma fração de segundo, o calor não será suficiente para causar qualquer sensação de dor. Faça agora a mesma coisa com um fio de cabelo. Por mais rápido que você o passe sobre a chama, ele sempre irá queimar. O mesmo ocorre com as descargas eletrostáticas: a sua duração não é suficiente para causar choque mas dá e sobra para queimar os transistores que formam os chips. Esses minúsculos transistores medem em média, 0,0001 milímetro, portanto são facilmente danificados com descargas comuns.

Como proteger os circuitos
É muito fácil evitar as descargas eletrostáticas. Não dá trabalho algum, é só uma questão de cuidado. Vendedores devem manter os produtos dentro das suas embalagens anti-estáticas. Ao retirá-los da embalagem, devem sempre segurar as placas pelas bordas, sem tocar nos chips e conectores. Um disco rígido deve ser segurado pela sua carcaça, e não pela placa de circuito. Processadores devem ser seguros sem que toquemos nos contatos metálicos. Quando um vendedor coloca aquela “etiqueta da garantia”, deve fazê-lo sem tocar nos circuitos. Técnicos e usuários devem tomar os mesmos cuidados, mas como manuseiam os componentes durante muito tempo, precisam ainda realizar uma descarga de segurança. Para isso basta tocar com as duas mãos um corpo metálico, como o gabinete ou a fonte do computador, antes de realizar as instalações de hardware. Siga então as seguintes regras:

1) Antes de manusear os equipamentos, toque suas duas mãos em uma janela metá­lica, não pintada. Se isto não for possível, toque com as duas mãos a fonte de ali­mentação do computador. Se a fonte for pintada, toque em outra parte do interior do gabinete que seja de metal, e não pintada (figura 12). Repita esta descarga a cada 15 minutos. Para que esta descarga seja eficiente é preciso que exista um caminho de condução elétrica entre a carcaça do computador e o TERRA da rede elétrica, ou então através do NEUTRO. Para garantir isso, devemos ligar o PC em um filtro de linha desligado ou estabilizador de voltagem desligado. Estando desligado, o filtro ou estabilizador não permitirá a passagem de energia elétrica para o computador durante o seu manuseio. Mesmo estando desligado, o filtro ou estabilizador manterá conectados permanentemente os fios de TERRA e NEUTRO, permitindo que a descarga seja eficiente.

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Figura 12

Descarregando a eletricidade estática.

2) Segure as placas pelas suas bordas laterais. A figura 13 mostra a forma correta e a forma errada de segurar uma placa. Um disco rígido deve ser segurado pela sua carcaça metálica. A figura 14 mostra a forma correta e a forma errada de segurar um disco rígido. Módulos de memória e processadores também devem ser segurados pelas laterais, sem tocar nos seus contatos metálicos.

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Figura 13

As formas errada e correta de segurar uma placa de CPU.

A placa de circuitos de um disco rígido não pode ser tocada com as mãos (figura 14). Tanto é assim que muitos fabricantes de discos rígidos estão protegendo esta placa com uma cobertura de material anti-estático.

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Figura 14

As formas errada e certa de segurar um disco rígido.

 

Memórias também são extremamente sensíveis. Se segurarmos os módulos sempre pelas bordas laterais, como vemos na figura 15, dificilmente causaremos dano.

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Figura 15

Aprenda como manusear um módulo de memória.

 

Processadores também são extremamente sensíveis, e também bastante caros. O prejuízo será grande se não tomarmos cuidado. Segure os processadores sempre pelas laterais, como mostra a figura 16.

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Figura 16

O processador também deve ser manuseado corretamente.

 

Placas de expansão, como as de som, vídeo, rede, modem, etc, também podem ser danificadas se não tomarmos cuidado com a eletricidade estática. Devemos sempre segurá-las pelas bordas laterais, como mostra a figura 17, e nunca tocando nos seus circuitos.

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Figura 17

Placas de expansão também exigem cuidados.

 

 

3) Um bom laboratório de manutenção deve ter pulseiras anti-estáticas para os seus técnicos. Da mesma forma, técnicos cuidadosos também devem usá-las, mesmo que o “patrão” não saiba de sua necessidade e não obrigue o seu uso. Esta pulseira deve ser ligada a um ponto de TERRA na rede elétrica. Trabalhando desta forma, o técnico dificilmente provocará uma descarga eletrostática.

