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1999 – Processador Pentium III

Processador Pentium III

Autor: Laércio Vasconcelos
Agosto/1999

Esse artigo foi preparado na época do lançamento do Pentium III, e ressalta as suas diferenças em relação ao Pentium III. A informação pode ser útil para quem possui máquinas com as primeiras versões do Pentium III, entre 500 e 600 MHz.

Do ponto de vista do usuário, são três os principais avanços em relação do Pentium II:

Maiores clocks
Novas instruções para multimídia e 3D (SSE)
Identificação do processador através de número de série

A mais relevante alteração é a introdução das novas instruções SSE (Streaming SIMD Extensions). Em uma comparação simplificada, podemos dizer que o Pentium III está para o Pentium II assim como o Pentium MMX está para o Pentium comum. São instruções especializadas em operações comuns em aplicações de áudio, vídeo e geração de imagens tridimensionais. Sem essas instruções, o processador teria que utilizar combinações de outras instruções clássicas para realizar o mesmo trabalho. Essas instruções são SIMD (Single Instruction, Multiple Data – instrução única para múltiplos dados) facilitam os processamentos citados, pois envolvem a aplicação de cálculos fixos a grandes seqüências de dados. Essas instruções tem portanto o objetivo de aumentar a velocidade de processamento de aplicações de multimídia a geração de imagens 3D, apesar de também servir como resposta à tecnologia 3D Now! Da AMD (veja mais adiante comparação com o AMD K6-3).

A inclusão de um número de série em cada processador Pentium III é uma questão polêmica. Quando habilitado pelo usuário, este recurso permite ao processador informar um número único quer o identifica entre todos os demais processadores. Com ele tornam-se mais seguras as transações comerciais pela Internet, e torna mais simples e confiável a identificação de um determinado PC dentro de uma rede. Muitos usuários reclamam sobre outra questão, que é a privacidade. Como cada processador tem seu próprio número, o usuário pode deixar um “rastro” nos sites percorridos ao acessar a Internet (é claro, se este recurso estiver habilitado, e se o computador do usuário estiver carregado com software próprio para prestar esta informação). A outra preocupação é que o uso desta identificação se tornar padrão, os fabricantes de software poderão vincular o número de série do processador ao número de série dos seus softwares. Desta forma seria fácil detectar ou impedir o uso de cópias ilegais de software, um golpe mortal sobre a pirataria. A Intel oferece um software que permite ao usuário desabilitar o número de série. Na verdade o número não é apagado, apenas o processador é impedido de informá-lo. A desabilitação só tem efeito depois que é executado um novo RESET. Da mesma forma, para habilitá-lo é preciso executar um RESET para que volte a ser usado.

Alguns usuários estão temerosos com a possibilidade de, ao acessarem um site de confiabilidade duvidosa, seja feito o download de um programa ou um vírus que habilite a geração do número de série e o transmita pela Internet. Obtendo esses números, uma mente criminosa pode ter muitas aplicações malígnas, como por exemplo fazer compras no lugar de outra pessoa, caso não existam medidas apropriadas de segurança. O problema pode ser evitado, graças ao fato da habilitação só ser efetivada após o próximo RESET. Os fabricantes de Setups podem oferecer um comando para manter o número de série sempre desabilitado, mesmo que tenha sido habilitado por software. Um pequeno utilitário pode fazer a checagem do estado de liberação do número de série e paralisar a atividade caso o usuário tenha optado por não usá-lo. É perfeitamente possível tornar o número de série protegido de hackers e criminosos da rede. Difícil vai ser utilizar a cópia ilegal de um software que só funcione mediante a vinculação do seu próprio número de série com o número de série do processador, caso algum fabricante resolva utilizar este tipo de checagem. É preciso que o fabricante tenha muita coragem para tomar esta decisão, pois estariam produzindo softwares que só funcionam em processadores Intel a partir do Pentium III.

Comparação com o AMD K6-3

Foi notável no ano de 98 a expansão da AMD com o seu processador K6-2, com clocks de até 400 MHz. Esses processadores possuem dois conjuntos de instruções que se juntam às instruções do Pentium original: MMX (Multimedia Extensions, idênticas às da Intel) e 3D Now!, especializadas no processamento de imagens 3D. Tanto o Pentium MMX, o Celeron e o Pentium II possuem as instruções MMX, mas nada semelhante às instruções 3D Now! da AMD. As novas instruções introduzidas pela Intel rivalizam com a tecnologia 3D Now!. Agora temos a Intel com as tecnologias MMX e SSE (também chamada de MMX2), e a AMD com as tecnologias MMX e 3D Now!.