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Figura 18

Pulseira anti-estática e sua utilização.

 

É possível encontrar pulseiras anti-estáticas à venda em lojas de material eletrônico. Podemos ainda sugerir a empresa New Horizon (www.newhorizon.com.br), especializada em equipamentos para proteção anti-estática, que comercializa este tipo de pulseira e vários outros produtos com esta finalidade.

Ao saber pela primeira vez sobre os perigos da eletricidade estática, muitos usuários perguntam se o uso de uma luva de borracha resolve o problema. Não resolve. A descarga eletrostática não precisa de condutores para ser transmitida, e nem pode ser bloqueada por materiais isolantes, como a borracha. A única forma de vencê-la é fazendo uma descarga sobre um corpo metálico, conforme explicamos.

Etiqueta da garantia sobre o processador
As lojas têm que colocar em cada produto vendido, uma etiqueta identificadora para controlar a procedência e o prazo da garantia. No caso de processadores, muitos lojistas colocavam esta etiqueta diretamente sobre a face superior do processador. O grande problema é que esta etiqueta atrapalha a transferência de calor entre o processador e o cooler. O processador pode ficar muito aquecido, resultando em travamentos, um grande incômodo para o usuário. Como o usuário tende a pensar que o hardware está sempre em perfeitas condições, acaba culpando o Windows por todos os problemas. Na verdade o Windows é culpado de uma grande parte dos problemas, mas não de todos eles.

A figura 19 mostra três exemplos de processadores. O primeiro representa as versões mais recentes do Pentium 3. A chapa de metal na sua face superior é por onde o calor é transferido do chip para o cooler. Nunca deve ser colocada etiqueta alguma sobre esta parte. Se for necessário colocar uma etiqueta, coloque-a na parte verde lateral, que não faz contato térmico com o cooler. O processador do meio é o Athlon. Processadores Athlon XP, Duron e diversos modelos do Pentium III e do Celeron antigo também usavam este formato. O calor sai todo pela parte central, que tem cerca de 1 cm de lado. Podemos colocar uma etiqueta como mostra a figura, pois ali não atrapalha a transferência de calor. Processadores como o Pentium 4 e o atual Celeron têm o formato indicado na terceira parte da figura. Não use etiquetas neste processador. Também não é permitido colocar etiqueta na parte inferior do chip, pois não há espaço. Além disso ao colocarmos uma etiqueta sob o processador, corremos o risco de tocar nos seus terminais, danificando o chip com eletricidade estática!

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Figura 19
Exemplos de processadores.

Fonte de alimentação
Até aproximadamente 1997, todas as fontes de alimentação de PCs eram do padrão AT. Surgiu então o padrão ATX, que lentamente substituiu o AT. A figura 20 mostra o principal conector de uma fonte ATX. É um conector de 20 pinos que alimenta a placa de CPU e as placas de expansão. Os outros conectores, usados para alimentar drives de disquetes, discos rígidos, drives de CD-ROM e outras unidades de disco, são idênticos aos existentes nas antigas fontes AT.

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Figura 20

Conector principal de alimentação em uma fonte ATX.

No final do ano 2000 o padrão ATX foi modificado, sendo lançada uma nova versão, chamada ATX12V. A principal diferença é a presença de um conector novo, de 12 volts, e alta corrente (pode chegar a 20 amperes nas fontes mais potentes). Nas fontes AT e nas antigas fontes ATX, a tensão de 12 volts fornecia apenas 1 ampere, para alimentar interfaces seriais, motores de discos e alguns circuitos de placas de som. Nas fontes ATX12V, a tensão de 12 volts fornece uma corrente muito maior. É usada principalmente para fornecer energia diretamente para o processador. Portanto a principal diferença nas fontes ATX12V é a presença de um conector adicional, de 12 volts, com alta corrente. Seu conector possui 4 fios, sendo dois pretos e dois amarelos.

Fontes ATX12V possuem ainda mais um conector para ligar na placa mãe, chamado “conector auxiliar”. Algumas placas de CPU exigem este terceiro conector. A figura 21 mostra os três conectores que enviam corrente para as placas de CPU, em uma fonte ATX12V: conector principal, conector auxiliar e conector de 12 volts.

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Figura 21

Os três conectores que alimentam uma placa de CPU:

1) Conector principal
2) Conector auxiliar
3) Conector de 12 volts

 

Existem placas de CPU que exigem apenas o conector principal. Podem então funcionar tanto com fontes ATX comuns, como com fontes ATX12V. Existe algumas raras placas que exigem o conector principal e o auxiliar (mas são bastante raras). Exigem então uma fonte ATX12V, ou então uma fonte ATX especial com este conector auxiliar (que também são raríssimas). Finalmente existem placas de CPU que exigem os três conectores, e aquelas que exigem o principal e o de 12 volts. Essas placas exigem uma fonte ATX12V. É claro que uma fonte ATX12V pode ser usada com placas de CPU que só precisam do conector principal. No caso, os conectores auxiliar e de 12 volts ficam sem uso, mas não há problema algum.

As fontes ATX12V foram lançadas na mesma época que o Pentium 4. As primeiras placas de CPU para Pentium 4 exigiam uma fonte ATX12V, pois tinham esses três conectores. Por isso as fontes ATX12V passaram a ser chamadas, o são até hoje, de “fonte para Pentium 4”. Este não é o nome técnico dessas fontes. No comércio são chamadas assim, mas no meio técnico e nos manuais, são chamadas de ATX12V.

A troca de nomes não gera problema algum, mas pode deixar alguns usuários confusos. Por exemplo, alguém pode querer devolver uma “fonte de Pentium 4” porque o processador do seu PC é Pentium III, ou Athlon. Não há problema algum, as fontes ATX12V podem ser usadas não apenas com o Pentium 4, mas com qualquer outro processador instalado em uma placa de CPU padrão ATX.

Aliás, existem placas de CPU modernas para Pentium 4 que exigem somente o conector principal, podendo então funcionar com uma fonte ATX comum. Existem ainda algumas placas para processadores Athlon que possuem o conector de 12 volts, exigindo assim uma fonte ATX12V. Por isso é tecnicamente errado chamar essas fontes de “fonte para Pentium 4”.

Cabos de impressoras
As novas impressoras usam interfaces USB, mas há poucos anos usavam a interface paralela. Ainda são milhões dessas impressoras instaladas, e é preciso usar um cabo apropriado para a sua conexão com o computador. No passado essas interfaces eram relativamente lentas, operavam com a taxa de 150 kB/s. Em meados dos anos 90 já eram comuns as impressoras paralelas que operavam no modo ECP (Enhanced Parallel Port). Sua velocidade de comunicação com o computador é bem maior, cerca de 2000 kB/s. Entretanto para operar com esta velocidade é preciso usar um cabo paralelo especial, chamado “cabo IEEE 1284”. Quando uma impressora é fornecida juntamente com o cabo, do tipo paralelo IEEE 1284. Quando a impressora não vem com este cabo, o usuário precisa comprá-lo em uma loja de informática.

1284
Figura 1 – Cabo paralelo IEEE 1284

O problema é que raramente as lojas de informática vendem este cabo. Os importadores não gostam muito de trazê-lo porque são muito pesados (o fio é mais grosso devido à blindagem, necessária para suportar as altas velocidades), e sendo assim o frete é mais caro. Além disso, sendo mais caro, o usuário desavisado acaba comprando o cabo comum.

Mesmo o usuário que sabe da necessidade do cabo IEEE 1284 para as impressoras modernas, encontra dificuldades para comprá-lo. As lojas oferecem cabos comums, ou então cabos chamados de “bidirecional” ou “bitronics”. Esses cabos são na verdade similares aos cabos comuns. Ao serem usados com altas velocidades, ocorrem vários problemas na impressão. A impressora pode imprimir pela metade, ou imprimir dados inválidos, ou apresentar informações erradas sobre falta de papel ou falta de tinta. Para operar com segurança com as interfaces e impressoras modernas, é preciso procurar este cabo. Normalmente lojas especializadas em cabos, ou lojas especializadas em equipamentos USB e Firewire oferecem o cabo IEEE 1284.