Para que os diversos programas já disponíveis façam uso do 3D Now! é preciso que seja instalado o pacote DirectX 6.0 ou superior. Para usar as novas instruções SSE do Pentium III é necessário instalar o DirectX 6.1 ou superior. O DirectX pode ser obtido em http://www.microsoft.com/directx.

Compatibilidade com o Pentium II

A questão da compatibilidade com o Pentium II é também importante. Usuários de PCs equipados com processadores Pentium II e Celeron certamente ficarão tentados a substituí-los pelo Pentium III, mantendo a mesma placa mãe. O chipset i440BX, usado nas placas de CPU mais modernas (produzidas a partir de meados de 1998) suportam o Pentium III. Segundo a Intel, a máxima eficiência do processador Pentium III é obtida com o uso do i440BX2, uma nova versão já disponível do i440BX, capaz de tirar mais proveito dos modos avançados para transferência de dados entre a memória DRAM e a memória cache. Para quem vai comprar uma placa mãe nova, é melhor dar preferência a este chipset. Usuários de PCs com o i440BX poderão instalar o Pentium III sem problemas, apenas não terão sua máxima eficiência. Já os usuários de PCs Pentium II equipados com o antigo chipset i440FX e o não tão antigo i440LX devem preferencialmente substituir a placa mãe por uma que use o i440BX2. O motivo é que esses antigos chipsets ainda usam o clock externo de 66 MHz, contra os 100 MHz do Pentium III. A queda de desempenho pode ser bem elevada.

Também deve ser tomado cuidado com a questão do ventilador. O Pentium II possui na sua parte posterior uma chapa metálica para acoplar o ventilador e facilitar a dissipação de calor. O seu encapsulamento é conhecido como SECC. O Pentium III não possui esta chapa metálica, ficando exposta a placa onde está o processador e a cache L2. Conjuntos de ventilador/dissipador para o Pentium III deverão conter a chapa metálica apropriada. Ao comprar um Pentium III, não esqueça também de pedir um “cooler” para Pentium III.

Para a Internet

O Pentium III presta uma valiosa contribuição ao uso intensivo de sons, vídeos e imagens 3D em sites da Internet. Graças às avançadas instruções SSE para áudio e vídeo, é possível comprimir bastante esses elementos, tornando rápida a sua transmissão pela Internet. A descompressão, operação que envolve muitos cálculos, pode ser feita de forma mais rápida com as novas instruções do Pentium III. Desta forma imagens de melhor qualidade são transmitidas mais rapidamente e novamente exibidas em alta qualidade no computador receptor. As instruções 3D também agilizam a exibição de elementos 3D (VRML).

K6-3 concorre com o Pentium III

O lançamento do Pentium III praticamente coincide com a disponibilização do K6-3, o novo processador da AMD. Também dotado de clocks elevados (400 e 450 MHz – note que o Pentium III foi lançado em versões de 450 e 500 MHz) e também com previsão de breve lançamento de versões mais rápidas, o K6-3 traz, além das instruções MMX e 3D Now! já existentes no K6-2, um poderoso recurso: uma cache L2 de 256 kB, operando com clock interno igual ao do núcleo do processador. Desta forma este processador pode operar com 3 caches: L1 com 64 kB, L2 com 256 kB (ambas localizadas dentro do chip e operando com o seu clock interno) e a L3, localizada na placa de CPU (512 kB e 1MB são as quantidades mais comuns), operando a 100 MHz. O K6-2/300 rivalizava com o Pentium II/300, com desempenho quase semelhante, mas a 400 MHz, a coisa mudava de figura. Enquanto a cache L2 do Pentium II (e também do Pentium III) opera com metade do clock do núcleo do processador (em um Pentium II de 400 MHz seriam então 200 MHz), a do K6-2 utilizava 100 MHz fixos. Sendo assim, um K6-2/300 é quase tão veloz quanto um Pentium II/300, mas um K6-2/400 é bem menos veloz que um Pentium II/400, exceto no processamento de imagens em 3D. Já o K6-3/400 tem sua cache L2 operando a 400 MHz, contra 200 MHz do Pentium II/400. Mesmo tendo apenas 256 kB contra 512 kB do Pentium II, o fato do clock ser duas vezes maior traz grande vantagem ao K6-3. O Pentium III também tem sua cache L2 operando com metade do clock do núcleo do processador, mas em breve será lançado o Pentium III Xeon, que tem a cache L2 operando com clock igual ao núcleo do processador. Além disso esta cache pode ter 512 kB, 1 MB ou 2 MB. Assim como o Pentium II Xeon, o Pentium III Xeon será destinado ao mercado de servidores.