Placas de vídeo PCI e AGP
Em meados dos anos 90 foram criadas as placas de expansão PCI. Inicialmente eram apenas as placas de vídeo e as controladoras de disco rígido, que necessitavam de maior velocidade. As outras placas, como modems e placas de som, usavam ainda o padrão ISA. Placas ISA operavam com 16 bits e uma taxa de cerca de 8 MB/s, uma velocidade baixa para uma placa de vídeo ou um disco rígido, mas suficiente para um modem ou uma placa de som. Já as placas ISA operam com 32 bits e 133 MB/s, velocidade boa para discos rígidos, placas de vídeo (da época) e outros dispostiivos de alta velocidade. Quando surgiram as placas de vídeo 3D, que lidam com um tráfego de dados ainda maior, o barramento PCI passou a não atender mais às necessidades de alto tráfego de dados dessas modernas placas de vídeo. Por volta de 1997 surgiram as placas de vídeo AGP. As placas de CPU passaram a apresentar slots AGP, cuja velocidade era de 266 MB/s. Depois surgiram os padrões AGP 2x, AGP 4x e AGP 8x, operando com 533 MB/s. 1066 MB/s e 2133 MB/s, respectivamente. As placas de CPU modernas possuem apenas um slot AGP, que é usado exclusivamente para placas de vídeo.

Tipo de slot Bits Velocidade
ISA 16 8 MB/s
PCI 32 133 MB/s
AGP 32 266, 533, 1066 ou 2133 MB/s

SLOTS

Figura 2 – Slots ISA, PCI e AGP

Na figura 2 vemos um trecho de uma placa mãe, mostrando slots PCI, ISA e AGP. As placas modernas já não possuem mais slots ISA. Até os modems e placas de som atuais, bem como todas as demais placas, são PCI. Já as placas de vídeo 3D modernas são em sua maioria AGP. Podemos entretanto encontrar placas de CPU que não possuem slot AGP. Normalmente são placas com “video onboard”, ou seja, não necessitam da instalação de uma placa de vídeo.

Ocorre que nem sempre o vídeo onboard é de bom desempenho. Na verdade os modelos mais baratos de placas de CPU possuem vídeo onboard com desempenho bastante precário. O usuário precisa instalar uma placa de vídeo para ter melhor desempenho, e é aí que entram as placas de vídeo PCI. Quando a placa de CPU não tem slot AGP, a única forma de suprir a deficiência do vídeo onbaord é instalando uma placa de vídeo 3D PCI.

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Figura 3 – Placa de vídeo PCI

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Figura 4 – Placa de vídeo AGP

As figuras 3 e 4 mostram placas de vídeo 3D nos formatos PCI e AGP. A maioria dos fabricantes produz apenas placas AGP, mas alguns produzem modelos PCI para que os usuários de PCs com vídeo onboard e sem slot AGP possam melhorar o sem desempenho gráfico.

Fisicamente, a diferença entre uma placa de vídeo PCI e uma AGP pode ser constatada pelas suas medidas. O conector PCI fica a cerca de 4 cm da parte traseira da placa. Já o conector AGP é mais afastado, fica a cerca de 6,5 cm da parte traseira da placa (veja as figuras).

Funcionalmente, a diferença está na velocidade. Placas PCI operam com taxa de transferência de 133 MB/s, o que pode ser pouco para os programas gráficos 3D modernos. Placas AGP são bem mais velozes, por exemplo os modelos AGP 8x operam com 2133 MB/s. Quem instalar uma placa 3D PCI terá resultados melhores que os do vídeo onboard (normalmente), mas não serão tão bons quanto os obtidos com uma placa 3D AGP.

É preciso notar ainda que o simples fato de uma placa 3D ser AGP não é suficiente para garantir o alto desempenho. De nada adianta o processador se comunicar rapidamente com a placa 3D, se esta placa não tiver condições de gerar imagens complexas em alta velocidade. De um modo geral, quanto mais barata é uma placa, menos provável é que seu desempenho seja bom. Tradicionalmente as placas com chips da SiS (SiS6236, SiS315, etc.) são baratas e apresentam desempeno sofrível. O chip SiS6326, por exemplo, tem desempenho inferior ao da maioria dos video onbaord, apesar de ser AGP.

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Figura 5 – Placa com chip SiS6326 – FUJA DELA!!!

Vídeo em PAL-M e NTSC
Este ponto é importante para quem quer comprar uma placa digitalizadora de vídeo, ou uma placa para assistir TV no micro. É preciso saber que existem vários sistemas de vídeo. Nos Estados Unidos e diversos outros países é usado o padrão NTSC, na França, Rússia e antigas colônias francesas é usado o SECAM, no Brasil é usado o PAL-M, existem outras variantes do sistema PAL, como o PAL-G e PAL-B, usados na maior parte da Europa. Muitos produtos para vídeo são anunciados como compatíveis como PAL/NTSC, mas este PAL se refere ao padrão europeu. O Brasil é o único país que usa o PAL-M. Produtos de vídeo anunciados simplesmente como PAL não funcionam corretamente com o vídeo PAL-M. A imagem ficará em preto-e-branco.

Esta informação é importante se você pretende adquirir uma placa para assistir TV no micro. É preciso ter certeza de que é compatível com o padrão PAL-M, e não simplesmente o PAL, que é europeu. Por exemplo, as placas Pinnacle PC TV são compatíveis com o PAL-M. Já a Pinnacle DC10, digitalizadora de vídeo bastante comum no mercado brasileiro, não é PAL-M. O vendedor dessas placas deve estar informado sobre quais produtos são PAL-M (que podem ser usados livremente, sendo compatíveis com qualquer TV e videocassete brasileiro), e quais não são PAL-M. Uma placa digitalizadora que não seja PAL-M, como a Pinnacle DC10, pode ser perfeitamente utilizada, mas para isso é preciso que o sinal de vídeo recebido seja NTSC. A maioria dos videocassetes modernos operam com PAL-M e NTSC. Para digitalizar o vídeo de uma fita, por exemplo, programamos a saída do vídeo cassete para NTSC, e a placa digitalizadora reconhecerá corretamente as cores. Uma outra opção é usar um transcoder, que é um aparelho externo que converte sinais de vídeo de PAL-M para NTSC, e vice-versa.

TRANSC
Figura 6 – Transcoder de vídeo

O usuário que quer trabalhar com digitalização de vídeo tem que conhecer toda a técnica, e ainda dominar o assunto sobre sistemas de transmissão de vídeo. O vendedor não precisa conhecer tudo, mas precisa identificar quais produtos são PAL-M e quais não são.

Uma placa para cada processador
Todos sabem que um processador Pentium 4 precisa ser instalado em uma placa para Pentium 4, um processador Athlon XP precisa ser instalado em uma placa para Athlon XP, e assim por diante. É preciso entretanto conhecer diferenças entre os diversos modelos para orientar corretamente o cliente. Um dos pontos mais importantes é o FSB (Front Side Bus), também chamado de System Bus, ou Clock externo.

Todos os processadores possuem duas velocidades: uma interna e uma externa. Podemos chamá-las de clock interno e clock externo. O clock interno está relacionado com a velocidade de execução de programas. Por exemplo: Pentium 4 de 2 GHz, Pentium 4 de 2.4 GHz, Pentium 4 de 3 GHz… Estamos falando do clock interno. Comparando processadores do mesmo tipo, quanto maior é o clock interno, maior será o desempenho.

Também é importante o clock externo, que representa a velocidade de acesso às memórias e às interfaces do computador. Por exemplo, um Pentium 4 com FSB de 400 MHz faz (ou tenta fazer) 400 milhões de acessos à memória a cada segundo. Existem processadores Pentium 4 com FSB de 400, 533 e 800 MHz. Podemos identificar o FSB do Pentium 4 pela sua caixa. Na figura 7 vemos um Pentium 4 de 2.4 GHz com FSB de 533 MHz. Veja a indicação “533 MHz System Bus” na caixa.

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Figura 7 – Pentium 4 de 2.4 GHz com FSB de 533 MHz

Também é possível identificar o FSB do Pentium 4 pelas inscrições na parte superior do chip. Veja por exemplo o chip da figura 8. O penúltimo número indica o FSB, que no exemplo é de 400 MHz.

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Figura 8 – Pentium 4 com FSB de 400 MHz

Processadores Athlon, Athlon XP e Duron também apresentam diferentes valores de FSB: 200, 266, 333 e 400 MHz. Os primeiros Athlons operavam com FSB de 200 ou 266 MHz, dependendo do modelo. Os primeiros processadores Duron operavam com FSB de 200 MHz, os mais novos com 266 MHz. O Athlon XP é fabricado em versões com FSB de 266, 333 e 400 MHz. É fácil descobrir o FSB desses processadores. Basta verificar o código existente na sua face superior. No exemplo da figura 9, o código é AXDA3200KV4E. O último dígito indica o FSB:

B=200 MHz; C=266 MHz; D=333 MHz, E=400 MHz

Processadores Athlon XP são fabricados nas versões C (a maioria), D e E. Processadores Athlon e Duron são fabricados nas versões B e C.

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Figura 9 – Identificação do Athlon XP

É importante identificar o FSB do processador, e também o FSB da placa mãe. Existem placas para Pentium 4 com FSB de 400, 533 e 800 MHz. Entre as placas para Pentium 4, as que possuem FSB de 800 MHz suportam processadores Pentium 4 com FSB de 800, 533 ou 400 MHz. Placas com FSB de 533 MHz suportam versões do Pentium 4 com 533 e 400 MHz. Placas de 400 MHz suportarão apenas processadores Pentium 4 com FSB de 400 MHz.

O mesmo ocorre com as placas para processadores AMD. Placas com FSB de 400 MHz suportam processadores AMD com FSB de 400, 333, 266 e 200 MHz. Placas com FSB de 333 MHz suportam processadores com FSB de 333, 266 e 200 MHz. Placas com FSB de 266 MHz suportam processadores com FSB de 266 ou 200 MHz, e finalmente, placas com FSB de 200 MHz suportam apenas processadores com FSB de 200 MHz.

É fácil descobrir o FSB de uma placa de CPU. Esta informação está sempre estampada na própria caixa, como vemos no exemplo da figura 10.

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Figura 10 – Placa de CPU para Pentium 4, com FSB de 800 MHz

Cabe ao vendedor orientar o usuário na ocasião da compra. Por exemplo, se ele quiser usar um processador Pentium 4 de 3.2 GHz, é preciso saber que este processador tem FSB de 800 MHz. Terá que indicar então uma placa de CPU que também tenha FSB de 800 MHz. Já se for comprado um Pentium 4 de 2.40B (533 MHz FSB), poderá indicar uma placa de CPU com FSB de 533 MHz, mas placas com FSB de 800 MHz também poderão ser usadas.

A resolução do scanner
Scanners de 4800, 9600, 19200 DPI, incrível! Essas resoluções altíssimas não têm utilidade alguma, e nem resultam em melhoramentos na imagem. O que importa é a resolução óptica dos scanners, que nos modelos atuais pode ser de 600 ou 1200 DPI. Ao escanear uma imagem com 10×10 centímetros, usando a resolução de 1200 DPI (pontos por polegada), teremos como resultado uma imagem de 5000×5000, aproximadamente. Usando 600 DPI teremos um arquivo de 2500×2500 pixels, usando DPI teremos cerca de 1250×1250 pixels. Para visualização na tela, não existirá diferença entre as três resoluções. O arquivo precisará na verdade ser “encolhido” para uma resolução menor, como 800×800 para exibição na tela. Se a nossa intenção é imprimir a imagem usando uma impressora de alta resolução, é vantagem optar por 1200 DPI.

Os scanners não são capazes de captar imagens com precisão em resoluções mais altas Todas as resoluções incrivelmente altas dos scanners atuais são obtidas através de interpolação, ou seja, a imagem é “esticada” para simular uma resolução maior. Entretanto este esticamento acaba embaçando a imagem, e não fornece riqueza de detalhes.

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Figura 11 – Ampliação de um trecho de uma foto escaneada com várias resoluções

Observe na figura 11 um trecho de uma foto de uma praia. Ampliamos o trecho, que tem cerca de meio centímetro de lado. Note que a resolução de 1200 DPI já produz um bom detalhamento, mas resoluções superiores não oferecem melhoramento algum. Na prática essas resoluções elevadas não são usadas, pois resultam em arquivos muito grandes e muita demora na transferência da imagem para o computador. Seu único propósito é deixar o cliente impressionado, escolhendo por exemplo um modelo de 19200 DPI, ao invés de um de 4800 ou 9600 DPI. O mesmo efeito de aumento de resolução por meio de interpolação pode ser obtido em uma imagem já armazenada no computador, através de comandos como RESAMPLE ou RESIZE, disponíveis na maioria dos editores gráficos.

Modem ISA
Até aproximadamente 1998 os modems tinham um processador interno, um chip DSP (Digital Signal Processor), memória RAM e ROM. Eram pequenos computadores dedicados ao trabalho de transmitir e receber dados pela linha telefônica. Quando os processadores dos PCs chegaram à marca de 200 MHz e receberam instruções MMX (todos os modelos a partir do Pentium MMX), tornaram-se capazes de fazer o trabalho do DSP existente no modem. Passaram então a ser produzidos os chamados “soft modems”, também conhecidos como “winmodems” ou “HSP Modems”. Esses modems só funcionam quando o processador da placa mãe é bastante veloz. Todos os PCs com processadores mais velozes que 500 MHz podem operar com soft modems, sem problemas. Quanto mais lento é o processador, maior será a dificuldade no uso desses modems. Um processador de 300 MHz, por exemplo, pode ficar 25% do tempo ocupado fazendo o trabalho que seria do DSP. Esses modems são baratos, entretanto não podem ser usados com PCs lentos.

Já os modems antigos, produzidos até 1998, eram em sua maioria, “hard modems”. Eles usavam normalmente o barramento ISA e tinham sua configuração programada através de jumpers, e não pelo sistema PnP (Plug and Play), usado nos modems atuais. Esses antigos modems são indicados para PCs com processadores 486 e mais antigos, e mesmo para PCs com processadores Pentium abaixo de 200 MHz.

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Figura 11 – Um modem ISA

A figura 11 mostra um modem ISA. Este modelo tem muitos chips, entre os quais o processador, o DSP, memória RAM e ROM. Eram modems caros, custavam entre 200 e 400 reais. Já os soft modems são mais simples e mais baratos, chegando a custar hoje cerca de 30 reais (figura 12). São mais simples e possuem menos chips. Normalmente usam o barramento PCI e não possuem jumpers, ou seja, são Plug and Play.

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Figura 12 – Soft modem

A partir dessas diferenças surgiu o seguinte folclore: Hard modems são sempre ISA e possuem jumpers (alguns os chamado de “modem jampeado”), e os soft modems são sempre PCI. Está completamente errado. Existem modems ISA, com jumpers, que são soft modems, como os primeiros modelos de Motorola SM56. Existem ainda modems novos, PCI e sem jumpers, que são “hard modems”, como os modelos 5610, 2976 e 2977 da US Robotics. Portanto é errado afirmar que todos os modems ISA e/ou com jumpers são “hard modems”, e que todos os modelos PCI, sem jumpers, são “soft modems”.

O preço do PC e a qualidade da placa mãe
Normalmente os produtos mais baratos não são os de melhor qualidade. São raríssimas as exceções. Não é diferente no caso das peças que formam o computador. A peça mais importante é a placa de CPU. Usuários mais especializados sabem que existem marcas de placas de CPU de qualidade superior, como Intel, MSI, Asus, Soyo, Gigabyte, FIC, por exemplo. Existem ainda os modelos baratíssimos e de qualidade duvidosa, como PC Chips, ECS e Tomato. Até a própria Asus está produzindo placas de segunda linha, usando a marca ASROCK. Tratam-se de placas Asus mas utilizando componentes de segunda linha, como os utilizados pela PC Chips.

A situação dos lojistas e dos pequenos produtores de PCs fica difícil, pois a maioria dos usuários não se preocupam com a marca da placa mãe, e sim, com o modelo e velocidade do processador. Mas de nada adianta ter um processador veloz e uma placa mãe de baixa qualidade. O PC terá baixa confiabilidade e apresentará constantemente travamentos e outras anomalias. Depois de ter o trabalho de explicar para um cliente que o PC oferecido é 100 ou 200 reais mais caro porque usa uma placa de CPU de primeira linha, o vendedor acaba perdendo o cliente, pois ele entra na loja ao lado e acaba comprando um computador mais barato, com placa mãe PC Chips. O vendedor da loja ao lado acaba convencendo o cliente de que a placa PC Chips é boa e funciona bem. Por isso todas as lojas acabam trabalhando com placas de CPU baratas, caso contrário perdem vendas.

Passado o prazo de garantia do computador, a bomba estoura na mão da assistência técnica. Os técnicos precisam colocar para funcionar PCs que usam placas de CPU problemáticas.

Para saber mais sobre a reputação dos diversos fabricantes de placas de CPU e outros produtos, dê uma olhada em www.sysopt.com/userreviews. Neste site os usuários dão notas para os seus produtos. Você poderá então conhecer melhor os fabricantes e identificar quais deles deixam os usuários satisfeitos ou arrependidos.